Fortaleza
Fortaleza é a capital do estado brasileiro do Ceará, na Região Nordeste do país. Distante 2 285 km de Brasília, capital federal, a cidade desenvolveu-se às margens do riacho Pajeú, e sua toponímia é uma alusão ao Forte Schoonenborch, construído pelos holandeses durante sua segunda permanência no local, entre 1649 e 1654, e que deu origem ao município. O lema de Fortaleza, presente em seu brasão, é a palavra em latim Fortitudine, que, em português, significa "por/com força, valor, coragem".
Povos nativos
Estudos indicam que os primeiros seres humanos a habitarem esse território podem ter chegado há cerca de 2 000 anos. Aproximadamente até o ano 1 000, a região era dominada pelos índios tapuias. Nessa época, tais índios foram expulsos para o interior do continente pelos índios tupis procedentes da Amazônia. É de origem tupi o povo indígena mais característico do território litorâneo que hoje é Fortaleza, o potyguara, retratado pelos romances indianistas de cearenses.
Colonização europeia
Existem teorias que defendem que antes das explorações do Império Português, houve duas passagens de espanhóis pelo litoral da atual Fortaleza. Os navegadores Vicente Yáñez Pinzón e Diego de Lepe teriam desembarcado nas costas cearenses antes da viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil em 1500, embora, na versão tradicional, o desembarque de Pinzón tenha se dado no Cabo de Santo Agostinho em Pernambuco. Pinzón teria chegado no cabo que se acredita ser o Mucuripe e Lepe aportado na barra do rio Ceará. Tais descobertas de território não poderiam ser oficializadas em decorrência do Tratado de Tordesilhas, de 1494. O início da ocupação do território que viria a ser Fortaleza se deu entre os anos de 1597 e 1598. Nesse período, um ramo da etnia potiguara que habitava a região ao redor do Forte dos Reis Magos migrou e se estabeleceu na região entre as margens do rio Cocó e rio Ceará, tendo ao fundo as serras da Aratanha e de Maranguape. A partir de 1603, os portugueses iniciaram as tentativas de conquista e colonização do local. Pero Coelho de Sousa aportou na foz do rio Ceará e, às margens, ergueu o Fortim de São Tiago, batizando o povoado que lá se formou de Nova Lisboa e a área de Nova Lusitânia. Porém, em decorrência da seca de 1605-1607 e da resistência indígena, a primeira tentativa lusitana de conquista do então Siará Grande resultou em fracasso. Outro português, Martim Soares Moreno, chegou em 1613, recuperando e ampliando o Fortim de São Tiago e rebatizando-o como Fortim de São Sebastião. No ano de 1631, holandeses tentaram tomar o Forte de São Sebastião, mas essa ação, conjunta com os índios potyguara, não foi bem sucedida. Em 1637, houve a tomada holandesa do forte, outro trabalho conjunto com o grupo indígena. Em 1644, o Forte São Sebastião foi destruído por nativos em rebelião. Os holandeses foram mortos ou expulsos.
Império do Brasil
No século XIX, Fortaleza angariou a liderança urbana no Ceará, ultrapassando Aquiraz e Aracati. Ao final do período, era um dos oito principais centros urbanos do país, fortalecida pela cultura do algodão, que, no fausto, foi o principal elemento de elevação econômica do município, explorado para atender as fábricas da Revolução Industrial. Como cidade prioritária em investimentos do governo da província e com a vinda de sertanejos do interior, em fuga das constantes secas, a cidade cresceu rapidamente, dotando-se de crescente infraestrutura e passando a assimilar valores, costumes e padrões sociais e estéticos alinhados aos das grandes metrópoles ocidentais, mas também a assistir ao surgimento dos subúrbios e de seus decorrentes problemas sociais.
