História de Israel
O moderno Estado de Israel tem as suas histórias religiosas na Terra de Israel, um conceito central para o judaísmo desde os tempos antigos, e no coração dos antigos reinos de Israel e Judá. Após o nascimento do sionismo político, em 1897, e da Declaração Balfour, a Liga das Nações concedeu ao Reino Unido o Mandato Britânico da Palestina após a Primeira Guerra Mundial, com a responsabilidade para o estabelecimento de "…tais condições políticas, administrativas e econômicas para garantir o estabelecimento do lar nacional judaico, tal como previsto no preâmbulo e no desenvolvimento de instituições autônomas, e também para a salvaguarda dos direitos civis e religiosos de todos os habitantes da Palestina, sem distinção de raça e de religião… ".
Na Bíblia hebraica, o Livro do Gênesis menciona Jacó, um dos filhos de Isaque, filho de Abraão, que teria seu nome, conforme Gênesis, mudado por Deus para Israel, e que teve doze filhos, que geraram doze tribos conhecidas como os "filhos de Israel". Judá é o quarto dos filhos de Israel.
Antigos israelitas (1200–950 a.C.)
O primeiro registro do nome Israel (como ysrỉꜣr) se encontra numa frase da Estela de Merneptá, erguida pelo faraó egípcio Merneptá por volta de 1209 a.C.: "Israel está destruída e sua semente não". O arqueólogo americano William Dever vê este "Israel", situado nos planaltos centrais, como uma entidade cultural e, provavelmente, política, porém como um grupo étnico, e não como um Estado organizado. Os ancestrais dos israelitas podem ter sido semitas que ocuparam Canaã, bem como os Povos do Mar. Para a acadêmica americana Paula McNutt poderia se afirmar com alguma segurança que em algum ponto anterior à Primeira Idade do Ferro, uma população começou a se identificar como 'israelita', diferenciando-se dos canaanitas através de indicadores como a proibição do casamento consanguíneo, uma ênfase na genealogia e na história familiar.
Israel e Judá (c. 1200–576 a.C.)
A Bíblia hebraica descreve confrontos militares constantes entre os judeus e outras tribos, incluindo os filisteus, cuja capital era Gaza. Por volta de 930 a.C. o reino se dividiu entre o Reino de Judá, ao sul, e o Reino de Israel, no norte.[carece de fontes?] Uma aliança entre o rei Acabe de Israel e Ben Hadad II de Damasco conseguiu repelir as incursões dos assírios após uma vitória na Batalha de Carcar (854 a.C.). O Reino de Israel, no entanto, foi destruído posteriormente pelo rei assírio Tiglate-Pileser III por volta de 750 a.C. O reino filisteu também foi destruído. Os assírios enviaram para o exílio boa parte da população do reino israelita do norte, dando origem assim às 'Tribos Perdidas de Israel'. Os samaritanos alegam ser descendentes dos israelitas que sobreviveram a esta conquista assíria e ficaram na região. Uma revolta israelita ocorrida entre 724 e 722 a.C. foi debelada após o cerco e a conquista da Samaria por Sargão II.
Na Bíblia
A Bíblia fornece relatos que descrevem a origem de Israel. Segundo a crença judaica, descrita nesse livro; o povo de Israel surgiu de grupos nômades que habitavam a Mesopotâmia há cerca de cinco mil anos e que posteriormente rumaram para a região do Levante por volta do ano 2 000 a.C.. No fim do século XVII a.C., por motivo de uma grande fome, Israel emigrou ao Egito, onde o governador da época era José, filho de Jacó (Israel). Dentro de um período de quatrocentos anos, com a morte de José e a sucessão do faraó, o Egito com medo do grande crescimento do povo israelita, escravizou Israel. Após o fim do cativeiro no Egito, os israelitas vagaram pela região da Península do Sinai, reconquistando uma parte de seu território original no Levante, sob o comando do rei Saul por volta de 1029 a.C., porém não há evidências arqueológicas e historiográficas que o comprovem. Segundo os relatos tradicionais, foi durante o reinado de Saul que, pressionados pelas constantes guerras com os povos vizinhos, as 12 tribos de Israel se unificaram, formando um único reino.
