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Arquitetura neoclássica

Arquitetura neoclássica é o estilo arquitetónico que, em linha com a tendência artística universal do neoclassicismo, resulta da recuperação da gramática formal da Antiguidade Clássica grega e romana. Na história da arquitetura, este estilo surge após o barroco tardio e rococó, no período em que a tradição da Grand Tour foi um marco na educação cultural entre as gerações de novos artistas e de toda a classe aristocrática e alta burguesia. O período de desenvolvimento deste estilo coincide com aquele a que os historiadores da economia designam de Revolução Industrial. Observa-se, na área da arquitetura, que neste período começam a destacar-se os problemas da prática construtiva.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Neoclassicismo no século XVIII

O neoclassicismo setecentista foi essencialmente uma reação ao Rococó. Para além da recuperação dos princípios da arquitetura do século XVI e palladiana, o início do racionalismo neoclássico surge como resposta antibarroca que teve a sua origem com as obras teóricas do século XVII de François Blondel, Claude e Charles Perrault, e, no século XVIII, de Colen Campbell. O desenvolvimento da arquitetura neoclássica contribuiu para três orientações fundamentais. A primeira ocorreu no campo da crítica arquitetónica, com a divulgação dos escritos de Marc-Antoine Laugier, Carlo Lodoli, Francesco Milizia, Étienne-Louis Boullée, Claude-Nicolas Ledoux e outros, que favoreceram a transposição do Iluminismo na arquitetura, afirmando tais princípios relacionados com o racionalismo e o funcionalismo que conduziriam a um novo ideal estético, com predilecção para formas geométricas elementares. Marc-Antoine Laugier, no seu Ensaio sobre a arquitetura, sustentava que a natureza era o princípio originário da arquitetura; o seu edifício ideal era definido por colunas livres, sem pilares, embasamentos e outros elementos da tradição renascentista e pós-renascentista. Ademais, no seu tratado expôs uma concepção racional do classicismo, apoiando o conceito da chamada "cabana rústica" do homem primitivo como expressão da verdadeira necessidade humana de abrigo.

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Neoclassicismo dos séculos XIX e XX

O Neoclassicismo permaneceu a maior corrente na Europa desde a segunda década do século XVIII até ao século XIX. No entanto, foi acompanhado por novas correntes culturais, expressão de várias mudanças da sociedade, como o neogótico, neorrenascimento, o neobarroco e o neorromânico. A época oitocentista foi o século de Napoleão Bonaparte, da Restauração e da afirmação dos estados nacionais; foi um século assinalado pela Revolução Industrial, que mudou os cenários sociais e criou novas oportunidades para o desenvolvimento, sobretudo na Inglaterra. Esse aparato formal que ressentiu profundas alterações pela sobriedade e sumptuosidade da arquitetura napoleónica (o estilo império que data de 1805—1814), foi seguido pelo chamado Classicismo da Restauração (1814–1840). Na segunda metade do século, o neoclassicismo tornou-se o estilo dos estados burgueses enriquecidos com a industrialização, enquanto que nas primeiras décadas do século XX, estaria presente em toda a arquitetura anacrónica ostensiva de vários países, incluindo os Estados Unidos, Itália e Alemanha, sustentando-se a nível ideológico e perdendo inclusive qualquer significado histórico.

