Humano
Humano é a única espécie do gênero Homo ainda viva e o primata mais abundante e difundido da Terra, caracterizado pelo bipedalismo e por cérebro grande, o que permitiu o desenvolvimento de ferramentas, culturas e linguagens avançadas. Os humanos tendem a viver em estruturas sociais complexas compostas por muitos grupos cooperantes e concorrentes, desde famílias e redes de parentesco até Estados políticos. As interações sociais entre os humanos estabeleceram uma ampla variedade de valores, normas e rituais, que fortalecem a sociedade humana. A curiosidade e o desejo humano de compreender e influenciar o meio ambiente e de explicar e manipular fenômenos motivaram o desenvolvimento da ciência, filosofia, mitologia, religião e outros campos de estudo da humanidade.
Em latim, humanus é a forma adjetival do nome homo, traduzido como Homem (para incluir machos e fêmeas). Por vezes, em Filosofia, é mantida uma distinção entre as noções de ser humano (ou Homem) e de pessoa. O primeiro refere-se à espécie biológica enquanto o segundo refere-se a um agente racional, visto, por exemplo, na obra de John Locke, Ensaio sobre o Entendimento Humano II 27, e na obra de Immanuel Kant, Introdução à Metafísica da Moral. Segundo a perspectiva de John Locke, a noção de pessoa passa a ser a de uma coleção de ações e operações mentais. O termo pessoa poderá assim ser utilizado para referir animais para além do Homem, para referir seres míticos, uma inteligência artificial ou um ser extraterrestre. O termo binomial Homo sapiens foi cunhado por Carl Linnaeus em seu trabalho do século XVIII Systema Naturae e também é o lectótipo do espécime. O termo para o gênero Homo é uma derivação do século XVIII do latim homō ("homem"), em última instância "ser terrestre" (do latim antigo hemō).
O estudo científico da evolução humana engloba o desenvolvimento do gênero Homo, mas geralmente envolve o estudo de outros hominídeos e homininaes, tais como o Australopithecus. O "humano moderno" é definido como membro da espécie Homo sapiens, sendo a única subespécie sobrevivente (Homo sapiens sapiens). O Homo sapiens idaltu e o Homo neanderthalensis, além de outras subespécies conhecidas, foram extintos há milhares de anos. O Homo sapiens viveu com cerca de oito espécies de humanos hoje extintas há cerca de 300 mil anos. Há apenas 15 mil anos, o homo sapiens compartilhava cavernas com outra espécie humana conhecida como denisovanos. O Homo neanderthalensis, que se tornou extinto há 30 mil anos, tem sido ocasionalmente classificado como uma subespécie classificada como "Homo sapiens neanderthalensis", mas estudos genéticos sugerem uma divergência entre as espécies Neanderthal e Homo sapiens que ocorreu há cerca de 773 mil a 550 mil anos. Da mesma forma, os poucos espécimes de Homo rhodesiensis são também classificados como uma subespécie de Homo sapiens, embora isso não seja amplamente aceito. Os humanos anatomicamente modernos têm seu primeiro registro fóssil na África, há cerca de 195 mil anos, e os estudos de biologia molecular dão provas de que o tempo aproximado da divergência ancestral comum de todas as populações humanas modernas terá sido há 773 mil anos (linhagem basal). O amplo estudo sobre a diversidade genética Africana chefiado pela Dra. Sarah Tishkoff encontrou no povo San a maior expressão de diversidade genética entre as 113 populações distintas da amostra, tornando-os um de 14 "grupos ancestrais da população". A pesquisa também localizou a origem das migrações humanas modernas no sudoeste da África, perto da orla costeira da Namíbia e de Angola. A espécie humana teria colonizado a Eurásia e a Oceania há 40 mil anos; e as Américas apenas há cerca de 10 mil anos. A recente (2003) descoberta de outra subespécie diferente da atual Homo sapiens sapiens, o Homo sapiens idaltu, na África, reforça esta teoria, por representar um dos elos perdidos no conhecimento da evolução humana.
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Origem
Conforme a hipótese paleoantropológica mais corroborada atualmente, da Origem Recente Africana, o ser humano moderno evoluiu na África durante o Paleolítico Médio, há cerca de 200 mil anos. Embora alguns dos restos esqueléticos mais antigos sugiram uma origem da África Oriental, o sul da África é o lar de populações contemporâneas que representam o primeiro ramo da filogenia genética humana. Estima-se que a migração para fora da África ocorreu há cerca de 70 mil anos AP. Os seres humanos modernos, posteriormente distribuídos por todos os continentes, substituíram os hominídeos anteriores. Eles habitaram a Eurásia e a Oceania há 40 mil anos AP e as Américas há pelo menos 14 mil anos AP. Eles acabaram com o Homo neanderthalensis e com outras espécies descendentes do Homo erectus (que habitavam a Eurásia há 2 milhões de anos), através do seu maior sucesso na reprodução e na competição por recursos.
Pré-história
Até cerca de 12 mil anos atrás, todos os humanos viviam como caçadores-coletores. A Revolução Neolítica (a invenção da agricultura) ocorreu pela primeira vez no sudoeste da Ásia e se espalhou por grandes partes do Velho Mundo ao longo dos milênios seguintes. Também ocorreu de forma independente na Mesoamérica (cerca de 6 mil anos atrás), China, Papua Nova Guiné e nas regiões do Sahel e da Savana Ocidental da África. O acesso ao excedente alimentar levou à formação de assentamentos humanos permanentes, à domesticação de animais e ao uso de ferramentas metálicas pela primeira vez na história. A agricultura e o estilo de vida sedentário levaram ao surgimento das primeiras civilizações.
Antiguidade
Uma revolução urbana ocorreu no 4º milênio a.C. com o desenvolvimento das cidades-Estado, particularmente das cidades sumérias localizadas na região da Mesopotâmia. Foi nessas cidades que a forma mais antiga de escrita conhecida, a escrita cuneiforme, apareceu por volta de 3000 a.C. Outras civilizações importantes que se desenvolveram nessa época foram o Antigo Egito e a Civilização do Vale do Indo. Elas comercializavam entre si e inventaram tecnologias como rodas, arados e velas. A civilização Caral-Supe, que emergiu por volta de 3000 a.C., é a civilização complexa mais antiga das Américas. A astronomia e a matemática também foram desenvolvidas e a Grande Pirâmide de Gizé foi construída. Há evidências de uma seca severa que durou cerca de cem anos e que pode ter causado o declínio destas civilizações, com novas surgindo no rescaldo. Os babilônios passaram a dominar a Mesopotâmia enquanto outros, como os minóicos e a dinastia Shang, ganharam destaque em novas áreas. O colapso da Idade do Bronze por volta de 1200 a.C. resultou no desaparecimento de uma série de civilizações e no início da Idade das Trevas grega. Durante este período o ferro começou a substituir o bronze, levando à Idade do Ferro.
Idade Média
Após a queda do Império Romano Ocidental em 476, a Europa entrou na Idade Média. Durante este período, o cristianismo e a Igreja Católica forneceriam autoridade e educação centralizadas. No Oriente Médio, o islamismo tornou-se a religião proeminente e expandiu-se para o Norte de África, o que levou a uma Idade de Ouro Islâmica, inspirando conquistas na arquitetura, o renascimento de antigos avanços na ciência e tecnologia e na formação de um modo de vida distinto. Os mundos cristão e islâmico acabariam por entrar em conflito, com vários Estados cristãos, como Inglaterra, França e Sacro Império Romano-Germânico, declarando uma série de guerras santas para recuperar o controle da Terra Santa dos muçulmanos.
Idade Moderna
O início do período moderno na Europa e no Oriente Próximo (c. 1450) começou com a derrota final do Império Bizantino e a ascensão do Império Otomano. Enquanto isso, o Japão entrou no período Edo, a dinastia Qing surgiu na China e o Império Mogol governou grande parte da Índia. A Europa passou pelo Renascimento, a partir do século XV, e a Era dos Descobrimentos começou com a exploração e colonização de novas regiões do mundo. Isto incluiu a colonização das Américas e o intercâmbio colombiano. Esta expansão levou ao comércio de escravos no Atlântico e ao genocídio dos povos nativos americanos. Este período também marcou a Revolução Científica, com grandes avanços na matemática, mecânica, astronomia e fisiologia.
Idade Contemporânea
O final do período moderno (1800 até o presente) viu a Revolução Tecnológica e Industrial trazer descobertas, grandes inovações nos transportes e no desenvolvimento de energia. Influenciadas pelos ideais iluministas, as Américas e a Europa viveram um período de revoluções políticas conhecido como Era das Revoluções. As Guerras Napoleônicas assolaram a Europa no início de 1800, a Espanha perdeu a maior parte de suas colônias no Novo Mundo, enquanto os europeus continuavam a sua expansão na África – onde o controle europeu passou de 10% para quase 90% em menos de 50 anos – e Oceania. No século XIX, o Império Britânico expandiu-se para se tornar o maior império que já existiu no mundo.
A tecnologia permitiu ao ser humano colonizar todos os continentes e adaptar-se a praticamente todos os climas. Nas últimas décadas, os seres humanos têm explorado a Antártida, as profundezas dos oceanos e até mesmo o espaço sideral, embora a longo prazo a colonização desses ambientes ainda seja inviável. Com uma população de mais de sete bilhões de indivíduos, os seres humanos estão entre os mais numerosos grandes mamíferos do planeta. A maioria dos seres humanos (60,3%) vive na Ásia. O restante vive na África (15,2%), nas Américas (13,6%), na Europa (10,5%) e na Oceania (0,5%). A habitação humana em sistemas ecológicos fechados e em ambientes hostis, como a Antártida e o espaço exterior, é cara, normalmente limitada no que diz respeito ao tempo e restrita a avanços e expedições científicas, militares e industriais. A vida no espaço tem sido muito esporádica, com não mais do que treze pessoas vivendo no espaço por vez. Entre 1969 e 1972, duas pessoas de cada vez estiveram na Lua. Desde a conquista da Lua, nenhum outro corpo celeste foi visitado por seres humanos, embora tenha havido uma contínua presença humana no espaço desde o lançamento da primeira tripulação a habitar a Estação Espacial Internacional, em 31 de outubro de 2000.
Anatomia e fisiologia
Os tipos de corpo humano variam substancialmente. Embora o tamanho do corpo seja largamente determinado pelos genes, é também significativamente influenciado por fatores ambientais, como dieta e exercício. A altura média de um ser humano adulto é de cerca de 1,5 a 1,8 metro de altura, embora varie consideravelmente de lugar para lugar. A massa média de um homem adulto varia entre 76–83kg e 54–64kg para mulheres adultas. Embora os seres humanos aparentem ter menos pelos em comparação com outros primatas, com o crescimento notável de pelos ocorrendo principalmente no topo da cabeça, axilas e região pubiana, o homem médio tem mais folículos pilosos em seu corpo do que um chimpanzé médio. A principal diferença é que os pelos humanos são mais curtos, mais finos e com menos pigmentação do que os pelos do chimpanzé médio, tornando-os mais difícil de serem vistos. Os seres humanos também estão entre os melhores corredores de longa distância no reino animal, mas são mais lentos em distâncias curtas.
Genética
Como a maioria dos animais, os humanos também são uma espécie eucariótica diplóide. Cada célula somática tem dois conjuntos de 23 cromossomos, geralmente cada conjunto é recebido de um dos pais; os gametas têm apenas um conjunto de cromossomos, que é uma mistura dos dois conjuntos da célula somática. Entre os 23 pares de cromossomos, existem 22 pares de autossomos e um par de cromossomos sexuais. Como outros mamíferos, os humanos têm um sistema de determinação sexual XY, de modo que as fêmeas tipicamente têm os cromossomos sexuais XX e os machos tipicamente XY. Os genes e o ambiente influenciam a variação biológica humana em características visíveis, fisiologia, suscetibilidade a doenças e habilidades mentais. A influência exata dos genes e do ambiente em certas características não é bem compreendida.
