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Língua turca

A língua turca é uma língua falada, como língua materna, por cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente na Turquia, mas também no norte do Chipre, na Bulgária e, em menor número, na Grécia, Arménia, Romênia e Macedônia do Norte. O turco também é falado por milhões de imigrantes na União Europeia e na América.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Classificação

O turco integra o ramo das línguas turcomanas (ou túrquicas) que faz parte do grupo Oguz, o qual também inclui as línguas azeri e gagauz, da família das línguas altaicas. As línguas oguzes do sub-grupo sudoeste túrquico são mais de 50 ainda vivas na Europa oriental, Ásia central e Sibéria. O turco corresponde a cerca de 40% dos falantes do grupo túrquico. Suas características, tais como a harmonia das vogais, a aglutinação, a ausência de gêneros, estão presentes nas famílias túrquica e altaica.

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Distribuição geográfica

O turco é falado na Turquia como língua nativa e por minorias em outros 35 países, em geral aqueles que pertenceram ao Império Otomano, como a Bulgária, a Grécia (na Trácia ocidental), a Romênia, a Macedônia do Norte, Sérvia, e Chipre. Há mais de dois milhões de turcos na Alemanha, há também significativas comunidades turcas na França, Países Baixos, Áustria, Bélgica, Suíça, Reino unido. Em função da assimilação cultural dessas comunidades aos países onde vivem, nem todos os imigrantes que são turcos étnicos falam o turco com a mesma fluência dos que ficaram na Turquia. Na Turquia, cerca de 85 milhões de pessoas (92% da população) falam o idioma turco. No mundo, os falantes de turco são da ordem de 76 milhões. Os 4,5 milhões de Curdos, com seu próprio idioma, fazem parte da população da Turquia. Essas e outras minorias linguísticas na Turquia são, em sua maior parte, bilingues.

Status oficial

O turco, ou osmandi, é a língua oficial da Turquia e o idioma de fato da República Turca de Chipre do Norte. É, ademais, uma das línguas oficiais de Chipre, um dos idiomas oficiais ou nacionais da Bulgária, no distrito de Prizren em Kosovo e em algumas municipalidades na Macedônia do Norte. O órgão regulatório do idioma turco é o Türk Dil Kurumu ou TDK ("Instituição da Língua Turca") da Turquia, fundado em 1932 por Kemal Atatürk como Türk Dili Tetkik Cemiyeti ("Sociedade para a Pesquisa da Língua Turca"). Essa sociedade foi influenciada pela ideologia do "purismo linguístico" e suas funções primárias foram substituir palavras de origem estrangeira, e construções gramaticais idem, por equivalentes de origem turca. Essas mudanças, junto com a adoção de um novo alfabeto turco, baseado no latino, deu-se em 1928. O TDK se tornou um órgão independente em 1951, devendo ser presidido pelo Ministro da Educação. Voltou a ser um órgão submisso ao governo após a promulgação da nova Constituição de 1982, em função do golpe de estado de 1980.

Dialetos

O turco de Istambul é a linguagem padrão e oficial da Turquia. Mesmo com o nivelamento dialetal provido pelo "Sistema de Educação Turco" desde 1930 e pelos "Mídia" de massa, persistem variações de dialetos. Estudiosos da Turquia, de forma acadêmica, referem-se aos dialetos turcos como ağız ou şive, gerando ambiguidade em relação ao conceito linguístico de "sotaques", que também são denominados por essas duas palavras. Há projetos de investigação dos dialetos turcos em diversas universidades no país e também estudos na "Associação da Língua Turca". Os trabalhos estão próximos de sua publicação, como um "atlas" de todos os dialetos da língua turca.

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História

Esse idioma é originário da Ásia Central na área da Mongólia e Sibéria, com os primeiros registros escritos datando de cerca de 800. No ocidente houve a expansão da influência da variante Otomana (que precedeu a atual) da língua turca durante o período de dominação do Império Otomano. Com as reformas de Kemal Atatürk no início da república turca, veio em 1928 a substituição do alfabeto otomano por uma variante fonética do alfabeto latino. Mais recentemente, a recém fundada “Associação da Língua Turca” iniciou outra reforma para eliminar as palavras de origem persa e árabe, substituindo as mesmas por palavras de origem turca.

