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Língua congo

A língua conga ou quiconga é uma língua falada pelo povo congo no norte da República de Angola, nas províncias de Cabinda, do Uíge, do Zaire e em parte do Cuanza-Norte, onde possui o estatuto de língua nacional; e na região do baixo Congo, na República Democrática do Congo e nas regiões limítrofes da República do Congo. Também é falada por alguns povos do Gabão.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Etimologia

Kikongo é a palavra usada pelo grupo étnico dos congos, provenientes da região antes ocupada pelo Reino do Congo, para se referir a sua língua. A palavra tem origem banta e surgiu especificamente para se referir a essa língua e aos seus falantes. A variação em sua escrita se deve ao local em que é usada. Enquanto o "k" é usado na grafia atual em quicongo, o "q" e o "c" são usados no português. Além disso, "congo" e "bacongo" (kongo, bakongo) são usados para se referir ao próprio povo. O prefixo ki- é o artigo da palavra e "congo" se refere ao país Congo, então a tradução de sentido seria "do Congo" ou “a língua usada no Congo". O outro prefixo utilizado é o ba-, que é um indicativo de plural, e quando utilizado com "congo" significa "povos congos". A partir daí, o nome Congo, não é apenas o nome de dois países, mas também e o nome do rio que divide a República democrática do Congo e a República do Congo, tem duas possibilidades de origem. A primeira é que esse nome deriva do termo banto para "montanhas". E a segunda é que talvez o nome tenha vindo da palavra n`kongo, que significa "caçador".

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Distribuição

A região em que o congo é falado se restringe a países da África Central, incluindo Angola, onde o uso da língua está concentrado nas províncias do norte (aproximadamente 6,8% da população é falante nativa), a República Democrática do Congo (cerca de 2,6% da população é falante), a República do Congo (mais de 50% da população é falante) e partes do Gabão (alguns milhares de falantes). Distribuição do congo e de seus dialetos pelos países centro-africanos:

Dialetos

O congo, na classificação de Malcolm Guthrie (1967), é colocado no grupo linguístico H10 com o código H16. Tal grupo pertence às línguas Congo, um dos grupos filogenéticos das línguas bantas. Algumas línguas do grupo Congo são reconhecidas como dialetos do congo. São elas: o congo meridional (falado em Angola e República Democrática do Congo), o congo central (falado na República Democrática do Congo), o yombe (falado na República Democrática do Congo), o congo ocidental ou fiote (falado em Cabinda e República Democrática do Congo), o buende (falado na República do Congo e República Democrática do Congo), o ladi (falado em Pool), o congo oriental (falado na República Democrática do Congo) e o congo sudeste (falado em Angola e República Democrática do Congo).

Línguas relacionadas

De acordo com Nurse e Philippson (2003), no subgrupo Congo da classificação das línguas bantas podem ser encontradas as línguas semelhantes ao congo. Fazem parte desse subgrupo o buende (buende, sonde), o cataract, o congo central (canyanga, mazinga), o congo oriental (ntandu, santu), o nzamba (dzamba), o congo sudeste (nkanu, pende, zoombo), o congo sul e o congo ocidental (fiote, fioti). Além disso, outras línguas são consideradas crioulas, como o habla congo, a língua litúrgica da religião afro-cubana palo, e o quituba, falado como língua franca em parte da África Ocidental. Muitos escravos africanos transportados para a América falavam congo, e sua influência pode ser vista em muitas línguas crioulas na diáspora africana, como no palenquero (falado por descendentes de escravos negros fugidos na Colômbia), na língua crioula haitiana, e na língua gullah nos Estados Unidos. A semelhança entre as línguas pode ser vista em algumas palavras do inglês americano que são derivadas do congo, comoː goober, do quicongo nguba (amendoim); zombie, do quicongo nzombie (zumbi); e funk (que veio de "funky", utilizado em comunidades negras para se referir ao odor corporal forte), do quicongo lu-fuki (mal odor corporal). Além disso, o nome da dança cubana mambo deriva da palavra crioula haitiana para "sacerdotisa vodu".

