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Leon Trótski

Leon Trótski foi um escritor, intelectual marxista e revolucionário bolchevique, organizador do Exército Vermelho e, após a morte de Lenin, rival de Stalin na disputa pela hegemonia do Partido Comunista da União Soviética (PCUS). Tornou-se figura central da vitória bolchevique na Guerra Civil Russa (1918–1922).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Primeiros anos

Trótski nasceu numa "khata (ucr. хата.)", pequena casa de teto de palha (...) numa família de colonos judeus", na pequena localidade de Ianovka, no distrito (Óblast) de Kherson, na atual Ucrânia. É o quinto filho de Anna Lvovna (1850–1910) e David Leontyevish Bronstein (1847–1922), um humilde lavrador de origem judaica. O pai, David Bronstein, havia aproveitado os esquemas de colonização tsaristas na Crimeia para abandonar a área tradicional de residência autorizada aos judeus (o pale ou "paliçada de assentamento") e converter-se num próspero, ainda que iletrado, fazendeiro. Embora a família fosse de origem judaica, não era religiosa; em casa, falava-se russo ou ucraniano, não iídiche. Aos 9 anos, Liev Davidovich foi para Odessa, a fim de prosseguir seus estudos numa escola tradicional alemã que, ao longo dos anos em que ele ali permaneceu, passaria por um processo de russificação, seguindo a política czarista da época. Um bom aluno, já no 2º ano revelaria seu temperamento combativo ao organizar um protesto contra um professor impopular. Entretanto não mostraria grande interesse pela política ou pelo socialismo até 1896, quando se mudou para Nikolaev, onde cumpriu seu último ano de estudos secundários. Posteriormente cursou Matemática por um breve período, na Universidade Nacional de Odessa.

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Revolução Russa

No discurso da revolução, Trótski manifesta sua descrença na unificação de todas as facções social-democratas, abandona sua trajetória anterior de menchevique e junta-se ao partido bolchevique de Lenin Destacando-se pelo seu talento como organizador e agitador, é eleito presidente do soviete de Petrogrado, participa ativamente da luta para derrubar o Governo Provisório (1917), de Alexander Kerenski, e lidera o Comité Militar Revolucionário que planeja e concretiza o assalto ao Palácio de Inverno, consumando a Revolução de Outubro. Após a conquista do poder pelos bolcheviques, Trótski torna-se Comissário do Povo para os Negócios Estrangeiros, com a missão de negociar o armistício militar com a Alemanha e seus aliados. A posição de Trótski nas negociações do armistício foi oposta à de Lenin — que achava que um tratado deveria ser assinado com a Alemanha, em quaisquer condições — mas também oposta à dos comunistas de esquerda, que propunham a guerra revolucionária. Para ele, a posição a tomar seria de "nem paz, nem guerra", ou seja, o governo soviético deveria retirar-se das conversações e esperar pela agitação revolucionária do exército alemão. Trótski acaba por retirar-se de fato das conversações a 10 de fevereiro de 1918. A Alemanha responde com um novo ataque, o que obrigou o governo soviético a assinar, por fim, a 3 de março, o desvantajoso Tratado de Brest-Litovski.

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Comissário da Guerra

Formulação da política militar e primeiros sucessos: 1918

Contrariamente ao que desejava a Velha Guarda Bolchevique, Trótski reorganizou o Exército Vermelho em torno do recrutamento compulsório de camponeses, enquadrados por oficiais do antigo Exército Imperial Russo, os quais eram vigiados quanto às suas simpatias políticas, por propagandistas e militantes bolcheviques ("comissários políticos") encarregados de validar as ordens militares dadas por estes oficiais e de garantir sua confiabilidade ("comando dual"). O Exército Vermelho foi assim constituído como uma organização hierarquizada e burocrática, que, como era norma em todos os exército desse tempo, apoiava-se no uso de uma disciplina estrita que previa a pena de morte para atos de covardia e deserção, sendo aplicável tanto aos ex-oficiais do exército imperial quanto aos comunistas. Como o próprio Trótski declarou:

Crise e restauração de prestígio: 1919

Continuamente importunado pela oposição da velha guarda bolchevique, comandada por Stalin, às suas políticas, Trótski chegou, em julho de 1919, a oferecer sua renúncia ao cargo de Comissário da Guerra ao órgão do Comitê Central do Partido responsável pelas nomeações para cargos administrativos, o Orgburo, de forma a obrigar a cúpula do partido a expressar abertamente seu desacordo consigo ou apoiá-lo. Que a segunda opção tenha sido a escolhida deveu-se antes de tudo a Lenin, que, muito embora encontrasse dificuldades em conciliar os atritos criados por Trótski, pelo seu comportamento arrogante, com o restante dos líderes do partido, continuou em última instância a apoiar sua política militar, chegando mesmo a, num dado momento em 1919, entregar-lhe um papel timbrado com sua assinatura que Trótski poderia utilizar para validar qualquer ordem sua.