Turco antigo

As escritas mais antigas do idioma turco estão na atual Mongólia. São inscrições Bugut no alfabeto sogdiano nos primeiros Goturcos na segunda metade do século VI; Registros mais recentes são duas monumentais inscrições, mais pedras menores, descobertas em escavações de arqueólogos russos no período de 1889 e 1893 numa extensa área do vale de Orkhon. Essas peças foram erigidas em honra do príncipe Kul Tigin e de seu irmão, o imperador Bilge Khan, por volta de 732 a 735 e continham inscrições “runiformes”, o que se denominou “Runas Túrquicas” ou Alfabeto de Orkhon, por sua similaridade com as runas de línguas germânicas.

Turco oguz

A língua turca não descende de forma direta do túrquico antigo das inscrições de Orcom. Seria mais exatamente uma língua do ramo oguz. Na expansão turca na primeira metade da Idade Média, entre os séculos VI e XI, a dinastia Seljúcida de turcos oguzes trouxe seu idioma, o túrquico oguz, o ancestral direto da língua turca atual, para a Anatólia (século XI). Nesse século Mamude Alcasgari, linguista do Canato Caracânida, publicou o primeiro dicionário da língua e um mapa da distribuição geográfica dos falantes das línguas túrquicas, o “Compêndio dos Dialetos Túrquicos” (em Otomano Divânü Lügati't-Türk).

Turco otomano

Por volta de 950, com a adoção do credo muçulmano pelos Khanatos Kara-Khanid e pelos Seljúcidas, ambos antecessores culturais do Império otomano, a linguagem administrativa dessas nações adquiriu muitas palavras da língua árabe e da língua persa. A literatura otomana foi também muito influenciada na poesia pela métrica e pela incorporação de mais palavras persas. Assim, a linguagem oficial e a literatura do Império otomano (1299–1922) era uma mistura de turco, persa e árabe, chamada Turco otomano e que diferia muito da linguagem falada pelo povo, no dia-a-dia.

Reforma – Turco moderno

Com a fundação da República da Turquia e a reforma da escrita, estabeleceu-se em 1932 a TDK – “Associação da língua turca” patrocinada por Mustafa Kemal Atatürk, com missão de conduzir as pesquisas sobre a língua. Também foram substituídas palavras estrangeiras (persas e árabes). Com a exclusão dessas palavras, a Associação eliminou centenas de termos de origem externa, enquanto que as novas palavras que as substituíram derivavam de raízes túrquicas, voltando a existir palavras dos primórdios da cultura turca. Com essa mudança súbita e forçada na língua, passou a haver grandes divergências entre os vocabulários de jovens e idosos. As gerações anteriores aos anos 40 usavam termos antigos originados do árabe e do persa e os mais jovens preferiam as novas formas de expressão. Ironicamente, o próprio Atatürk, em seu monumental discurso (Nutuk) à Grande Assembleia do Parlamento Nacional da Turquia, em 1927, falou numa linguagem em estilo otomano. Este discurso histórico soava tão estranho a ouvintes de épocas posteriores, que precisou de ser por três vezes "traduzido" para o turco moderno: em 1963, em 1986 e em 1995. Existe um caráter político nos debates sobre a linguagem turca, com grupos conservadores forçando o uso da língua no estilo otomano, arcaico, na imprensa e no dia-a-dia.

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Gramática

Tal como o finlandês e o húngaro, o turco possui harmonia vocálica, é uma língua aglutinativa e não apresenta gênero gramátical. A sintaxe é, em geral, Sujeito Objeto Verbo (SOV), como em japonês e em latim, diferentemente do português. O turco também usa a distinção T-V: formas plurais na segunda pessoa podem ser usadas para indivíduos como um sinal de respeito. A língua turca é aglutinativa e usa muitos afixos, em especial sufixos. Uma palavra pode ter muitos afixos, podendo assim criar outra palavra; verbos podem ser gerados a partir de substantivos e substantivos a partir de raízes verbais. Os prefixos que vieram das raízes nativas sílabas aliterativas são usados como adjetivos ou advérbios. Exemplos: sımsıcak ("fervendo quente" < sıcak) ou masmavi ("azul brilhante" < mavi), onde o prefixo evidenciado é modelado sobre a primeira sílaba do adjetivo ou advérbio simples, substituindo de m, p, r, s pela última consoante da sílaba. O prefixo retém a primeira vogal da forma-base e faz uma forma reversa de harmonia de vogais.

