Judeus
Judeus são um grupo étnico e religioso originado nas Tribos de Israel ou hebreus do Antigo Oriente. Os judeus são um povo nativo do Levante, especificamente da região da Palestina. O grupo étnico e a religião judaica, a fé tradicional da nação judia, são fortemente inter-relacionados, sendo que as pessoas convertidas ao judaísmo são incluídas neste grupo, enquanto judeus convertidos para outras religiões são excluídos deste conceito.
A palavra "judeu" originalmente era usada para designar aos filhos de Judá, filho de Jacó, posteriormente foi designado aos nascidos na Judeia. Depois da libertação do cativeiro da Babilônia, os hebreus começaram a ser chamados de judeus. A palavra portuguesa "judeu" se origina do latim judaeu e do grego ioudaîos. Ambas as palavras vêm do aramaico, יהודי, pronuncia-se "iahude". O primeiro registro do vocábulo em português foi no ano de 1018. Palavras etimologicamente semelhantes são usadas em outras línguas, tais como jew (inglês), jude (alemão), jøde (dinamarquês), يهودي ou yahudi (árabe). No entanto, variações da palavra "hebreu" também são usadas para designar um judeu, como acontece em ebreo (italiano), еврей ou yevrey (russo), εβραίος ou εvraios (grego moderno) e evreu (romeno). Em turco, a palavra usada é musevi, derivada de Moisés.
A origem dos judeus é tradicionalmente datada para aproximadamente 2 000 a.C. na Mesopotâmia, quando a destruição de Ur e da Caldeia forçou a população a imigrar para outros lugares. A família de Abraão estava entre aqueles que estavam imigrando para a Assíria. Abraão é considerado o fundador do judaísmo. A Estela de Merneptá, datada para 1 200 a.C., é um dos mais antigos registros arqueológicos do povo judeu na Terra de Israel, onde o judaísmo, a primeira religião monoteísta, se desenvolveu. De acordo com relatos da Bíblia, os judeus desfrutaram períodos de autodeterminação primeiramente sob juízes bíblicos de Otniel até Sansão. Depois, em aproximadamente 1 000 a.C., Rei Davi estabeleceu Jerusalém como a capital do Reino Unido de Israel e Judá, também conhecido como a Monarquia Unida, e de lá reinaram as Doze Tribos de Israel. Em 970 a.C., Salomão, o filho do Rei Davi, tornou-se rei de Israel. Dentro de uma década, Salomão começou a construir o Templo de Jerusalém conhecido como o Primeiro Templo. Depois da morte de Salomão (em 930 a.C.), as doze tribos se dividiram e as dez tribos do norte criaram o Reino de Israel. Em 722 a.C., os Assírios conquistaram o Reino de Israel e expulsaram os judeus, começando a Diáspora judaica. Num tempo de mobilidades e jornadas limitadas, os judeus se tornaram os primeiros e mais visíveis imigrantes. Naquele tempo, como hoje, os imigrantes eram tratados com suspeitas.
A pergunta "quem são os judeus?" gera um debate político, social e religioso entre os diversos grupos judaicos sobre quem pode ser considerado como tal. O povo judeu não pode atualmente ser reduzido a sendo somente religião, raça ou cultura, porque ultrapassa seus limites conceituais aceites. Reduzi-lo a qualquer um desses pontos seria mero reducionismo, pois ele é na verdade uma miscelânea das três, dando espaço a várias interpretações do que é ser judeu e, especialmente, quem é judeu. Interpretações essas que dependem de qual é a sua tradição religiosa (ortodoxa, conservadora, reformista, caraíta) e do espaço geográfico onde se encontram (sefarditas, asquenazitas, persas, norte-africanos, indianos etc.) (ver etnias judaicas). Na história recente ocidental, e consequentemente na história judaica, uma revolução conceitual levou o judaísmo e o povo judeu a um tempo de grandes mudanças estruturais. A essa revolução, a história deu o nome de Iluminismo (em hebraico: השכלה; Haskalá). Nesse período histórico, os antigos grupos religiosos detentores de tradições milenares observaram o nascimento de uma geração que via na criação de grupos com novas formas de pensar a possibilidade de saída de seus guetos milenares, não somente no plano físico, mas também mental e filosófico. Por vezes esses novos grupos distanciaram-se da velha ligação do judeu com a religião judaica-mãe, porém sem nunca perder a sua chama interna de identidade, sentimento esse que é o ponto de aproximação de todos os judeus e a mais importante linha para a complexa continuação da nação que é, hoje, esse povo.
