Guiné
Guiné, oficialmente República da Guiné é um país da África Ocidental limitado a norte pela Guiné-Bissau e pelo Senegal, a norte e leste pelo Mali, a leste pela Costa do Marfim, a sul pela Libéria e pela Serra Leoa e a oeste pelo oceano Atlântico. Com 246 000 km2 e dez milhões de habitantes, a Guiné é uma república e a capital, sede do governo e maior cidade é Conacri.
A origem exata do nome Guiné é desconhecida. Sabe-se que a palavra "Guiné" vem do português Guiné, que surgiu em meados do século XV para se referir à região habitada pelos Guineus, um termo genérico usado para se referir aos povos africanos que viviam ao sul do rio Senegal (em oposição aos berberes sanajas que viviam ao norte, que eram chamados de mouros). Gomes Eanes de Zurara usou o nome "Guiné" extensivamente em suas crônicas de 1453, e em 1483 o rei João II de Portugal assumiu o título de Senhor da Guiné. Acredita-se que os portugueses tenham adotado o nome Guineus do berbere Ghinawen (frequentemente arabizado como Guinauha ou Genewah), que significa "o povo queimado". Da mesma forma, o termo berbere "aginaw" ou "Akal n-Iguinawen" significa "negro" ou "terra dos negros". Na língua sousou, a língua falada pelo grupo étnico de mesmo nome (um dos mais importantes historicamente estabelecidos na costa atlântica da Guiné-Conacri e Serra Leoa), a palavra "guine" significa "mulher", outra possível origem do nome do país.[carece de fontes?]
A área ocupada hoje pela Guiné fez parte do território de diversos povos africanos, incluindo o Império Songai, no período que se compreende século X e XV, quando a região tomou contato pela primeira vez com os comerciantes europeus. A descoberta da Guiné pelos portugueses ocorreu em meados de 1460 pelos navegadores Pedro de Sintra e Alvise Cadamosto.
Origem da Civilização: Impérios Peúles e Mandinga Islamizados na Guiné
A povoação inicial da atual Guiné surgiu através de migrações de povos vindos do Sudão (atual Mali), Níger e Senegal. A primeira povoação com habitação talvez tenha sido a dos pigmeus, eles foram obrigados a fugir da região ante a invasão de povos vindos do norte. Os Bagas, um povo que ali surgiu, chegaram a se instalar na região de Conacri, mas foram expulsos para as regiões da baixa Guiné pelos Sussu de etnia mandinga. Na região florestal, os quissis tomaram esse lugar e, mais tarde, os tendas refugiaram-se na parte inferior do Futa Jalom. Os Malinqués, um povo que viria a fazer parte da história étnica da Guiné, chegaram na parte da Alta Guiné no século XVI após a expansão do Império do Mali. Os Peúles emigraram da região do Futa Toro (Senegal) para o Futa Jalom quase no mesmo tempo.
A Presença da França no Território
O período colonial da Guiné se iniciou quando tropas francesas penetraram na região em meados do século XIX. A dominação francesa foi assegurada ao derrotarem as tropas de Samori Turé (1898), guerreiro de etnia malinquê, o que deu, aos franceses, o controle do que é, hoje, a Guiné, e de regiões adjacentes. A França definiu, em fins do século XIX e início do XX, as fronteiras da atual Guiné com os territórios britânico e português que hoje formam, respectivamente, Serra Leoa e Guiné-Bissau. Negociou, ainda, a fronteira com a Libéria. Sob domínio francês, a região passou a ser o "Território da Guiné" dentro da África Ocidental Francesa, administrada por um governador-geral residente em Dakar (atualmente, capital do Senegal). Tenentes-governadores administravam as colônias individuais, incluindo a Guiné.
Governos seguintes ao de Sékou Touré
Sékou Touré morreu a 26 de março de 1984, e uma junta militar encabeçada pelo coronel Lansana Conté tomou o poder a 3 de abril de 1984. O país continuou sem eleições democráticas até 1993, quando foram realizadas eleições e Lansana Conté ganhou-as numa disputa apertada. O presidente foi reeleito em 1998. O presidente foi, em 1999, severamente criticado ao prender Alpha Condé, um importante líder de oposição. As tensões com a vizinha Serra Leoa ainda persistem. Em 22 de dezembro de 2008, o presidente Conté morreu, tendo sido substituído por uma junta militar que, aproveitando-se da vacância no poder, anunciou, através do capitão Musa Dadis Camara, um golpe de estado que suspendeu a constituição e as instituições republicanas do país.
A Guiné situa-se na costa atlântica da África ocidental e tem fronteiras com a Guiné-Bissau, o Senegal, o Mali, a Costa do Marfim, a Libéria e a Serra Leoa. O país divide-se em quatro regiões geográficas: uma faixa costeira estreita (a Baixa Guiné); as terras altas cobertas de pastagens de Futa Jalom (a Média Guiné); a savana do norte (a Alta Guiné); e uma região de floresta húmida no sudeste (a Guiné Florestal). Os rios Níger, Gâmbia e Senegal pertencem ao grupo dos 22 rios da África Ocidental que têm as suas nascentes na Guiné. A região costeira da Guiné e grande parte do interior têm um clima tropical, com uma estação das chuvas entre abril e novembro, temperaturas relativamente elevadas e uniformes, e humidade elevada. A média anual das temperaturas máximas em Conacri é de 29 °C e das mínimas é de 23 °C; a precipitação média anual é de 4 300 mm. A Alta Guiné, que pertence ao Sahel, tem uma estação das chuvas mais curta e maior amplitude térmica diária.