Substantivos

Os substantivos em turco podem receber um sufixo para indicar o possessivo. Eles também podem ser declinados (casos com terminações diferentes) e podem receber sufixos que indicam a pessoa e os transformam em uma frase completa: Não existe o artigo definido em turco, sendo o aspecto definido marcado pelo uso do final acusativo. As declinações dos substantivos com sufixos são como em Latim, havendo seis casos com sufixos seguindo uma harmonia de vogais. O plural é marcado pelo sufixo -ler² que fica logo depois do substantivo, mas antes dos marcadores de casos e de outros sufixos. Exemplo: köylerin "das vilas"). Ver tabela: O caso acusativo se refere somente para objetos definidos. Compare-se ağaç gördük "nós vimos UMA árvore” com ağacı gördük "nós vimos A árvore. Pode ser usado também como acusativo indefinido, conf. Lewis, sendo uma “caso absoluto” em lugar de “nominativo”. O marcador de plural -ler² não é usado para significar classe ou categoria. Assim, 'ağaç gördük pode ser tanto “nós vimos uma árvore” ou “nós vimos árvores”, diferentemente de ağaçları gördük "nós vimos (as tais) árvores”.

Adjetivos

Os adjetivos não declinam, exceto, é claro, quando usados como substantivos, como no caso de güzel ("belo") → güzeller ("(as pessoas) belas"). Os adjetivos vêm antes do substantivo qualificado. Adjetivos como var ("existente") e yok ("não existente") são muitas vezes usados como “há” e “não há”. Exemplos: süt yok (não há leite "suk”). A construção pode ser: substantivo 1 no GEN. Substantivo 2 c/ possessivo significando – o substantivo 1 não tem o substantivo 2: “imparatorun elbisesi yok "o imperador não tem calças” oukedimin ayakkabıları yoktu ("meu gato não tem sapatos”).

Verbos

Os verbos são todos conjugados da mesma forma, não há verbos irregulares, exceto o verbo “ser”, i- que pode ser usado em formas compostas, encurtadas Gelememişti = Gelememiş idi = Gelememiş + i- + -di. Os verbos turcos indicam pessoa gramatical, podem indicar negativo, potencial (pode) ou não potencial. Variam também com os tempos (presente, passado, futuro), com os modos inferente, progressivo, aorista, condicional, imperativo, necessitativo, optativo e também no aspecto. A negação é com o “infixo” logo depois da raiz do verbo.

Particípios

O turco apresenta diversos particípios, como o presente (final -en²), o futuro (final -ecek²), passado (final -miş4), aorista (final -er² or -ir4), que podem ser adjetivos ou substantivos: oynamayan çocuklar "crianças que não brincam”, oynamayanlar "aqueles que não brincam”; okur yazar "leitor-escritor = letrado", okur yazarlar "letrados". A função mais importante dos particípios é formar frases que modificam, que equivalem às sentenças relativas das línguas europeias. São no caso, conforme Lewis, o particípio futuro (-ecek²) e sua forma antiga (-dik4), usados tanto no presente como no passado. Ver na tabela a seguir o uso desses particípios “relativos” e “pessoais”, conforme os casos gramaticais.

Ordem das palavras

Nas frases simples da língua turca a ordem é sempre SOV – Sujeito-Objeto-Verbo como, por exemplo, em coreano ou latim. Nas frases mais complexas a regra básica é “o qualificador precede o qualificado”. Um caso importante disso é o dos particípios modificadores comentados acima. O definido precede o indefinido: çocuğa hikâyeyi anlattı "ela contou a história à criança, porém hikâyeyi bir çocuğa anlattı "ela contou a história a uma criança”. Também pode a ordem SOV ser alterada para enfatizar a importância de uma palavra na frase. A regra básica é “a palavra logo antes do verbo é sempre a enfatizada”, assim, para dizer "Hakan foi à escola” com ênfase para “escola” (okul, objeto indireto) a frase seria "Hakan okula gitti". Se queremos ênfase em "Hakan" (sujeito), teremos "Okula Hakan gitti", ou seja: “esse é o Hakan que foi à escola”.