O Pós-Guerra Civil: 1918–1920

A autossuficiência de Trótski, mesmo após a vitória dos Vermelhos na Guerra Civil, acabou por determinar que seu prestígio público sofresse abalos importantes: o primeiro, quando da repressão brutal das revoltas de Kronstadt e de Tambov, em que teve papel importante na adoção de uma política de repressão e de rejeição de qualquer compromisso com os rebeldes. Segundo, quando, após haver proposto um abandono do comunismo de guerra e um retorno parcial ao livre mercado, pela adoção do que viria a consistir na futura NEP, no início de 1920, foi desautorizado por Lenin, propondo então, como uma alternativa, que "os métodos de guerra fossem aplicados sistematicamente", mediante um combate decidido ao desemprego decorrente da desmobilização e visando a rápida recuperação econômica da Rússia Soviética pela abolição total da independência, mesmo nominal, dos sindicatos e pela generalização do trabalho forçado através da formação de "exércitos do trabalho" que mobilizariam forçosamente trabalhadores ociosos. Somando-se à desconfiança dos veteranos bolcheviques por sua adesão tardia ao partido, estas posições lhe darão uma fama de bonapartista e ditador militar potencial, e em muito enfraquecerão sua posição diante de Stalin; Lenin, no seu Testamento Político, falará de Trótski como "o homem mais capaz do presente Comitê Central", mas deplorará suas tendências autoritárias (nas palavras de Lenin, "sua tendência a abordar as questões apenas pelo lado administrativo").

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Derrota diante de Stalin

Desde 1920, Lenin receia crescentemente a burocratização do partido e do estado e criticava Trótski pela sua falta de "opinião firme sobre o marxismo" e o condenava na tentativa de querer conciliar as diferentes classes sociais esquerdistas. A sua morte, em 1924, gera um vazio de poder que acirra a disputa interna entre o setor burocratizado e o setor em defesa de uma maior sovietização do regime. O primeiro, simbolizado por Stálin, acaba por vencer, assumindo a direção quase total do partido. Nesse momento, Trótski não quis ou não pôde opor-se ativamente a Stalin, mantendo-se discreto no 12º congresso do partido em 1923, onde acaba por perder o poder para um triunvirato, também chamado de Troika, constituído por Stalin, Lev Kamenev e Grigori Zinoviev. Trótski e seus apoiantes organizam-se na Oposição de Esquerda, facção que nos anos seguintes luta no interior do partido contra Stalin. Havia, no entanto, uma assimetria fundamental nesta luta faccionária: a oposição de esquerda, por mais bem implantada que estivesse no interior da militância comum do partido, não tinha qualquer poder no interior das instâncias decisórias de um Partido Bolchevique já totalmente burocratizado. Trótski, pela sua entrada tardia no partido e por não ter assumido responsabilidade por nomeações burocráticas como Stalin, não possuía capacidade de alavancar suas posições pelo exercício do clientelismo. Mas ainda, desde o seu décimo congresso, em 1920, o Partido Bolchevique havia adotado - com o apoio de Trótski, diga-se de passagem - um novo regimento administrativo que proibia a existência de facções permanentemente organizadas no partido, o que tornava possível a qualquer contestação à liderança do Partido ser caracterizada como "faccionária". Resumindo, o prestígio pessoal de Trótski era inteiramente desproporcional aos recursos políticos concretos que ele poderia mobilizar no interior de um partido a cuja vida interna ele era estranho. Daí, em grande parte, a inação de Trótski diante da ascensão de Stalin; na ausência de Lenin - que até então havia sempre abonado suas políticas em momentos decisivos - Trótski escolheu não desafiar o conclave bolchevique, sabendo que suas chances de vitória eram reduzidas.

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Exílio

Após a deportação, Trótski passou pela Turquia, França (julho de 1933 a junho de 1935) e Noruega (junho de 1935 a setembro de 1936), fixando-se finalmente no México, a convite do pintor Diego Rivera, vivendo temporariamente em casa deste e mais tarde em casa da esposa de Rivera, a pintora Frida Kahlo. A medida que aumenta a repressão stalinista, multiplicam-se os lutos familiares. Além da morte dos seus quatro filhos, os genros, noras, netos, e outros parentes próximos de Trótski são igualmente vítimas da repressão por sua ligação com um "inimigo do povo" e desaparecem nos sucessivos expurgos da década de 1930, com exceção do único filho que Zina pôde levar consigo ao exterior, e que acabou por reunir-se ao avô no México, após complicadas negociações com a mulher francesa de Leon Sedov - que havia se responsabilizado pelo sobrinho até a sua própria morte num hospital parisiense. No final de 1932 Trótski entrou em um bloco de oposição a Stalin dentro da URSS. Não havia evidências em suas cartas de uma aliança com a Alemanha nazista ou o Japão, como alegou a União Soviética. Os membros do bloco eram seguidores de Zinoviev, direitistas e trotskistas que "capitularam" a Stalin. Kamenev e Zinoviev também eram membros do bloco. Trótski não queria que a aliança se tornasse uma fusão, e ele temia que a direita ganhasse muito poder dentro do bloco. Historiadores como Pierre Broué concluíram que o bloco provavelmente se dissolveu no início de 1933, já que alguns de seus membros, como Zinoviev e Kamenev, se juntaram a Stalin novamente, e porque não havia cartas no arquivo de Trotsky em Harvard mencionando o bloco depois de 1932.

Assassinato

No seu crescente isolamento pessoal e político, Trótski, a partir desta altura, aumenta consideravelmente a sua produção escrita, escrevendo importantes obras como sua autobiografia, Minha Vida (1930), a História da Revolução Russa (em 2 vols., 1930 e 1932), A Revolução Permanente (1930) e A Revolução Traída (1936), uma crítica violenta ao Stalinismo. Apoiando-se sobre um panfleto de Rakovski, Os Perigos profissionais do poder, Trótski considerava em A Revolução Traída que a União Soviética se tornara num Estado de trabalhadores degenerado, controlado por uma burocracia não-democrática - derivada, no entanto, da própria classe operária (em um processo descrito como Degenerescência Burocrática) e que teria eventualmente de ser derrubada por uma 2ª revolução política que restaurasse o caráter democrático da revolução socialista, ou, então, degenerar ao ponto de regressar ao capitalismo.

A morte de Trótski na imprensa

Um dos secretários de Trótski, Joseph Hansen, entregou à imprensa um relato sobre o assassinato do líder comunista: Segundo Hansen, Jackson chegou à casa de Trótski às 5h30 da tarde do dia 20 de agosto, dizendo-lhe que havia escrito um artigo, sobre o qual gostaria de sua opinião. Trótski concordou e ambos se encaminharam para a sala de jantar, onde estava a sra. Trótski. "Alegando estar com a garganta seca, Jackson pediu um copo de água. A sra. Trótski ofereceu-lhe chá. Ele agradeceu mas preferiu a água. Então, Trótski convidou-o a passarem para o seu escritório". O primeiro indício de que algo de anormal acontecera foi o som de gritos lancinantes e de uma luta violenta. A princípio os secretários e guarda-costas julgaram que havia acontecido algum acidente, mas, ao ingressarem no escritório, encontraram Trótski com o rosto banhado em sangue. Um dos guarda-costas correu para socorrê-lo, enquanto o outro atracava-se com o assassino, que empunhava um revólver. "Provavelmente o assassino atacou-o por trás, utilizando uma picareta cuja ponta penetrou-lhe o cérebro. Mas em vez de cair inconsciente, como o assassino planejara, Trótski agarrou-se a ele".

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Biografias

Trótski encontrou, na década de 1950, um grande biógrafo na pessoa do marxista polonês radicado na Inglaterra Isaac Deutscher, que escreveu uma monumental biografia em três volumes: O Profeta Armado - Trótski 1879-1921, O Profeta Desarmado - Trótski 1921-1929 e O Profeta Banido - Trótski 1929-1940, a qual encontra-se atualmente disponível no original, publicação da Verso Editions, e em português, numa tradução da Editora Civilização Brasileira, republicada recentemente pela Editora Record. Trata-se de uma biografia polêmica, onde Deutscher questiona frequentemente as posições de Trótski, o que a torna mais dinâmica que outra biografia também monumental, porém mais documentada e posterior, do trotskista francês Pierre Broué, Trotsky (Paris, Fayard, 1988), que defende diretamente as ideias de Trótski.

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