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Neoclassicismo na Europa

Em Portugal, o Neoclássico surgiu no último quartel do século XVIII e corresponde ao período pombalino e estende-se até as primeiras décadas do século XIX. A primeira obra construída dentro do novo estilo em Portugal foi inteiramente importada de Itália. Trata-se da capela de São João Batista na igreja de São Roque de Lisboa, encomendada em 1742, pelo rei D. João V aos arquitetos Nicola Salvi e Luigi Vanvitelli. José da Costa e Silva (1714–1819), formado em Bolonha, representaria o apogeu nacional deste estilo. Projetou, entre muitos outros edifícios, o Teatro Nacional de S. Carlos (1792) e o Palácio Nacional da Ajuda (este em conjunto com o italiano Francisco Xavier Fabri), que não chegou a concluir-se. Em Coimbra salientam-se alguns trabalhos do engenheiro militar Guilherme Elsden, como o edifício do Museu da Universidade, construído entre 1773 e 1774. No Porto, são lançadas várias ampliações da cidade com regulamentações de ocupação e a introdução do estilo neoclássico foi aplicada em projectos importantes realizados por ingleses residentes nesta cidade, o que explica a enorme influência da tendência palladiana, presente nomeadamente no Hospital de Santo António, projetado pelo inglês John Carr (1769), na definição espacial da Praça da Ribeira, junto ao rio Douro (1765), no edifício da Feitoria Inglesa (1785), estes dois últimos pelo cônsul John Whitehead, ou no Palácio da Bolsa de Joaquim da Costa Lima. Um dos expoentes máximos do neoclassicismo nortenho foi o engenheiro Carlos Amarante (1748–1815), autor de vários edifícios tardo-barrocos e neoclássicos, como a Igreja da Trindade no Porto.

França

A arquitetura civil francesa volta-se para o neoclassicismo a partir de meados do século XVIII, com a construção de projetos sóbrios e resplandecentes como a Praça da Concórdia em Paris e o Petit Trianon em Versalhes, ambos de Ange-Jacques Gabriel, que são ainda premissas do classicismo barroco francês. Os projetos à Praça da Concórdia, à época Praça Louis XV, remontam a 1753: os projetos originais definiam um espaço muito diferente do atual, resultado de elaboradas plantas na era napoleónica, com dois palácios que delimitavam um espaço fechado por uma série de balaustradas. Os edifícios eram claramente inspirados no traçado de Claude Perrault, da fachada do Louvre. Na arquitetura francesa o trabalho de Perrault (1613–1688) na conclusão do famoso palácio real de Paris foi de facto um exemplo de absoluta mestria: o seu desenho claro e ordenado, composto por um frontão central e um sistema de colunas germinadas erguidas sobre um maciço embasamento, teve uma notável influência na definição do novo cânone estético da arquitetura. Pouco depois da construção da praça parisiense, foi justamente Petit Trianon, construído entre 1761 e 1768, onde os espaços interiores foram distribuídos de acordo com a sua função e não tanto segundo as exigências estéticas da simetria. O exterior é muito simplificado e livre de excessivas decorações, sendo definido por um rígido sistema de grandes aberturas envidraçadas.

Inglaterra

No início do século XVII, a Inglaterra conheceu a arquitetura de Andrea Palladio graças ao trabalho de divulgação de Inigo Jones. Desde então, o património da arquitetura palladiana foi de tal forma engrandecido que dominaria a arquitetura inglesa, até que acabou por sofrer delicadas alterações por Robert Adam (1728–1792) cuja atividade se inscreve entre o neoclassicismo pitoresco e o neogótico na variante clássica. Ao longo do século XVIII registou-se a construção de várias residências influenciadas pelo "estilo italiano", como o Holkham Hall e Chiswick House, projetados por William Kent e Lord Burlington. Da colaboração entre os dois resultaria o hall de entrada de Holkham Hall (cerca de 1734), considerado como "um dos mais espectaculares interiores do século XVIII." Ao modelo base, derivado de um projeto realizado por Palladio, acrescentaram uma "abside, agora inspirada nas igrejas venezianas do mesmo arquiteto italiano; outros detalhes, como o entalhe do caixotão, foram inspirados nas reconstruções arqueológicas publicadas nos volumes de Edifices antiques de Rome sin dal 1682. O resultado final é definitivamente clássico, com uma sala que revela uma concepção dramática de inspiração barroca.

