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Nīlakaṇṭha Dhāraṇī

A Nīlakaṇṭha Dhāraṇī, também conhecida como Mahākaruṇā(-citta) Dhāraṇī ou Mantra da Grande Compaixão, é uma dhāraṇī budista Mahayana. Ela está profundamente associada ao bodhisattva Avalokiteśvara, sendo uma prece poderosa para invocar sua benevolência e auxílio.

Fonte: Wikipedia (en)Texto didático por IAAtualizado em 26/07/2026

Pontos-chave

  • A Nīlakaṇṭha Dhāraṇī é um mantra budista Mahayana ligado a Avalokiteśvara.
  • Existem versões curtas e longas da dhāraṇī, com a curta de Bhagavaddharma sendo padrão no Leste Asiático.
  • A dhāraṇī é amplamente praticada na China, Coreia, Japão e Vietnã, com variações locais.
  • Sua origem remonta a recitações do nome da divindade Nīlakaṇṭha por Avalokiteśvara.
  • A versão de Bhagavaddharma (T. 1060) é a mais popular e influente na prática contemporânea.
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Versões da Dhāraṇī

Existem diversas recensões da Nīlakaṇṭha Dhāraṇī, classificadas principalmente em duas categorias: a versão curta e a versão longa, cada uma com suas particularidades e difusão em diferentes regiões.

Versão Chinesa

A versão curta é a mais comum no Leste Asiático, especialmente a encontrada no 'Sūtra do Coração da Grande Compaixão, Vasto, Perfeito e Desimpedido, do Bodhisattva Avalokitasvara de Mil Mãos e Mil Olhos' (T. 1060, K. 0294). Este texto foi traduzido por Bhagavaddharma, um monge da Índia ocidental, entre 650 e 660 d.C. Manuscritos da dhāraṇī em chinês foram descobertos em Dunhuang, na Rota da Seda, evidenciando a tradução de Bhagavaddharma, que transliterou Nīlakaṇṭha como 'Narakindi', uma forma centro-asiática do sânscrito.

Versão Tibetana

Pelo menos três versões da forma mais longa da dhāraṇī existem em tibetano. Uma foi feita em meados do século IX por Chödrup, supostamente do chinês, mas mais próxima da versão de Vajrabodhi e considerada a mais longa e completa. Uma tradução anônima anterior a Chödrup também existe. Uma terceira versão foi criada por Changkya Rölpé Dorjé no século XVIII, que, embora alegasse ser uma reconstrução do texto de Zhitōng, segue completamente as leituras tibetanas, com diferenças significativas em relação à versão de Chödrup.

Outras Versões

Um fragmento de manuscrito do século VIII (Or.8212/175), contendo a versão mais longa da dhāraṇī em escrita brâmane tardia e sogdiana, foi descoberto por Sir Aurel Stein nas Cavernas de Mogao em Dunhuang. Publicado em 1912, o manuscrito intitula a dhāraṇī como 'a dhāraṇī dos nomes de Āryāvalokiteśvara-Nīlakaṇṭha com mil mãos'. Este texto tem grande afinidade com a versão T. 1061 de Vajrabodhi e é seguido por um mantra curto e não identificado para 'realizar todos os desejos'.

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Contexto e Origens

A Nīlakaṇṭha Dhāraṇī tem um rico pano de fundo histórico e iconográfico, conectando-se com a introdução de divindades populares no panteão budista e a evolução da imagem de Avalokiteśvara.

Nīlakaṇṭha-lokeśvara

Segundo Lokesh Chandra (1988), a dhāraṇī originalmente era uma recitação dos nomes da divindade (lokeśvara) Nīlakaṇṭha, proferida pelo bodhisattva Avalokiteśvara. Avalokiteśvara introduziu divindades populares (loka-iśvara) no budismo ao pronunciar suas dhāraṇīs, que afastavam males e concediam desejos. Na versão mais longa de Vajrabodhi (T. 1061), a dhāraṇī é explicitamente referida como 'proferida pelo nobre Avalokiteśvara', indicando que Avalokiteśvara a pronunciava, mas ainda não era identificado com Nīlakaṇṭha.

Avalokiteśvara de Mil Braços

A primeira imagem do Avalokiteśvara de mil braços (sahasra-bhuja), uma forma popular no Leste Asiático, foi apresentada ao Imperador Tang por um monge indiano chamado Guptadeva (?) entre 618 e 626 d.C. Embora não haja vestígios dessa iconografia na Índia, sua origem indiana é provável, dado que um monge indiano a trouxe para a China e todos os textos chineses sobre o Avalokiteśvara de mil mãos são traduções de sânscrito ou páli. Uma teoria sugere que essa forma pode ter se originado na Caxemira e se espalhado para o norte, mas não para o sul da Índia, explicando a escassez de artefatos indianos.

A Popularidade da Versão de Bhagavaddharma (T. 1060)

Entre as várias transliterações da dhāraṇī em chinês, a de Bhagavaddharma (T. 1060) tornou-se o padrão no Leste Asiático. Bhagavaddharma foi um monge da Índia ocidental que chegou à China em meados do século VII. O Taishō Tripitaka contém apenas duas obras dele, ambas sobre o Avalokiteśvara de mil braços (T. 1059, 1060). Sua versão da dhāraṇī, feita em Khotan por volta de 650-661 d.C., garantiu sua imortalidade. Sua popularidade é atestada por manuscritos de Dunhuang do século VIII, alguns dos quais são trechos dos dez grandes votos contidos no sūtra.

