Alberto Franco Nogueira
Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira GCTE • GCC • GCIH foi um político e diplomata português durante o Estado Novo.
Alberto Marciano Gorjão Franco Nogueira, filho dum jurista, parecia seguir a tradição familiar ao inscrever-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa no ano de 1935, onde se licenciou com a classificação final de 13 valores em Julho de 1940.
A carreira diplomática
Em 1941, participa num concurso de entrada para o pessoal do Ministério dos Negócios Estrangeiros, tendo alcançado o lugar de adido de legação. Durante o concurso, cujos candidatos foram avaliados por Luís Teixeira de Sampaio, realizou um trabalho sobre Portugal e a Conferência de Berlim. Colocado na Secretaria de Estado, a sua carreira diplomática evoluiu com as nomeações para 3.º secretário (1943) e 2.º secretário de legação (1945). Paralelamente, colaborava na imprensa, como crítico literário. Foi amigo pessoal, entre outros escritores, de Castro Soromenho. Após alcançar o posto de 2.º secretário, Franco Nogueira é enviado para a delegação no Japão, onde chega (já depois do fim da Segunda Guerra Mundial) em janeiro de 1946, vindo a desempenhar as funções de representante português junto do Alto Comando Aliado que ocupava o arquipélago. No final desse ano requer oficialmente autorização para casar com a luso-chinesa Vera Machado Wang, tendo a permissão chegado em julho de 1947 e o matrimónio sido realizado dois meses depois.
Ministro dos Negócios Estrangeiros
Em 16 de abril de 1961 (apenas três dias depois do fracasso do golpe de Botelho Moniz), o Presidente do Conselho reúne-se com Nogueira, convencendo este a aceitar o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, no qual toma posse em 4 de Maio. A 15 de Maio desse ano é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Até abandonar a pasta, em 5 de outubro de 1969, Alberto Franco Nogueira enfrenta uma conjuntura marcada pela guerra em África e pelo crescente isolamento internacional de Portugal que o conflito provoca. Interna e externamente, ataca as Nações Unidas e denuncia aquilo que considera como os interesses imperialistas das grandes potências nas “províncias ultramarinas” portuguesas. Em numerosas visitas oficiais e presenças nas reuniões da NATO, procura, com algum sucesso, ganhar apoios internacionais, deslocando-se ainda a Angola (1964) e Moçambique (1966). Colaborador próximo de Salazar e fiel seguidor da estratégia deste, Nogueira ganha peso no interior do regime. A 29 de Agosto de 1963 é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo e a 1 de Julho de 1966 com a Grã-Cruz da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.
De 1969 a 1974
Abandonado o Governo, entra de licença ilimitada no ministério dos Negócios Estrangeiros e é-lhe atribuído o título, honorífico, de «embaixador», que ostentará até à morte; nesse mesmo ano de 1969 torna-se um dos deputados eleitos para a X Legislatura da Assembleia Nacional. Paralelamente, é nomeado administrador do Caminho-de-Ferro de Benguela e integra o Conselho de Administração do Banco Espírito Santo. De novembro de 1973 a abril de 1974 é Procurador na XI Legislatura, a última, da Câmara Corporativa. As diferenças de opinião em relação ao então Chefe do Governo - num sentido conservador e integracionista - serão numerosas.
A prisão e o exílio
Para a nova situação política saída do 25 de Abril, Nogueira é um dos máximos representantes do regime derrubado. Após o 28 de setembro, é preso pelo Copcon e enviado para a prisão de Caxias, sofrendo de problemas cardíacos que o levam, ainda como detido, ao Hospital de Santa Maria de cujos serviços da UTIC, onde se encontrava desde o enfarte de miocárdio que o levara de urgência ao Hospital, foi "despejado" por pessoal servente e de enfermagem, tendo dado entrada pela madrugada de uma das primeiras noites de Maio de 1975, de maca, na Sala 2 de Caxias onde veio a encontrar-se, muito débil e combalido, com o Dr. César Moreira Baptista (ex-Ministro do Interior), o 5.º Duque de Palmela, o Dr. Francisco Ribeiro de Spínola (irmão do Marechal António de Spínola), Júlio Moreno e mais dez detidos que ocupavam então um espaço inicialmente destinado a sete.
O regresso a Portugal
Entretanto, o ex-ministro regressou em 1981 ao país natal, não deixando de comentar (com um olhar bastante crítico) a evolução do país e do mundo, até morrer em Lisboa no dia 14 de março de 1993, de doença incurável. Nos últimos anos de vida exerceu funções docentes no ensino superior privado: Universidade Livre (Lisboa) (ca. 1981-1986); Universidade Autónoma de Lisboa (1986-1987); e Universidade Lusíada (Lisboa) (1987 ss.). Nesta última chegou a Director do Departamento de História, onde regeu disciplinas de História Contemporânea. Postumamente foi designado doutor honoris causa desta Universidade, onde, no conjunto dos edifícios-sede, em Lisboa, foi dado o seu nome a um anfiteatro.


