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Língua persa

A língua persa, também chamada parse, pársi, farse, fársi ou farsi é um idioma do subgrupo das línguas iranianas, por sua vez pertencente ao ramo indo-iraniano da grande família indo-europeia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
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Etimologia

A Província de Fars é a pátria histórica do povo persa, berço dessa etnia e abrigou as dinastias persas arquemênidas e sassânidas do Irã. A palavra persa moderno Fârs ( فارس ), derivada da forma anterior Pârs ( پارس ), que por sua vez é derivada de Pârsâ ( 𐎱𐎠𐎼𐎿 ), o nome persa antigo para a região de Persis . Os nomes Parsa e Pérsia são originários desta região. Já o termo "persa" tem origem no latim Persa, que por sua vez deriva do grego Πέρσης (Pérsēs). Esse nome foi utilizado pelos gregos para se referir ao povo do Império Aquemênida, cuja região central era Persis. O nome Farsi deriva de Fârs, que por sua vez tem em sua forma anterior Pârs e tem sido frequentemente utilizado no inglês para se referir ao idioma persa.

Nomenclatura nos idiomas ocidentais

Persa, o nome mais utilizado para se referir ao idioma em português, é uma forma derivada do latim *Persianus < latim Persia < grego Πέρσις, Pérsis, uma forma helenizada do persa antigo Parsa. De acordo com o Dicionário Houaiss, o termo "persa" como nome do idioma foi atestado pela primeira vez no português em 1525; já parse e pársi foram usadas pela primeira vez em 1899. Os falantes nativos do persa iraniano chamam o idioma de Fârsi, forma arabizada de Pârsi, devido à ausência do fonema 'p' no árabe padrão. Em inglês o idioma é conhecido historicamente como "Persian", embora alguns falantes do persa que migraram para o Ocidente tenha continuado a usar a forma "Farsi" para identificar sua língua materna no inglês. A forma "Farsi" pode ser encontrada em alguns autores da literatura linguística, tanto iranianos quanto estrangeiros. No entanto, a Academia de Língua e Literatura Persa sustentou que o endônimo Farsi deve ser evitado em línguas estrangeiras e declarou que considera o termo "persa" e suas traduções equivalentes mais apropriado, pois tem a tradição mais longa nas línguas ocidentais e expressa melhor o papel da língua como uma marca de cultura e continuidade nacional. Muitos acadêmicos iranianos, como Ehsan Yarshater e Kamran Talattof, rejeitaram o uso da forma "Farsi" em seus artigos. O historiador e linguista iraniano Ehsan Yarshater, fundador da Encyclopædia Iranica e do Centro de Estudos Iranianos da Universidade de Columbia, expressa em uma revista acadêmica sobre Iranologia sua rejeição ao uso de Farsi em línguas estrangeiras.

Nomenclatura internacional

O padrão internacional de codificação de idiomas ISO 639-1 utiliza o código "fa", seguindo o sistema tradicional de se basear nos nomes locais. O padrão ISO 639-3, mais detalhado, utiliza o nome "Persian" (código "fas") para o contínuo dialetal falado em todo o Irã e Afeganistão, formado pelo dari (o persa afegão) e do persa iraniano. Uma terminologia semelhante, porém com ainda mais subdivisões, também foi adotada pelo site LINGUIST List, onde "Persian" aparece como um subgrupo do "iraniano ocidental do sudoeste". Atualmente, a Voz da América, o BBC World Service, a Deutsche Welle e a RFE/RL utilizam "Persian Service" para suas transmissões no idioma. A RFE/RL também apresenta um serviço em tajique e um serviço em 'afegão' (dari); o mesmo ocorre com a Associação Americana de Professores do Persa (American Association of Teachers of Persian), o Centro para a Promoção da Língua e Literatura Persa, e diversos dos principais acadêmicos do idioma persa.

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Distribuição

Segundo o historiador Fariborz Rahnamoon, em um artigo publicado na Iran Chamber Society os dialetos persas em três principais grupos, são eles: o Persa Iraniano ou Farsi (فارسی), falado no Irã, é a língua oficial persa; o Dari (دری) é a variante persa falada no Afeganistão e por isso é conhecida como persa afegão; e o Tajiki persa (Тоҷикӣ / تاجیکی oficialmente conhecido como Tajik, desde 1999) falado no Tadjiquistão e em partes do Uzbequistão, em comunidades tajiques. Essa última variante é escrita em alfabeto cirílico, diferentemente do farsi e do dari, que usam o alfabeto persa (derivado do árabe), mas costuma ser tratada como uma língua independente do persa. O persa pertence ao grupo ocidental do ramo iraniano das línguas indo-europeias, que também inclui o curdo, o mazandarani, o gilaki, o talixe e o balúchi. A língua está no grupo iraniano do sudoeste, juntamente com as línguas larestani e luri, e o tat, variante do persa falado no Cáucaso.

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História

O persa é uma língua iraniana que pertence ao ramo indo-iraniano da família linguística indo-europeia. No geral, as línguas iranianas são divididas em três períodos, designados de períodos antigo, médio e novo (moderno). Estes períodos correspondem a três eras da história iraniana; o período antigo representa o período antes dos Aquemênidas, o próprio período aquemênida e o tempo imediatamente posterior (até 400-300 a.C.); o médio é período seguinte, principalmente o período sassânida e a era pós-sassânida, enquanto o período novo é o que vai até os dias de hoje. Existem documentos escritos nas antigas línguas iranianas que sobreviveram por quase três milênios e o registro mais antigo no persa antigo data do Império Aquemênida, do século VI a.C.. s textos mais antigos são os Gatas, uns sânscrito de 17 hinos pertencentes à tradição oral zoroastriana do Avestá, escritos em avéstico. Acredita-se que esses hinos foram compostos pelo poeta Zaratustra (Zoroastrismo). O fragmento de texto mais antigo que sobreviveu data de 1 323 a.C., mas os estudiosos acreditam que eles foram compostos antes de 1 000 a.C. e transmitidos oralmente por séculos. Seus hinos mostram traços de versificação, cuja prosódia precisa ainda é imperfeitamente conhecida. Também importantes para a literatura iraniana primitiva são os remanescentes de mitos antigos preservados no Avestá, especialmente nos Iastes, que são textos endereçados a divindades iranianas. Os nomes de vários reis e heróis que mais tarde aparecem como figuras semi-históricas na poesia épica persa, os mitos aos quais esses textos se referem eram bem conhecidos pelo público original, mas agora estão perdidos.

Persa antigo

O persa antigo evoluiu a partir do proto-iraniano, tal como se desenvolveu no sudoeste no Planalto Iraniano e foi a língua oficial do Império Aquemênida. O exemplo mais antigo do idioma a ter sido datado é a Inscrição de Beistum, do xá aquemênida Dario I (r. 522–486 a.C.). Essas inscrições eram frequentemente trilíngues, em persa antigo, elamita e acadiano. Embora textos alegadamente mais antigos também existam (como a inscrição da tumba de Ciro II, em Pasárgada), elas representam exemplos mais modernos do idioma. O persa antigo era escrito no cuneiforme persa antigo, uma escrita exclusiva daquele idioma, que se presume tenha sido inventada durante o reinado de Dario.

Persa médio

Contrastando com o persa antigo, cujas formas faladas e escritas eram dramaticamente diferentes entre si, o persa médio escrito refletia o uso oral da língua. A conjugação e declinação complexa do persa antigo deu lugar à estrutura do persa médio, na qual o número dual desapareceu, deixando apenas o singular e o plural; o persa médio utilizava posposições para indicar os diferentes papéis das palavras, como por exemplo um sufixo -i que indicava um "de" possessivo, e não as formas genitivas múltiplas (sujeitas a mudanças em gênero e número) de uma palavra. Embora o "período médio" das línguas iranianas se inicie formalmente com a queda do Império Aquemênida, a transição do persa antigo para o médio já havia começado, provavelmente antes do século IV. O persa médio, no entanto, só é atestado com segurança 600 anos mais tarde, quando ele aparece em inscrições do período sassânida (224-651). O persa médio também foi um veículo para a literatura religiosa zoroastriana e maniqueísta. O Pahlavi era a variante oficial utilizada na corte e nos registros administrativos do império.