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Na Prática Budista

A Nīlakaṇṭha Dhāraṇī, agora firmemente associada à forma sahasra-bhuja de Avalokiteśvara, desfruta de imensa popularidade no Budismo Mahayana do Leste Asiático, com práticas e denominações distintas em cada cultura.

Budismo Chinês

A dhāraṇī é especialmente reverenciada na China, Taiwan e comunidades chinesas no exterior, onde o Avalokiteśvara de mil braços (Qianshou Guanyin) é a forma mais popular do bodhisattva. É comumente chamada de 'Mantra da Grande Compaixão' (Dàbēi zhòu), um epíteto também (erroneamente) aplicado a uma dhāraṇī diferente e mais curta, a do Avalokiteśvara de Onze Cabeças (Ekādaśamukha). Gravações musicais desta última são frequentemente rotuladas como 'Mantra Tibetano da Grande Compaixão' ou 'Mantra da Grande Compaixão em Sânscrito', gerando confusão.

Budismo Coreano

Na Coreia, a dhāraṇī – geralmente referida como Sinmyo janggu daedalani ('A Grande Dhāraṇī de Versos Maravilhosos') ou Cheon-su gyeong ('Sutra das Mil Mãos') – é um elemento regular dos rituais budistas. Cópias da dhāraṇī, escritas em Hangul e na variante coreana da escrita Siddhaṃ, são penduradas em casas para atrair boa sorte.

Budismo Japonês

No Japão, a dhāraṇī é mais associada às escolas Zen, como Sōtō (onde é chamada Daihishin darani, 'Dhāraṇī do Grande Coração Compassivo') ou Rinzai (que a denomina Daihi Enman Muge Jinshu, 'Mantra Divino da Vasta e Perfeita Grande Compaixão', ou Daihi shu). É amplamente utilizada: entoada diariamente por monges Zen, em funerais e em cerimônias de alimentação de fantasmas famintos (segaki). Uma versão da dhāraṇī também é encontrada na escola esotérica Shingon, onde no início do século XX era uma das três dhāraṇīs mais reverenciadas. Contudo, a Dhāraṇī Raiz de Amitābha parece ter tomado seu lugar.

Budismo Vietnamita

No Vietnã, a dhāraṇī é chamada Chú Đại Bi (tradução vietnamita do título chinês Dàbēi zhòu). É quase idêntica à versão de Bhagavaddharma, mas com uma divisão de texto diferente (84 versos em vez de 82). O texto está disponível com ou sem numeração de versos. Na entrada de muitas pagodas, especialmente em locais turísticos, o Chú Đại Bi é oferecido aos visitantes, impresso em folha única ou em livreto colorido, por iniciativa de praticantes budistas que fazem uma oferenda à sangha.

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Textos e Traduções

O Mantra da Grande Compaixão (Dàbēi Zhòu) possui inúmeras versões e edições, que variam em extensão, conteúdo, pronúncia e escrita. Sua história textual reflete uma transição das origens sânscritas indianas para múltiplas recensões chinesas e tibetanas, classificadas principalmente em versões 'curtas' e 'longas'.

A Versão Curta

Com pequenas diferenças na divisão do texto e variações mínimas na redação, as versões chinesa, vietnamita e japonesa da dhāraṇī são substancialmente as mesmas. Elas se baseiam na versão curta de Bhagavaddharma (T. 1060) e/ou em uma versão similar de Amoghavajra (T. 1113b). A forma da dhāraṇī comumente escrita e recitada no budismo chinês é uma transcrição fonética do sânscrito, não uma tradução. Por exemplo, 'hēlàdánà·duōlàyèyé' translitera 'ratna-trayāya' (três tesouros), que seria traduzido como 'sānbǎo'.

A Versão Longa

O texto sânscrito de Vajrabodhi, reconstruído por Chandra (1988), é um exemplo da versão longa. Ele começa com 'Namo ratna-trayāya | nama āryĀvalokiteśvarāya bodhisattvāya mahāsattvāya mahākāruṇikāya...' e continua com uma série de invocações e atributos de Avalokiteśvara. Esta versão detalhada inclui descrições mais elaboradas e invocações adicionais em comparação com as versões mais curtas. As versões longas, como as preservadas por Amoghavajra ou encontradas no Kangyur tibetano, oferecem uma compreensão mais aprofundada das múltiplas formas do bodhisattva.

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Comparação de Versões Sânscritas

Para facilitar a comparação, os seguintes textos sânscritos são apresentados sinopticamente, destacando elementos-chave da dhāraṇī: 'tasmai namaskṛtvā imaṃ āryĀvalokiteśvara-bhāṣitaṃ Nīlakaṇṭha-nāma | kṛṣṇa-jaṭā-makuṭā 'varama prarama virama mahāsiddha-vidyādhara | ntaṃ lokita-vilokitaṃ Lokeśvaram tathāgataṃ |'.

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