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Escrita

A língua turca é escrita com o alfabeto latino modificado por gestão de Mustafa Atatürk em 1928, o qual substituiu o alfabeto árabe que fora adaptado pelos otomanos. Esse alfabeto otomano tinha apenas três vogais, ā, ū, ī longos e muitas consoantes redundantes, como vários tipos de z (que eram diferentes em árabe, mas não em turco). A ausência de vogais curtas no alfabeto árabe era particularmente inaceitável para o turco que chega a apresentar oito sons vocálicos. A mudança da escrita foi um dos passos importantes nas reformas culturais de Atatürk. A árdua tarefa de preparar o novo alfabeto e selecionar os sons foi passada para a “Comissão da Moderna Linguagem e Alfabeto Turcos”, composta de competentes linguistas, acadêmicos e escritores. A implementação do novo alfabeto foi feita por centros de educação que foram abertos por todo o país, apoiados por empresas editoras, com o encorajamento pessoal por parte do próprio Atatürk, que viajou por todo o país participando do ensino do novo alfabeto. Com isso, o índice de alfabetização cresceu muito nesse período, saindo dos níveis de terceiro mundo de até então.

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Amostras de texto

Dostlar Beni Hatırlasın de Aşık Veysel Şatıroğlu (1894–1973), menestrel e poeta muito considerado na tradição folclórica da Turquia.

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Sons

Consoantes

Quando uma vogal é adicionada como sufixo de um substantivo que termina em "k", esse "k" é se torna um "ğ". Vale o mesmo para certas palavras de origem estrangeira que terminam em "p" ou "t" que se tornam respectivamente "b" e "d" sendo acrescida uma vogal. Isso quase não ocorre em monossílabos (Conf. Lewis 2001). O fonema que é chamado de yumuşak g ("g suave"), ğ na ortografia turca, é mais uma aproximante velar frontal ou palatal, que fica entre vogais frontais. Nunca está no início de uma palavra, sempre segue uma vogal. Se estiver no fim de uma palavra ou se preceder uma consoante, torna mais longa a vogal que a antecede. Os sons /c/, /ɟ/, /l/ do turco antigo apresentam distribuição complementar com /k/, /g/, /ɫ/; Os primeiros ficam junto a vogais frontais e os últimos junto a vogais posteriores. Isso não funciona bem assim em palavras e nomes próprios estrangeiros. (Conf. Lewis 2001).

Vogais

As vogais turcas são a, e, ı, |i, o, ö, u, ü. O <ı> sem ponto é uma vogal arredondada posterior fechada, conf. Lewis. Não há ditongos em turco, apenas em palavras estrangeiras, quando cada vogal mantém seu som. Som ligeiramente ditongo ocorre quando há duas vogais “cercando” o yumuşak g, como em soğuk ("frio") que para muitos tem esse “g” como mudo.

Harmonização Vocálica

O sistema das vogais turcas pode ser considerado como apresentando grupos de vogais frontais, posteriores, “arredondadas” e vogais não “arredondadas”. A harmonização vocálica na língua turca caracteriza-se pelo fato de as palavras puramente turcas apresentarem – alternativamente – ou só vogais posteriores (a, ı, o, u) ou só vogais frontais (e, i, ö, ü). Ver o padrão de vogais na tabela que se segue. Os afixos gramaticais têm vogais de forma variante (Lewis 1953) e seguem uma harmonização vocálica. O verbo de ligação equivalente ao português “ser” ilustra bem a harmonização vocálica prática nos exemplos a seguir: Türkiye'dir ("isso é a Turquia"), kapıdır ("isso é a porta"), porém, gündür ("isso é o dia"), paltodur ("isso é o casaco").

Sílaba tônica

A sílaba tônica é geralmente na última sílaba, havendo poucas exceções que incluem palavras com sufixos e palavras externas, em especial dentre as últimas palavras que vêm do italiano e do grego moderno, e também nomes próprios. Essas palavras são geralmente acentuadas na penúltima sílaba. Exemplos: “lokanta“ "restaurante" ou “iskele“ "cais”, ainda “Istanbul”.

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Vocabulário

Cerca de 14% das palavras da língua turca ainda existem sendo de origem estrangeira num total de cerca de 105,5 mil palavras (“Güncel Türkçe Sözlük”, dicionário oficial da língua turca). As maiores contribuições externas são em ordem decrescente: árabe, francês, persa, italiano, inglês, grego.

Formação das palavras

A aglutinação é muito utilizada para a formação de novas palavras a partir de raízes de verbos e de substantivos. A maior parte das palavras do idioma turco deriva de uma relativamente pequena quantidade de palavras base, de raiz. Exemplos de palavras derivadas de substantivos: Outro exemplo, porém com verbo como raiz: Algumas palavras novas são compostas de duas palavras existentes formando uma terceira, como é comum na língua alemã. Veja a seguir alguns exemplos:

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