Graça Aranha
José Pereira da Graça Aranha foi um escritor e diplomata brasileiro, e um imortal da Academia Brasileira de Letras, considerado um autor pré-modernista no Brasil, sendo um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922. A publicação do romance Canaã foi um dos grandes marcos para o nacionalismo e o pré-modernismo em especial, nos anos 1902 e 1922.
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Filho de Temístocles da Silva Maciel Aranha e uma das filhas do Barão de Aracati, Maria da Glória de Alencastro Graça, cresceu em meio a uma família abastada do Maranhão. Graça Aranha se graduou em direito pela Faculdade do Recife e exerceu cargos na magistratura e na carreira diplomática. Como diplomata, serviu em Londres, com Joaquim Nabuco, e foi ministro na Noruega, Holanda e na França, onde se aposentou. Assumiu o cargo de juiz de direito no Rio de Janeiro, ocupando depois a mesma função em Porto do Cachoeiro (hoje Santa Leopoldina), no Espírito Santo. Nesse município ele buscou elementos necessários para criar sua obra mais importante, Canaã. Esta é um marco do chamado pré-modernismo, publicada em 1902, junto com a obra Os Sertões, de Euclides da Cunha. Graça Aranha apresentou uma visão filosófica e artística assimilada de fontes muito diferentes e às vezes contraditórias. A 17 de julho de 1919, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada; a 1 de março de 1920, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Cristo, ambos das ordens honoríficas portuguesas.
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Graça Aranha casou-se com Maria Genoveva de Araújo ainda jovem, em um contexto típico da elite brasileira do final do século XIX. Maria Genoveva também era natural do Maranhão e o casamento uniu duas famílias de prestígio social. A união foi formal e duradoura, ao menos em termos legais. O casal teve quatro filhos: Almira, Eduardo, Helena Graça Aranha e Theomístócoles da Graça Aranha. Sendo que Almira e Eduardo faleceram ainda na infância. Helena se tornou médica e Theomístócoles advogado. Posteriormente, Graça Aranha teve um relacionamento amoroso com Nazareth Prado, mesmo ambos sendo casados com outras pessoas. Cartas trocadas entre Graça Aranha e Nazareth Prado entre 1911 e 1927 foram publicadas no livro "Cartas de amor" em 1935, após a morte do escritor. Em 1928, Graça Aranha e Nazareth Prado passaram a viver juntos. O escritor conheceu Nazaré Prado, que era irmã de Paulo Prado, por volta de 1904, após retornar ao Brasil de uma missão diplomática na Europa. Na época, Nazaré era casada com Oduvaldo Pacheco e Silva. Apesar das convenções sociais, os dois iniciaram um relacionamento amoroso que perdurou por mais de duas décadas, até a morte do escritor em 1931.
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Foi um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1897, ocupando a cadeira número 38. À altura Graça Aranha não havia publicado o seu livro Canaã, o que o torna o único dos fundadores da ABL a nela ingressar sem nenhuma obra publicada, o que contraria o seu estatuto.
Rompimento:
Após retornar ao Brasil depois de anos servindo como diplomata na Europa, Graça Aranha se aproximou dos jovens modernistas que buscavam uma renovação na arte brasileira. Ele participou ativamente da Semana de Arte Moderna de 1922, proferindo a conferência de abertura intitulada "A Emoção Estética na Arte Moderna". Sua presença foi vista como um importante apoio intelectual ao movimento modernista. Em 1924, Graça Aranha proferiu uma conferência chamada "O Espírito Moderno" na própria ABL. Neste discurso, ele criticou duramente a Academia, acusando-a de ser conservadora, de constranger a livre inspiração e de tolher o jovem talento. "Se a Academia se desvia desse movimento regenerador, se a Academia não se renova, morra a Academia!".