Século XX
No século XX, continuou-se em Fortaleza o crescimento populacional e estrutural vertiginosos. Já no final da década, com a Proclamação da República, a oligarquia de Nogueira Acioly deu início ao seu período de domínio do Ceará, notória pela corrupção, impunidade dos crimes nos sertões e controle de massa. Em 1909, foi criado o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Em 1911, iniciaram-se as obras do primeiro sistema de esgoto da capital, que começou a funcionar em 1927. Já em 1913, deu-se o uso de luz e bondes elétricos na cidade. Em 1912, estourou a maior revolta popular de Fortaleza, quando setores populares e opositores movimentaram-se pela retirada do Clã Accioly do poder. As manifestações, que aconteciam desde o ano anterior, chegaram ao estopim no dia da Passeata das Crianças, em 21 de janeiro. Milhares de pessoas acompanharam centenas de crianças serem espancadas e até mesmo mortas pela polícia. A população pegou em armas e, após dias de guerra, Nogueira Accioly renunciou em 24 de janeiro. Assumiu em seu lugar o apoiado pelo povo, Franco Rabelo, que, em 1914, foi deposto pelos revoltos da Sedição de Juazeiro.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Fortaleza. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Fortaleza, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Fortaleza. O município tem como limites o Oceano Atlântico ao norte; Maracanaú, Itaitinga e Pacatuba ao sul; Caucaia a oeste e Eusébio e Aquiraz a leste. Com 312,353 km², Fortaleza é uma das menores capitais do país em área territorial. É, ainda, a capital estadual brasileira mais próxima do continente europeu, distando 5 608 km de Lisboa. O meio ambiente de Fortaleza tem características semelhantes às de outras cidades de litoral do Brasil. O clima é quente, com temperatura anual média de 26 °C. A vegetação predominante é de mangue e restinga. Seu relevo é de planície litorânea e de tabuleiros pré-litorâneos. O território possui altitude média de dezesseis metros. O Parque Ecológico do Cocó destaca-se por ser a maior área verde da cidade e um dos maiores parques urbanos da América Latina.
Ecologia e meio ambiente
A vegetação de Fortaleza é tipicamente litorânea. As áreas de restinga encontram-se nas regiões de dunas próximas às fozes dos rios Ceará, rio Cocó e rio Pacoti, nos leitos dos quais há ainda mata de mangue. Nas demais áreas verdes da cidade, já não existe vegetação nativa, constituindo-se de vegetação variada, árvores frutíferas mais comumente. A cidade abriga sete unidades ambientais de conservação. São elas o Parque Natural Municipal das Dunas de Sabiaguaba, a Área de Proteção Ambiental da Sabiaguaba, o Parque Ecológico da Lagoa da Maraponga, o Parque Ecológico do Cocó, a Área de Proteção Ambiental do Estuário do Rio Ceará, a Área de Proteção Ambiental do Rio Pacoti e o Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio. Há, ainda na cidade, a Área de Relevante Interesse Ecológico do Sítio Curió, que protege o último enclave de Mata Atlântica na zona urbana.
Litoral
O litoral de Fortaleza tem extensão de 34 quilômetros, com um total de quinze praias. Tem como limites a foz dos rios Ceará, ao norte, e Pacoti, ao sul. A Praia da Barra do Ceará, localizada na foz do rio de mesmo nome, detém significante importância para a história da cidade, pois foi onde o açoriano Pero Coelho de Sousa construiu a primeira fortificação da história do município. Na Praia de Meireles, há a Avenida Beira Mar, que se estende até o Mucuripe. Nela, está a principal concentração de hotéis de luxo da cidade. O clube Náutico Atlético Cearense é um dos marcos da região, em frente ao qual acontece, todos os dias, Feira de Artesanato da Beira-Mar. A Volta da Jurema é o local mais nobre do litoral de Fortaleza, onde é possível embarcar em passeios de veleiro e iate pelo mar da cidade, por meio dos quais são percorridos outros pontos importantes da orla, como o Cais do Porto e o Parque Eólico Praia Mansa.
Clima
Fortaleza possui clima tropical semiúmido (tipo As, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger), com temperatura média compensada anual em torno dos 27 °C. Sem ter exatamente definidas as estações do ano, há a estação das chuvas, de janeiro a junho (verão e outono) e a estação seca, de agosto a dezembro (inverno e primavera), sendo julho um mês de transição entre as duas estações. O índice pluviométrico anual é superior a 1 500 milímetros (mm), concentrados entre fevereiro e maio, sendo o pico observado em março e abril. Sua localização, entre serras próximas, faz com que as chuvas de outono ocorram com mais frequência na cidade e entorno do que no resto do estado.
No Censo de 2022 do IBGE, Fortaleza era composta por 2 428 678 habitantes, fazendo do município o mais populoso do estado do Ceará e o maior entre as regiões Norte e Nordeste do país. O município detém, ainda, a maior densidade demográfica do Brasil, com 7 775,4 hab/km². De acordo com o Censo de 2010, 1 304 267 habitantes eram mulheres, equivalendo a 53,19% da população, e 1 147 918, homens, representando 46,81% do total. Todos viviam em zona urbana e não existia zona rural no município. Da população total naquele ano, 554 737 habitantes (22,62%) tinham menos que 15 anos, 1 736 138 habitantes (70,80%) tinham de 15 a 64 anos e 161 310 pessoas (6,58%) possuíam mais de 65. Já a esperança de vida ao nascer era de 74,4 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,6. Em 2015, foram estimados 2 591 188 habitantes. Fortaleza possui uma área de influência regional que forma a terceira maior rede urbana do Brasil, com população de 20 573 035 em 2008. De acordo com dados fornecidos pelo site do TSE, em março de 2019, 324 803 (18,15%) habitantes tinha idade acima de 60 anos, enquanto a maior faixa demográfica era a de pessoas entre 45 a 59 anos, sendo 430 373 (24,040%) aptas a votar.