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História

Origem e formação da língua

No Congo existem histórias de como o seu estado foi formado, segundo Thornton (1998) a fundação mitológica é a seguinte: Lukeni lua Nimi (Nimi a Lukeni) nasceu entre 1401 e 1424 em Vungo (Bungo), território ao norte do rio Zaire (ou rio Congo), filho de Nimi a Zima, soberano deste potentado. Apesar de suas qualidades para administrar o território, Lukeni era o quarto irmão na sucessão do poder do cargo de chefe político ocupado por seu pai. Lukeni então, decidiu cobrar impostos e sua própria mãe grávida, em nome de seu pai. Quando ela se recusa a pagar (provavelmente por causa de sua ilegitimidade como sucessor político), Lukeni esfaqueia seu ventre, assassinando mutuamente sua mãe e o irmão em gestação. Este gesto marcou a ruptura de Lukeni com a tradição política vigente.

Cristianização

A partir do século XIV, quando os europeus lançaram-se a uma longa jornada pelo Oceano Atlântico, o continente africano esteve cada vez mais incluído nos trajetos marítimos principalmente dos portugueses. Entre os anos de 1340 e 1470, a expansão europeia pela costa africana aconteceu de maneira bastante lenta se comparada aos avanços obtidos posteriormente. A partir disso, os colonizadores seguiram infiltrando-se desde logo nos circuitos comerciais africanos, principalmente no comércio do ouro e no tráfico de escravos que começaria a atingir cada vez maiores proporções já a partir do início do século XVI. Para além dos interesses comerciais, a propagação da fé católica entre os “infiéis” esteve desde o início entre os objetivos destes contatos. De modo geral, as experiências de conversão católica dos africanos nessa região ocorreram a partir do consentimento e da adesão dos próprios líderes locais, motivados por fatores e interesses diversos.

História da documentação e resgate da língua

Para além dos primeiros contatos, os relatos para o período em que os estrangeiros chegaram na África são escassos, restando sobretudo correspondências e documentos religiosos. Os primeiros registros que se tem acesso sobre os trabalhos em congo produzidos são de origem dos missionários cristãos que ocupavam a África naquele momento. Poucos sobreviveram até os dias atuais, alguns deles são: Doutrina Christãa, um catecismo linear congo-português de 1624 traduzido pela liderança do português jesuíta Mateus Cardoso; Vocabularium Latinum, Hispanicum, e Congense, uma lista em três línguas que sobreviveu graças à um manuscrito de 1652 copiado pelo capuchinho flamengo Joris Van Gheel; e também o Regulae quaedam pro difficillimi Congensium idiomatis faciliori captu ad grammaticae normam redactae, um livro de gramática de congo publicado em 1659 sobre a autoria do capuchinho italiano Hyacintho Brusciotto a Vetralla.

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Fonologia

Consoantes

O inventário consonantal do congo tem 27 fonemas. Os fones [ʃ] e [ʒ] não são mencionados como fonemas, embora sejam sons extremamente comuns em congo. Esse fato ocorre porque não existe oposição em pares mínimos no congo (palavras que diferem apenas em um fonema, e esses fonemas diferem em poucos ou vários traços distintivos). Existe um processo fonético de distribuição complementar entre as consoantes não-palatais /s/, /z/, /ts/, /dz/, /ns/, /nz/ e suas contrapartes palatais, [ʃ], [ʒ], [tʃ], [dʒ], [nʃ], [nʒ]. As palatais só ocorrem antes de [i], e as não-palatais ocorrem antes de [a], [e], [o], [u], [w]. Segundo Lumwamu, entre /s+i/ em posição inicial ou intervocálica, /s/ terá um efeito entre /s/ e [š] palatizado e entre /z+i/ em posição inicial ou intervocálica, /z/ tem efeito de [ž] palatizado. O mesmo é informado por Tim (2008), que cita como exemplos de consoantes não-palatais, em sua posição característica: tobola “abrir um buraco”, tanu “cinco”.

