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Hezbollah

Hezbollah ou Hizbollah, por vezes aportuguesado para Hezbolá, é uma organização política e paramilitar fundamentalista islâmica xiita libanesa. O Hezbollah foi fundado em 1982 por clérigos libaneses em resposta à invasão israelense do Líbano. Inspirado pela Revolução Iraniana de 1979 e pelo modelo de governança islâmica do aiatolá Ruhollah Khomeini, o Hezbollah estabeleceu fortes laços com o Irã.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/07/2026
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História

Em 1982, o Hezbollah foi concebido por clérigos muçulmanos e financiado pelo Irã principalmente para lutar contra a invasão israelense do Líbano e continuou a resistir contra a ocupação israelense do sul do Líbano durante toda a Guerra Civil Libanesa. As invasões israelenses de 1978 e 1982 criaram uma crise humanitária no Líbano; muitas aldeias no sul foram destruídas e um grande número de xiitas foi deslocado de suas casas. Além disso, os xiitas há muito tempo eram sub-representados na política libanesa. Ambos os fatores fomentaram o ressentimento entre a população xiita local, tornando-os um terreno fértil para o recrutamento. O Hezbollah foi criado por comitês xiitas locais, sob a liderança de Ruhollah Khomeini. Suas forças foram treinadas e organizadas por um contingente de 1.500 Guardas Revolucionários Iranianos que chegaram do Irã com a permissão do governo sírio, que ocupava as terras altas do leste do Líbano.

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Ideologia

Imagem: Paul Keller · BY-NC · Openverse

A ideologia do Hezbollah foi resumida como radicalismo xiita. O Hezbollah segue a teologia xiita islâmica desenvolvida pelo líder iraniano Ayatollah Khomeini. Em 16 de Fevereiro de 1985, Ibrahim Amine al-Sayyed emitiu o primeiro manifesto do Hezbollah: "Perguntam-nos com frequência: Quem somos nós, o Hezbollah, e qual é a nossa identidade? Nós somos os filhos da umma - o partido de Alá, cuja vanguarda foi feita vitoriosa por Alá no Irã. Aí a vanguarda conseguiu estabelecer as bases de um Estado muçulmano que desempenha um papel central no mundo. Obedecemos às ordens de um líder, sábio e justo, as do nosso tutor e jurista que preenche todos os requisitos necessários: Ruhollah Musawi Khomeini".

A bandeira e o seu significado

A bandeira do Hezbollah apresenta um logótipo a verde, sobre fundo amarelo, com duas linhas de texto árabe a vermelho, em cima e em baixo. O próprio logótipo é uma representação muito estilizada da palavra árabe حزب الله (ḥizbu-llāh), incluindo uma espingarda, um globo terrestre, um livro, uma espada e um ramo com sete folhas. O seu desenho é bastante semelhante ao da bandeira da Guarda Revolucionária Iraniana. O texto do topo da bandeira é: فإن حزب الله هم الغالبون (fā ʾ inna ḥizbu llāh hum al ġālibūn) um trecho tirado do Alcorão, significando "Os do Partido de Deus (Alá) serão os vencedores" (Corão, Sura Al-Maída (A Mesa Servida) 5: 56). O texto inferior é: المقاومة الإسلامية في لبنان (al muqāwamah al islāmīyah fī lubnān) - ou seja, "Resistência Islâmica do Líbano".

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Atividades militares

Em 2010, membros do Ahbash e do Hezbollah estiveram envolvidos em uma batalha de rua que foi vista como um problema de estacionamento, ambos os grupos se reuniram para formar um fundo de compensação conjunto para as vítimas do conflito. Hezbollah foi acusado de se infiltrar na América do Sul e de ter ligações com cartéis de drogas latino-americanos.

Atuação do Hezbollah

O Hezbollah constitui-se em um dos principais movimentos de combate à presença israelense no Oriente Médio, utilizando de ataques de guerrilha. Á data de 2010, o Hezbollah está de posse de um arsenal militar superior ao de qualquer outro grupo armado no Líbano, incluindo o próprio exército libanês. Desenvolve também uma série de atividades em cinco áreas: ajuda a familiares de mártires, saúde, educação religiosa xiita, reconstrução e agricultura. O Hezbollah conta com cinco hospitais, 42 clínicas e duas escolas de enfermagem. Segundo a ONU, ao menos 220 mil pessoas em 130 cidades libanesas se tratam nesses locais.[carece de fontes?] O Hezbollah possui 12 escolas com sete mil alunos e setecentos professores e centros culturais franceses auxiliam no aperfeiçoamento do corpo docente.[carece de fontes?]

Durante a Guerra da Bósnia

O Hezbollah inicialmente enviou 150 voluntários para lutar ao lado dos muçulmanos bósnios na Guerra da Bósnia. Todos os conselheiros e combatentes estrangeiros xiitas se retiraram da Bósnia no final do conflito.

Conflito com Israel

Hezbollah esteve envolvido em vários casos de conflito armado com Israel: Tornou-se a principal força político-militar da comunidade xiita no Líbano e o braço principal do que ficou conhecido mais tarde como a Resistência Islâmica no Líbano. Com o colapso do ESL e o rápido avanço das forças do Hezbollah, Israel retirou-se em 24 de maio de 2000, seis semanas antes da anunciada data de 7 de julho." Hezbollah realizou um desfile de vitória e sua popularidade no Líbano aumentou. Israel retirou-se em conformidade com a Resolução 425 do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 1978. Hezbollah e muitos analistas consideraram isso uma vitória do movimento, e desde então sua popularidade aumentou no Líbano.

