Advento
O Advento é o período que marca o início do Ano Litúrgico cristão, abrangendo as quatro semanas que antecedem o Natal. É um tempo de profunda preparação e alegria, onde os fiéis se dedicam à expectativa do Nascimento de Jesus Cristo, vivenciando o arrependimento, promovendo a fraternidade e cultivando a paz.
Pontos-chave
- O Advento é o primeiro tempo do Ano Litúrgico, antecedendo o Natal.
- É um período de quatro semanas de preparação e alegre expectativa para a vinda de Jesus Cristo.
- Sua origem remonta aos séculos IV-VII, com características ascéticas e escatológicas.
- As duas primeiras semanas focam na segunda vinda de Cristo, e as duas últimas na celebração do Natal.
- Símbolos como a coroa de Advento e figuras como Isaías, João Batista e Maria são centrais neste tempo.
A primeira menção ao 'Tempo do Advento' surge na Península Ibérica em 380, com o Sínodo de Saragoça estabelecendo três semanas de preparação para a Epifania. Na Gália, o bispo Perpétuo de Tours instituiu setenta dias de preparação para o Natal. Em Roma, o Sacramentário Gelasiano já citava o Advento no final do século V. Inicialmente, entre os séculos IV e VII, o Advento era observado em diversas regiões como uma preparação para o Natal, com um caráter ascético, incluindo jejum e abstinência, e duração de seis semanas na Gália e Península Ibérica (a 'quaresma de S. Martinho'). Essa prática ascética visava também a preparação de catecúmenos para o batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, o aspecto escatológico, que recorda a segunda vinda do Senhor, foi adicionado, e o período passou a ser celebrado durante cinco domingos.
O Advento é um momento de imersão na liturgia e na mística cristã para toda a Igreja. É um tempo de espera vigilante e esperança alegre pela vinda do Senhor, comparável a uma noiva que se prepara para seu amado. O período começa quatro domingos antes do Natal e se estende até as primeiras vésperas do Natal de Jesus. Possui duas fases distintas: nas duas primeiras semanas, a expectativa se volta para a segunda vinda gloriosa e definitiva de Jesus Cristo no final dos tempos; nas duas últimas semanas (de 17 a 24 de dezembro), o foco é a preparação para a celebração do Natal, que recorda a primeira vinda de Jesus entre nós. Essa dualidade confere ao Advento um caráter de piedosa e alegre expectativa, expressa, por exemplo, no canto das 'Antífonas do Ó'.
Embora cada família e comunidade cristã possam ter suas particularidades na celebração do Advento, existem elementos comuns e tradicionais adotados em diversas igrejas.
A coroa do Advento, com suas quatro velas, é um símbolo comum. Três velas são roxas, representando penitência e preparação, e uma é rosa, simbolizando a alegria do 'Domingo Gaudete'. Em algumas tradições, uma quinta vela central é acesa no Natal, marcando a chegada de Jesus, a Luz do mundo.
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O Advento ressalta a dimensão histórica da salvação, a dimensão escatológica do mistério cristão e o caráter missionário da vinda de Cristo. Ao analisar os textos litúrgicos, percebe-se que o mistério da vinda de Jesus se manifesta na história da humanidade, confirmando a promessa e a aliança com Israel. Deus, ao se encarnar, plenifica o tempo (Gl 4,4) e aproxima o Reino (Mc 1,15). O Advento também recorda o Deus da Revelação, 'Aquele que é, que era e que vem' (Ap 1, 4-8), que opera a salvação continuamente, mas cuja consumação ocorrerá no 'dia do Senhor'. O caráter missionário do Advento se manifesta na Igreja Católica através do anúncio do Reino e da sua acolhida pelos corações, até a manifestação gloriosa de Cristo. Figuras como João Batista e Maria são exemplos da vida missionária, preparando o caminho do Senhor e levando Cristo aos irmãos. Toda a humanidade e a criação vivem em um 'clima de advento', aguardando ansiosamente a manifestação plena do Reino de Deus.
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A liturgia do Advento nos convida a reviver valores cristãos essenciais: alegria expectante e vigilante, esperança, pobreza e conversão. A fidelidade de Deus às suas promessas – a vinda do Salvador – gera uma alegre expectativa, que deve ser vivida como uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja, que é a esperança de Israel já realizada em Cristo, consumar-se-á na parusia (volta) do Senhor. Por isso, o brado característico deste tempo é 'Marana tha!' (Vem, Senhor Jesus!). O Advento é um tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1), esperança na renovação de todas as coisas, na libertação de nossas misérias e pecados, na vida eterna, e uma esperança que nos fortalece na paciência diante das dificuldades, tribulações e perseguições da vida.
