Pesquisa · Mapa mental

Igreja de São Vicente de Fora

A Igreja e Mosteiro de São Vicente de Fora, localiza-se no bairro histórico de São Vicente (Lisboa), na cidade e Distrito de Lisboa, em Portugal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
01

História

Remonta a uma igreja, principiada em 1582 no local onde D. Afonso Henriques havia mandado construir um primitivo templo também sob a invocação de São Vicente. Esse santo foi proclamado padroeiro de Lisboa em 1173, quando as suas relíquias foram transferidas do Algarve para uma Igreja fora das muralhas da cidade. A construção só se inicia em 1590 pela mão do arquiteto e engenheiro Filippo Terzi (1520–1597) segundo um desenho do arquitecto espanhol Juan de Herrera (1530–1597). Outra figura de destaque na obra de São Vicente de Fora é, sem dúvida, o arquitecto português Baltasar Álvares. Este último leva consigo uma aprendizagem erudita do Maneirismo romano adquirida através de seu tio arquiteto e engenheiro português Afonso Álvares (15??-1580). Nasce assim um novo estilo arquitetónico em Portugal que viria a servir como modelo nas seguintes construções religiosas. A obra foi concluída em 1627.

02

Características

Apresenta planta retangular com uma fachada de tipo italiano, sóbria e simétrica, com uma torre de cada lado e as estátuas dos santos Agostinho, Sebastião e Vicente sobre a entrada. A imponente fachada pintada de branco divide-se no sentido horizontal em três partes. O edifício ergue-se diante um largo espaçoso e desafogado, o Largo de São Vicente, contém uma ampla escadaria bem lançada, mas simples. O adro vê nascer o primeiro entablamento, assentando a sua arquitrave, friso e cornija sobre os capitéis de dez altas colunas de ordem dórica. Nos três intercolúnios centrais abrem-se os três portões, simples, de volta inteira, sobrepujados de três nichos coroados de áticas. Nos três nichos estão Santo Agostinho, ao centro, São Sebastião à direita e São Vicente à esquerda. Nos intercolúnios laterais, em linha aos outros, há dois nichos onde estão São Domingos de Gusmão à direita e Santo António à esquerda. O segundo entablamento da fachada apresenta nas prumadas dois nichos, na direita vê-se São Norberto e São Bruno na esquerda. Ao centro três elevadas janelas majestosas e harmónicas no conjunto. Na terceira parte da fachada é constituída por dois torreões que se erguem em colunas vistosas, abertos de ventanas, ornados de platibanda. Do meio deles emergem duas cúpulas. Uma platibanda de trinta e três metros, adornada de enfeites, une os dois torreões sobre o corpo central. Em 1755, desmoronou-se o seu grande zimbório, peça que aumentaria a beleza simétrica da composição.

03

Panteões

Nas dependências da Igreja está localizado o Panteão Real dos Braganças e o Panteão dos Patriarcas de Lisboa.

Panteão dos Patriarcas

O Panteão Patriarcal ocupa a antiga sala do capítulo, espaço onde os cônegos regrantes se reuniam diariamente para deliberar sobre a vida material e espiritual do Mosteiro. A própria designação da sala deriva do costume de se iniciar cada reunião com a leitura de um capítulo da Regra da Ordem. Após a Extinção das Ordens Religiosas em 1834, o ambiente conheceu diversos usos, acolhendo, entre outros serviços, o arquivo do Ministério da Justiça. Desde 1955, este espaço foi definitivamente destinado ao Panteão Patriarcal.

Panteão da Dinastia de Bragança

O Mosteiro abriga também o Panteão Real da Casa de Bragança, onde repousa praticamente toda a última dinastia portuguesa. O panteão ocupa o espaço que, até à Extinção das Ordens Religiosas em 1834, serviu de refeitório monástico, lugar onde os cônegos regrantes tomavam suas refeições em silêncio, enquanto escutavam as leituras sagradas. Foi D. João IV (1604–1656), fundador da quarta dinastia, quem escolheu este Mosteiro para acolher o panteão de sua família. Com esse gesto, de evidente alcance político, procurava reafirmar a legitimidade da nova dinastia, associando-a simbolicamente ao primeiro rei de Portugal, responsável pela fundação do Mosteiro. O seu túmulo em mármore, originalmente colocado na capela-mor, sob o Sacrário, quando o panteão ainda se situava na igreja, encontra-se hoje à entrada do panteão, do lado direito.

04

Órgão histórico

O órgão de São Vicente de Fora terá sido construído, ou reconstruído em 1765 pelo organeiro João Fontanes de Maqueira e restaurado por Cláudio Rainolter e Christine Vetter em 1994, sob a égide da Lisboa 94, Capital Europeia da Cultura, sob a supervisão do organista Joaquim Simões da Hora. As primeiras gravações foram efectuadas, ainda em LP, pelos organistas Pierre Cochereau (1965), Francis Chapelet (1966) e Geraint Jones (1966). Actualmente foram gravados os seguintes discos em formato CD:

05

Pátio das Laranjeiras

Imagem: gadl · BY-NC-SA · Openverse

Saindo da igreja descemos a escadaria. Do lado esquerdo temos a entrada do portal para o mosteiro e encontramos o Pátio das Laranjeiras, um átrio aberto que nos permite ter acesso ao mosteiro-museu. Aqui um sentimento de repouso é conjugado com o ritmo do cantar da água da fonte juntamente com o cheiro dos caramanchões e a frescura da sua sombra. O alçado do mosteiro é marcado por uma luminosidade que resulta de estar virado a poente. Neste piso encontra-se a recepção e a cafetaria. Há passagem por um túnel que leva nos até uma cisterna medieval do século XII, situada no claustro poente, seguindo por um passadiço metálico onde serão visíveis mais vestígios medievais, mais a frente existe a segunda cisterna esta mais recente precisamente do reinado de D. Filipe III. Na entrada para o mosteiro, entre os claustros encontra-se a sacristia, a sua entrada é decorada com um portal maneirista com decorações com as armas reais, no seu interior iremos encontrar revestimentos de mármore policromo e mobiliário em madeira, no teto encontra-se decorado com pintura do século XVIII, no pavimento à existência de túmulos antropomórficos do século XII (cavaleiros de D. Afonso Henriques), estão também presentes os túmulos de D. Carlos e Dom Luís Filipe, pelo claustro nascente temos acesso ao piso superior onde se encontra a capela de Santo António.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando