História de Israel
O moderno Estado de Israel tem suas raízes históricas e religiosas na Terra de Israel, um conceito central para o judaísmo desde a antiguidade e o coração dos antigos reinos de Israel e Judá. Após o nascimento do sionismo político em 1897 e a Declaração Balfour, a Liga das Nações concedeu ao Reino Unido o Mandato Britânico da Palestina. O objetivo era criar condições para o estabelecimento de um "lar nacional judaico", garantindo os direitos civis e religiosos de todos os habitantes.
Pontos-chave
- A história de Israel está intrinsecamente ligada à Terra de Israel, um conceito fundamental para o judaísmo.
- O sionismo político, surgido no século XIX, impulsionou a busca por um Estado judeu.
- O Mandato Britânico da Palestina, após a Primeira Guerra Mundial, visava estabelecer um lar nacional judaico.
- O Estado moderno de Israel foi fundado em 1948, após décadas de luta e imigração judaica.
As origens de Israel remontam a figuras bíblicas e aos antigos reinos de Israel e Judá, com registros históricos que datam de milênios atrás.
Os Antigos Israelitas (1200–950 a.C.)
O nome 'Israel' aparece pela primeira vez em uma inscrição egípcia de cerca de 1209 a.C. Evidências sugerem que os antigos israelitas eram um grupo étnico que se diferenciava dos cananeus por práticas culturais e religiosas específicas, como a ênfase na genealogia e a proibição do casamento consanguíneo.
Reinos de Israel e Judá (c. 1200–576 a.C.)
A Bíblia hebraica descreve conflitos entre os israelitas e povos vizinhos. Por volta de 930 a.C., o reino se dividiu em Israel (norte) e Judá (sul). O Reino de Israel foi destruído pelos assírios por volta de 750 a.C., levando parte de sua população ao exílio, dando origem às 'Tribos Perdidas'. Os samaritanos reivindicam descendência dos israelitas que permaneceram na região.
Narrativas Bíblicas
Segundo a tradição judaica, o povo de Israel originou-se de nômades da Mesopotâmia que migraram para o Levante por volta de 2000 a.C. Uma grande fome levou à emigração para o Egito, onde foram escravizados. Após o Êxodo, liderados por Moisés, reconquistaram parte de seu território. A unificação das 12 tribos em um único reino teria ocorrido sob o Rei Saul, por volta de 1029 a.C., pressionados por guerras constantes.
Exílio e Perseguições
Ao longo da história, os judeus exilados enfrentaram perseguições religiosas e culturais. No século VII, na Península Arábica, após a destruição do Segundo Templo, envolveram-se em conflitos locais, mas esses eventos não são considerados manifestações de antissemitismo, mas sim parte de guerras regionais.
O sionismo, movimento que buscava o retorno dos judeus à Terra de Israel, ganhou força no século XIX, culminando na criação do Estado moderno de Israel.
Precedentes Sionistas
Entre os séculos XIII e XIX, houve uma imigração judaica constante para a Terra Santa, impulsionada por crenças messiânicas e perseguições antijudaicas. Essas perseguições frequentemente tinham caráter religioso, com acusações como o deicídio e lendas como o 'Libelo de Sangue', levando a expulsões de judeus de diversos países europeus.
O Sionismo Político
O Caso Dreyfus, na França, em 1895, onde um militar judeu foi falsamente acusado, expôs o antissemitismo da época. O jornalista Theodor Herzl, ao cobrir o caso, percebeu que a única solução para as perseguições seria a conquista da autonomia nacional judaica. Em 1896, Herzl publicou 'O Estado Judeu', propondo a criação de uma nação judaica.
Após a Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha administrou a Palestina e prometeu apoiar um 'lar judaico'. A ascensão do nazismo e o Holocausto intensificaram a necessidade de um Estado judeu, levando à sua fundação em 1948.
Grupos Judaicos Clandestinos
Em resposta a pogroms e à oposição árabe à Declaração Balfour e ao Mandato Britânico, surgiram organizações como a Haganá (1921) e o Irgun (1931). Estes grupos visavam proteger as comunidades judaicas e, em alguns casos, atacar alvos militares britânicos.
A Independência
Após a Segunda Guerra Mundial e a revelação da extensão do Holocausto, a Grã-Bretanha entregou a administração da Palestina à ONU. A crescente pressão e os conflitos levaram à declaração de independência de Israel em 14 de maio de 1948, seguida pela Primeira Guerra Árabe-Israelense.
Desde sua fundação, Israel enfrentou desafios de imigração, desenvolvimento e segurança, moldando sua identidade e política.
Migração Massiva
Entre a Declaração de Independência e a Guerra de Independência, Israel acolheu cerca de 850.000 imigrantes, incluindo sobreviventes do Holocausto e judeus de países árabes. Esses imigrantes foram assentados em novas comunidades, impulsionando o desenvolvimento do país.