O Exílio E As Perseguições Antijudaicas
Sob o domínio de diversos povos, culturas e religiões, os judeus exilados não encontraram jamais um clima de liberdade plena. Mesmo assim, os judeus sobreviveram às perseguições morais ou violentas em torno de sua religião e de sua cultura particular. Na Península Arábica do século VII, onde, provavelmente, chegaram após a destruição do Segundo Templo, os judeus viram-se envolvidos nas lutas entre Maomé e os habitantes de Meca. De início, parte integrante da umma criada por Maomé em Medina, duas tribos judaicas seriam expulsas da cidade, enquanto a terceira seria executada (com exceção das mulheres e das crianças). Este episódio não tem, contudo, nada a ver com manifestações de antissemitismo, encontrando-se integrado nas guerras entre Meca e Medina e na mentalidade do século VII.
O sionismo (de Sion, colina da antiga Jerusalém), surgiu na Europa em meados do século XIX. Inicialmente de caráter religioso, o sionismo pregava a volta dos judeus à Terra de Israel, como forma de estreitar os laços culturais do povo judeu em torno de sua religião e de sua cultura ancestral.
Precedentes Sionistas
Entre os séculos XIII e XIX o número de judeus que fizeram aliá (literalmente "ascensão" - o ato de um judeu imigrar para a Terra Santa) foi constante e crescente, estimulado por periódicos surgimentos de crenças messiânicas e de perseguições antijudaicas. Essas perseguições tinham quase sempre um caráter religioso. Vários estados atacaram e expulsaram os judeus de seus territórios, sob acusações que variavam entre o deicídio (a suposta culpa dos judeus pela morte de Jesus) e lendas sobre envenenamento de poços, uso de sangue de crianças cristãs em rituais judaicos ("Libelo de Sangue") e de heresia. Os judeus da Inglaterra foram expulsos em 1290, da França em 1391, da Áustria (1421) e da Espanha (Decreto de Alhambra), em 1492.
O Sionismo Político
Em 1895, na França, um militar judeu foi acusado de fornecer informações secretas para os alemães. O capitão Alfred Dreyfus foi julgado e condenado após um julgamento que se tornou célebre e mobilizou a opinião pública mundial, já que a ausência de provas que comprovassem seu suposto crime evidenciava o caráter antijudaico do processo. Um jornalista húngaro de origem judaica, Theodor Herzl, estava em Paris cobrindo o Caso Dreyfuss para o jornal Neue Freie Presse, quando percebeu que as perseguições contra judeus só teriam fim quando estes reconquistassem sua autonomia nacional. No mesmo ano, Herzl publica em Viena o livro "O Estado Judeu", onde expunha a sua concepção de uma nação judaica.
Após o término da Primeira Guerra Mundial e a queda do Império Turco-Otomano, a antiga província da Palestina passou a ser administrada pela Grã-Bretanha. Atendendo às solicitações dos sionistas, os ingleses promulgaram em 1917 a Declaração Balfour, onde a Grã-Bretanha se comprometia a ajudar a construir um "lar judaico" na Palestina, com a garantia de que este não colocasse em causa os direitos políticos e religiosos das populações não judaicas. Com a reação violenta dos árabes a partir da década de 1920, os ingleses tentaram regredir na sua promessa, implementando políticas de restrição à imigração de judeus. A ascensão do Nazismo inicia uma perseguição antijudaica sem precedentes. Os judeus da Europa começam a ser perseguidos e por fim aprisionados e massacrados, numa grande tragédia humana igualmente vivida por outros povos envolvidos na Segunda Guerra Mundial. A morte massiva dos judeus e de outros grupos denominou-se Holocausto.
