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Luís XVIII de França

Luís XVIII, conhecido como Luís, o Desejado, foi o Rei da França e Navarra de 1814 até sua morte, exceto por um período em 1815 conhecido como o Governo dos Cem Dias. Luís passou 23 anos em exílio, de 1791 a 1814, durante a Revolução Francesa, a Primeira República Francesa e o Primeiro Império Francês, e depois novamente em 1815 durante os Cem Dias quando Napoleão Bonaparte voltou da Ilha de Elba.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/10/2026
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Início de vida

Louis Stanislas Xavier nasceu no dia 17 de novembro de 1755 no Palácio de Versalhes, Versalhes, sendo filho de Luís, Delfim da França, e sua esposa Maria Josefa da Saxônia. Foi chamado de Conde da Provença desde seu nascimento. Era neto do rei Luís XV, sendo um Filho da França como filho do Delfim. Luís foi batizado seis meses após seu nascimento como era a tradição da Casa de Bourbon, não tendo nenhum nome durante esse período. Ao ser batizado, também se tornou membro da Ordem do Espírito Santo. Foi nomeado Luís porque era um nome típico para príncipes franceses, Estanislau em homenagem ao seu bisavô o rei Estanislau I da Polônia, e Xavier em homenagem a São Francisco Xavier, que era um dos patronos da família de sua mãe. Luís era o quarto na linha de sucessão na época de seu nascimento, atrás de seu pai e seus dois irmãos mais velhos: José, Duque da Borgonha, e Luís Augusto, Duque de Berry. José morreu em 1761, deixando o Duque de Berry como o herdeiro até a morte prematura do Delfim em 1765. As duas mortes deixaram Luís em segundo na sucessão, enquanto Berry tornou-se o novo Delfim.

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Casamento

Luís se casou em 14 de maio de 1771 com a princesa Maria Josefina de Saboia, filha de Vítor Amadeu III de Saboia, Rei da Sardenha e sua esposa Maria Antônia da Espanha. Seguiu-se um luxuoso baile seis dias depois. Luís tinha repulsa da esposa, que era considerada feia, tediosa e ignorante dos costumes da corte de Versalhes. O casamento permaneceu sem consumação por anos; biógrafos discordam sobre o motivo. As teorias mais comuns propõem que Luís era impotente ou que sua falta de desejo se devia pela falta de higiene pessoal de Maria Josefina: ela não escovava os dentes, não tirava as sobrancelhas e não usava perfumes. Luís era obeso na época do casamento e bamboleava ao invés de caminhar. Ele não fazia exercícios e se alimentava com enormes quantidades de comida. Apesar de Luís não ter se encantado com a esposa, ele gabava-se que os dois tinham vigorosas relações conjugais – porém tais declarações não eram levadas muito a sério pelos cortesãos de Versalhes. Ele afirmava que Maria Josefina estava grávida para aborrecer Luís Augusto e sua esposa Maria Antonieta da Áustria, cujo casamento ainda não havia sido consumado. O Delfim e o Conde da Provença não tinham uma relação harmoniosa e frequentemente brigavam, assim como suas esposas. Luís engravidou a mulher em 1774, tendo superado sua aversão. Entretanto, a gravidez terminou em aborto. Uma segunda gravidez em 1781 também terminou em aborto e o casamento permaneceu sem filhos.

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Reinado de Luís XVI

Luís XV adoeceu com varíola em 27 de abril de 1774, morrendo em 10 de maio. O Delfim sucedeu ao avô no trono como rei Luís XVI. Luís recebeu o título de Monsenhor como irmão do rei. Ele almejava influência política, tentando sem sucesso entrar para o conselho real em 1774. O Conde da Provença acabou ficando em um limbo político que ele chamou de "uma lacuna de doze anos na minha vida política". Luís XVI deu ao irmão em dezembro as rendas do Ducado de Alençon. O título deveria aumentar o prestígio de Luís, porém o apanágio gerava apenas trezentos mil livres por ano, uma quantia muito mais baixa que seu pico no século XIV. Luís viajou pela França mais que qualquer outro membro da família real, que raramente deixavam Ilha de França. Ele acompanhou sua irmã Maria Clotilde a Chambéry em 1774 em uma jornada para encontrar o noivo dela Carlos Emanuel, Príncipe de Piedmont e herdeiro do trono da Sardenha. Ele visitou Lyon no ano seguinte e suas tias Maria Adelaide e Vitória enquanto passavam por Vichy. As quatro viagens provinciais que Luís realizou antes de 1791 totalizaram três meses.