O atual território da Guiné, historicamente esteve a ser influenciado por impérios que continham suas posteriores etnias. Assim como vários atuais países da África Ocidental, a Guiné foi um território fronteiriço de grandes impérios; especificamente foi adjacente ao do Mali. Para a constatação do contexto religioso desse país, é necessário compreender que foram através das migrações que as primeiras religiões e crenças atingiram seus pontos de prática. As religiões existentes atualmente são provenientes das colonizações, de expedições e das crenças tribais locais. Exemplo disso: o islamismo (islamização na África) e o cristianismo (colonização francesa do século XIX).
Islamismo
O Islã representa uma maioria expressiva em adeptos no contexto religião nacional: 86,2% da população da Guiné seguiam as diretrizes maometanas em 2012. Uma extensa parte dos seguidores do islamismo na Guiné pertencem à corrente sunita da religião, o sufismo ligado ao mesmo possui fundamento na escola maliquita, as ordens sufis cadirita e tijanita são existentes na linha do Sufismo. Uma minoria de seguidores da corrente xiita é comentada e existem minoritariamente. O islã foi introduzido na Guiné através dos peúles islamizados que fizeram uma incursão do Futa Toro (Senegal) para o Futa Jalom no século XVII — o islã vigorou efetivamente a partir do estabelecimento do Imamato do Futa Jalom em 1725, isso após uma jihad declarada pelo pai de Karamoko Alfa (peúle), Alpha Ba. Há seguidores pertencentes á comunidade amadita que surgiram primeiramente no Paquistão no século XIX, foi ao século XX que os primeiros adeptos começaram as atividades na Guiné.
Cristianismo
Os cristãos guineenses compõem 9,7% da população total do país, dados de 2012. 3% da camada cristã guineense é católica romana, essa desde os tempos de colonização e domínio francês perdura por lá. A partir do ano 1965, só foi permitido que padres guineenses fizessem exerção de seus cargos, foi uma medida auspiciosa do governo guineano que desde 1960 sofria com conspirações de pessoas do estrangeiro. Em 1979 a ditadura soltou o arcebispo de Conacri Raymond-Marie Tchidimbo, preso havia 8 anos por tramar contra o governo ditatorial de Ahmed Sékou Touré. Há outros grupos cristãos no país, dentre esses: Anglicanos, Batistas, Adventistas do Sétimo Dia e outros grupos de fundação evangélica; os testemunhas de Jeová obtiveram reconhecimento do governo.
Minorias
Há em um pequeno número de representação grupos de hindus, budistas e algumas outras da série proveniente de outros países asiáticos — os expatriados que residem na Guiné comum e maioritariamente são desses grupos que, juntamente com os animistas tribais não ultrapassam 4,1% da população (os dados são de 2012).
A independência da Guiné foi declarada por Ahmed Sékou Touré em 2 de outubro de 1958, mas a primeira constituição do país foi aprovada a 12 de novembro de 1958. O resultado da independência da Guiné na ONU, Organização das Nações Unidas, não foi admitida pela França, essa que em estado de inconformidade acabou retirando todo o seu efetivo de doutores, técnicos e especialistas da nova nação, a região ficou com um certo déficit de logística. O país teve que adaptar-se com o novo cenário temporal.
As regiões da Guiné estão divididas em 33 prefeituras e uma zona especial (Conacri, a capital nacional), capitais entre parênteses:
A moeda oficial da República da Guiné é o franco guineense, que foi introduzido no lugar do franco CFA em 1959, isso após Sekóu Touré não conseguir um acordo de permanência com a França para permanecer na zona do Franco. A economia da Guiné é diretamente beneficiada pela grande quantidade de minerais presentes em seu território. Em 2019, o país era o 3º maior produtor mundial de bauxita. Além disso, o país, neste ano, tinha cerca de 25% das reservas mundiais de bauxita em seu território. O país também tem uma produção de ouro que gira entre 14 a 17 toneladas anuais, o que não coloca o país entre os maiores produtores do mundo, mas devido ao pequeno tamanho e população da Guiné, gera uma renda considerável. Em 2009, o país era o 9º maior produtor de diamante do mundo. O país também tem depósitos de bilhões de toneladas métricas de minério de ferro e quantidades ainda indeterminadas de urânio.
Imagem: Fotos Avulso · PDM · Openverse
Educação
A taxa de alfabetização da Guiné é uma das mais baixas do mundo: em 2010 estimava-se que apenas 41% dos adultos eram alfabetizados (52% dos homens e 30% das mulheres). A educação primária é obrigatória por lei e compreende 6 anos de estudos, mas o índice de evasão escolar é alto e muitas crianças não vão à escola. Em 1999, a frequência à escola primária era de 40%. Boa parte das crianças são mantidas fora da escola para ajudar os pais no trabalho doméstico ou na agricultura, sendo que muitas meninas não frequentam a escola devido ao casamento, eis que a Guiné tem uma das taxas mais altas de casamento infantil do mundo.