Grupos judaicos clandestinos
As tensões entre judeus e a população árabe da Palestina, diante das ações do Mandato Britânico que supostamente beneficiavam estes últimos, gerou dentro de alguns setores da comunidade judaica um sentimento de revolta. Nacionalistas árabes, em oposição aos termos da Declaração Balfour e ao Mandato Britânico instigavam a realização de pogroms contra os judeus. Ocorreram incidentes violentos em Jerusalém, Hebron, Jaffa e Haifa. Em 1921, após o massacre de dezenas de idosos judeus em Hebron, foi fundada a Haganá, com o objetivo de fazer a guarda das comunidades judaicas na Palestina e revidar os ataques árabes. Da Haganá surgiu o grupo Irgun (anteriormente chamado de Hagana Bet) no ano de 1931. O Irgun celebrizou-se em atacar alvos militares britânicos.
A Independência
Ao término da Segunda Guerra Mundial, o mundo tomou conhecimento da dimensão do Holocausto e do massacre de seis milhões de judeus pelos nazistas. Com a Europa destruída e os sentimentos anti-semitas ainda exaltados, uma enorme massa de milhões de refugiados deixava a Europa para se unirem aos sionistas na Palestina. Mas a política de restrição à imigração judaica era mantida pelo Mandato Britânico. Os grupos militantes judaicos procuravam infiltrar clandestinamente o maior número possível de refugiados judeus na Palestina, enquanto retomavam os ataques contra alvos britânicos e repeliam ações violentas dos nacionalistas árabes. Com as pressões se avolumando, a Grã-Bretanha decide abrir mão da administração da Palestina e entrega a administração da região à Organização das Nações Unidas (ONU).
Migração
No período entre a Declaração de Independência e a Guerra de Independência, Israel recebeu cerca de 850 000 imigrantes, em especial sobreviventes de guerra e judeus oriundos dos países árabes (sefaraditas e Mizrahim). Até ao fim de 1951 desembarcaram em Israel 37 000 judeus da Bulgária, 30 mil da Líbia e 118 940 da Romênia. Um total de 121 512 judeus iraquianos foram resgatados pela Operação Esdras e Nehemias. No total, o número de judeus resgatados nos primeiros anos de existência de Israel foi de 684 201, mais do que toda a população judaica de Israel em 1948. Dois terços destes imigrantes foram instalados em pequenos núcleos urbanos no interior. 35 700 em moshavim recentemente criados e 16 000 em kibbutzim.
O governo de Ben Gurion
David Ben Gurion, o signatário da Declaração de Independência de Israel, tornou-se Primeiro-Ministro em 25 de fevereiro de 1949, mesmo dia em que o armistício com o Egito foi firmado. A primeira administração de Ben Gurion foi focada na construção das instituições estatais necessárias para o funcionamento do Estado e nas operações militares de defesa contra os vizinhos. Ben Gurion afastou-se do cargo em 7 de dezembro de 1953, declarando na ocasião que se instalaria no kibbutz de Sde Boker, no Deserto de Negueve, a fim de estimular a ocupação da região pelos novos imigrantes. A carreira política de Ben Gurion iniciou-se em 1933. Adepto do sionismo-socialista, tornou-se líder do Movimento Sionista à época da Segunda Guerra Mundial.
O Caso Lavon
O estopim do Caso Lavon foi a fracassada operação militar denominada Operação Suzannah, na qual houve o ataque de alvos americanos e ingleses no Egito. Vários agentes israelenses foram presos e no desenlace o então ministro da defesa de Israel, Pinhas Lavon, teve de renunciar.
O segundo período de Ben Gurion
Foi durante o segundo gabinete de Ben Gurion que ocorreu a Campanha do Sinai. A aliança militar com a França fez deste país o maior aliado de Israel. Nesta época começou a construção das instalações secretas de Dimona, projeto e desenvolvimento do jovem secretário de defesa Shimon Peres. O caráter autoritário e personalista de Ben Gurion lhe valeu muita oposição, dentro e fora de seu Partido Trabalhista. Desacreditado, Ben Gurion deixou definitivamente o cargo em 16 de julho de 1963.