Vogais

Não há vogais nasais em congo. Todas as sílabas são leves (abertas), ou seja, sílabas CV (consoante-vogal). Já foi questionado se as sílabas CV poderiam ser mal interpretadas pelos europeus, que talvez pensassem que existem sílabas, no meio das palavras, que sejam fechadas em consoante nasal, mas isso não acontece. Todas as sílabas terminam em vogal, estando a sílaba no meio da palavra ou não. Então, muntu (homem) não se pronuncia mun-tu, mas mu-ntu. Dessa mesma forma, outras consoantes pré-nasalizadas como ‘mb’, ‘mf’ e ‘ns’ são sempre consideradas como um único fonema e são indivisíveis. Em congo existem cinco vogais: fechada anterior /i/, fechada posterior /u/, semifechada anterior /e/, semifechada posterior /o/ e aberta central /a/, como representado abaixo.

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Ortografia

Imagem: Deni Williams from São Paulo, Brasil · BY · Openverse

História da escrita

Os primeiros passos da elaboração do alfabeto de línguas nacionais foram dados pelos missionários e alguns comerciantes, a partir das línguas europeias, com base no alfabeto latino, e que "durante a época colonial os missionários utilizaram as línguas locais nas suas escolas e os primeiros textos escritos em línguas locais aparecem ao nível da igreja". Dessa forma, percebe-se que o alfabeto do congo na verdade não existia, mas foi criado pelos colonizadores com base no seu próprio alfabeto.

Escrita

O alfabeto congo não tem o mesmo número de letras que o português. Além disso, muitos sinais gráficos usados em português não são usados nas línguas bantas, como por exemplo, a cedilha, os acentos gráficos, etc. O alfabeto é constituído por cinco vogais (a, e, i, o, u), treze consoantes (b, d, f, g, k, l, m, n, p, s, t, v, z.) e duas semivogais (w, y). Quiala (2013), na sua obra “Longoka Kikongo” apresenta o alfabeto do congo que resulta do trabalho de investigação feito pelo Instituto de Línguas Nacionais, com a grafia e pronúncia do alfabeto: Algumas características das palavras em congo são que o <l> da primeira sílaba dos verbos transforma-se em <nd> como substantivo (longa vira ndonga; lunda vira ndunda). m e n brandos nasalam Ievemente e abrandam as consoantes das sílabas. Por conseguinte, a divisão de sílabas não segue as regras do português (lu-ba-mba; Iu-mbu; Iu-so-mpo; mu-ntu; nda-nda-ni; tu-nga; Iu-to-nto; vu-mvu-Ia; vwa-mvu-Ia). Além disso, todas as palavras terminam com vogais.

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Gramática

Imagem: Deni Williams from São Paulo, Brasil · BY · Openverse

Artigos

Em congo só existem artigos definidos; são eles: a, e, o. Os artigos são utilizados com classes gramaticais específicas então é necessário verificar cada uma em ordem de averiguar o uso de cada artigo nas frases. Como exemplo de uso tem-se: Os artigos são usados não somente com nomes, mas também com pronomes pessoais e advérbios de tempo, ou seja, essas espécies podem ser consideradas como verdadeiros seres:

Pronomes

Os pronomes, como em português, dividem-se em pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos, interrogativos e indefinidos. Os pronomes pessoais são classificados em 1°, 2°, e 3° pessoa e dividem-se em singular e plural: Além dos pronomes acima, existem também os pronomes oblíquos, que dividem-se em duas partes. Os acusativos, equivalentes a me, mim, te, teu, e assim por diante, em português. Já os tônicos, se referem aos casos comitativos, com eu (comigo), com você (contigo) e assim por diante. Os pronomes pessoais enfáticos são formados juntando-se os pronomes pessoais primários com os pronomes pessoais oblíquos. Em português, eles são equivalentes a eu próprio(a), tu próprio(a), ele(a) próprio(a) e assim para todas as pessoas do discurso.