Revolução Francesa

Os Estados Gerais se reuniram em maio de 1789 para ratificar reformas financeiras. Luís era a favor de uma posição forte contra o Terceiro Estado e suas exigências de reformas tributárias. O Terceiro Estado se autodeclarou em 17 de junho a Assembleia Nacional do povo francês. O Conde da Provença pediu ao rei que agisse fortemente contra a declaração, enquanto o popular Necker tinha a intenção de negociar. Luís XVI permaneceu caracteristicamente indeciso. A assembleia se declarou em 9 de julho a Assembleia Nacional Constituinte com a intenção de escrever uma constituição para a França. O rei dispensou Necker dois dias depois, causando grandes tumultos por toda Paris. Um regimento de cavalaria comandado por Carlos Eugênio de Lorena, Príncipe de Lambesc, atacou em 12 de julho uma multidão reunida nos jardins do Palácio das Tulherias, com a Tomada da Bastilha ocorrendo dois dias depois.

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Exílio

Primeiros anos

Luís e Maria Josefina fugiram em junho de 1791 para os Países Baixos Austríacos, se autoproclamou regente da França ao chegar. Ele mostrou um documento que havia escrito com Luís XVI antes de fugir, que lhe dava a regência no caso da morte do irmão ou sua incapacidade de realizar suas funções como rei. Luís juntou-se a outros príncipes em exílio em Coblença, onde ele, Carlos e os Condés declararam sua intenção de invadir a França. O rei ficou irritado pelas ações do irmão. O Conde da Provença enviou emissários para várias cortes europeias pedindo por auxílio financeiro, soldados e munição. Carlos conseguiu um castelo no Eleitorado de Tréveris para a corte em exílio, onde seu tio materno príncipe Clementino Venceslau da Saxônia era o Arcebispo-Eleitor. As atividades dos príncipes tiveram fruto quando os governantes da Prússia e do Sacro Império Romano-Germânico se reuniram em Dresden. Eles publicaram a Declaração de Pillnitz em agosto, que pedia para a Europa intervir na França caso Luís XVI ou sua família estivessem em perigo. O apoio do Conde da Provença à declaração não foi bem recebido na França, tanto pelos cidadãos ordinários quanto pelo rei.

Rússia e Prússia

Luís estava lutando pela custódia de Maria Teresa desde que ela havia sido libertada da Torre do Templo. Ele conseguiu quando Francisco II, Sacro Imperador Romano-Germânico, concordou em abrir mão de seu direito em 1796. Ela estava vivendo em Viena com seus parentes Habsburgo desde janeiro de 1796. Luís se mudou para Blanquemburgo no Ducado de Brunsvique depois de partir de Verona, vivendo em um modesto apartamento de dois dormitórios em cima de uma loja. Ele foi forçado a deixar a cidade quando o rei Frederico Guilherme II da Prússia morreu. Por causa disso, Maria Teresa decidiu esperar um pouco mais antes de se reunir com o tio. O imperador Paulo I da Rússia ofereceu a Luís em 1798 o uso do Palácio de Jelgava na Curlândia. Paulo também garantiu sua segurança e lhe deu uma generosa pensão, que entretanto acabou posteriormente retirada. Maria Teresa finalmente se juntou a Luís em 1799. Ele escreveu no final de 1798 e início de 1799 uma biografia de Maria Antonieta chamada Reflexões Históricas sobre Maria Antonieta. Luís tentou recriar a corte de Versalhes em Jelgava, onde muitos de seus antigos cortesãos passaram a viver, restabelecendo cerimônias como a lever e a coucher, que acompanhavam respectivamente o levantar da cama e o ir para a cama.

Reino Unido

Luís trouxe Maria Josefina da Europa continental em 1808. Sua estadia em Gosfield Hall não durou muito, com ele logo se mudando para a Casa Hartwell em Buckinghamshire, onde mais de cem cortesãos passaram a viver. Luís pagou quinhentas libras esterlinas de aluguel anualmente ao proprietário sir George Lee. Jorge, Príncipe de Gales, foi muito caridoso com os Bourbon. Como Príncipe Regente, ele lhes deu direito de asilo permanente e pensões extremamente generosas. Carlos não juntou-se à corte em exílio em Hartwell, preferindo continuar sua vida frívola em Londres. O Conde de Avaray partiu em 1809 para Madeira, Portugal, onde acabou morrendo em 1811. Luís o substituiu como seu principal conselheiro político por Luís João Casimiro, Conde de Blacas. Sua esposa Maria Josefina acabou morrendo em 13 de novembro de 1810. Luís sofreu no mesmo inverno um caso particularmente grave de gota, um problema que havia se tornando recorrente para ele em Hartwell, sendo forçado a ficar em uma cadeira de rodas.