Região Metropolitana de Fortaleza
A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) foi criada no dia 8 de junho de 1973. Naquele ano, era o sétimo maior aglomerado urbano do Brasil, com 1 070 114 habitantes recenseados em 1970. Nos censos de 1980, 1991 e 2000, permaneceu na mesma posição. No censo de 2010, atingiu o total de 3 615 767 habitantes. Em 2014, era a oitava maior região metropolitana do país, e terceira entre as regiões Norte e Nordeste, abrigando 3 818 380 pessoas. É, ainda, tida como o 128ª maior aglomerado urbano do mundo. É constituída por dezenove municípios: Aquiraz, Cascavel, Caucaia, Chorozinho, Eusébio, Fortaleza, Guaiúba, Horizonte, Itaitinga, Maracanaú, Maranguape, Pacajus, Pacatuba, Paracuru, Paraipaba, Pindoretama, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu e Trairi.
Imigrantes
No começo do século XX, houve um momento marcante de imigração estrangeira na cidade, com destaque para os portugueses. Várias famílias de origem sírio-libanesa também constituíram forte comunidade em Fortaleza nessa época, além de espanhóis, italianos, ingleses, franceses. Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade foi movimentada com a presença de militares americanos, chegando a receber um consulado desse país. De acordo com estudo de 2011, pardos e brancos de Fortaleza, que constituem a maior parte da população, apresentaram ancestralidade predominante europeia (maior que 70%) e menor contribuição africana e indígena. De acordo com um estudo genético de 2015, a população de Fortaleza tem a seguinte composição genética: 48,9% de contribuição europeia, 35,4% de contribuição indígena e 15,7% de contribuição africana.
Favelas e áreas de risco
Embora tenha diminuído ao longo dos anos 2000, a desigualdade de renda continua marcante em Fortaleza, com um coeficiente de Gini de 0,61. Em 2010, os 20% mais pobres da cidade detinham apenas 2,83% da renda total do município. Ampliando-se o espectro para os 80% menos ricos, possuíam apenas 33,4% do total. Por sua vez, 3,36% dos habitantes permanecia na pobreza extrema e 12,14% na pobreza, significativo, entretanto, de progresso em relação a 1991, quando esses índices eram de 15,25% e 38,97%, respectivamente. Segundo dados de 2022, cerca de 22,9% da população de Fortaleza mora em favelas, tornado-se a sétima capital mais favelizada do país. As frequentes secas e o decorrente êxodo rural do interior do estado do Ceará agravam o problema da favelização. No início da década de 1980, existiam 147 áreas do tipo na cidade e, em 2014, esse número evoluiu para 509. A capital é a principal contribuinte do total de 533 favelas existentes no estado, que está na sétima colocação nacional nesse índice. O controle de defesa civil municipal tem priorizado o levantamento de inteligência acerca das chamadas "áreas de risco", que são locais propensos a sofrerem alagamentos, inundações e outras situações críticas. Em 2015, existiam em Fortaleza 89 áreas nessa categoria.
Religião
Mesmo tendo surgido a partir de ocupação protestante holandesa e sido estabelecida como vila em função de uma fortificação e não de uma missão religiosa, o Catolicismo mostrou-se dominante em Fortaleza desde o início de sua história. Segundo censo de 2010, 1 664 521 pessoas, 67,88% da população fortalezense, seguiam o Catolicismo Apostólico Romano, 523 456 (21,35%) eram adeptas do protestantismo, 31 691 (1,29%) representavam o Espiritismo e 162 985 (6,65%) não possuíam religião alguma. Demais religiões, como Umbanda, Candomblé, outras afro-brasileiras, Espiritualismo, Judaísmo, Hinduísmo, Budismo, Islamismo, outras orientais, Esoterismo e outras igrejas cristãs como a Mórmon possuíam menor representatividade. A população de católicos em Fortaleza era maior que a do índice brasileiro e a de irreligiosos, menor, embora com percentual maior que todas as outras religiões não cristãs somadas. Segundo o censo brasileiro de 2022, a composição religiosa da cidade era de 60,03% católicos, 26,31% evangélicos ou protestantes, 1,21% espíritas, 0,61% umbandistas ou candomblecistas, 0,01% religião tradicional, 3,97% outras religiões, 7,64% irreligiosos, 0,1% não informados e 0,12% não declarados.