Dentro da população judaica do mundo, que é considerada um grupo étnico, há divisões étnicas distintas, a maioria sendo o resultado das ramificações geográficas da população Israelita, e subsequentemente de independentes evoluções. Várias comunidades judaicas foram estabelecidas por colonos judeus em muitos lugares ao redor do Velho Mundo, muitas vezes bem distantes de outras assim resultando num quase permanente ou às vezes permanente isolamento de outras comunidades judaicas. Durante o milênio das diáspora judaicas as comunidades se desenvolveram sob as influências políticas, culturais, naturais e populacionais de seus ambientes locais. Atualmente, manifestações dessas diferenças entre as divisões étnicas judaicas podem ser observadas nas expressões culturais judaicas de cada comunidade, na diversidade linguística judaica e nas mesclas entre as populações judaicas. Historicamente, as divisões étnicas entre judeus foram divididas em dois principais grupos: os asquenazes (em hebraico: אַשְׁכֲּנָזִים; Ashkenazim), ou "alemães" (Ashkenaz significando "Alemanha" em hebraico medieval, denotando suas origens da Europa Central), e os sefarditas (ספרדים; S'faradim), ou "espanhóis" (S'farad significando "Espanha" ou "Ibéria" em hebraico, denotando suas origens espanholas e portuguesas). Os mizrahim, ou "orientais" (Mizrach significando "Oriente" em Hebraico), isto é, judeus médio-orientais, centro-asiáticos, caucasianos e norte africanos, podem constituir um terceiro grupo principal e os Teimanim (em hebraico: תֵּימָנִים; Teimanim) ou "iemenitas (Teiman significando "Iêmen" em hebraico, mas representa os judeus também de Omã) podem formar um quarto.
Evidência de DNA
Um estudo publicado pela National Academy of Sciences descobriu que, "Os resultados suportam a hipótese de que o conjunto genético paternal das comunidades judaicas da Europa, da África do Norte e do Oriente Médio descenderam de uma população ancestral comum médio-oriental, e sugerem que a maioria das comunidades judaicas permaneciam relativamente isoladas de comunidades vizinhas não judaicas durante e depois da diáspora". Os pesquisadores ficaram surpresos com a extraordinária uniformidade genética do DNA de cromossomo Y que eles descobriram entre judeus modernos, não importa para onde a diáspora os tenha espalhado pelo mundo. Foi achado que a vasta maioria das linhagens paternas entre os judeus vinha de homens do antigo Levante
Biologia
A explicação biológica evidente para ambos os fenômenos (diversidade de judeus e semelhança com a população onde vivem) é a miscigenação, que tomou formas diferentes em situações históricas diversas: casamentos mistos, proselitismo em grande escala, guerras e pogroms constantemente acompanhados de estupro (legalizado ou tolerado). A crença de que, apesar desses dados estatísticos, haveria um tipo judaico facilmente reconhecível baseia-se, em grande parte — embora não inteiramente -, a diversas concepções equivocadas. Ela não leva em consideração o fato de que os traços considerados tipicamente judaicos, se comparados aos povos nórdicos, deixam de ser tão evidentes num contexto mediterrâneo. Igualmente, parece ignorar o impacto do ambiente social sobre o físico e a aparência individuais. Além disso, confunde herança biológica com herança social.
Estado de Israel
Israel, o estado-nação judeu, é o único país onde os judeus são a maioria dos cidadãos. Israel foi estabelecido como um estado democrático e independente em 14 de maio de 1948. Dos 120 membros em seu parlamento, a Knesset, atualmente 12 membros são árabes israelenses, a maioria representando os partidos políticos árabes e um juiz da Suprema Corte é um árabe palestino. Entre 1948 e 1958, a população judaica cresceu de 800 000 para 1 milhão. Atualmente, os judeus são 76,4% da população israelense, ou 5 433 842 milhões de cidadãos. O começo do estado de Israel foi marcado pela imigração em massa de sobreviventes do Holocausto e de judeus fugindo de terras árabes. Israel também tem uma grande população de judeus etíopes, a maioria que foi trazida para Israel nos fins dos anos 80 e no começo dos 90. Durante os anos 70, 160 mil imigrantes chegaram da União Soviética, quase metade de todos os imigrantes que chegaram em Israel naquela época. Esse período também teve um aumento de imigrantes da Europa Ocidental, da América Latina e dos Estados Unidos. Entre 1948 e 1995, alguns imigrantes de outras comunidades também chegaram, incluindo imigrantes da Índia, Líbia ou África do Sul, entre outros Entre 1948 e 2007, imigraram para Israel 3 053 799 pessoas. Alguns judeus emigraram de Israel para outros lugares por causa de problemas financeiros ou por causa do clima político e do conflito Árabe-Israelense. Emigrantes israelenses judeus são conhecidos como "yordim" (aqueles que descem [de Israel]; o opósito é "olim", ou aqueles que sobem [para Israel]).
Diáspora
As ondas de imigração para os Estados Unidos e para outros lugares na viragem para o século XIX são resultado de várias causas, incluindo os pogroms na Rússia, o genocídio dos judeus europeus durante o Holocausto e a fundação do Estado de Israel (e subsequente êxodo judaico de países árabes). Tudo isso resultou nas mudanças dos centros populacionais do povo judeu no final do século XX. Atualmente, a maior comunidade judia no mundo depois de Israel é os Estados Unidos, com 5 165 019 judeus. Em outros lugares na América, há também populações significativas de judeus no Canadá, na Argentina e no Brasil, e menores populações no México, no Uruguai, na Venezuela, no Chile e em vários outros países.
