Igreja Ortodoxa Etíope
A Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo é a igreja cristã nacional da Etiópia, pertencente à tradição oriental ortodoxa. Anteriormente parte da Igreja Ortodoxa Copta, obteve autonomia em 1959, quando o Papa Cirilo VI de Alexandria concedeu-lhe o direito de ter seu próprio patriarca. Atualmente, é uma igreja autocéfala, que utiliza o idioma gueês e o rito alexandrino.
Pontos-chave
- A Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo é a igreja cristã nacional da Etiópia.
- O termo 'Tewahedo' refere-se à crença na unificação das naturezas divina e humana de Cristo.
- Suas origens remontam ao batismo de um oficial etíope por Filipe, o Evangelista, e à cristianização do Reino de Axum no século IV.
- A igreja mantém tradições únicas, como jejuns rigorosos, exorcismos e a veneração da Arca da Aliança.
- A igreja possui um Patriarca-Católico como seu líder supremo, com o título de Abuna.
Tewahedo, palavra em gueês, significa 'unificado' ou 'transformado em um', sendo cognata a 'tawhid' (monoteísmo). Este termo reflete a crença na união monofisista das naturezas divina e humana em Cristo, em contraste com a doutrina das 'duas naturezas' defendida por outras igrejas.
A igreja reivindica origens apostólicas, com o batismo de um tesoureiro etíope por São Filipe. O cristianismo se tornou a religião oficial do Reino de Axum no século IV, graças aos esforços de São Frumêncio, que se tornou o primeiro bispo da Etiópia.
Origens Apostólicas e Nacionalização
A tradição etíope aponta para o batismo de um oficial real por Filipe, o Evangelista, como um de seus primeiros marcos. O Cristianismo se consolidou como religião nacional no século IV, sob o Rei Ezana, com a atuação de São Frumêncio, conhecido como Abuna Selama. Frumêncio, após ser ordenado bispo em Alexandria por Santo Atanásio, retornou à Etiópia para liderar a igreja.
A fé etíope ortodoxa integra elementos do cristianismo miafisita, com crenças em Deus, na Virgem Maria, anjos e santos. A igreja segue preceitos do Antigo Testamento (Həggä 'Orät) e do Novo Testamento (Həggä Wongel). Uma hierarquia de mensageiros divinos intercede entre os fiéis e Deus.
Dias de Jejum
A observância de dias de jejum é um pilar da prática religiosa, exigindo a abstenção de carne, produtos animais e atividade sexual. Os fiéis devotos devem cumprir um rigoroso programa de jejum, totalizando pelo menos 250 dias por ano, além de outras práticas individuais.
Exorcismo e Cura Espiritual
Padres realizam exorcismos para aqueles que se acredita estarem sob influência demoníaca. Um estudo de 2010 indicou que 74% dos cristãos na Etiópia relataram ter presenciado ou vivenciado um exorcismo. A aflição demoníaca é frequentemente considerada quando tratamentos médicos modernos falham.
A Arca da Aliança
A Igreja Ortodoxa Etíope afirma abrigar a Arca da Aliança original na Igreja de Santa Maria de Sião. Apenas um sacerdote pode acessar o local onde a Arca está guardada. Em todas as igrejas etíopes, um 'tabot', réplica das tábuas da Arca, é essencial para a consagração, sendo levado em procissões em dias festivos.
Semelhanças com Judaísmo e Islamismo
A igreja mantém ênfase em ensinamentos do Antigo Testamento e adere a práticas judaicas, como regras dietéticas (proibição de carne de porco, embora com misturas de laticínios com carne). Mulheres cobrem a cabeça e se sentam separadas dos homens, e os fiéis retiram os sapatos ao entrar na igreja. O sábado (sétimo dia) é observado, além do domingo.
O Papel do Debtera
Um debtera é um leigo treinado pela igreja como escriba ou cantor. Frequentemente, atua também como curandeiro popular, podendo desempenhar funções semelhantes às de um diácono ou exorcista, e é associado a práticas mágicas no folclore.
Desde 1959, a igreja é liderada por um Patriarca-Católico, com o título de Abuna. O atual líder é Matias, que assumiu a posição em 28 de fevereiro de 2013.
A Igreja Ortodoxa Etíope está presente na América do Sul através da Arquidiocese do Caribe e da América Latina, sediada em Trinidad e Tobago e liderada por Abuna Thaddaeus.