A administração de Fortaleza é responsabilidade dos poderes executivo e legislativo locais, ou seja, a Câmara de Vereadores e a Prefeitura Municipal. O poder executivo é representado pela Prefeitura, chefiada pelo prefeito, eleito juntamente a um vice-prefeito a cada quatro anos por voto popular direto com direito a uma reeleição e auxiliado por órgãos de assessoramento superior, e dividida em doze Secretarias Executivas Regionais (SER) para atender a todos os bairros. A administração indireta do município está a cargo de fundações e autarquias com personalidade jurídica própria e autonomia administrativa e financeira. O poder legislativo, por sua vez, é constituído pela Câmara Municipal de Fortaleza, composta por 43 vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição), e responsável por elaborar e votar leis de âmbito municipal fundamentais à administração, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias, além de fiscalizar o executivo. O município é, em adição, regido por lei orgânica. Em janeiro de 2015, havia 1 659 091 eleitores em Fortaleza (26,457% do total do estado), distribuídos em treze zonas eleitorais. O número de pessoas ocupadas direta e indiretamente na administração pública municipal em 2013 foi respectivamente de 31 318 e 4 950.
Cidades-irmãs
Fortaleza tem intercâmbio cultural, econômico e institucional com as seguintes cidades-irmãs:
Fortaleza enquanto município surgiu a partir da Resolução Régia de 9 de março de 1725, como sede no núcleo do mesmo nome, então elevado à categoria de vila. A instalação do município aconteceu em 13 de abril do ano seguinte, data considerada oficial de sua fundação. A categoria de cidade foi conferida a Fortaleza pela Resolução de 2 de janeiro, Decreto de 24 de fevereiro e Carta de 17 de março de 1823, por meio da qual recebeu também a denominação de Fortaleza da Nova Bragança. Fortaleza abriga 121 bairros, 39 Territórios Administrativos e doze Secretarias Executivas Regionais (SER), que são suas subprefeituras ou subdistritos, órgãos públicos de gestão direta de cada área. No censo de 2022, os bairros mais populosos do município, acima dos 50 000 habitantes, eram Jangurussu (com 70 651 habitantes), Barra do Ceará (63 477), Granja Lisboa (63 420), Mondubim (62 440), Passaré (54 870), Prefeito José Walter (53 455) e Vila Velha 52 881). Na outra ponta da lista, com menos de 5 000 moradores, estão Salinas (4 837), Couto Fernandes (4 645), Praia do Futuro I (4 329), Sabiaguaba (3 466), Praia de Iracema (3 033, Moura Brasil (3 029) e Lourdes (2 310).
No início da década de 2000, dentre as capitais do Nordeste, Fortaleza possuía o terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB), sendo superada por Recife e Salvador. Fortaleza cresceu cerca de 5 bilhões de reais em 2018, chegando a 67 bilhões, superando os 3 anos anteriores que foram marcados pela crise de 2014. Esse crescimento consolidou o município como o mais rico da região Nordeste, o oitavo entre as capitais e o nono do país, embora caiu para a 11.ª posição em 2020, segundo o IBGE. Em 2012, o valor de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes era de R$ 6 612 822 000, e o PIB per capita do município, de R$ 17 359,53. A pujante economia da cidade é refletida no poder de compra, o oitavo maior do pais, com potencial de consumo estimado em 42 bilhões de reais em 2014. A principal fonte econômica do município está centrada no setor terciário, com seus diversificados segmentos de comércio e prestação de serviços. Em seguida, destaca-se o setor secundário, com os complexos industriais. Em 2012, a porcentagem de contribuição de cada setor para a economia municipal era de 0,07%, 15,8% e 68,8% dos setores primário, secundário e terciário, respectivamente. A riqueza da capital deve-se em boa parte às atividades provenientes de toda a região metropolitana, cuja economia é a terceira mais forte das regiões Norte e Nordeste e cuja população é de quase quatro milhões de habitantes. Em 2012, a cidade possuía 69 605 unidades e 64 674 empresas e estabelecimentos comerciais atuantes, além de um montante de 873 746 de pessoal ocupado e 786 521 pessoas assalariadas. Salários, juntos com outros tipos de remuneração, somavam 17 103 562 reais e o rendimento médio do município era de 2,7 salários mínimos.