Mudanças na população
Desde pelo menos o tempo dos gregos antigos, uma proporção de judeus se assimilou na sociedade gentia ao redor deles, por escolha ou pôr os força, parando assim de praticar o judaísmo e perdendo as suas identidades judaicas. Algumas comunidades judaicas, como por exemplo os judeus de Kaifeng, na China, desapareceram completamente, mas a assimilação permaneceu relativamente baixa durante o último milênio, porque frequentemente não deixavam os judeus se integrar nas sociedades onde eles viviam. O advento do Iluminismo judaico, ou Haskalá, no fim do século XVIII e a subsequente emancipação das populações judaicas da Europa e América no século XIX, mudou a situação, permitindo aos judeus cada vez mais participar e ser membro de uma sociedade secular. O resultado foi uma crescente tendência de assimilação, conforme judeus se casam com cônjuges gentis e param de participar em comunidades judaicas. Taxas de casamentos entre religiões variam muito: No Estados Unidos, elas são pouco menos de 50%, no Reino Unido, por volta de 50%, na Austrália e México, tão baixo quanto 10% e na França, podem ser tão altos quanto 75%. Nos Estados Unidos, somente cerca de um terço das crianças de casamentos entre religiões se afiliam com práticas religiosas judaicas. O resultado é que a maioria dos países na diáspora tem populações judias religiosas estáveis ou diminuindo um pouco conforme os judeus continuam a assimilar os países onde eles vivem.
O hebraico é a língua litúrgica do judaísmo (chamado de lashon ha-kodesh, "a língua sagrada"), a língua em que as Escrituras Hebraicas (Tanakh) foram escritas, e o idioma falado diariamente entre as pessoas judias por séculos. No século V a.C., o aramaico, uma língua relacionada, se juntou ao hebraico como o idioma falado na Judeia. No século III a.C., os judeus da diáspora estavam falando grego e 70 eruditos judeus até traduziram a Torá para o grego por causa de falta de alfabetização em hebraico dentro das comunidades judaicas. O hebraico moderno é atualmente um dos dois idiomas oficiais do Estado de Israel, junto com o árabe. O hebraico foi reconstituído como um idioma falado por Eliezer ben Yehuda, que chegou na Palestina em 1881. O idioma não era usado como uma língua materna desde tempos dos Tanaim. Por mais de dezesseis séculos o hebraico foi usado quase exclusivamente como uma língua litúrgica, e como o idioma no qual a maioria dos livros sobre judaísmo foram escritos, com poucos falando somente hebraico no Shabat. Por séculos, os judeus mundialmente falavam a linguagem local ou dominante das regiões para onde eles migraram, geralmente desenvolvendo formas distintas de dialetos ou ramificando-se para línguas independentes. O iídiche é uma língua judeu-alemã desenvolvida pelos asquenazes que migraram para a Europa Central; o ladino é uma língua judeo-espanhola desenvolvida pelos judeus sefarditas que migraram para a Península Ibérica. Por causa de muitos fatores, incluindo o impacto do Holocausto sobre a judiaria europeia, o êxodo judaico de terras árabes e a frequente emigração de outras comunidades judaicas ao redor do mundo, línguas judaicas antigas e distintas de diversas comunidades, incluindo o gruzínic, o judeo-árabe, o judeo-bérbere, o krymchak, o judeo-malaiala e muitos outros, saíram de uso.
O judaísmo guia seus aderentes em ambos hábito e fé, e foi chamado não somente de religião, mas também de um "estilo de vida", assim fazendo difícil traçar uma clara diferença entre judaísmo, cultura judaica e identidade judaica. Por toda a história, em lugares e épocas diversas tanto quanto o mundo antigo heleno, na Europa antes e depois do Iluminismo (veja: Haskalá), em Alandalus, na África do Norte e no Oriente Médio, na Índia e na China, ou nos contemporâneos Estados Unidos e Israel, o fenômeno cultural desenvolveu que os judeus podem ser caracteristicamente judeus sem serem de nenhuma maneira especificamente religiosos. Alguns fatores nisso vêm de dentro do judaísmo, outros da interação de judeus ou comunidades específicas de judeus em seus arredores, outros das dinâmicas culturais e sociais dentro da comunidade, em oposição a religião em si mesma. Esse fenômeno levou a culturas judaicas consideravelmente diferentes únicas para suas próprias comunidades, cada uma tanto autenticamente judaica quanto a próxima.
Judeus e migrações
Por toda a história judaica, os judeus foram repetidamente diretamente ou indiretamente expulsos de suas terras natais originais ou das áreas onde eles estavam residindo. Essa experiência como ambos imigrantes e emigrantes desenvolveu a identidade judaica e prática religiosa em muitas formas, e deste modo são elementos importantes da história do povo judeu. Uma lista com algumas dessas migrações inclui:


