Georges Braque
Georges Braque foi um influente pintor, colagista, desenhista, gravurista e escultor francês do século XX. Sua carreira foi marcada por uma aliança inicial com o Fauvismo a partir de 1905 e, mais notavelmente, pelo papel fundamental que desempenhou no desenvolvimento do Cubismo. Entre 1908 e 1912, o trabalho de Braque esteve intimamente ligado ao de Pablo Picasso, com suas obras cubistas sendo quase indistinguíveis por muitos anos. Apesar de sua natureza mais reservada, que foi ofuscada pela fama de Picasso, as contribuições de Braque foram essenciais para a vanguarda artística.
Pontos-chave
- Georges Braque foi um artista francês multifacetado, com contribuições significativas para o Fauvismo e o Cubismo.
- Seu trabalho entre 1908 e 1912 foi crucial para o desenvolvimento do Cubismo, em colaboração estreita com Pablo Picasso.
- Braque iniciou sua carreira com obras impressionistas, mas adotou o estilo fauvista após ver a exposição dos 'Fauves' em 1905.
- A retrospectiva de Paul Cézanne em 1907 influenciou profundamente Braque e outros artistas, impulsionando o surgimento do Cubismo.
- Braque focava em objetos comuns e na exploração de múltiplas perspectivas, buscando um espaço tátil em suas naturezas-mortas.
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Nascido em 13 de maio de 1882 em Argenteuil, Val-d'Oise, Georges Braque cresceu em Le Havre. Ele seguiu os passos de seu pai e avô, treinando como pintor de paredes e decorador. Contudo, sua paixão pela arte o levou a estudar pintura artística à noite na Escola Superior de Arte e Design de Le Havre-Rouen (c. 1897-1899). Em Paris, após um aprendizado como decorador e obtenção de seu certificado em 1902, ele frequentou a Académie Humbert até 1904, onde conheceu Marie Laurencin e Francis Picabia.
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As primeiras obras de Braque tinham uma pegada impressionista, mas tudo mudou em 1905, quando ele foi impactado pela exposição do grupo 'Fauves' (Feras). Adotando o estilo fauvista, que incluía artistas como Henri Matisse e André Derain, Braque passou a usar cores vibrantes para expressar emoções. Ele colaborou mais de perto com Raoul Dufy e Othon Friesz, ambos de Le Havre, desenvolvendo um fauvismo mais contido. Em 1906, viajou com Friesz para L'Estaque e Antuérpia para pintar, e em maio de 1907, expôs com sucesso suas obras fauvistas no Salão dos Independentes. No mesmo ano, seu estilo começou a evoluir sob a influência de Paul Cézanne, cuja retrospectiva póstuma em setembro de 1907 em Paris teve um impacto profundo na vanguarda, culminando no surgimento do Cubismo.
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Entre 1908 e 1912, as pinturas de Braque refletiram seu crescente interesse pela geometria e pela perspectiva simultânea. Ele investigou intensamente os efeitos da luz, da perspectiva e as técnicas artísticas para representá-los, desafiando as convenções. Em suas cenas de vilas, por exemplo, Braque reduzia estruturas arquitetônicas a formas geométricas cúbicas, mas as sombreava de forma a parecerem planas e tridimensionais simultaneamente, fragmentando a imagem, como visto em 'Casas em l'Estaque'. A partir de 1909, Braque iniciou uma colaboração intensa com Pablo Picasso, que também desenvolvia um estilo proto-cubista. Enquanto Picasso era influenciado por Gauguin, Cézanne, máscaras africanas e escultura ibérica, Braque focava nas ideias de Cézanne sobre múltiplas perspectivas. A colaboração entre Braque e Picasso, ambos residentes de Montmartre, Paris, foi um esforço conjunto na invenção do Cubismo a partir de 1908. Eles produziram pinturas monocromáticas com padrões complexos de formas facetadas, estilo que ficou conhecido como Cubismo Analítico.
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Braque retomou a pintura no final de 1916 e, trabalhando sozinho, começou a suavizar a abstração rigorosa do Cubismo. Ele desenvolveu um estilo mais pessoal, caracterizado por cores vibrantes, superfícies texturizadas e, após sua mudança para a costa da Normandia, o retorno da figura humana. Durante esse período, pintou muitas naturezas-mortas, mantendo sua ênfase na estrutura, como exemplificado em 'Guitarra Azul' (1943), que está no Museu de Arte Allen Memorial. Durante sua recuperação, tornou-se amigo íntimo do artista cubista Juan Gris. Braque continuou a trabalhar ao longo de sua vida, produzindo um número considerável de pinturas, artes gráficas e esculturas. Ele é creditado, junto com Matisse, por apresentar Pablo Picasso a Fernand Mourlot, e muitas de suas litografias e ilustrações de livros das décadas de 1940 e 1950 foram produzidas nos Mourlot Studios. Em 1952–53, criou 'Os Pássaros', uma pintura de teto para uma sala no Louvre. Em 1962, colaborou com Aldo Crommelynck na série de águas-fortes e águas-tintas 'L’Ordre des Oiseaux', acompanhada por textos de Saint-John Perse.
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Braque acreditava que a beleza era experimentada pelo artista "em termos de volume, de linha, de massa, de peso", e através dela, o artista interpretava sua impressão subjetiva. Ele via a fragmentação de objetos como uma forma de se aproximar deles, ajudando a estabelecer espaço e movimento. Adotou uma paleta de cores monocromática e neutra para enfatizar o tema. Embora tenha começado com paisagens, Braque, ao lado de Picasso, descobriu as vantagens das naturezas-mortas por volta de 1908. Ele explicou que a natureza-morta oferece um "espaço tátil, quase manual", que satisfazia seu desejo de "tocar as coisas e não apenas vê-las". Nesse espaço tátil, a distância entre o artista e o objeto é medida, em contraste com o espaço visual, que mede a distância entre os objetos. Essa percepção o levou das paisagens para as naturezas-mortas, que também eram mais acessíveis para explorar múltiplas perspectivas. Seu interesse por naturezas-mortas ressurgiu na década de 1930.
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Em 20 de maio de 2010, o Museu de Arte Moderna de Paris foi alvo de um roubo noturno. Cinco pinturas de sua coleção foram levadas: 'Le Pigeon aux petits pois' (Pombo com Ervilhas) de Pablo Picasso, 'La Pastorale' de Henri Matisse, 'L'Olivier Près de l'Estaque' (Oliveira perto de Estaque) de Georges Braque, 'La Femme à l'Éventail' (Mulher com Leque) de Amedeo Modigliani e 'Nature Morte aux Chandeliers' (Natureza-morta com Castiçais) de Fernand Léger. O valor total das obras foi estimado em €100 milhões (US$123 milhões). Imagens de CCTV mostraram um homem mascarado quebrando uma janela e levando as pinturas. As autoridades acreditam que o ladrão agiu sozinho, removendo cuidadosamente as telas de suas molduras, que foram deixadas para trás.