Setor primário
A agricultura é o setor de menor relevância econômica de Fortaleza. De todo o produto interno bruto da cidade em 2012, 32 844 000 reais foi o valor adicionado bruto da agropecuária. Em 2013, o município contava com cerca de 2 410 bovinos, 70 caprinos, 101 equinos, 1 120 ovinos e 769 suínos, além 1 251 vacas ordenhadas, das quais foram produzidos 1 445 000 litros de leite, e 19 140 galináceos, a partir dos quais foram produzidos 67 mil dúzias de ovos. No município, a população é concentrada em totalidade em área urbana, o que demonstra, portanto, a insignificância da agricultura para a economia municipal. Devido ao desenvolvimento urbano da cidade, em Fortaleza não há forte agricultura tampouco terras para o plantio. Se houve agricultura no passado, muitos dos agricultores e pecuaristas se mudaram para outros municípios da região metropolitana.
Setor secundário
A indústria é o segundo setor mais relevante para a economia do município. Um montante de 6 876 703 000 reais foi acrescentado por esse setor ao produto interno bruto municipal em 2012. Seu distrito industrial, na Grande Fortaleza, dividido em três polos, conta com mais de cem empresas instaladas de setores têxteis, metalurgia e mecânica, material elétrico, químico e construção civil, empregando mais de 16 mil pessoas de forma direta. Outro polo que fomenta a economia fortalezense é o Complexo Industrial do Pecém, que conta com empresas de grande porte dos setores metalmecânico, de construção civil e energia, cujo maior expoente é a Companhia Siderúrgica do Pecém, em construção, planejada para ser de grande competitividade no cenário internacional.
Setor terciário
Comércio e serviço, enquanto maiores geradores de riquezas da economia de Fortaleza, adicionaram, em 2012, 29 879 821 000 reais ao PIB fortalezense. A cidade possui robustos centros de compras, além de abrigar dois dos dez maiores shopping centers do país, o Iguatemi Fortaleza o RioMar Shopping. Fortaleza conta com 15 centros comerciais e é a sexta capital brasileira em total de área bruta comercial locável. Contudo, a principal área de compras é historicamente o Centro da cidade, que reúne o maior número de estabelecimentos e é responsável pelo maior fluxo de negócios. A Avenida Monsenhor Tabosa é outro corredor comercial robusto, de cunho predominantemente turístico e de moda. Destaca-se também a movimentada área comercial do bairro Montese. Regiões periféricas do município têm se desenvolvido comercialmente e assistido à transformação de bairros predominantemente residenciais em bairros comerciais, sobretudo em decorrência da independência dos setores produtivos dessas regiões e da consequente descentralização econômica.
Turismo e relações internacionais
Fortaleza é um dos maiores destinos turísticos do país. Segundo o Ministério do Turismo, a capital cearense foi o segundo destino mais desejado do Brasil e o quarto que mais recebeu visitantes em 2012. Portais internacionais de turismo e viagens, como o TripAdvisor, e instituições nacionais, como a Associação Brasileira de Agências de Viagens, têm apontado a cidade como uma das melhores e mais procuradas do país. Atrações como o parque temático Beach Park, localizado na Grande Fortaleza, a Avenida Beira Mar e seus bares, restaurantes e clubes de música, as praias do Futuro e Iracema têm colocado Fortaleza entre os destinos brasileiros preferidos por europeus. Entre os maiores emissores de turistas estrangeiros para a capital cearense, estão Itália, Estados Unidos, Alemanha, França e Portugal. A cidade dispõe de dezenas de consulados e representações diplomáticas que dão assistência ao turista estrangeiro.
Infraestrutura básica
Fortaleza contava, em 2010, com 710 066 domicílios, dos quais 540 358 eram casas, 41 256 faziam parte de vilas ou condomínios, 126 113 eram apartamentos e 2 339, habitações de cômodos ou cortiços. Do total de domicílios, 502 428 eram próprios, 181 713 eram alugados, 22 522 enquadravam-se em imóveis cedidos e 3 403, ocupados de outra forma. A quase totalidade do município conta com água tratada, energia elétrica, esgoto, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. O serviço de abastecimento de energia elétrica é feito pela Enel Distribuição Ceará, antiga Companhia Energética do Ceará (COELCE), e, em 2010, segundo o IBGE, 707 940 domicílios (99,7% do total) possuíam acesso à rede elétrica, cuja voltagem, em Fortaleza, é de 220 V. Há na cidade duas unidades de produção de energia, sendo uma experimental de produção de energia eólica, próxima ao Porto do Mucuripe, e a outra de gás natural.
