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Livro dos Provérbios

O Livro dos Provérbios ou Provérbios de Salomão é um dos livros do Tanakh e do Antigo Testamento que integra a seção do ketuvim e dos livros poéticos. É composto por uma coleção de poemas e provérbios atribuídos majoritariamente ao rei Salomão, mas também a Agur e à mãe do rei Lemuel. Seu objetivo é orientar acerca da correta conduta moral e do funcionamento da sociedade e da natureza humana, baseando-se nas ideias de que "o temor a Deus é o princípio da sabedoria" e de que esta é um força cosmogônica e essencial para uma vida boa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Estrutura

Os subtítulos dividem as coleções da seguinte forma:

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Conteúdo

"Provérbios" é a tradução para o latim da palavra hebraica "mashal", que tem um significado mais amplo do que o do termo "provérbio" em português: um dito curto e atrativo. Assim, apesar de quase metade do livro ser composta por "ditos" deste tipo, a outra é composta de longas seções poéticas de tipos variados. Entre elas, "instruções" formuladas como conselhos de um professor ou pai endereçado a um estudante ou criança, personificações dramáticas, tanto de sabedoria quanto de tolice, e "ditos dos sábios", mais longos que os ditos "salomônicos" e mais curtos (e mais variados) que as "instruções". A primeira seção (capítulos 1 a 9) é um convite inicial aos jovens para tomem o caminho da sabedoria, dez "instruções" e cinco poemas sobre a "Sabedoria" personificada numa mulher. Do capítulo 10 até 22:16, com 375 ditos, está dividido em duas partes, a primeira contrastando o sábio e o tolo (ou o justo e o mau) e a segunda com os discursos do sábio e do tolo. Os capítulos 25 a 29, cuja edição é atribuída aos "homens de Ezequias", contrasta o justo e o mau, com um tópico sobre o rico e o pobre. Provérbios 30:1–4, os "ditos de Agur", introduzem a criação, o poder de Deus e a ignorância dos homens.

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Composição

É impossível precisar as datas dos ditos em Provérbios. A frase geralmente utilizada como título, "Provérbios de Salomão" ("mishley shelomoh"), está presente em Provérbios 1:1 (e repete-se em Provérbios 10:1 e Provérbios 25:1). Provavelmente trata-se de uma tentativa de dar um título ao material e não uma atribuição de autoria. O livro é uma antologia em seis unidades discretas. A primeira, capítulos 1 a 9, foi provavelmente a última a ser composta, já nos períodos persa e helenístico. Esta seção é similar a outros textos cuneiformes mais antigos. A segunda, do capítulo 10 a 22:16, tem o título de "Os Provérbios de Salomão", o que pode ter encorajado a sua adoção no cânone da Bíblia hebraica. A terceira, cujo título é «Inclina o teu ouvido e ouve as palavras do sábio» (Provérbios 22:17), é, em grande medida, uma versão hebraica de uma obra egípcia do segundo milênio a.C., a Instrução de Amenemope. É possível que ela tenha chegado às mãos do autor (ou autores) através de uma tradução aramaica. Em 24:23 começa uma nova seção, de outra fonte, com o título de «Estes também são provérbios dos sábios» (Provérbios 24:23). A seção seguinte, que começa em 25:1, tem um título que indica que os provérbios seguintes foram transcritos "pelos homens de Ezequias", o que indica, assumida a veracidade da afirmação, que os provérbios seguintes foram colecionados durante o reinado de Ezequias no final do século VIII a.C. Os capítulos 30 e 31 (as "palavras de Aguar", as "palavras de Lemuel" e a descrição da mulher ideal) são apêndices, bem diferentes em estilo e na ênfase dos capítulos anteriores.

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Temas

Juntamente com outros exemplos da tradição sapiencial bíblica — Livro de Jó, Eclesiastes e outros — Provérbios levanta questões sobre valores, comportamento moral, o significado da vida humana e da conduta direita. Os três ainda mantém sua relevância tanto para leitores religiosos quanto para laicos, Jó e Eclesiastes pela ousadia de sua discordância em relação à tradição recebida, Provérbios por sua astúcia mundana e satírica. Estes textos são os mais próximos na literatura bíblica da filosofia grega, da qual é contemporânea; ela compartilha com os gregos o questionamento de valores e reflexões sobre a condição humana, mas sem discussões sobre ontologia, epistemologia, metafísica e outros assuntos abstratos levantados pelos gregos. Provérbios quase foi excluído do cânone bíblico por suas contradições (resultado de sua origem e de sua condição de "coleção de coleções"). Como exemplo, «Não respondas ao louco segundo a sua loucura, Para que não te faças semelhante a ele» (Provérbios 26:4) é seguido de «Responde ao louco segundo a sua loucura, Para que ele não seja sábio aos seus olhos» (Provérbios 26:5), uma clara contradição. Além disto, o tema recorrente da primeira seção é que o temor a Deus é o princípio da sabedoria, mas as seções seguintes são muito menos teológicas e apresentam a sabedoria como uma habilidade aprendida pelos homens e transmitida entre eles. Somente nas "palavras de Agur", em Provérbios 30:1–14, é que se retorna à ideia de que apenas Deus é sábio.

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Interpretações posteriores e influência

O Antigo Testamento do período anterior ao cativeiro na Babilônia (antes de 586 a.C.) não admitia iguais a Javé no céu, apesar da existência de admitir a existência de uma assembleia de seres celestes lhe servindo. Os escritores pós-exílio da tradição sapiencial desenvolvera a ideia de que a Sabedoria existia antes da criação e foi utilizada por Deus para criar o universo: "Presente desde o princípio, a Sabedoria assume o papel de construtora principal enquanto Deus estabelece os céus, restringe as águas caóticas e modela as montanhas e campos". Emprestando ideias dos filósofos gregos, que defendiam que a razão mantinha o universo coeso, a tradição sapiencial ensinava que a Sabedoria, Palavra e Espírito de Deus eram a base da unidade cósmica. O cristianismo, por sua vez, adotou estas ideias e as aplicou a Jesus: a Epístola aos Colossenses chama Jesus de «...a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação» (Colossenses 1:15) e o Evangelho de João identifica Jesus como sendo a palavra criativa: «No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.» (João 1:1).

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Fontes consultadas

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