Alemanha

A construção da Porta de Brandemburgo assume-se como a introdução do neoclassicismo na arquitetura da Alemanha; criado em Berlim por Carl Gotthard Langhans entre 1789 e 1793: o monumento apresenta aspecto sóbrio e severo ao estilo dórico, o primeiro deste género edificado com base nas reconstruções do Propylaea de Atenas, e inaugurado em meados do século XVIII. Embora referindo-se ao modelo ateniense, Langhans assumiu uma versão simplificada do dórico romano: ao contrário do verdadeiro dórico, as colunas possuem bases e são espaçadas de forma desigual em relação aos pavilhões laterais, para além disso, figuram meias métopas nos limites do friso (os gregos pelo contrário, utilizavam na terminação do friso um tríglifo).

Itália

A partir da segunda metade do século XVIII, regista-se em Itália a construção de alguns edifícios classicizantes. O neoclassicismo, contudo, não se declarou consolidado em todo o país, que nesse período ainda estava dividido em vários estados menores, na grande maioria sob o controlo direto de governos estrangeiros, que precedia a instituição do reino unificado sob Vítor Emanuel II; a ausência de uma cultura unitária e a significativa pobreza que sufocava a península italiana durante o século XVIII, não permitia efectivamente as condições propícias para uma florescente produção arquitetónica. O início do século, coincidiu ainda com a última estância do barroco tardio; em Roma, foram realizados notáveis monumentos cenográficos (como a Praça de Espanha e a Fonte de Trevos) enquanto que em Piemonte realça a obra de Filippo Juvarra e Bernardo Antonio Vittone; a atividade ter-se-ia em seguida voltado para o Reino de Nápoles onde Ferdinando Fuga e Luigi Vanvitelli construiram, respectivamente, o Albergo Reale dei Poveri e o Palácio Real de Caserta, grandiosos períodos de vigorosa produção barroca; em particular, o Palácio Real, apesar de no exterior acenarem para uma certa contenção do neoclassicismo, foi considerada a última grande realização e encarnação da melhor tradição do Barroco italiano. A afirmação do neoclassicismo foi, portanto, lenta e extenuante, e ressentiu-se essencialmente das contribuições estrangeiras, particularmente francesas. Véneto, por outro lado, estava ainda sob influência da arquitetura palladiana.

Rússia

Na Rússia, a propagação do mundo ocidental teve grande preeminência, principalmente em São Petersburgo. Aqui, até cerca de 1760, encontrava-se ainda presente as tendências e gostos do rococó do italiano Bartolomeo Rastrelli (vide Palácio de Inverno); foi Catarina, a Grande a introduzir o neoclássico na capital, encomendando ao arquiteto francês Jean-Baptiste Michel Vallin de La Mothe alguns edifícios tais como a Academia de Artes da Rússia. Em 1779, Giacomo Quarenghi (1744–1812), aceitou o convite de ida para São Petersburgo, onde permaneceu pelo resto da sua vida, tornando-se o arquiteto oficial de Catarina II; entre 1780 e 1785, transformou São Petersburgo numa cidade clássica. Projectou numerosos palácios e trouxe em voga um original estilo monumental, de inspiração palladiana, verificável, por exemplo, no sóbrio e austero palácio inglês do parque de Peterhof (destruído entre 1781 e 1789) naquele que é o mais rico Teatro de Hermitage (1782–1785).

Escandinávia

A Europa Setentrional oferece um rico repertório de obras neoclássicas, geralmente de matriz alemã ou francesa. Na Dinamarca, o neoclassicismo surgiu no início dos anos sessenta do século XVIII. Na verdade, o salão de jantar projetado por Nicolas-Henri Jardin no Palácio de Amalienborg (1755–1757) é relembrado como o "mais antigo salão existente decorado ao estilo neoclássico por um arquiteto francês". Aluno de Jardin foi Caspar Frederik Harsdorff, que, a exemplo, trabalhou na Catedral de Roskilde, onde projetou a capela funerária de Frederico IV. Mais tarde, com o aparecimento do estilo neogrego, o artista de maior importância foi Christian Frederik Hansen (1756–1845), que realizou o projeto da Catedral de Copenhaga, com a enorme abóbada de berço apoiada por colunas dóricas que lembra o projeto de Boullé do interior de uma biblioteca.

