Hospício Pedro II
O Hospício Pedro II, posteriormente Hospício Nacional de Alienados e Instituto Nise da Silveira, inaugurado no Rio de Janeiro em 1852, foi o primeiro hospital psiquiátrico do Brasil e o segundo da América Latina. O hospital foi fechado definitivamente em 2021.
Até o início do século XIX, os “alienados mentais” não recebiam qualquer tipo de tratamento. Se fossem calmos ficavam vagando pelas ruas, se fossem agressivos ficavam presos e acorrentados em cadeias. Somente nos meados do século XIX é que as Santas Casas de Misericórdia brasileiras passaram a receber e cuidar de doentes psiquiátricos. Em 1841, o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, José Clemente Pereira, iniciou uma campanha pública para criação de um hospício de alienados. Em 24 de agosto de 1841 foi lido o decreto imperial autorizando a criação da instituição. O imperador D. Pedro II contribuiu com parte da verba necessária e a população com o restante. O edifício, construído entre 1842 e 1852, é um dos expoentes da arquitetura neoclássica do Brasil. O projeto é resultado da colaboração entre alguns dos maiores arquitetos ativos no momento: José Domingos Monteiro, Joaquim Cândido Guilhobel e José Maria Jacinto Rebelo.
A Revolta dos Loucos (1920)
Em 27 de janeiro de 1920, a instituição foi palco da chamada Revolta dos Loucos, um levante protagonizado por mais de 40 internos da Seção Lombroso — ala reservada a pacientes considerados “loucos criminosos”. Os internos incendiaram colchões, quebraram estruturas internas e entraram em confronto com funcionários e autoridades. O episódio teve ampla repercussão na imprensa da época, que tratou o acontecimento com tons sensacionalistas e estigmatizantes. O motim levou à extinção da dita seção, e contribuiu diretamente para a criação do Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro, o primeiro do Brasil, em 1921. O escritor Lima Barreto, que estava internado na instituição na ocasião, deixou registros sobre o evento em suas obras póstumas Diário do Hospício, e Cemitério dos Vivos