Ciclo de vida
O ciclo de vida humano é semelhante ao de outros mamíferos placentários. O zigoto divide-se dentro do útero da mulher para se tornar um embrião, que, ao longo de um período de trinta e oito semanas (9 meses) de gestação se torna um feto humano. Após este intervalo de tempo, o feto é totalmente criado fora do corpo da mulher e respira autonomamente como um bebê pela primeira vez. Neste ponto, a maioria das culturas modernas reconhecem o bebê como uma pessoa com direito à plena proteção da lei, embora algumas jurisdições de diferentes níveis alterem esse padrão, reconhecendo os fetos humanos enquanto eles ainda estão no útero. Em comparação com outras espécies, o parto humano é perigoso. Partos de duração de vinte e quatro horas ou mais não são raros e muitas vezes levam à morte da mãe, da criança ou de ambos. Isto ocorre porque, tanto pela circunferência da cabeça fetal relativamente grande (para a habitação do cérebro) quanto pela cavidade pélvica relativamente pequena da mãe (uma característica necessária para o sucesso do bipedalismo, por meio da seleção natural). As chances de um bom trabalho de parto aumentaram significativamente durante o século XX nos países mais ricos com o advento de novas tecnologias médicas. Em contraste, a gravidez e o parto normal permanecem perigosos nas regiões subdesenvolvidas e em desenvolvimento do mundo, com taxas de mortalidade materna aproximadamente 100 vezes maiores do que nos países desenvolvidos.
Variação biológica e fenotípica
Há variação biológica na espécie humana – com características como tipo sanguíneo, doenças genéticas, características cranianas, características faciais, sistemas orgânicos, cor dos olhos, textura e cor dos cabelos, estatura e constituição corporal, e cor da pele variando em todo o mundo. A altura típica de um ser humano adulto é entre 1,4 e 1,9 metro, embora isso varie significativamente dependendo do sexo, origem étnica e linhagem familiar. O tamanho corporal é parcialmente determinado pelos genes e também é significativamente influenciado por fatores ambientais, como dieta, exercícios e padrões de sono. Há evidências de que as populações se adaptaram geneticamente a vários fatores externos. Os genes que permitem aos humanos adultos digerir a lactose estão presentes em altas frequências em populações que têm uma longa história de domesticação de gado e são mais dependentes do leite de vaca. A anemia falciforme, que pode proporcionar maior resistência à malária, é frequente em populações onde a malária é endêmica. Populações que habitaram durante muito tempo climas específicos tendem a desenvolver fenótipos que são benéficos para esses ambientes – baixa estatura e constituição robusta em regiões frias, alta estatura e corpos esguios em regiões quentes e com elevadas capacidades pulmonares ou outras adaptações em altas altitudes. Algumas populações desenvolveram adaptações altamente únicas a condições ambientais muito específicas, como aquelas vantajosas para estilos de vida oceânicos e mergulho livre nos povos bajaus.
Dieta
Por centenas de milhares de anos o Homo sapiens empregou (e algumas tribos que ainda dependem) um método de caçadores-coletores como o seu principal meio de obter alimentos, combinando e envolvendo fontes estacionárias de alimentos (tais como frutas, cereais, tubérculos e cogumelos, larvas de insetos e moluscos aquáticos), com a caça de animais selvagens, que devem ser caçados e mortos, para serem consumidos. Acredita-se que os seres humanos têm utilizado o fogo para preparar e cozinhar alimentos antes de comer desde o momento da sua divergência do Homo erectus. Há pelo menos dez mil anos, os humanos desenvolveram a agricultura, que alterou substancialmente o tipo de alimentos que as pessoas comiam. Isto levou a um aumento da população, ao desenvolvimento das cidades e, em virtude do aumento da densidade populacional, à maior propagação de doenças infecciosas. Os tipos de alimentos consumidos, bem como a forma como são preparados, tem variado muito, através do tempo, da localização e da cultura.