Assassinato de Rafik Hariri

Em 14 de fevereiro de 2005, o ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri foi morto, junto com outras 21 pessoas, quando seu cortejo automóvel foi atingido por uma bomba em Beirute. Ele havia sido PM de 1992 a 1998 e de 2000 a 2004. Em 2009, o tribunal especial das Nações Unidas para investigar o assassinato de Hariri teria encontrado evidências ligando Hezbollah ao assassinato. Em 30 de junho de 2011, o Tribunal Especial para o Líbano, criada para investigar a morte de Hariri, emitiu mandados de prisão contra quatro altos membros do Hezbollah, incluindo Mustafa Badr Al Din. Em 3 de julho, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, rejeitou a acusação e denunciou o tribunal como uma conspiração contra o partido, prometendo que as pessoas nomeadas não seriam presas sob quaisquer circunstâncias.

Envolvimento na guerra civil da Síria

Na guerra civil síria, o Hezbollah está participando ativamente na luta, combatendo ao lado das forças do governo do presidente Bashar al-Assad. Em 27 de maio, forças da milícia Hezbollah estariam encabeçando uma ofensiva do governo sírio ao leste da área de Ghouta. A milícia libanesa, que apoia o regime de Bashar al-Assad, teria tomado nove cidades na área de Al-Murj, perto do bairro de Ghouta. Em junho, tropas de elite do Hezbollah ajudaram as forças do regime sírio a conquistar a cidade estratégica de al-Qusair. O número estimado de combatentes do braço armado do Hezbollah varia de 3 a 5 mil homens, e cerca de 1400 baixas na guerra civil síria, até o final de 2016.

Envolvimento na intervenção liderada pelo Irã no Iraque

A partir de julho de 2014, o Hezbollah enviou um número não revelado de consultores técnicos e analistas de inteligência para Bagdá em apoio à intervenção iraniana no Iraque (2014-presente). Pouco tempo depois, o comandante do Hezbollah Ibrahim al-Hajj foi morto em ação perto de Mosul.

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Financiamento

Imagem: Facts for a Better Future · BY-SA · Openverse

O financiamento do Hezbollah vem de grupos empresariais libaneses, privados, empresários, da diáspora libanesa envolvida na exploração de diamantes africanos, outros grupos e países islâmicos, e os impostos pagos pelos xiitas libaneses. Fontes ocidentais afirmam que o Hezbollah de facto recebe a maior parte de sua ajuda financeira, treinamento, armas, explosivos, ajuda política, diplomática e organizacional do Irã e da Síria. O Irã teria dado 400 milhões de dólares entre 1983 e 1989 através de doações. A situação mudou devido a problemas económicos, mas o Irã ainda financia ações humanitárias realizadas pelo Hezbollah. De acordo com relatórios divulgados em fevereiro de 2010, o Hezbollah recebeu 400 milhões de dólares do Irã. Segundo fontes estadunidenses, em 2011, o Irã destinou 7 milhões de dólares às atividades do Hezbollah na América Latina. O Hezbollah também contou com financiamento da diáspora xiita libanesa na África Ocidental, nos Estados Unidos e, mais importante ainda, na tríplice fronteira ao longo da junção do Paraguai, Argentina e Brasil. As autoridades policiais dos EUA e outras identificaram uma operação ilegal multimilionária de angariação de fundos por meio de contrabando de tabaco e operações de tráfico de drogas. O Hezbollah considera tais acusações como propaganda, numa tentativa de prejudicar sua imagem.

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Política de segmentação

Imagem: Tan Khaerr · BY-SA · Openverse

Após os ataques de 11 de setembro de 2001, o Hezbollah condenou a al-Qaeda por atacar civis no World Trade Center, mas permaneceu em silêncio sobre o ataque ao Pentágono. Hezbollah também denunciou os massacres na Argélia por grupos islâmicos armados, os ataques do Al-Gama'a al-Islamiyya a turistas no Egito, o assassinato de Nick Berg, e os ataques do EIIL, em Paris. Embora o Hezbollah tenha denunciado vários ataques contra civis, algumas pessoas acusam a organização do atentado a bomba contra um centro da comunidade judaica de Buenos Aires, em 1994. O promotor argentino Alberto Nisman, Marcelo Martinez Burgos e sua "equipe de cerca de 45 pessoas" disseram que o Hezbollah e seus contatos no Irã foram responsáveis pelo atentado, no qual "oitenta e cinco pessoas foram mortas e mais de 200 outras ficaram feridas". Em junho de 2002, pouco depois de o governo israelense lançar a Operação Escudo Defensivo, durante a Segunda Intifada, Nasrallah fez um discurso em que defendeu e elogiou os atentados suicidas contra alvos israelenses, por parte de membros de grupos palestinos, como forma de "promover a dissuasão e equalizar o medo". Nasrallah afirmou que "na Palestina ocupada, não há diferença entre um soldado e um civil, pois todos eles são invasores, ocupantes e usurpadores da terra".

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