O Gabinete Eshkol
O substituto de Ben Gurion foi o ex-ministro da agricultura Levi Eshkol. Eshkol empenhou-se na relação de Israel com a então Alemanha Ocidental, negociando reparações financeiras aos sobreviventes do Holocausto e buscou melhorar as tensas relações com a União Soviética, o que permitiu uma tímida imigração de seus judeus. As relações israelo-soviéticas azedaram com a eclosão da Guerra dos Seis Dias, em 1967. O gabinete Eshkol foi o responsável pela construção do sistema nacional de águas, que possibilitou um incremento na agricultura e a colonização de áreas desérticas de Israel. Levi Eshkol faleceu de ataque cardíaco, em 26 de fevereiro de 1969, ainda ocupando o cargo de Primeiro-Ministro.
O gabinete Golda Meir
Golda Meir se tornou a quarta primeira-ministra de Israel. Ela havia sido Ministra das Relações Exteriores de Levi Eshkol e no momento da morte do Primeiro-Ministro não exercia nenhuma pasta, embora ainda fosse parlamentar. A eleição de Golda Meir foi uma surpresa, que logo seria guindada pela folgada margem que o Partido Trabalhista obteve na sexta legislatura da Knesset. Entretanto, a Primeira-Ministra preferiu construir um gabinete de coalizão, convidando os partidos de direita para ajudarem a compor o governo. Foi durante seu período que ocorreram alguns dos acontecimentos mais tristemente célebres da existência de Israel. No ano de 1972 terroristas palestinos seqüestraram o avião Sabena (9 de maio), o Exército Vermelho Japonês (grupo terrorista de inspiração marxista) massacrou 25 cidadãos israelenses no aeroporto de Tóquio (30 de maio) e militantes da Fatah assassinaram 11 atletas israelenses durante os Jogos Olímpicos de Munique (5 de setembro). Em reação, Golda Meir ordenou ao Serviço Secreto (Mossad) que empreendesse uma operação de caça aos responsáveis pelo atentado de Munique, que foi apelidado de "Operação Cólera Divina" e que eliminou quase todos os responsáveis pelo massacre.
Desgastes com a Guerra
A invasão de Israel pelos exércitos sírio-egípcios em pleno dia de Yom Kippur evidenciou o despreparo do governo em prevenir o ataque. De fato, poucos meses antes do ataque, Golda recebeu a visita do rei Hussein da Jordânia, que lhe preveniu sobre as intenções dos egípcios e sírios. Golda, entretanto, desprezou a informação. A campanha militar foi dramática, com várias dificuldades nos primeiros dias da guerra. Mas as Forças de Defesa de Israel conseguiram rechaçar a invasão e chegar às portas do Cairo e de Damasco, vencendo a guerra e mantendo o poder sobre os territórios ocupados. Após a vitória, foi estabelecida a Comissão Agranat, que investigou a suposta omissão dos fatores que poderiam ter prevenido o ataque. A Comissão acabou por inocentar a Primeira-Ministra, o Ministro da Defesa Moshe Dayan e o Comandante em chefe Chaim Bar-Lev e Golda Meir foi reeleita em 1974. Mas a impopularidade gerada pela guerra levou à sua renúncia em 11 de abril, pouco depois de sua reeleição. Golda Meir retirou-se da vida pública e foi substituída por Yitzhak Rabin.
O primeiro Gabinete Rabin
Yitzhak Rabin foi Ministro do Trabalho durante o gabinete de Golda Meir. Governou Israel entre 1974 e 1977. Durante sua administração foram firmados acordos de separação de forças com o Egito e se iniciou a construção dos assentamentos na Cisjordânia (1975).