Sono e sonho
Os seres humanos são geralmente diurnos. A necessidade de sono média é de entre sete e nove horas por dia para um adulto e de nove a dez horas por dia para uma criança; as pessoas idosas costumam dormir de seis a sete horas. Sentir menos sono do que isso é comum nas sociedades modernas e a privação do sono pode ter efeitos negativos. A restrição constante do sono adulto para quatro horas por dia tem sido mostrada como correlacionada com mudanças na fisiologia e no estado mental, incluindo fadiga, agressividade e desconforto corporal. Durante o sono, os humanos sonham, onde experimentam imagens e sons sensoriais. O sonho é estimulado pela ponte e ocorre principalmente durante a fase REM do sono. A duração de um sonho pode variar de alguns segundos a 30 minutos. Os humanos têm de três a cinco sonhos por noite, mas algumas pessoas podem ter até sete. É mais provável que os sonhadores se lembrem do sonho se forem acordados durante a fase REM. Os eventos nos sonhos geralmente estão fora do controle do sonhador, com exceção dos sonhos lúcidos, onde o sonhador está autoconsciente. Às vezes, os sonhos podem fazer com que ocorra um pensamento criativo ou dar uma sensação de inspiração.
O cérebro humano é o centro do sistema nervoso central e atua como o principal centro de controle para o sistema nervoso periférico. O cérebro controla atividades autônomas involuntárias, como a respiração e a digestão, assim como atividades conscientes, como o pensamento, o raciocínio e a abstração. Estes processos cognitivos constituem a mente, e, juntamente com suas consequências comportamentais, são estudadas no campo da psicologia. O cérebro humano é considerado o mais "inteligente" e capaz cérebro da natureza, superando o de qualquer outra espécie conhecida. Enquanto muitos animais são capazes de criar estruturas utilizando ferramentas simples, principalmente através do instinto e do mimetismo, a tecnologia humana é muito mais complexa e está constantemente evoluindo e melhorando ao longo do tempo. Mesmo as mais antigas estruturas e ferramentas criadas pelos humanos são muito mais avançadas do que qualquer outra estrutura ou ferramenta criada por qualquer outro animal.
Consciência e pensamento
O que faz, de nós, seres humanos é o fato de sermos capazes de ver, tudo aquilo que pensamos, imaginamos, raciocinamos e recordamos, como um todo em relação ao qual podemos dizer um Sim ou um Não, um “é verdadeiro” ou um “é falso”, isto é, o sermos capazes de julgar da veracidade ou falsidade de tudo aquilo que a nossa própria mente vai conhecendo ou produzindo. Os seres humanos são apenas uma das nove espécies que passam no teste do espelho — que testa se um animal reconhece sua reflexão como uma imagem de si mesmo — juntamente com todos os grandes macacos (gorilas, chimpanzés, orangotangos, bonobos), golfinhos, elefantes-asiáticos, pega-rabudas e Orcas. A maioria das crianças humanas passam no teste do espelho com 18 meses de idade. No entanto, a utilidade deste teste como um verdadeiro teste de consciência tem sido contestada, e esta pode ser uma questão de grau, em vez de uma divisão nítida. Macacos foram treinados para aplicar as regras de resumo em tarefas.
Motivação e emoção
A motivação é a força motriz por trás do desejo de todas as ações deliberadas dos seres humanos. A motivação é baseada em emoções, especificamente, na busca de satisfação (experiências emocionais positivas), e à prevenção de conflitos. Positivo e negativo são definidos pelo estado individual do cérebro, que pode ser influenciado por normas sociais: uma pessoa pode ser levada a autoagressão ou violência, porque seu cérebro está condicionado a criar uma resposta positiva a essas ações. A motivação é importante porque está envolvida no desempenho de todas as respostas aprendidas. Dentro da psicologia, a prevenção de conflitos e a libido são vistas como motivadores primários. Dentro da economia, a motivação é muitas vezes vista por basear-se em incentivos, estes podem ser de ordem financeira, moral ou coercitiva.
