História militar chinesa
A história militar chinesa estende-se desde cerca de 2.200 a.C até os dias atuais. Essa história pode ser dividida em história militar da China antes de 1911, quando uma revolução derrubou o estado imperial, e o período do Exército da República da China e do Exército de Libertação Popular.
Embora a filosofia confucionista chinesa tradicional favorecesse soluções políticas pacíficas e mostrasse desprezo pela força militar bruta, os militares eram influentes na maioria dos estados chineses. Os chineses foram os pioneiros no uso de bestas, padronização metalúrgica avançada para armas e armaduras, as primeiras armas de pólvora e outras armas avançadas, mas também adotaram a cavalaria nômade e a tecnologia militar ocidental. Além disso, os exércitos da China também se beneficiaram de um sistema de logística avançado, bem como de uma rica tradição estratégica, começando com A Arte da Guerra, de Sun Tzu, que influenciou profundamente o pensamento militar.
Novo Exército
Em 1895, China tinha a ambição de organizar um exército com sistemas e padrões ocidentais para se equiparar ao Japão, que havia vencido a Primeira Guerra Sino-Japonesa naquele mesmo ano. Em Dezembro, a Dinastia Qing decidiu, após anos de fracassos e perdas territoriais, reorganizar seu exército e usar esforços para criar o Novo Exército. No entanto, apesar do treinamento com o conselheiro Constantin von Hanneken e sua quantidade de reservas e homens ativos, não foi considerado nem tão próximo dos exércitos de padrão ocidental. A Partir de 1899, a corte Qing passou a importar armas, principalmente de origem alemã, reconhecendo seu status de fraqueza e a necessidade de uma reformação mais severa. Muitos dos soldados do Novo Exército tinham baixa moral, principalmente devido a atmosfera do Século de humilhação e o desfecho humilhante do Levante dos Boxers na virada do Século XX. O que colaborou para muitos deles se amotinarem durante a Revolução Xinhai em 1911.
Exército de Beiyang durante a Dinastia Qing
O Exército de Beiyang, quando criado e comandado por Yuan Shikai, era um componente que formava, junto do Exército de Hubei, o Novo Exército. Durante a Revolução Xinhai em 1911, Yuan Shikai procurou usar seu exército primeiro para combater as forças revolucionarias de Sun Yat-sen, no entanto, quando o conflito se mostrou mais favoravel a os revolucionarias, e após acordos com os mesmos, Shikai trocou de lado, e a recém proclamada República da China incorpourou-o como forças armadas até a organização e formação de um governo formal.
Exército de Beiyang durante a China republicana
Após a proclamação da República da China em 1912, Yuan Shikai passou a utilizar o exército de Beiyang como ferramenta política, principalmente após Sun Yat-sen lhe entregar o cargo presidencial. Devido a isso, entre 1913 até 1927, o governo da república da China ficou conhecido como Governo de Beiyang. Todos os generais leais a Yuan Shikai adquiriram o governo das províncias, dando um breve inicio a era dos senhores da guerra, que se intensificou entre 1916, com a morte de Shikai, até 1927. O Exército de Beiyang durante este tempo teve vários problemas internos, devido a rivalidade entre seus generais, que acabaram por fragmenta-lo em Camarilhas; com cada facção possuindo seu líder, força, armas, importadores e principalmente impostos.
Exército de Pacificação Nacional
O Exército de Pacificação Nacional foi a ultima tentativa dos senhores da guerra se reprimir as forças de Chiang Kai-shek e Mao Zedong, no entanto, após a tomada de Wuhan em Setembro de 1926, o governo de Pequim se desestabilizou totalmente. Em Abril de 1927, após a derrota de Sun Chuanfang e a captura de Nanquim, que foi restaurada como capital da República da China após o Golpe de Wuhan, o governo e as forças armadas do governo de Beiyang colapsaram de fato. Restando apenas Zhang Zuolin, o ultimo senhor da guerra na China a manter o antigo governo de Beiyang, na Manchuria, no entanto, este foi assassinado por uma emboscada japonesa e em 1928, seu filho se aliou aos nacionalistas e dissolveu o governo.
Exército Revolucionário (ENR)
O Exército Nacional Revolucionário Chinês ou simplesmente Exército Revolucionário foi o braço armado do Partido Nacionalista da China e do Partido Comunista da China entre 1924 até 1948. O Partido Comunista a partir de 1926 criou seu próprio exército, que era componente do ENR, o Exército Vermelho Chinês. O ENR serviu como as forças armadas da China após a queda dos senhores da guerra e do Governo de Beiyang, a partir de 1928. Com o inicio da Guerra Civil Chinesa, o Exército Vermelho Chinês, que viraria no futuro o Exército de Libertação Popular, se separou e passou a combater as forças nacionalistas pelo Partido Comunista. De toda forma, o EVC teve sérios problemas logisticos e estratégicos em relação ao ENR, o que fez a primeira fase da Guerra Civil se arrastar por toda década de 1930, até a formação da Segunda Frente Unida contra o Japão entre 1937 e 1946.
Exército de Libertação Popular
A história militar chinesa passou por uma transformação dramática no século XX, com o Exército de Libertação do Povo começando em 1927 com o início da Guerra Civil Chinesa e evoluindo de uma força de guerrilha camponesa para o que continua a ser a maior força armada do mundo.
Exército da República da China
O Exército da República da China foi fundado como o Exército Nacional Revolucionário, o braço armado do Kuomintang de Sun Yat-sen (KMT) em 1924. Ele participou da Expedição do Norte, da Segunda Guerra Sino-Japonesa (durante a Segunda Guerra Mundial) e da Guerra Civil Chinesa antes de se retirar com o governo da República da China para Taiwan em 1949. Depois de 1949, o Exército da República da China participou de operações de combate em Kinmen e no Arquipélago de Dachen contra o PLA na Batalha de Kuningtou e na Primeira e Segunda Crises do Estreito de Taiwan. Além desses conflitos importantes, comandos ROCA (Republic of China Army) eram enviados regularmente para atacar as costas de Fujian e Guangdong. Até a década de 1970, a missão declarada do Exército era retomar o continente da República Popular da China. Após o levantamento da lei marcial em 1988 e a democratização de Taiwan na década de 1990, a missão do Exército ROC foi transferida para a defesa de Taiwan, Penghu (Ilhas Pescadores), Kinmen e Matsu de uma invasão do PLA.