O caso de Entebbe
Em 27 de junho de 1976 um grupo terrorista sequestra o voo Air France 139, que seguia de Tel Aviv para Paris com escala em Atenas. O avião foi desviado até Entebbe, no Uganda. Os terroristas pertenciam ao grupo alemão Baader-Meinhof, e exigiam a libertação de 53 terroristas presos em cadeias de vários países. Os reféns não judeus são libertados no dia 30. O gabinete Rabin convocou os serviços de inteligência do país para a elaboração de uma operação de resgate. Uganda, sob o domínio do ditador Idi Amin Dada, era um país hostil desde que Israel se recusara a vender caças Phantom, que sabidamente seriam usados em operações militares contra o Quênia e a Tanzânia. Em 1972 Amin Dada expulsou todos os judeus de Uganda como retaliação. A operação secreta, inicialmente batizada como "Operação Thunderball", é colocada em prática. No dia 3 de julho, homens da Brigada Golani desembarcam em Entebe, invadem a aeronave e executam os terroristas. Imediatamente, soldados ugandenses começam a atirar nos homens da Brigada Golani, o que provoca a reação dos soldados. Onze jatos MIG de Uganda são explodidos durante a operação. Toda a operação durou apenas 90 minutos. Yoni Netanyahu, comandante israelense ferido por um ugandense, morre em Nairobi, Quênia. Além do oficial, três reféns também morreram durante a operação de resgate. Uma quarta refém, a idosa Dorra Bloch, ferida e atendida num hospital ugandês, é posteriormente assassinada por ordem do ditador Dada.
Escândalos e renúncia
O sucesso da operação de resgate em Entebe legou a Yitzhak Rabin enorme popularidade dentro e fora de seu país. Mas ainda durante 1976 uma profunda crise econômica gerou inflação e insatisfação com o gabinete. Denúncias de corrupção também surgiram, o que levou o Ministro de Obras Públicas Abraham Ófer ao suicídio e a um voto de desconfiança na Knesset. Rabin antecipa as eleições para 17 de maio de 1977. Pouco antes, a descoberta de uma conta secreta em nome da esposa de Rabin, Leah, provocou a ascensão de Menachem Beguin.
Em 1990, o Iraque invade o Kuwait, provocando a Guerra do Golfo, quando uma coalizão militar liderada pelos Estados Unidos reage e ataca o regime de Saddam Hussein. Na tentativa de cooptar apoio dos países vizinhos e inflamar a opinião pública árabe contra os Estados Unidos, o Iraque ataca Israel com mísseis Scud. Sob pressão dos americanos, Israel não revida o ataque. 39 mísseis atingem o território israelense e outros são interceptados e destruídos pelos mísseis Patriot, fornecidos pelos Estados Unidos. 21 cidadãos israelenses morrem durante os ataques: um homem nos subúrbios de Ramat Gan atingido por destroços de um Patriot e 20 pessoas asfixiadas pelo uso incorreto de máscaras de oxigênio. Estatísticas sugerem que algumas dezenas de pessoas também tenham morrido vítimas de "estresse e tensões emocionais" em virtude dos ataques. (Journal of the American Medical Association, Volume 273(15), 19 de Abril de 1995, pp 1208–1210).
A Primeira Guerra Árabe-Israelense
A Primeira Guerra Árabe-Israelense, também chamada de Guerra de Independência, se iniciou com a retirada dos ingleses da Palestina e a Independência de Israel. O projeto de partilha da Palestina aprovado pela ONU previa o estabelecimento de dois estados, um árabe e outro judaico. Os árabes da Palestina não aceitaram a partilha e com o apoio de cinco países vizinhos (Egito, Jordânia, Líbano, Síria e Iraque) iniciaram o conflito, atacando os bairros e cidades judeus. A guerra durou de 1948 a 1949 e culminou na fuga de cerca de 800 mil árabes palestinos e na invasão da Faixa de Gaza pelo Egito e da Cisjordânia pela Transjordânia gerando assim a Jordânia. Israel também conquista cerca de 75% do território que seria destinado aos palestinos e a parte ocidental da cidade de Jerusalém.