Sexualidade e amor
A sexualidade humana, além de garantir a reprodução biológica, tem importante função social: ele cria intimidade física, títulos e hierarquias entre os indivíduos, podendo ser direcionada para a transcendência espiritual (de acordo com algumas tradições); e com um sentido hedonista de gozar de atividade sexual envolvendo gratificação. O desejo sexual, ou libido, é sentido como um desejo do corpo, muitas vezes acompanhada de fortes emoções como o amor, o êxtase e o ciúme. Escolhas humanas em agir sobre a sexualidade são normalmente influenciadas por normas culturais, que variam de forma muito ampla. As restrições são muitas vezes determinadas por crenças religiosas ou costumes sociais. O pesquisador pioneiro Sigmund Freud acreditava que os seres humanos nascem polimorficamente perversos, o que significa que qualquer número de objetos pode ser uma fonte de prazer.
O conjunto sem precedentes de habilidades intelectuais da humanidade foi um fator-chave no eventual avanço tecnológico da espécie e na concomitante dominação da biosfera. Desconsiderando os hominídeos extintos, os humanos são os únicos animais conhecidos por ensinar informações generalizáveis, implantar inatamente a incorporação recursiva para gerar e comunicar conceitos complexos, envolver a "física popular" necessária para projetar ferramentas competentes, ou cozinhar alimentos em estado selvagem. O ensino e a aprendizagem preservam a identidade cultural e etnográfica de todas as diversas sociedades humanas. Outros traços e comportamentos que são, em sua maioria, exclusivos aos humanos, incluem iniciar e controlar focos de fogo, estruturar fonemas e a aprendizagem vocal. A divisão dos humanos em papéis de gênero masculino e feminino foi marcada culturalmente por uma divisão correspondente de normas, práticas, vestimentas, comportamento, direitos, deveres, privilégios, estatutos sociais e poder. Muitas vezes se acredita que as diferenças culturais por gênero tenham surgido naturalmente de uma divisão do trabalho reprodutivo; o fato biológico de que as mulheres dão à luz levou a uma maior responsabilidade cultural de nutrir e cuidar dos filhos. Os papéis de gênero têm variado historicamente e os desafios às normas de gênero predominantes têm-se repetido em muitas sociedades.
Línguas
Embora muitas espécies se comuniquem, a linguagem é exclusiva dos humanos, uma característica definidora da humanidade e uma cultura universal. Ao contrário dos sistemas limitados de outros animais, a linguagem humana é aberta - um número infinito de significados pode ser produzido pela combinação de um número limitado de símbolos. A linguagem humana também tem a capacidade de deslocamento, ao usar palavras para representar coisas e acontecimentos que não estão ocorrendo no presente ou localmente, mas que residem na imaginação compartilhada dos interlocutores. A linguagem difere de outras formas de comunicação por ser independente da modalidade; os mesmos significados podem ser transmitidos por meio de diferentes meios, auditivamente na fala, visualmente pela língua de sinais ou escrita e até mesmo por meio tátil como o braille. A linguagem é fundamental para a comunicação entre os humanos e para o senso de identidade que une nações, culturas e grupos étnicos. Existem aproximadamente seis mil línguas diferentes atualmente em uso, incluindo línguas de sinais e muitos outros milhares que estão extintas.
Religião e espiritualidade
A religião é geralmente definida como um sistema de crenças sobre o sobrenatural, o sagrado ou o divino, além de práticas, valores, instituições e rituais associados a tal crença. Algumas religiões também têm um código moral. Não existe, no entanto, uma definição acadêmica consensual do que constitui religião. A religião assumiu muitas formas que variam de acordo com a cultura e a perspectiva individual, em alinhamento com a diversidade geográfica, social e linguística do planeta. A religião pode incluir uma crença na vida após a morte, a origem da vida, a natureza do universo (cosmologia religiosa) e seu destino final (escatologia), além do que é moral ou imoral. Uma fonte comum de respostas a essas perguntas são as crenças em seres divinos transcendentes, como divindades ou um Deus único, embora nem todas as religiões sejam teístas.