Saúde
Os índices de saúde da população fortalezense são melhores que a média brasileira. Conforme dados de 2010, a taxa de mortalidade infantil em até um ano de idade era de 15,8‰, contra uma média brasileira de 16,7. Em 2013, 90,6% das crianças menores de 1 ano de idade estavam com a carteira de vacinação em dia. Em 2012, foram registrados 37 577 nascidos vivos, e o índice de mortalidade infantil em até cinco anos de idade era de 13,2‰. Do total de crianças menores de dois anos pesadas pelo Programa Saúde da Família em 2013, 0,8% apresentavam desnutrição. Em 2009, a cidade contabilizava um total de 531 estabelecimentos de saúde, entre hospitais, pronto-socorros e outras entidades, dos quais 105 eram públicos e 426, privados, além de 6 704 leitos hospitalares de internação. Em 2009, Fortaleza contava com o total de 35 hospitais gerais, dos quais onze eram públicos, 21 privados, dois filantrópicos, e um sindical. Além disso, contava com 54 hospitais especializados e oito policlínicas. O total de médicos atuantes na rede de saúde do município era de 13 604, aproximadamente 5,4 para cada mil habitantes. Fortaleza conta com 117 unidades de postos de saúde, três UPAs administradas pelo município e seis administradas pelo estado.
Educação e ciência
Em 2010, o nível do fator educação do Índice de Desenvolvimento Humano fortalezense era mediano, não obstante seu grande avanço, que passou de 0,367 para 0,695 entre 1991 e 2010. Conforme os dados do Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil de 2010, os níveis de escolarização da população adulta de Fortaleza se dividiam como segue: 8,57% não completaram o ensino fundamental ou eram analfabetos, 62,43% tinham o ensino fundamental completo, 45,93% possuíam o ensino médio completo e 13,73%, o superior completo; todos esses índices superiores à média brasileira. O fortalezense médio tinha 10,04 anos esperados de estudo, mais que a estimativa cearense, de 9,82. Segundo o mesmo estudo, 4,14% das crianças com faixa etária de 5 e 6 anos não estavam na escola.
Comunicações
Fortaleza é o berço da primeira publicação impressa do Ceará, o Diário do Governo do Ceará, fundado em 1824 pelo padre Mororó, também seu redator, que tornou-se o veículo oficial da então província no contexto da Confederação do Equador. Na capital também foram inauguradas as primeiras estações de rádio e televisão do estado — a Ceará Rádio Clube, criada no início dos anos 1930 como uma sociedade civil de radiotelefonia, e a TV Ceará, lançada em 1960 pelos Diários Associados. Dos três veículos, apenas a Rádio Clube segue em atividade, operando na faixa AM. A capital cearense é a sede dos principais conglomerados de mídia comerciais do estado: Grupo Cidade de Comunicação, Grupo de Comunicação O Povo, Sistema Jangadeiro de Comunicação e Sistema Verdes Mares. Juntos, os grupos somam no município quatorze estações de rádio e sete de televisão, além de o Grupo O Povo publicar O Povo, o jornal mais antigo do estado, e o Anuário do Ceará, publicação cearense há mais tempo em circulação, fundada em 1872 como Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial da Província do Ceará pelo comendador Joaquim Mendes da Cruz Guimarães. No rádio, a FM 93 e a Jangadeiro FM, ambas com formato popular, revezam-se na liderança em audiência, enquanto a TV Verdes Mares, a TV Cidade e a TV Jangadeiro são afiliadas às três principais redes de televisão do Brasil — respectivamente TV Globo, Record e SBT.
Transportes
Em 2013, Fortaleza possuía uma frota de 908 074 veículos, dos quais 511 109 automóveis, 229 154 motocicletas, 58 352 camionetes, 31 075 camionetas, 21 479 caminhões, 15 557 automóveis utilitários, 6 563 ônibus, 6 507 motonetas, 3 567 caminhões-trator, 3 263 micro-ônibus, além de 21 266 outros tipos de veículo. A densidade de tráfego em horários de pico na cidade é apontada como a quarta maior do país, com 48% de vias congestionadas. A malha cicloviária de Fortaleza é composta por 116,4 km, dos quais 78,8 km são ciclovias e 37,6 km são ciclofaixas. O município conta, ainda, com sistema de bicicletas públicas, o Bicicletar, que possuía 40 estações e 400 unidades em abril de 2015.
Segurança pública e criminalidade
A Polícia Militar do Ceará tem várias companhias e postos de patrulhamento na capital, sendo Fortaleza a sede de vários grupos e escolas da Polícia Militar. A Polícia Civil divide a cidade em 24 distritos policiais. A Guarda Municipal de Fortaleza é a instituição que complementa as atividades de segurança pública em Fortaleza, e seu contingente em 2015 era de cerca de 2 500 agentes. Funciona em Fortaleza a sede do Centro Integrado de Operações de Segurança (CIOPS), órgão estadual de vigilância, controle e assistência emergencial cujo sistema congrega Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal, Autarquia Municipal de Trânsito, SAMU, entre outras instituições.