A Guerra de Suez
Em 26 de julho de 1956 o líder do Egito Gamal Abdel Nasser ocupa, nacionaliza e bloqueia o Canal de Suez impedindo o acesso de navios israelenses. Em resposta, Israel se alia à França e ao Reino Unido e integra uma força militar que invade o Egito em 29 de outubro. Israel penetra na Península do Sinai, mas é obrigado a recuar pela pressão dos Estados Unidos e da União Soviética. A ONU envia uma força de paz internacional a Suez.
A Guerra dos Seis Dias
Em 1964 é fundada no Cairo a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Ao longo das duas décadas anteriores houve ataques terroristas esparsos contra Israel apoiados por países vizinhos. Com o acirramento das hostilidades e ante a iminência de um ataque militar conjunto árabe, Israel ataca Egito, Síria e Jordânia em 5 de junho de 1967. O episódio, conhecido como Guerra dos Seis Dias, termina em 10 de junho com a vitória de Israel e a conquista do Sinai, da Faixa de Gaza, da Cisjordânia e das Colinas de Golã Jerusalém é reunificada e Israel passa a ter acesso ao Muro das Lamentações, local mais sagrado da religião judaica.
A Guerra do Yom Kipur
Yasser Arafat, é eleito presidente da OLP em 1969. A OLP passa a fomentar inúmeros ataques contra Israel, que responde atacando constantemente as bases da OLP na Síria e no Líbano. Em 6 de outubro de 1973, durante o feriado de Yom Kipur, Israel é atacado por uma força conjunta de tropas da Síria e do Egito apoiadas pela Jordânia. O ataque-surpresa abre duas frentes de combate e impõe seríssimas perdas ao exército israelense. A contraofensiva demora a reagir, mas em algumas semanas consegue repelir o ataque e a pressionar os exércitos árabes. Novamente os Estados Unidos e a União Soviética impõem a Israel um recuo. Mesmo assim Israel vence a guerra.
A primeira intervenção no Líbano
Com a morte de Nasser em 1970 subiu ao poder no Egito Anwar Sadat. Sadat foi um dos fomentadores da Guerra do Yom Kippur, mas após a derrota passou a adotar uma postura pragmática em relação a Israel. Em novembro de 1977, após negociações secretas, Sadat desembarcou em Israel, para estabelecer conversações de paz. A iniciativa abre caminho para os acordos de Camp David (1978-1979), assinados por Sadat e pelo Primeiro-Ministro israelense Menachem Begin, com mediação do presidente norte-americano Jimmy Carter. Israel inicia a retirada da Península do Sinai, que é devolvida em 1982. O mundo árabe repudia os acordos de Camp David e expulsa o Egito da Liga Árabe.
A Primeira Intifada
Em 9 de dezembro de 1987 eclode uma rebelião (a "revolta das pedras") nos territórios ocupados e no setor árabes de Jerusalém, conhecida como Intifada. Israel reprime o levante e sofre condenação da ONU. A opinião pública começa a se tornar favorável à OLP.
Imagem: ER's Eyes - Our planet is beautiful. · BY-NC-SA · Openverse
Em 31 de maio de 2010, uma frota de seis embarcações da organização pró-direitos humanos Free Gaza transportava 750 pessoas e dez mil toneladas de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza. Não atendendo as exigências do governo israelense de aportar para fiscalização de possíveis armamentos, uma flotilha foi interceptada por soldados que fariam a fiscalização in loco. Os soldados foram primeiramente atacados pelos tripulantes, que responderam com o uso de força. 19 ativistas morreram e alguns soldados. Desde 2007, Israel mantém a Faixa de Gaza bloqueada, com o objetivo de sufocar o governo do Hamas (e evitar a entrada de foguetes que são sistematicamente lançados contra a população civil de Israel), eleito democraticamente pelos palestinos.