Artes
As artes humanas podem assumir muitas formas, incluindo visuais, literárias e performáticas . A arte visual pode variar de pinturas e esculturas a filmes, design de interação e arquitetura. As artes literárias podem incluir prosa, poesia e dramas; enquanto as artes performáticas geralmente envolvem teatro, música e dança. Os humanos geralmente combinam as diferentes formas, por exemplo, vídeos musicais. Outras entidades que foram descritas como tendo qualidades artísticas incluem preparação de alimentos, videogames e medicamentos. Além de proporcionar entretenimento e transferência de conhecimento, as artes também são utilizadas para fins políticos.
Ferramentas e tecnologias
Ferramentas de pedra foram usadas por proto-humanos há pelo menos 2,5 milhões de anos. O uso e a fabricação de ferramentas foram apresentados como a habilidade que define os humanos mais do que qualquer outra coisa e têm sido historicamente vistos como um importante passo evolutivo. A tecnologia se tornou muito mais sofisticada há cerca de 1,8 milhões de anos, com o uso controlado do fogo começando por volta de há 1 milhão de anos. A roda e os veículos com rodas apareceram simultaneamente em várias regiões em algum momento do IV milênio a.C. O desenvolvimento de ferramentas e tecnologias mais complexas permitiu o cultivo da terra e a domesticação de animais, revelando-se essencial para o desenvolvimento da agricultura - o que ficou conhecido como Revolução Neolítica.
Ciência e filosofia
Um aspecto exclusivo dos humanos é sua capacidade de transmitir conhecimento de uma geração para a seguinte e de construir continuamente sobre essas informações para desenvolver ferramentas, leis científicas e outros avanços para transmitir adiante. Esse conhecimento acumulado pode ser testado para responder a perguntas ou fazer previsões sobre como o universo funciona e tem sido muito bem-sucedido no avanço da ascendência humana. Aristóteles foi descrito como o primeiro cientista, e precedeu o surgimento do pensamento científico durante o período helenístico. Outros primeiros avanços na ciência vieram da Dinastia Han na China e durante a Idade de Ouro Islâmica. A Revolução científica, perto do final do Renascimento, levou ao surgimento da ciência moderna.
A sociedade é o sistema de organizações e instituições decorrentes da interação entre humanos. Os humanos são seres altamente sociais e tendem a viver em grandes grupos sociais complexos. Eles podem ser divididos em diferentes grupos de acordo com sua renda, riqueza, poder, reputação e outros fatores. A estrutura da estratificação social e o grau de mobilidade social diferem, especialmente entre as sociedades modernas e tradicionais. Os grupos humanos variam desde o tamanho das famílias até as nações. As primeiras formas de organização social humana foram famílias que viviam em sociedades de bandos ou tribos, como caçadores-coletores.
Gênero
As sociedades humanas normalmente exibem identidades e papéis de gênero que distinguem entre características masculinas e femininas e prescrevem a gama de comportamentos e atitudes aceitáveis para os seus membros com base no seu sexo. A categorização mais comum é um gênero binário de homens e mulheres. Algumas sociedades reconhecem um terceiro gênero, ou menos comumente um quarto ou quinto. Em algumas outras sociedades, não-binário é usado como um termo genérico para uma série de identidades de género que não são exclusivamente masculinas ou femininas. Os papéis de gênero estão frequentemente associados a uma divisão de normas, práticas, vestuário, comportamento, direitos, deveres, privilégios, estatuto e poder, com os homens a gozarem de mais direitos e privilégios do que as mulheres na maioria das sociedades, tanto hoje como no passado. Como construção social, os papéis de gênero não são fixos e variam historicamente dentro de uma sociedade. Os desafios às normas de gênero predominantes têm ocorrido em muitas sociedades. Pouco se sabe sobre os papéis de gênero nas primeiras sociedades humanas. Os primeiros humanos modernos provavelmente tinham uma série de papéis de gênero semelhantes aos das culturas modernas, pelo menos do Paleolítico Superior, enquanto os neandertais eram menos dimórficos sexualmente e há evidências de que a diferença comportamental entre homens e mulheres era mínima.
