Francisco de Goya
Francisco José de Goya y Lucientes foi um pintor e gravador espanhol. É considerado o mais importante artista espanhol do final do século XVIII e começo do século XIX.
Primeiros anos
Goya nasceu em Fuendetodos, Aragão, em 30 de março de 1746. Era filho de José Benito de Goya y Franque e de Gracia y Lucientes Salvador. A família tinha se mudado naquele ano para a cidade de Saragoça, onde provavelmente seu pai recebeu trabalho. José era filho de um tabelião de origem basca, cujos ancestrais eram originários de Zerain. José ganhava a vida como dourador, especializado em arte sacra e decoração de igrejas. Foi ele quem supervisionou a ornamentação durante a reconstrução da Catedral-Basílica de Nossa Senhora do Pilar. Francisco era o quarto filho do casal, sendo precedido por Rita (n. 1737), Tomás (n. 1739) e Jacinta (n. 1743). Depois de Francisco nasceram também Mariano (n. 1750) e Camilo (n. 1753).
Aos 14 anos, Goya estudou com o pintor José Luzán, copiando estampas durante quatro anos, até se decidir a trabalhar por conta própria. Ele se mudou para Madrid, onde estudou com Anton Raphael Mengs, um popular pintor da nobreza na época. Goya teve discussões com seu mentor depois que ele lhe deu notas baixas. Goya então submeteu seus trabalhos para a Real Academia de Belas-Artes de São Fernando, em 1763 e 1766, mas teve sua admissão na academia negada em ambas as vezes. Roma era então a capital cultural da Europa e detinha todos os protótipos da antiguidade clássica, enquanto a Espanha carecia de uma direção artística coerente, com todas as suas realizações visuais significativas no passado. Não tendo conseguido ganhar uma bolsa de estudos, Goya mudou-se às suas próprias custas para Roma, na velha tradição de artistas europeus que remonta pelo menos a Albrecht Dürer. Ele era um desconhecido na época e, assim, os registros são escassos e incertos. Os primeiros biógrafos o contam viajando para Roma com um grupo de toureiros, onde trabalhou como acrobata de rua, ou para um diplomata russo, ou que se apaixonou por uma bela jovem freira que ele planejou sequestrar de seu convento. É possível que Goya tenha concluído duas pinturas mitológicas durante tal visita, um Sacrifício a Vesta e um Sacrifício a Pan, ambos datados de 1771.
O casamento, a adesão de Francisco Bayeu à Real Academia de Belas-Artes de São Fernando em 1765 e a direção das obras de tapeçaria de 1777 ajudaram Goya a receber uma encomenda para uma série de tapeçarias para a "Real Fábrica de Tapices". Ao longo de cinco anos, ele projetou cerca de 42 padrões, muitos dos quais foram usados para decorar e isolar as paredes de pedra de El Escorial e do Palácio Real d'O Pardo, as residências dos monarcas espanhóis. Embora desenhar tapeçarias não fosse prestigioso nem bem pago, seus desenhos alegres em estilo rococó se tornaram populares, e Goya os usou para chamar a atenção para si mesmo. Estas não foram suas únicas encomendas. Ele recebeu pedidos para gravuras, muitas delas cópias de antigos mestres como Marcantonio Raimondi e Velázquez. Este último era um tópico complicado para Goya. Embora muitos de seus contemporâneos considerassem uma insanidade as tentativas de Goya de copiá-lo e imitá-lo, ele teve acesso a uma ampla gama de obras do pintor há muito falecido que estavam depositadas na coleção real. Seja como for, a gravura era um meio que o jovem artista deveria dominar, um meio que revelaria tanto as verdadeiras profundezas de sua imaginação quanto suas crenças políticas.
Em 1783, José Moñino y Redondo, um favorito do rei Carlos III, encomendou a Goya um retrato seu. Ele acabou se tornando amigo do meio irmão do rei, Luís, Conde de Chinchón, com quem passou dois verões trabalhando em retratos para Luís e sua família. Na década de 1780, seu círculo de patronos incluíam María Josefa Pimentel, Duquesa de Osuna, o próprio rei e outros nobres notáveis da corte. Em 1786, Goya passou a receber um salário como pintor oficial do rei Carlos III. Em 1789, Goya foi indicado como pintor da corte do rei Carlos IV e no ano seguinte se tornou o principal pintor, com direito a um alto salário. Ele pintou retratos do rei e de sua rainha, do primeiro-ministro espanhol, Manuel de Godoy, entre outros nobres. Goya recebia encomendas de vários membros do alto escalão do governo e da corte, como Pedro Téllez-Girón, 1.º duque de Osuna e sua esposa, María Josefa, 12ª Condessa de Benavente, e de José Álvarez de Toledo, Duque de Alba e sua esposa, María Cayetana de Silva. Em 1801, ele pintou Godoy para comemorar a vitória da Espanha na breve Guerra das Laranjas, contra Portugal. Os dois eram amigos e o retrato de Godoy é visto, normalmente, como uma sátira. Acredita-se que tenha sido Godoy quem encomendou La maja desnuda.
Durante a última parte de sua vida, Goya cobriu as paredes de sua Quinta del Sordo com as famosas pinturas negras, as últimas e mais misteriosas de seu gênio atormentado, como "Saturno devorando um filho" (1819–1823) que se encontra atualmente no Museu do Prado. Esta pintura constitui uma referência aos conflitos internos de Espanha, durante o reinado absolutista de Fernando VII, mas será também um reflexo da degradação da sua saúde física e mental. Conhecido como "Goya, o Turbulento" e considerado às vezes como "o Shakespeare do pincel", suas produções artísticas incluem uma ampla variedade representativa de retratos, paisagens, cenas mitológicas, tragédia, comédia, sátira, farsa, homens, deuses e demônios, feiticeiros, e um pouco do obsceno.
Em 1824, Goya exilou-se em Bordéus, França. Ele morreu em 16 de abril de 1828, aos 82 anos. Ele hoje se encontra sepultado em San Antonio del la Florida, Madrid na Espanha.
São conhecidas 432 obras de Goya, dispersas por 95 pontos do planeta, em 221 instituições públicas e privadas.


