Maacala
Maacala é uma divindade comum ao hinduísmo, budismo e siquismo. No hinduísmo é mais conhecido como Kala Bhairava ou Kalabhairava,. Em tibetano é geralmente chamado Nag po chen ou Gonpo. Em chinês é conhecido por Dàhēitiān (大黑天) e em japonês por Daikokuten (大黒天). No siquismo é chamado Kal e é o governador de Maya.
Mahākāla é um bahuvrihi sânscrito composto por mahā (महत्; "grande") e kāla (काल; "tempo" ou "morte"), que significa "além do tempo" ou "morte". Embora a tradução literal em tibetano seja Nagpo Chenpo (ནག་པོ་ཆེན་པོ།; transliteração Wylie: gnag po chen po), os tibetanos usam regularmente a designação Gonpo (mgon po), que é a tradução da palavra sânscrita Nāth, que significa "senhor" ou "protetor", o que, paradoxalmente ao seu aspeto colérico, sugere que é uma divindade pacífica. Segundo o Shaktisamgama Tantra, o esposo de Cali é extremamente aterrador e vive no meio de oito áreas de cremação. Maacala tem quatro braços, três olhos e o brilho de dez milhões de "fogos negros de dissolução". É geralmente representado sentado em cima de cinco cadáveres, segurando nas mãos um tridente, um tambor, uma espada e uma gadanha. É adornado com oito caveiras e cinzas de cremação e está rodeado de numerosos chacais e abutres que gritam. Tem ao seu lado a sua consorte Cali e ambos representam o fluxo do tempo.
Maacala com seis braços
Nyingshuk ou mgon po phyag drug pa, o Maacala com seis braços, é originário de Khyungpo Nenjor, o fundador da linhagem Shangpa Kagyu e espalhou-se por todas as outras grandes linhagens — Sakya, Nyingma e Gelug — bem como a várias outras linhagens Kagyu. Há também várias linhagens terma com várias formas de Maacalas com seis braços. O Maacala de seis braços Ṣadbhūjasītamahākāla (Wylie: mgon po yid bzhin nor bu) é popular entre os Gelugpas mongóis. Apesar de ter tido origem nos Shangpa Kagyu, Nyingshuk não é o principal protetor dessa linhagem.
Maacala com quatro braços
Várias formas de Maacalas com quatro braços (Chaturbhūjamahākāla; Wylie: mgon po phyag bzhi pa) são os principais protetores das linhagens Karma Kagyu, Drikung Kagyu e Drukpa do budismo tibetano. Na escola Nyingma também se encontram Maacalas de quatro braços, apesar do principal protetor dos ensinamentos Dzogchen (em sânscrito: Mahasandhi) ser Ekajati (Tara Azul).
Maacala com dois braços
A "Maacala de capa negra" com dois braços (Wylie: mgon po ber nag chen) é um dos protetores da escola Karma Kagyu, que enverga o manto negro dum "bruxo māntrika". A sua imagem deriva de termas da escola Nyingma e foi adotada pela Karma Kagyu durante o tempo de Karma Pakshi, 2.º Lama Karmapa (1204–1283). Usualmente é representado com a sua consorte, Rangjung Gyalmo. Embora seja comum pensar-se que é o principal protetor dos Karma Kagyupa, na realidade ele é o principal protetor especificamente dos Karmapas. Pañjaranātha Mahākāla, Senhor da Tenda, é uma emanação de Manjusri e é o protetor da escola Sakya.
No hinduísmo, Maacala é também conhecido como Kala Bhairava ou Mahakala Bhairava e refere-se à última forma de Xiva, pois é o destruidor de todos os elementos. Não há nada para além dele, nenhum elemento, nenhuma dimensão, nem sequer tempo. É por isso que ele é maha (maior) kall (tempo). Kaal é também o tempo da morte, pelo que pode também ser que traz a maior morte, a morte de tudo o que existe. Em algumas regiões de Orissa, Jharkhand e Dooars os elefantes selvagens são adorados como Maacala. Maacala é o nome de Paramashiva, a derradeira forma de divindade, o que é mencionado várias vezes por Calidasa. O principal templo dedicado a Maacala, o Mahakaleshwar Jyotirlinga — situa-se em Ujaim, Madia Pradexe. Maacala é também o nome do criado de Xiva (em sânscrito: gana), juntamente com Nandi, a montada de Xiva, pelo que é frequentemente representado na parte exterior da principal entrada dos templos hindus mais antigos.
No Japão Maacala é conhecido como Daikokuten (大黒天) ou simplesmente Daikoku e é reverenciado como uma importante divindade doméstica, pois é um dos sete deuses da sorte do folclore japonês. Os japoneses usam o símbolo de Maacala como monograma. Os peregrinos que sobrem ao monte Ontake usam tradicionalmente cachecóis brancos de tenugui com a sílaba raiz sânscrita de Mahākāla. Daikokuten é considerado o deus da riqueza ou do lar, especialmente da cozinha. É reconhecível pela sua grande face sorridente e um chapéu plano preto, o que contrasta imenso com a imagem aterradora que se vê na arte tibetana. No Japão ele é retratado segurando uma marreta dourada, conhecida como a marreta do dinheiro mágico, e sentado em fardos de arroz com ratos perto dele (os ratos significam comida abundante).