Os primeiros anos de Israel foram marcados pela consolidação do Estado, liderança de David Ben Gurion e eventos como o Caso Lavon e a Campanha do Sinai.
O Governo de Ben Gurion
David Ben Gurion, signatário da Declaração de Independência, focou na construção de instituições estatais e defesa. Ele se afastou temporariamente para viver em um kibutz, incentivando a colonização do Negueve. Sua carreira foi marcada pelo sionismo-socialista.
O Caso Lavon
Uma operação militar fracassada no Egito, conhecida como Operação Suzannah, resultou na prisão de agentes israelenses e na renúncia do Ministro da Defesa, Pinhas Lavon.
Segundo Período de Ben Gurion
Durante este período, ocorreu a Campanha do Sinai e iniciou-se a construção de instalações secretas em Dimona. O estilo de liderança de Ben Gurion gerou oposição, e ele deixou o cargo em 1963.
O Gabinete Eshkol
Levi Eshkol sucedeu Ben Gurion, buscando melhorar relações com a Alemanha Ocidental e a União Soviética. Seu governo foi responsável pela construção do sistema nacional de águas, essencial para a agricultura e colonização de áreas desérticas. Eshkol faleceu no cargo em 1969.
Este período foi marcado pela liderança de Golda Meir, a Guerra do Yom Kipur, o caso de Entebbe e o primeiro governo de Yitzhak Rabin.
O Gabinete Golda Meir
Golda Meir tornou-se a quarta primeira-ministra de Israel. Seu governo enfrentou ataques terroristas, como o sequestro do avião Sabena, o massacre no aeroporto de Tóquio e o atentado em Munique durante as Olimpíadas. Em resposta, ordenou a 'Operação Cólera Divina' para caçar os responsáveis pelo massacre de Munique.
Desgastes com a Guerra
A invasão sírio-egípcia durante o Yom Kipur expôs o despreparo do governo, apesar da vitória israelense. A Comissão Agranat investigou o ocorrido, inocentando a primeira-ministra. A impopularidade gerada pela guerra levou à renúncia de Meir em 1974.
O Primeiro Gabinete Rabin
Yitzhak Rabin governou de 1974 a 1977, firmando acordos de separação de forças com o Egito e iniciando a construção de assentamentos na Cisjordânia.
O Caso de Entebbe
Em 1976, terroristas sequestraram um voo da Air France para Entebbe, Uganda. A operação de resgate secreta resultou na morte dos terroristas e de alguns reféns e militares israelenses. Yoni Netanyahu foi um dos que morreram na operação.
Escândalos e Renúncia
A popularidade de Rabin após Entebbe foi abalada por uma crise econômica e denúncias de corrupção, que levaram a um voto de desconfiança. Rabin antecipou eleições, mas a descoberta de uma conta secreta de sua esposa levou à ascensão de Menachem Begin.
Israel esteve envolvido em diversas guerras e conflitos desde sua fundação, moldando suas fronteiras e relações regionais.
A Primeira Guerra Árabe-Israelense
Após a retirada britânica e a aprovação da partilha da Palestina pela ONU, os países árabes vizinhos atacaram Israel. A guerra (1948-1949) resultou na fuga de 800 mil árabes palestinos e na conquista de territórios por Israel, Egito e Transjordânia.
A Guerra de Suez
Em 1956, o Egito nacionalizou o Canal de Suez. Israel, aliado à França e ao Reino Unido, invadiu o Egito, mas recuou sob pressão internacional. A ONU enviou uma força de paz.
A Guerra dos Seis Dias
Em 1967, Israel atacou Egito, Síria e Jordânia ante a iminência de um ataque árabe. A guerra resultou na conquista israelense do Sinai, Faixa de Gaza, Cisjordânia e Colinas de Golã, além da reunificação de Jerusalém.
A Guerra do Yom Kipur
Em 1973, Egito e Síria atacaram Israel durante o feriado de Yom Kipur. Apesar das perdas iniciais, Israel repeliu o ataque e pressionou os exércitos árabes, vencendo a guerra sob imposição de recuo por EUA e URSS.
A Primeira Intervenção no Líbano
Após a Guerra do Yom Kipur, o Egito adotou uma postura pragmática, levando aos Acordos de Camp David (1978-1979) e à devolução do Sinai em 1982. O mundo árabe repudiou os acordos, e o Egito foi expulso da Liga Árabe.
A Primeira Intifada
Em 1987, eclodiu uma rebelião nos territórios ocupados e em Jerusalém Oriental, conhecida como Intifada. Israel reprimiu o levante, sofrendo condenação da ONU e vendo a opinião pública se voltar favoravelmente à OLP.
Imagem: ER's Eyes - Our planet is beautiful. · BY-NC-SA · Openverse
Em 2010, a interceptação de uma frota humanitária por Israel resultou na morte de ativistas e intensificou o debate sobre o bloqueio de Gaza.