Parentesco
Todas as sociedades humanas organizam, reconhecem e classificam os tipos de relações sociais com base nas relações entre pais, filhos e outros descendentes (consanguinidade) e nas relações por meio do casamento. Existe também um terceiro tipo aplicado aos padrinhos ou filhos adotivos. Essas relações culturalmente definidas são chamadas de parentesco. Em muitas sociedades, é um dos princípios de organização social mais importantes e desempenha um papel na transmissão de estatutos sociais e herança. Todas as sociedades têm regras de tabu sobre incesto, segundo as quais o casamento entre certos tipos de relações de parentesco é proibido e algumas também têm regras de casamento preferencial com certas relações de parentesco.
Etnia
Grupos étnicos humanos são uma categoria social que se identifica como um grupo com base em atributos compartilhados que os distinguem de outros grupos. Podem ser um conjunto comum de tradições, ancestrais, idioma, história, sociedade, cultura, nação, religião ou tratamento social dentro de sua área de residência. A etnia é separada do conceito de raça, que se baseia em características físicas, embora ambas sejam socialmente construídas. Atribuir etnicidade a determinada população é complicado, pois mesmo dentro de designações étnicas comuns, pode haver uma ampla gama de subgrupos e a composição desses grupos étnicos pode mudar com o tempo, tanto no nível coletivo quanto no individual. Também não existe uma definição geralmente aceita sobre o que constitui um grupo étnico. Os agrupamentos étnicos podem desempenhar um papel poderoso na identidade social e na solidariedade das unidades etno-políticas. Isso está intimamente ligado à ascensão do Estado-nação como a forma predominante de organização política nos séculos XIX e XX.
Governo e política
A distribuição inicial do poder político foi determinada pela disponibilidade de água doce, solo fértil e clima temperado de diferentes locais. À medida que as populações agrícolas se reuniam em comunidades maiores e mais densas, as interações entre esses diferentes grupos aumentavam. Isso levou ao desenvolvimento da governança dentro e entre as comunidades. À medida que as comunidades cresciam, a necessidade de alguma forma de governança aumentava, pois todas as grandes sociedades sem governo lutavam para funcionar. Os humanos desenvolveram a capacidade de mudar a afiliação com vários grupos sociais com relativa facilidade, incluindo alianças políticas anteriormente fortes, se isso for visto como uma vantagem pessoal. Essa flexibilidade cognitiva permite que os humanos individuais mudem suas ideologias políticas, com aqueles com maior flexibilidade menos propensos a apoiar posturas autoritárias e nacionalistas.
Comércio e economia
O comércio, a troca voluntária de bens e serviços, é visto como uma característica que diferencia os humanos de outros animais e tem sido citado como uma prática que deu ao Homo sapiens uma grande vantagem sobre outros hominídeos. As evidências sugerem que os primeiros H. sapiens usavam rotas comerciais de longa distância para trocar mercadorias e ideias, levando a explosões culturais e fornecendo fontes adicionais de alimento quando a caça era escassa, enquanto essas redes de comércio não existiam para os agora extintos neandertais. O comércio inicial provavelmente envolvia materiais para a criação de ferramentais como a obsidiana. As primeiras rotas comerciais verdadeiramente internacionais giraram em torno do comércio de especiarias durante os períodos romano e medieval. Outras rotas comerciais importantes a serem desenvolvidas nessa época incluem a Rota da Seda, a Rota do Incenso, a Rota do Âmbar, a Rota do Chá, a Rota do Sal, a Rota Comercial Transaariana e a Rota do Estanho.
Conflito
Os humanos cometem violência contra outros humanos em uma taxa comparável a outros primatas, mas em uma taxa mais alta do que a maioria dos outros mamíferos. Prevê-se que 2% dos primeiros H. sapiens foram assassinados, taxa que aumentou para 12% durante o período medieval, antes de cair para menos de 2% nos tempos modernos. Ao contrário da maioria dos animais, que geralmente matam bebês, os humanos matam outros humanos adultos em uma taxa muito alta. Há uma grande variação na violência entre as populações humanas, com taxas de homicídio em sociedades que possuem sistemas jurídicos e fortes atitudes culturais contra a violência em cerca de 0,01%.


