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Francisco Manicongo

Francisco Manicongo, também conhecido como Francisco de Congo, foi um escravo africano que viveu em Salvador da Bahia, no Estado do Brasil, na segunda metade do século XVI. Segundo o antropólogo e ativista Luiz Mott, teria sido, juntamente com Vitória do Benim, documentada em Lisboa em 1556, um dos primeiros casos documentados de africanos "homossexuais", sendo acusado de ser e se vestir como um imbanda, sodomita passivo na tradição das partes do Congo. Tornou-se uma figura de destaque a partir da década de 1990, sobretudo entre a comunidade LGBT, após a divulgação do seu caso por Luiz Mott.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Biografia

Em 21 de agosto de 1591, durante a primeira visitação do Santo Ofício à Bahia, Matias Moreira, cristão-velho de Lisboa, morador no Colégio da Companhia de Jesus, denunciou Francisco de Congo, cativo de Antonio Pires, sapateiro,[nota 1] morador abaixo da Misericórdia de Salvador, que não só tinha fama de homossexual entre os negros da cidade, com os quais praticaria o "pecado nefando", como se vestia à maneira dos homosexuais passivos da sua terra natal. No mesmo dia, Duarte, negro da Guiné, filho de gentios de Angola, escravo do mesmo Colégio, denunciando o escravo Joane, também ele acusado de sodomia, disse que repreendendo Joane pôr o perseguir para cometer com ele a dita prática, à época em que também era escravo dos Jesuítas, e dizendo-lhe que "era caso de os queimarem" por isso, lhe respondera Joane "que também Francisco Manicongo, negro de Antonio Pires sapateiro, fazia o dito pecado com outros negros, e que não o queimavam por isso."

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Xica Manicongo

Na década de 2000, a ativista travesti negra Majorie Marchi reinventou Francisco Manicongo como uma travesti, rebatizando-o como "Xica Manicongo". Em 2010, a Associação de Travestis e Transexuais do Rio de Janeiro (ASTRA-Rio), que Marchi presidia, criou o Prêmio Xica Manicongo, que visa reconhecer iniciativas relacionadas com os direitos humanos e promoção da cidadania de travestis e pessoas trans. Em 2018, a estilista baiana Isaac Silva lançou uma coleção de moda em sua homenagem. Em 2021, um quilombo urbano do Rio de Janeiro foi nomeado "Xica Manicongo", em homenagem à figura criada por Marchi. A personagem Xica Manicongo foi enredo do Paraíso do Tuiuti para o carnaval de 2025, em homenagem ao que chamam "a primeira travesti da história do Brasil".

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Fontes consultadas

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