Substantivos

Assim como em outras línguas bantas, em congo os substantivos são divididos em classes, diferenciadas pelos prefixos de plural e singular. Abaixo encontra-se a tabela detalhando os tipos de nome de cada classe e o seu uso: Para flexionar o gênero das palavras, há duas maneiras: Para formar os diminutivos, é necessário antepor a partícula fi- ou ki- antes do nome. Em relação a partícula ki-, é necessário que o nome se repita duas vezes, além de usar essa partícula para que ela possua o sentido desejado. Em alguns dialetos, a simples repetição do nome é entendida como diminutivo. Exemplos: É necessário ressaltar que nem sempre a repetição de uma palavra significa o diminutivo, pois pode significar também a intensidade da ação enunciada:

Verbos

Em congo há três vozes verbais, ativa, passiva e média. Além disso, existem cinco formas de conjugação, simples, negativa, prenominal ou reflexa, complexa e continuativa. Os verbos são divididos em primitivos ou simples e derivados. Os verbos primitivos são aqueles que sem sofrer alteração, anuncia-se ou afirma-se a ação, o estado ou a qualidade de um sujeito. Já os derivados são aqueles que, como o próprio nome diz, derivam do primitivos, como os verbos nas vozes passiva e média. As conjugações verbais ou mudanças de voz nas frases são feita por aglutinação de prefixos ou sufixos na direita ou esquerda do radical dos verbos. São definidos por serem um radical sem nenhum morfema adicional que vá modificar o seu sentido. Há três tipos de estrutura para verbos primitivos:

Sentenças

Em quicongo as palavras não tem lugar determinado na oração. As frases são construídas não por uma ordem gramatical, mas por uma ordem lógica de acordo com o que tem maior ou menor importância na oração. Assim: Nesse caso mameme é a palavra de maior importância, porque é ela que completa o sentido de a sumbi (comprar), e por isso ela será a primeira palavra da frase. A forma negativa das frases do quicongo obtêm-se antepondo-se ao verbo, em qualquer uma das vozes, a partícula ke e pospondo-lhe ko. Tais partículas correspondem perfeitamente ao ne...pas da língua francesa.

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Vocabulário

Imagem: Deni Williams from São Paulo, Brasil · BY · Openverse

O conto do leopardo e da tartaruga

Os contos tem, geralmente, o nome genérico de intinti (plural de kintinti). Porém, se o conto for pequeno, pode ser chamado e kinsamuna-nsamuna. A seguir, um trecho de um conto em congo: - Vina vele, e muni ietu: ngei olo-keluanga kua ue-nkuvu! O kuebo, n'auilu'uau, akuenda kua ne-kuvu avova vo: - Utola vele e mbembo uaku vele ntolanga. - Escuta, ó nosso marido: tu estás sendo descomposto pela tartaruga! O leopardo, tendo ouvido isto, foi a casa da tartaruga e disse-lhe: - Ora canta lá a cantiga que estavas a cantar.

Numerais

Os numerais cardinais indicam a quantidade e/ou contagem precisa e absoluta de algo. Em congo, os numerais de 1 a 6 possuem diferentes e diversos prefixos de concordância, por se tratar de língua banta, mas os de 7 a 10 são invariáveis. A partir do 11, a formação é feita com base nos numerais de 1 a 10: Os múltiplos de 10 são formados adicionando-se o prefixo ma antes da palavra dez e antes do número correspondente à dezena: Para múltiplos de 100 e 1000 o mesmo acontecxe porém, com os seus respectivos prefixos: Para números combinados a formação é lógica e segue os padrões já explicitados: Os numerais ordinais são aqueles utilizados para indicar uma ordem ou hierarquia em uma determinada sequência. Em congo, estes se formam antepondo-se e- aos numerais cardinais até 20 e a partir dele, antepõe-se a-.

Expressões do dia a dia

Algumas frases básicas em quicongo que podem ser usadas no dia a dia são:

Declaração Universal dos Direitos Humanos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é um documento elaborado por representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas as regiões do mundo. A Declaração foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de dezembro de 1948, por meio da Resolução 217 A (III) da Assembleia Geral como uma norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações. Ela estabelece, pela primeira vez, a proteção universal dos direitos humanos. Desde sua adoção, em 1948, a DUDH foi traduzida em mais de 500 idiomas – o documento mais traduzido do mundo – e inspirou as constituições de muitos Estados e democracias recentes.

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Fontes consultadas

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