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Reinado

Restauração

Carlos governou como Tenente-General do reino até a chegada de Luís em Paris no dia 3 de maio. Ao retornar, o novo rei se mostrou para seus súditos ao criar uma procissão pela cidade. Ele passou a morar no Palácio das Tulherias no mesmo dia. Maria Teresa desmaiou ao ver as Tulherias, local em que havia vivido durante a Revolução Francesa. O Senado Conservador de Napoleão convidou Luís para o trono sob a condição que ele aceitaria uma constituição que implicava no reconhecimento da república e do império, um parlamento de duas câmeras eleito todos os anos e a bandeira tricolor dos regimes anteriores. Luís se opôs à constituição do senado e afirmou que estava "dissolvendo o senado atual em todos os crimes de Bonaparte, e apelando para o povo francês". A constituição foi queimada em um teatro realista de Bordeaux, com a Câmara Municipal de Lyon votando por um discurso que difamava o senado.

Cem Dias

Napoleão escapou de seu exílio na Ilha de Elba em 26 de fevereiro de 1815 e embarcou para a França. Ele chegou perto de Cannes em 1 de março com aproximadamente mil tropas. Luís não se preocupou muito com a incursão de Napoleão, já que um número tão pequeno de homens poderia ser facilmente derrotado. Entretanto, um dos grandes problemas dos Bourbon até aquele momento era que o rei não tinha conseguido retirar de seu exército tropas bonapartistas. Isso ocasionou grandes deserções para o lado de Napoleão. Além disso, Luís não podia se juntar à campanha no sul da França por estar sofrendo outro ataque de gota. Nicolas Jean de Dieu Soult, ministro da guerra, enviou Carlos, Luís Filipe III, Duque de Orleães, e Jacques MacDonald para prenderem Napoleão.

Estabilização e política

Luís prontamente voltou para a França depois da derrota de Napoleão "no comboio de bagagem do inimigo" (com as tropas de Wellington) para garantir sua segunda restauração. O duque usou a pessoa de Luís para abrir caminho até Paris, já que algumas fortalezas se recusavam a se render para os aliados, mas concordavam em se entregar ao seu rei. Ele chegou em Cambrai no dia 26 de junho, onde emitiu uma proclamação afirmando que todos aqueles que serviram com o ex-imperador nos Cem Dias não seriam perseguidos, exceto pelos "instigadores". Também reconhecia que seu governo pode ter cometido alguns erros durante a primeira restauração. Em 29 de junho, uma delegação de cinco membros da Câmara dos Deputados e da Câmara dos Pariatos foi até Wellington falar sobre colocar um príncipe estrangeiro no trono da França. Ele rejeitou a proposta de imediato, dizendo que "[Luís é] o melhor caminho para preservar a integridade da França". O duque mandou os deputados apoiarem a causa do rei. Luís entrou em Paris no dia 8 de julho e teve uma recepção barulhenta: os jardins do Palácio das Tulherias estavam lotados de cidadãos e, de acordo com o próprio Wellington, a aclamação das multidões foi tão alta que ele não conseguia conversar com o rei.

Últimos anos

As câmaras aprovaram em 1818 leis militares que aumentavam o tamanho do exército para mais de cem mil homens. Em outubro do mesmo ano, du Plessis convenceu os exércitos estrangeiros que ocupavam a França a partirem mais cedo em troca de uma quantia de duzentos milhões de francos. O rei escolheu muitos ministros de centro com a intenção de agradar a população, muito para o desalento de seu irmão Carlos, um ultrarrealista. Luís sempre temeu o dia de sua morte, acreditando que seu irmão e herdeiro abandonaria o governo centrista por uma autocracia ultrarrealista, algo que ele tinha certeza de que não traria resultados positivos. Ele não gostava do príncipe de sangue Luís Filipe III, Duque de Orleães, tomando todas as oportunidades para desprezá-lo, negando-lhe o estilo de "Sua Alteza Real" parcialmente por ressentimento do pai do duque ter votado pela execução de Luís XVI. O sobrinho de Luís, Carlos Fernando, Duque de Berry, foi assassinado em 14 de fevereiro de 1820. A família real foi tomada pela dor e o rei quebrou uma antiga tradição ao comparecer ao funeral do sobrinho, já que os reis da França não podiam ser associados com a morte. A morte de Carlos Fernando colocou a Casa de Orleães mais próxima de suceder ao trono futuramente.

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