Persa moderno

A história do próprio persa moderno abrange mais de 1000-1200 anos. O desenvolvimento da língua em seu período final frequentemente é dividido em três estágios, conhecidos como antigo, clássico e contemporâneo. Diversos falantes nativos do idioma com um nível avançado de cultura podem compreender textos antigos em persa com um ajuste mínimo, pelo fato da morfologia e, em menor escala, o léxico do idioma ter permanecido relativamente estável por quase um milênio. A transição para o persa moderno ocorreu após a queda do Império Sassânida e a ascensão do califado islâmico no século VII. O alfabeto árabe foi adotado, com modificações para acomodar sons do persa inexistentes no árabe. O vocabulário persa se expandiu com numerosos empréstimos árabes, especialmente em religião, ciência e administração.[carece de fontes?]

História do ensino

O primeiro registro histórico das instituições de ensino persa datam dos séculos VI a IV a.C.. Desde os tempos do Império Aquemênida (550–330 a.C.), o império resolveu instituir a educação formal, especialmente para a elite administrativa e militar. Os jovens persas eram instruídos em habilidades como equitação, arco e flecha, e ética, além de aprenderem a língua e a cultura persa. Durante o Império Sassânida (224–651), o sistema educacional persa floresceu, com a criação de instituições como a Academia de Bendosabora, um centro de aprendizado que atraía estudiosos de diversas partes do mundo. Lá, eram ensinadas disciplinas como medicina, astronomia, filosofia e teologia, além de se promover a tradução de textos gregos, indianos e sírios para o persa.

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Fonologia

O sistema fonológico do persa apresenta um conjunto de vogais e consoantes característico, que, embora compartilhe elementos comuns com outras línguas indo-europeias, exibe particularidades adquiridas por meio do contato com outras línguas e processos históricos regionais.

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Ortografia

O principal sistema de escrita persa é o Alfabeto persa, uma adaptação do alfabeto árabe, com exceção das letras ي (yâ) e ك (kâf) e contendo mais seis letras, em comum com o alfabeto kurdo, são elas ﻯ (ye), گ (gaf), ک (kâf), ژ (že), چ (ce) e پ (pe). Esse sistema de escrita é fonográfico e segue a direção horizontal da direita para a esquerda. As letras possuem formas diferentes dependendo de sua posição na palavra (início, meio, fim ou isolada). Os diacríticos são utilizados principalmente em textos didáticos e religiosos para indicar vogais curtas, já que a escrita persa geralmente registra apenas as vogais longas explicitamente. Outro ponto importante é que em persa não há diferença nos dígrafos para início de frases ou nomes próprios, o que no alfabeto latino se dá pela diferença entre as letras maiúsculas (A, B, C, ... , Z) e minúsculas (a, b, c, ... , z). Em algumas palavras de origem árabe, pode soar mais como /ʒ/ (o "j" de "jorro"

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Gramática

A lista a seguir descreve o conjunto básico de pronomes possessivos em persa, que são adicionados ao final dos substantivos para indicar possessão: Na gramática persa, a posição dos pronomes possessivos geralmente é depois do substantivo que está sendo modificado. Isso é diferente do inglês, no qual os pronomes possessivos geralmente vêm antes do substantivo. Aqui estão alguns exemplos que mostram o posicionamento dos pronomes possessivos em frases persas: Os pronomes possessivos podem ser usados ​​em vários contextos dentro da língua persa, desde literatura e cartas formais até discursos casuais e conversas cotidianas. Eles permitem que os falantes expressem um senso de pertencimento ou associação de forma clara e concisa, quer estejam se referindo a pessoas, lugares ou coisas. Aqui estão três exemplos para demonstrar a aplicabilidade dos pronomes possessivos: Na língua persa, o artigo definido é usado quando tanto o ouvinte quanto o falante tem ciência sobre qual objeto se referem. Em casos definidos, o objeto é seguido por um را (na forma escrita) ou sufixo -o (na forma falada). Também “isso/aquilo” (این/آن) são usados ​​como marcadores de caso definido. Veja os exemplos a seguir:

Pronomes pessoais (ضمیر شخصی/ zamir šaxsi)