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Neoclassicismo na América

Estados Unidos

A origem do neoclassicismo nos Estados Unidos, conhecido por Estilo Georgiano, inspira-se de forma direta no neopalladianismo inglês. ; a partir do final do século XVIII houve também grande expressão do revivalismo grego. Dos exemplos mais interessantes desta época refiram-se Thomas Jefferson e Benjamin Latrobe. O primeiro, a partir de 1771, concebeu da casa de Monticello, em Virgínia, obra esta que não foi particularmente inovadora, quando comparado com as construções inglesas da contemporaneidade. Influenciado pela Maison Carrée de Nimes, entre 1785 e 1789, realiza o pouco original projeto para o Capitólio do estado da Virgínia, cujo projeto final remonta a 1817: o elemento predominante deste novo complexo é certamente a rotunda, destinada a abrigar a biblioteca e que, no pórtico vagamente palladiano, combina um corpo circular, inspirado no Panteão. Outra característica do edifício, reconstruído após o incêndio de grandes proporções de 1895, são as salas que se abrem para o interior, de forma elíptica.

América Latina

Embora já existissem construções dalguns palácios municipais na América Latina, tal como o Palácio Municipal de Tlaxcala (c. 1539), no México, o desenvolvimento da arquitetura institucional não eclesiástica começou a florescer no final do século XVIII e início do XIX. Por iniciativa de engenheiros militares e arquitetos encomendados por oficiais coloniais em nome dos seus monarcas, deu-se a introdução da arquitetura neoclássica à construção de alfândegas, hospitais, prisões, tesourarias e correios. Um dos exemplos mais refinados deste novo tipo de construção, com o seu plano simétrico organizado em torno dos pátios, é o Palácio de La Moneda (c. 1780–1770) em Santiago, no Chile, por Joaquín Toesca y Ricci. A formação dos novos vice-reinados coincidiu com a construção do cabildo, ou câmara municipal (1783–1785), em Montevideu, no Uruguai, projetado por Tomás Toribio. A arquitetura académica neoclássica do cabildo aplica a linguagem da arquitetura renascentista (ou seja, colunas, arcos, frisos) a edifícios de grandes dimensões ajustados para acomodar novas tipologias e livres de um sistema proporcional, conferindo uma nova forma às instituições de governo.

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Influência neoclássica na arquitetura do século XX

Como se pôde observar, o estilo neoclássico inscreve-se num período duradouro, confluindo no ecletismo e impulsionando as primeiras décadas do século XX. No século XX, a par das principais referências históricas, como as encontradas nos principais monumentos de Washington, em diversos países desenvolveu-se uma série de tendências de inspiração clássica e neoclássica. Na Itália, após o esplendor retórico do já citado Monumento de Vítor Emanuel II, assistimos a uma simplificação do vocabulário arquitectónico que, contudo, durante o Fascismo, permanece substancialmente de cunho classicista; os novos modelos propostos naquela época continuam, com algumas excepções (vide Estação de Florença Santa Maria Novella), ainda associados à simetria e a uma decoração antiga, cingida aos seus elementos essenciais. Isso viria a repercutir-se naquele que é o Neoclassicismo simplificado típico de Marcello Piacentini e que se enquadra na corrente arquitectónica definida mais apropriadamente de monumentalista. Estes exemplos, apesar de em parte revalorizados pela crítica mais recente, eram muitas vezes considerados grotescos e expressão de um provincianismo longe das correntes arquitectónicas e de pensamento mais evoluído e internacional do Movimento Moderno: um exemplo é o Palazzo della Civiltà Italiana, inspirado no modelo do Coliseu, privado de decoração (também chamado de Coliseu quadrado).

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