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Manuel Ribeiro de Pavia

Manuel Ribeiro de Pavia foi um pintor e ilustrador português, neo-realista.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/10/2026
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Obras e exposições

Participou nas Exposições Gerais de Artes Plásticas, entre 1946 e 1953 (1946-1956), na Exposição dos Modernos Gravadores Portugueses (Galeria de Artes e Letras 1955), e na Exposição de Gravura Portuguesa (Pórtico, 1956). Integra a lista de colaboradores da revista Panorama (1941-1949) Em 1950 publicou um conjunto de quinze desenhos denominado Líricas, acompanhados de um texto escrito por José Gomes Ferreira. Em 1952, deu uma entrevista ao jornal Ler. Ilustrou a novela "Senhor e Servo" de Leão Tolstoi, trad. José Marinho, Ed. Inquérito, Lisboa 1958. Intervenção azulejar no "Bloco do Sol", no Lobito, projecto do arquitecto Francisco Castro Rodrigues.

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A morte e depois

Morreu em 19 de Março de 1957 - precisamente no dia em completava 50 anos - no seu quarto-atelier, numa pensão na Rua Bernardim Ribeiro em Lisboa. Eugénio de Andrade, que o conhecia bem, em Os Afluentes do Silêncio, falou dele: "Esta morte, assim sem mais nem menos, que um amigo me comunica, entala-se-me na garganta. «Morreu o Manuel Ribeiro de Pavia. Levou-o uma pneumonia que o foi encontrar depauperado por uma vida quase de miséria. Passava fome! Tinha uma única camisa! Não pagava o quarto há imenso tempo! E nós a falarmos-lhe de poesia...» Assim é: passava realmente fome. Todos nós o sabíamos. E ele a falar-nos de pintura, de poesia, da dignificação da vida. É justamente nisto que residia a sua grandeza. Não falava da sua fome - de que, feitas bem as contas, veio a morrer. A fome não consta de nenhum epitáfio. ..." Em Maio de 1957 a revista Vértice publicou um número especial com depoimentos de intelectuais que é um vivo testemunho da sua actividade na vida artística portuguesa.

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Casa-Museu

Na localidade onde nasceu (Pavia), foi criada a Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia. Em 1983, a Câmara Municipal de Mora compra um prédio no Largo dos combatentes da Grande Guerra, em Pavia, destinado à instalação do Centro Dia da 3ª idade. Um edifício de dois andares implantado no terreiro onde se diz ter nascido Manuel Ribeiro de Pavia. Como o espaço do Centro de Dia ocupa apenas o rés do chão, logo nasce a ideia de usar o primeiro andar para homenagear e perpetuar, na sua terra natal, a obra do artista. O pintor Rogério Ribeiro, velho amigo de Pavia, e com ateliê em Estremoz, apoia a iniciativa e, a troco de nada, desenha o projeto, o mobiliário, monta e decora o espaço, recolhe os materiais que perpetuarão a vida e a obra de MRP. Finalmente, Rogério Ribeiro constitui a Comissão de Honra da Casa-Museu, que integra, além da Câmara Municipal de Mora e da Junta de Freguesia de Pavia, intelectuais e artistas amigos de Pavia e que gentilmente oferecem a grande parte das obras que constituem o acervo da Casa-Museu. A Inauguração acontece a 16 de Junho de 1984. Em 2007, a Casa-Museu celebra o centenário do nascimento de MRP com a edição do livro Pavia, comissariado por Rogério Ribeiro, a exposição Manuel Ribeiro de Pavia, na galeria da Casa da Cultura de Mora, a inauguração de um painel de azulejos em Pavia, localizado no Parque Urbano, e a exposição itinerante Um Príncipe Sem Vintém, que circula pelas escolas da região.

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Uma Amizade Para a Vida

Tinham-se cruzado na pensão da Rua Bernardim Ribeiro quando Alberto Franco Nogueira deixara a casa paterna em Vila Franca de Xira. Alberto tornar-se-á uma das figuras mais influentes do Estado Novo, primeiro como diplomata, depois como ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas a política nunca ensombrou uma amizade, forjada para toda a vida. Alberto e Vera casaram em 1947 e Pavia seria presença assídua à hora de jantar na casa da família, às Amoreiras. Aí deixou inúmeros desenhos e gravuras, como um retrato de Vera, autora do livro Breve, de 1960, que inclui também um poema dedicado ao amigo. A cumplicidade com a família Franco Nogueira incluía longos passeios de automóvel pelo interior país, onde Pavia, com o seu único fato, muito coçado se deixava fotografar por Vera. Em 1957 Alberto e Vera não poderão valer à agonia de Pavia. A sua dramática morte, no dia do seu 50º aniversário, ocorre com o casal em Londres, em funções oficiais. Vera haveria de honrar a memória do artista fazendo publicar nos jornais, a 19 de maio dos anos seguintes, artigos sobre a vida e obra de Manuel Ribeiro de Pavia.

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