Ao contrário do português, em persa não chamamos esses pronome de pronome pessoal ou possessivo, porque todos esses pronomes podem funcionar como sujeito ou objeto de uma frase. Também os usamos em construções possessivas. Compare e contraste os pronomes persas e portugueses nas seguintes frases: Em persa من man permanece constante, enquanto em português o pronome ('eu', 'mim', 'meu') muda de acordo com o caso. O persa emprega a segunda pessoa do plural شما šomā em vez do singular تو to como um sinal de respeito. Considere, por exemplo, o francês vous em vez de tu e o espanhol usted em vez de tu. As preposições precedem os pronomes da mesma forma que os substantivos, sujeito à mesma regra:

Ordem da frase

No persa coloquial, o pronome de terceira pessoa do plural ایشان išān é usado exclusivamente como uma variante educada/formal da terceira pessoa do singular. Em materiais escritos, no entanto, ele pode ser usado em vez de آنها ānhā . Portanto, na língua escrita, tanto ایشان išān quanto آنها ānhā podem representar 'eles'. A primeira pessoa do plural ما mā também é usada no lugar da primeira pessoa do singular من man como uma expressão de humildade, especialmente quando uma pessoa mais jovem ou de status inferior fala com alguém mais velho ou de status superior. Em persa, a estrutura da frase é geralmente muito regular. Em circunstâncias normais, o verbo é sempre colocado no final da frase. Escrevendo da direita para a esquerda, a estrutura básica da frase em persa é a seguinte:

Conjugação verbal

Na gramática persa, há duas formas verbais primárias: verbos transitivos e verbos intransitivos. Os verbos transitivos exigem um objeto direto, enquanto os verbos intransitivos não. A conjugação dos verbos persas no presente segue um padrão claro com base nessas duas formas. Para conjugar verbos, você precisa considerar os seguintes elementos: o radical do verbo, o marcador do presente e as desinências pessoais.

Tempos verbais persas

O persa se compõe de basicamente três tempos verbais: tempos básicos, tempos comuns e todos os tempos. Além disso, é possível conjugar verbos na voz passiva, no subjuntivo e na forma negativa. O pretérito em persa é formado pela adição de um conjunto específico de desinências pessoais diretamente à raiz do verbo. As desinências pessoais são diferentes das desinências do presente e são as seguintes: 3. Terceira pessoa do singular: nada é adicionado Por exemplo, para conjugar “khāndan” no passado, o radical do verbo é combinado com as terminações pessoais apropriadas do passado: Como discutido anteriormente, a conjugação do presente em persa é formada pela adição do marcador de presente 'mi-' e das terminações pessoais do presente ao radical do verbo.

Adjetivo demonstrativo

Quando qualquer um dos demonstrativos این em 'this' e آن ān 'that, it' acompanham um substantivo, funcionando como um adjetivo faria, então é chamado de adjetivo demonstrativo. Em persa, eles são invariavelmente singulares, mesmo quando modificam um substantivo plural. Compare e contraste as seguintes frases em persa e português:

Pronome demonstrativo

Quando o demonstrativo substitui um substantivo (como um pronome normalmente faz), ele é chamado de pronome demonstrativo. Nesse caso, eles são pluralizados quando necessário, como qualquer pronome faria: Um substantivo genérico é invariavelmente singular, mesmo quando modificado por um pronome demonstrativo plural:

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Vocabulário

Declaração dos Direitos Humanos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é um documento marco na história dos direitos humanos. Elaborada por representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas as regiões do mundo, a Declaração foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de dezembro de 1948, por meio da Resolução 217 A (III) da Assembleia Geral como uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações. Ela estabelece, pela primeira vez, a proteção universal dos direitos humanos. Desde sua adoção, em 1948, a DUDH foi traduzida em mais de 500 idiomas – o documento mais traduzido do mundo – e inspirou as constituições de muitos Estados e democracias recente.

Hino do Irã

O Hino Nacional da República Islâmica do Irã foi adotado em 1990, substituindo o hino anterior usado durante o governo de Ruhollah Khomeini. Foi composto por Hassan Riyahi, e a letra foi escrita por Sayed Bagheri. É o quarto hino nacional iraniano em geral.

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Fontes consultadas

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