Algumas figuras bíblicas ganham destaque especial no Advento, servindo como exemplos e guias para a espiritualidade deste tempo.
Isaías: O Profeta da Consolação e Esperança
Isaías foi o profeta que, em tempos difíceis de exílio para o povo eleito, trouxe consolo e esperança. Na segunda parte de seu livro (capítulos 40-55, o 'Livro da Consolação'), ele anuncia a libertação, um novo e glorioso êxodo e a criação de uma nova Jerusalém, reanimando os exilados. As principais passagens deste livro são proclamadas durante o Advento, como um anúncio perene de esperança para todas as gerações. No capítulo 7, ele já anuncia a vinda do Senhor.
João Batista: O Precursor do Senhor
João Batista é o último dos profetas e, segundo Jesus, 'mais que um profeta', 'o maior entre os nascidos de mulher'. Ele foi o mensageiro que veio à frente do Senhor para preparar o caminho, anunciando sua vinda (Lc 7, 26-28) e pregando a conversão para o conhecimento da salvação e o perdão dos pecados (Lc 1, 76s). Como precursor do Senhor, João Batista encarna todo o espírito do Advento, ocupando um lugar de destaque na liturgia, especialmente no segundo e terceiro domingos. Ele é o modelo para os consagrados a Deus que, no mundo de hoje, são chamados a ser profetas do Reino, 'vozes no deserto' que apontam para o Senhor, permitindo que Jesus cresça em suas vidas enquanto eles diminuem, despertando os homens do torpor do pecado.
São José: O Homem Justo e Pai Adotivo
Nos textos bíblicos do Advento, São José, esposo da Virgem Maria, é destacado como o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Sendo da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um papel crucial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de 'Filho de Davi'. Sua fé o tornou um homem justo, servindo de modelo para todos que buscam um diálogo e comunhão perfeitos com Deus.
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O Advento deve ser celebrado com sobriedade e discreta alegria. O canto do Glória é omitido para que, na festa do Natal, ele seja entoado com os anjos como algo novo, glorificando a Deus pela salvação. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB recomenda moderação no uso de flores e instrumentos musicais, evitando antecipar a plena alegria natalina. Os paramentos litúrgicos (casula, estola, dalmática, pluvial, cíngulo, etc.), o véu do ambão, a bolsa do corporal e o véu do cálice são de cor roxa, simbolizando recolhimento e conversão em preparação para o Natal. A única exceção é o terceiro domingo do Advento, conhecido como Domingo Gaudete ou da Alegria, quando a cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para expressar a proximidade da alegria da vinda do Salvador. Nesse dia, os altares também podem ser ornados com rosas cor-de-rosa. O nome 'Domingo Gaudete' deriva da primeira palavra do intróito deste dia, que vem da segunda leitura: 'Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto' (Fl 4, 4). É também chamado 'Domingo mediano', por marcar a metade do Tempo do Advento, similar ao quarto domingo da Quaresma, chamado Laetare.
Diversos símbolos do Advento nos auxiliam a aprofundar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles, destaca-se a coroa ou grinalda do Advento.
A Coroa do Advento: Um Círculo de Significado
A coroa é composta por galhos sempre verdes entrelaçados em um círculo, onde são colocadas quatro velas, representando as quatro semanas do Advento. Pode ser posicionada ao lado do altar ou em outro local visível. A cada domingo, uma vela é acesa, progressivamente, até que as quatro estejam acesas no quarto domingo. A luz crescente simboliza a proximidade do Natal, quando Cristo, Salvador e Luz do Mundo, brilhará para a humanidade, e representa nossa fé e alegria pelo Deus que vem. A cor roxa das velas nos convida à purificação do coração para acolher Cristo. A vela rosa evoca a alegria pela proximidade do Senhor. Detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá. O círculo da coroa, sem princípio nem fim, simboliza o amor eterno de Deus e o nosso amor ininterrupto a Deus e ao próximo, além de representar a união e a Aliança entre Deus e as pessoas. O verde dos galhos, que permanecem assim mesmo em invernos rigorosos, simboliza a esperança e a vida, lembrando que os cristãos devem manter a fé e a esperança apesar das tribulações. Deus deseja que esperemos sua graça, perdão misericordioso e a glória da vida eterna, bênçãos derramadas na primeira vinda de Jesus e cuja consumação aguardamos com esperança renovada em sua segunda e definitiva volta.


