Hunos
Os hunos foram uma antiga confederação eurasiática de nômades ou seminómadas equestres, com a aristocracia de núcleo altaico. Algumas dessas tribos moveram-se para a Europa no século IV provavelmente devido a mudanças climáticas. Eles eram excelentes criadores de cavalos e adeptos de combates a cavalo.
Debates sobre os ancestrais asiáticos dos hunos vêm acontecendo desde o século XVIII. Por exemplo, os filologistas debatem até hoje sobre qual heterônimo de fontes chinesas e persas são idênticas ao latim Hunni ou o grego Chounnoi como evidência da identidade dos hunos. Recentes pesquisas genéticas mostram que a maioria das grandes confederações de guerreiros não era inteiramente da mesma etnia, mas provavelmente uma mistura entre clãs euro-asiáticos. Outro exemplo são as múmias de Tarim descobertas em Taklamakan, na Ásia Central, que datam de 1 800 a.C. a 200 d.C.. A característica mais notável dessas múmias é o seu tipo físico caucasoide. Entretanto, mais testes genéticos mostraram uma complexidade nessa teoria. Segundo ela, aparecem características europeias e do leste asiático. Além disso, muitos clãs podem simplesmente ter se autodenominado hunos em razão do prestígio e da fama do nome, ou terem sido assim chamados pelos outros povos por causa de características comuns, lugar de origem, ou reputação. Igualmente, crônicas gregas e latinas podem ter usado "hunos" num senso mais geral, para descrever características étnicas ou sociais ou reputação. "Tudo que podemos seguramente dizer", disse Walter Pohl, "é que o nome ’hunos’, na antiguidade clássica, designava prestigiosos grupos de guerreiros das estepes". Antigas visões apareceram no contexto de um ensino nacionalista e etnocêntrico de gerações passadas, que comumente presumiam que homogeneidade étnica devia interligar povos social e culturalmente homogêneos. Pesquisas modernas mostram que cada uma das grandes confederações de guerreiros das estepes (tais como citas, xiongnu, hunos, ávaros, cazares, cumanos, mongóis, etc.) não eram homogeneamente iguais, mas uniões de múltiplas etnias como as de turcos, ienisseianos, tungúsicos, úgricos, irânicos, mongólicos e muitos outros povos.
Teoria turca
Os hunos foram talvez de origem turca (ou pré-proto-turca). Essa linha de pensamento surgiu quando Joseph de Guignes no século XVIII identificou os hunos com os Xiongnu ou (H)siung-nu. A tese obteve o apoio de Otto Maenchen-Helfen, baseado nos seus estudos linguísticos. O inglês Peter Heather chamou os Hunos de "o primeiro grupo de nômades turcos, em oposição aos iranianos, a invadir a Europa". O pesquisador turco Kemal Cemal amparou essa afirmação com a comparação de palavras e nomes semelhantes nas línguas turca e huna, e semelhanças nos sistemas de governo de tribos hunas e turcas. O historiador húngaro Gyula Nemeth também apoiou esse ponto de vista. O historiador uigur Turghun Almas sugeriu uma ligação entre hunos e os uigures, um povo de língua turcomana que habita a região de Sinquião, na China.
Séculos II ao V
Dioniso Perígetes descreveu um povo que pode ser huno vivendo próximo ao Mar Cáspio no século II. Em 139, o geógrafo europeu Ptolemeu escreveu sobre os cunos (Khuni) vivendo próximos ao Rio Dniepre e governados por sunos. Ele listou o século, embora não é certo se esse povo eram os hunos. No século V, o historiador armênio Moisés de Corene, na sua História da Armênia, pondo os hunos próximos dos sármatas e descrevendo a captura da cidade de Bactro por eles, em algum momento entre 194 e 214, o que explicaria o porquê dos gregos chamarem aquela cidade de Hunuk. Prosseguindo com a derrota dos Xiongnu pelos Han, a história daquele povo permaneceu desconhecida por um século, até quando a família Liu do "Tiefu" dos Xiongnu do sul, tentaram estabelecer um estado no oeste da China (ver Han Zhao). Os quionitas apareceram na Transoxiana em 320 imediatamente depois de Jin Zhuan subjugar Liu Can, fazendo os Xiongnu entrarem num caos. Depois Quidara surgiu para liderar os quionitas na pressão contra o Império Cuchana.
Hunos na Europa
Os hunos apareceram na Europa no século IV, aparentemente vindos da Ásia Central. Eles primeiro apareceram no norte do mar Negro, forçando um grande número de Godos a buscar refúgio no Império Romano; depois, os Hunos apareceram no oeste dos Cárpatos na Panônia, provavelmente em algum momento entre 400 e 410, provocando a massiva migração das tribos germânicas para o oeste e provocando a famosa travessia do Reno em dezembro de 406. O estabelecimento do Império Huno no século V marca historicamente o inicio da migração com cavalos. Os hunos eram soberbos cavaleiros, treinados desde a infância, e alguns acham que eles inventaram o estribo, instrumento crítico para aumentar o poder de luta. Eles espalharam terror nos inimigos devido a velocidade em que eles podiam se movimentar, trocando de montaria várias vezes ao dia para manter a vantagem. Uma segunda vantagem eram os seus arcos compostos recurvados, muitos superiores a qualquer coisa usada no Ocidente. Apoiados em seus estribos, eles podiam atirar para frente, para os lados e para trás. A principal fonte de renda dos hunos era a prática do saque aos povos dominados. Quando chegavam numa região, espalhavam o medo, pois eram extremamente violentos e cruéis com os inimigos. Sua tática essencial era fazer ataques-surpresa relâmpago e garantir o terror para os outros povos.
Muitas nações tentaram assimilar-se étnica e culturalmente como sucessoras dos hunos. Por exemplo, a Nominália dos Cãs Búlgaros indica que eles acreditavam ser descendentes de Átila. Os Búlgaros certamente foram parte da união tribal em algum momento, e alguns devem ter criado a hipótese que a língua tchuvache (que se acredita ser descendente da língua protobúlgara) é a língua sobrevivente mais próxima da língua huna. Os magiares (húngaros) também reclamam uma herança Huna. Por causa dos Hunos que invadiram a Europa, que representou uma grande coalizão de vários povos, é possível que os magiares tenham também feito parte dela. Até o inicio do século XX, muitas histórias húngaras acreditavam que o povo sículo era descendente dos Hunos. Em 2005, um grupo de 2 500 húngaros pediu ao governo o reconhecimento do status de minoria como descendentes diretos de Átila. O ato não foi concedido, mas deu certa publicidade ao grupo, formado no inicio da década de 1990 e representava um ramo húngaro do misticismo. Os auto-proclamados "hunos" não tinham em posse nenhuma cultura huna ou traços da linguagem dos mesmos, o que estaria disponível em fontes históricas e místicas dos Húngaros modernos.