De acordo com o Plano Diretor de Fortaleza, as Zonas Especiais de Preservação do Patrimônio Paisagístico, Histórico, Cultural e Arqueológico são as regiões do Centro, Parangaba, Alagadiço Novo/José de Alencar, Benfica, Porangabuçu e Praia de Iracema, que abrigam 1 186 imóveis de interesse de preservação. O patrimônio arquitetônico de Fortaleza na forma de bens tombados, contudo, está predominantemente concentrado no centro da cidade. O Farol do Mucuripe está em ruínas. O Ceará e Fortaleza fizeram parte do grupo pioneiro de estados e cidades a adotarem políticas públicas de proteção ao patrimônio imaterial vivo de sua cultura, por meio do programa Mestres da Cultura. O esporte mais popular na cidade é o futebol. O Campeonato Cearense de Futebol, existente desde 1914, tem seus principais jogos na capital. Os times mais notórios da cidade e do estado são o Fortaleza Esporte Clube, Ceará Sporting Club, e o Ferroviário Atlético Clube. Os dois primeiros, os mais tradicionais, disputam a Série A e Série B do Campeonato Brasileiro respectivamente, e são os protagonistas do Clássico-Rei. O Fortaleza Esporte Clube conquistou o Campeonato Cearense de Futebol por 46 vezes, enquanto o Ceará Sporting Club conquistou por 45 vezes, Já o Ferroviário Atlético Clube é o terceiro maior detentor de taças, com 9 títulos. Em competições nacionais os clubes fortalezenses já se destacaram, o Ferroviário foi o primeiro campeão brasileiro da cidade, ao conquistar o título da Série D do Campeonato Brasileiro em 2018, no mesmo ano o Fortaleza foi campeão brasileiro da Série B, os dois clubes são os únicos campeões nacionais da capital cearense.
Museus, teatros e espaços culturais
A vida cultural de Fortaleza é diversificada e fecunda. Muitos artistas, entre escritores, pintores e cantores utilizam os palcos e as praças mais movimentadas da cidade para estimular a cultura regional. Dentre os teatros, os maiores e mais populares são o Theatro José de Alencar, palco dos principais espetáculos da cultura local e universal, o Teatro São José, o Cineteatro São Luiz, Teatro RioMar e Teatro Via Sul. O Museu do Ceará guarda numerosos artefatos da memória fortalezense, entre peças de paleontologia, arqueologia e antropologia indígena, mobiliário, itens das lutas e revoltas populares, da religiosidade e sobre a produção intelectual e a irreverência do cearense. O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura é o principal espaço cultural de Fortaleza. Neste centro, estão localizados o Museu da Cultura Cearense, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará, teatros, um planetário, cinemas, lojas, e espaços para apresentações públicas, além de abrigar, em anexo, a Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, o Porto Iracema das Artes e a Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho.
Literatura e cinema
A principal manifestação literária da história de Fortaleza surgiu no final do século XIX, nos cafés da Praça do Ferreira, conhecida como Padaria Espiritual, pioneira na divulgação de ideias modernas na literatura brasileira que só viriam a ser adotadas nacionalmente no século seguinte, na Semana de 22. As mais principais entidades históricas de alta cultura ainda existentes na cidade são o Instituto do Ceará e a Academia Cearense de Letras, primeira academia de letras criada no Brasil, fundadas em 1887 e 1894, respectivamente. O Instituto do Ceará revelou importantes nomes da historiografia e filosofia nacionais, como Farias Brito e Capistrano de Abreu. Entre os escritores fortalezenses ou ligados à Academia Cearense de Letras que foram membros ou patronos da Academia Brasileira de Letras, estão Gustavo Barroso, Araripe Júnior, José de Alencar, Heráclito Graça, Franklin Távora, Clóvis Beviláqua e Rachel de Queiroz, a primeira mulher a fazer parte da entidade. A Casa de Juvenal Galeno é outra histórica instituição cultural de Fortaleza, que leva o nome de um dos maiores poetas nascidos na cidade, Juvenal Galeno. Nesse espaço cultural, foi criado, em 1969, por Carneiro Portela, o Clube dos Poetas Cearenses. A casa se tornou ilustre pelos festivais de poesia, seminários e saraus de jovens intelectuais fortalezenses.
Moda
O principal nome da moda na cidade é o radicado Lino Villaventura, que, de Fortaleza, projetou-se nacional e internacionalmente e hoje é um dos principais nomes do São Paulo Fashion Week, além de ter sido um dos estilistas fundadores dessa semana de moda. Na cidade, acontecem grandes eventos do setor como o Festival da Moda de Fortaleza, Fortaleza Fashion Week e o Dragão Fashion Brasil, considerado o maior evento de moda do Nordeste e terceiro maior do país. O centro comercial Maraponga Mart Moda é referência nas regiões norte e nordeste em moda autoral, além de abrigar eventos como o Ceará Summer Fashion e o Maraponga 40 Graus. A capital é lugar para onde escoa grande parte do que é produzido em vestuário no Ceará, que por sua vez é reconhecido como um dos mais importantes pólos têxteis do país, fazendo com que a indústria de confecção tenha grande peso na economia metropolitana. Marcas da cidade como a Santana Textiles e sedes de marcas como Esplanada e Otoch detêm considerável influência regional. Produtos de couro e de renda são elementos nucleares da moda local e possuem grande tradição e valor cultural. A moda praia é uma das tendências mais marcantes no vestuário do cidadão fortalezense em função da grande valorização do litoral da cidade e do Ceará como destino de turismo de praia.
Humor
A reflexão presente no Imaginário coletivo acerca do papel do humor na identidade do cearense remonta ao fim do século XIX, quando Adolfo Caminha e Oliveira Paiva cunharam o termo Ceará Moleque, em alusão às brincadeiras e provocações sociais e políticas da população, como, por exemplo, o festival de mentiras do dia 1 de abril, que premiava, no "Cajueiro da Mentira", na Praça do Ferreira, o maior contador de lorotas do Ceará. O Bode Ioiô é outro símbolo da verve fortalezense. O animal ganhou fama na década de 1920 por frequentar lugares públicos, beber cachaça e, além disso, ter sido candidato a vereador da cidade. Após sua morte, o caprino foi empalhado e até hoje está exposto no Museu do Ceará, porém, em 1996, seu rabo foi roubado. Acontecimentos históricos do tipo e a tradição construída por eles ajudaram a desenvolver uma indústria do humor na cidade. Bares, restaurantes e casas especializadas servem de palco aos humoristas mais aclamados pelo público e as praças atraem palhaços e outros artistas do riso.
Música
O forró é o gênero musical mais popular na cidade, explorado por várias casas de shows especializadas e formador de uma robusta indústria de entretenimento em todo o estado. Bandas originadas em Fortaleza, como Mastruz com Leite e Aviões do Forró, foram precursoras e responsáveis pela popularização do forró eletrônico, que promoveu a revalorização da sanfona no gênero e o aproximou à música pop. O forró pé-de-serra, entretanto, ainda detém grande influência cultural e destaque comercial na cidade. Estilos como o rock e suas várias ramificações, blues, jazz, samba, hip hop, entre outras vertentes contemporâneas, também fazem parte da produção cultural de Fortaleza e são frequentes nas noites da cidade. Bandas fortalezenses como Selvagens à Procura de Lei e Cidadão Instigado têm ganhado certa notoriedade ao se apresentarem em festivais como o Rock in Rio e o Lollapalooza. Outro ritmo musical identitário do fortalezense é a lambada, que obteve bastante sucesso na cidade no final da década de 1980.
Gastronomia
A gastronomia de Fortaleza é bastante próxima da culinária típica nordestina, e, localmente, destacam-se pratos tradicionais como o baião de dois, geralmente acompanhado por churrasco de carneiro ou carne de sol. Os frutos do mar são outro ingrediente de pratos típicos da cozinha fortalezense, tais como a moqueca de arraia e as peixadas de cavala e pargo, cujo objetivo original popularmente conhecido era o de recuperar as forças dos jangadeiros que voltavam do alto-mar. O fruto do mar identitário do litoral do estado é o caranguejo. Todas as quintas-feiras, acontece a tradicional "caranguejada", evento no qual restaurantes, bares e barracas de todo o litoral da cidade servem pratos derivados do crustáceo, degustado com a ajuda de um martelinho. O camarão e a lagosta também são iguarias bastante usadas em pratos como o arroz de camarão ou bobó de camarão. No Mercado dos Peixes, no Mucuripe, é possível comprar uma grande variedade de pescados, que podem ser preparados em restaurantes vizinhos. O mais comum é comprar-se camarão e solicitar o preparo ao alho e óleo. Uma forte tradição de Fortaleza é o consumo dessa iguaria no local, ao entardecer dos finais de semana, acompanhando o retorno dos jangadeiros após o dia de pesca.


