Pesquisa · Mapa mental

Adonias Filho

Adonias Aguiar Filho foi um integralista, jornalista, crítico literário, ensaísta e romancista brasileiro da terceira fase do Modernismo, membro da Academia Brasileira de Letras.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/06/2026
01

Vida

Nasceu em 27 de novembro de 1915, filho de Adonias Aguiar e de Rachel Bastos de Aguiar, na Fazenda São João, em Itajuípe, antigo Pirangi, vila que pertencia ao município de Ilhéus, no sul da Bahia. Passou parte da infância na fazenda do pai e, na época de frequentar a escola, mudou-se com a família para Ilhéus. Cursou o ensino primário no Ateneu Fernando Caldas. Era aluno pouco aplicado, e frequentemente trocava as aulas pelas praias. Passava as férias e os finais de semana na fazenda do pai, em contato com os trabalhadores rurais e as histórias narradas pela gente simples das plantações de cacau. Matriculou-se em 1928 no internato do Ginásio Ipiranga, em Salvador, para o curso secundário, sendo contemporâneo de Jorge Amado. Um ano depois, interrompeu os estudos e voltou à Fazenda São João. Durante esse tempo, leu Camilo Castelo Branco, Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar e estreitou suas relações com os trabalhadores da terra, enfronhando-se na vida rural.

02

Estilo

Pela concisão, ritmo sincopado, metáforas e transfiguração poética, Adonias Filho é considerado um dos escritores mais originais da literatura brasileira. A realidade da zona cacaueira da Bahia, onde nasceu e cresceu, serviu-lhe para recriar um mundo carregado de simbolismo, quase mítico, nos episódios e nos personagens, recorrendo a imagens e alegorias, apesar de um fundo de realismo no aproveitamento das conquistas da técnica literária moderna. Além de admitir uma dívida com o modernismo brasileiro, suas obras revelam influência de William Faulkner e James Joyce, bem como de Fiódor Dostoiévski, Honoré de Balzac, Julien Green, Charles Dickens, Jakob Wassermann, Georges Bernanos e Albert Camus. Teve uma curva ascensional na atividade como ficcionista, aprimorando seu estilo com a experiência de cada publicação. No centro das obras de Adonias Filho, está uma concepção original da literatura. Exposta pela primeira vez no jornal oficial da Ação Integralista Brasileira, A Offensiva, ela se originou como um desenvolvimento da “revolução integralista” no campo das artes, e teria tido seu ponto de partida, segundo ele, na obra literária de Plínio Salgado, alcançando o apogeu na Tragédia burguesa de Otávio de Faria. Como então definiu: “O novo romance do Brasil deve fugir às pesquisas exteriores e penetrar no abismo humano e ficar analisando os sofrimentos, as torturas, a tragédia total que aí se esconde. Viver dentro do homem, forçando explicar o mistério do ser. Deve, em palavra extrema, imprimir uma ruptura, separar a esfera da exterioridade do círculo que se requer no presente: círculo de criação. Deve afirmar a criação. Ser revolucionário”. Desse modo, ele combatia o que chamava de “tradição antiga da narrativa direta e objetiva de episódios”, “responsável pelo excesso de detalhes e de pormenores inúteis, de movimento lerdo, de focalização paisagística sempre fatigante”. Segundo ele, o romance deve ter três pilares: o conteúdo sociológico, a investigação psicológica e a manifestação metafísica. Longe de apenas relatar os fatos, a ficção deveria descer ao plano interno da ação da personagem, à sua movimentação mental (o solilóquio, o monólogo, o jogo de raciocínio), evidenciando-a na sua “discussão interior” e de acordo com as reações, condutas, estado emocional e a caracterização dos comportamentos individuais. Ao mesmo tempo, era necessário um sentido metafísico, de modo a delinear a decifração apocalíptica da carne, a dramática imersão para atingir as raízes do coração humano e o uso da liberdade. Assim, Adonias era “um analista de almas, de espaços interiores”, concentrando-se na condição do homem enquanto homem, “em seu estado exacerbado de aflição”, o que lhe leva a ser usualmente comparado a Dostoiévski. Isso dá aos seus romances uma “aguda penetração psicológica”, tendo Cyro de Mattos o considerado “um dos maiores intérpretes da natureza humana”.

03

Academia Brasileira de Letras

Adonias Filho foi consagrado com o título de imortal pela Academia Brasileira de Letras em 14 de janeiro de 1965, em sucessão a Álvaro Moreyra. Tomou posse na cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras em 28 de abril de 1965, pelas mãos do acadêmico e amigo Jorge Amado. É o quinto ocupante da cadeira 21, que tem por patrono Joaquim Serra. Na ABL recebeu a Acadêmica Rachel de Queiroz e os Acadêmicos Otávio de Faria, Joracy Camargo e Mauro Mota.

04

Prêmios

Adonias Filho conquistou os seguintes prêmios:[carece de fontes?]

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando