Francisco Sá Carneiro
Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro GCTE • GCC • GCIH • GCL foi um advogado e político português, fundador e líder do Partido Popular Democrático/Partido Social Democrata, e ainda primeiro-ministro de Portugal, durante cerca de onze meses, no ano de 1980.
Nascido no Porto a 19 de julho de 1934, cresceu no seio de uma família católica da alta burguesia do Porto. O quinto de oito irmãos, era filho do advogado José Gualberto Chaves Marques de Sá Carneiro (1897-1978), natural de Barcelos, e de Maria Francisca Judite Pinto da Costa Leite (1908-1989), natural de Salamanca, filha do 2.º Conde de Lumbrales. Era sobrinho materno do professor João Pinto da Costa Leite (Lumbrales), que foi ministro de Salazar.
Vida pessoal
Casou-se catolicamente com Isabel Maria Ferreira Nunes de Matos (1936), em 1957. Deste matrimónio houve cinco filhos: Francisco (1958), Isabel Maria (1959), Maria Teresa (1961), José (1963) e Pedro (1964). A 6 de Janeiro de 1976, Sá Carneiro conheceu pessoalmente Snu Abecassis, sua editora, por quem se apaixonou. Pouco tempo depois, separou-se da sua mulher e foi viver com Snu, até à data da sua morte.
Licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1956, dedicou-se ao exercício da advocacia, abrindo escritório na Rua da Picaria, no Porto. Foi também diretor da Revista dos Tribunais, que fora fundada, entre outros, pelo seu pai, o advogado Gualberto de Sá Carneiro.
Durante o Estado Novo
Francisco Sá Carneiro despertou para a política através do catolicismo, tendo sido elemento ativo das Equipes de Nossa Senhora no Porto, altura em que se interessou pelas ideias otimistas de Teilhard de Chardin, bem como pelas doutrinas personalistas de Emmanuel Mounier. A seguir envolveu-se em atividades cívicas, nomeadamente como promotor de conferências na Cooperativa Confronto, que viria a ser encerrada pela PIDE. Em 1968, com a chegada ao poder de Marcello Caetano, Sá Carneiro destacou-se como impulsionador do pedido ao novo Presidente do Conselho para que permitisse o regresso a Portugal do bispo D. António Ferreira Gomes à Diocese do Porto. D. António tinha sido impedido de entrar no país, depois de ter entrado em confronto com Salazar, com a célebre Carta a Salazar. Marcello Caetano viria a permitir o regresso de D. António, uma atitude que inspirou alguma expetativa de abertura do Estado Novo à democracia.
Pós 25 de Abril de 1974
Em maio de 1974, após a Revolução dos Cravos, fundou o Partido Popular Democrático (PPD), juntamente com Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota. Tornou-se o primeiro secretário-geral do partido e, em outubro de 1976, após a reforma dos estatutos, o primeiro presidente do partido, que então passou a designar-se Partido Social Democrata (PSD). Foi Ministro sem pasta e Ministro Adjunto do Primeiro-ministro no I Governo Provisório, seria eleito deputado à Assembleia Constituinte em 1975 e, em 1976, eleito deputado (na I Legislatura) à Assembleia da República. Em novembro de 1977, demitiu-se da presidência do partido, mas seria reeleito no ano seguinte para desempenhar a mesma função.
Faleceu na noite de 4 de dezembro de 1980, uma quinta-feira, em circunstâncias nunca completamente esclarecidas, quando o avião no qual seguia se despenhou em Camarate, pouco depois da descolagem do aeroporto de Lisboa, quando se dirigia ao Porto para participar num comício de apoio ao candidato presidencial da coligação, o general António Soares Carneiro. Além de Sá Carneiro, Snu Abecassis, o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa e a sua mulher Maria Manuela Pires, o seu chefe de Gabinete, António Patrício Gouveia, os pilotos Jorge Albuquerque e Alfredo de Sousa também morreram. Nesse mesmo dia, gravara uma mensagem de tempo de antena onde exortava ao voto no candidato apoiado pela AD, ameaçando mesmo demitir-se caso Soares Carneiro perdesse as eleições (o que viria de facto a suceder três dias mais tarde, sendo assim o General Eanes reeleito para o seu segundo mandato presidencial). Dada a sua trágica morte, noticiada ao país na RTP por Diogo Freitas do Amaral, pode-se muito bem especular sobre se se teria ou não demitido em função dos acontecimentos subsequentes. Testemunhas afirmaram ter visto pedaços a cair do avião momentos depois de ele descolar. Os rumores continuaram a alimentar teorias conspiratórias de que o acidente foi na verdade um assassinato , mas nenhuma evidência sólida veio à tona. Houve até diferentes teorias sobre quem poderia ter sido alvo de tal assassinato, pois Francisco de Sá Carneiro viajava com o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa , que disse ter documentos relativos à conspiração surpresa de Outubro que planeava levá-los à Assembleia Geral das Nações Unidas. Um inquérito parlamentar disse em 2004 que havia evidências de uma bomba na aeronave, depois que um inquérito de 1995 concluiu que havia evidências de sabotagem.
Começou a sua vida política na juventude da Ação Católica, sendo a sua primeira atividade cívica enviar uma carta a Marcello Caetano a pedir o retorno de António Ferreira Gomes, o bispo do Porto exilado e pró-democrata. Provavelmente, teve ligações a organizações católicas sindicalistas e ao Socialismo cristão em geral. Foi bastante influenciado pelo Personalismo católico e pelo Humanismo (em especial na sua versão cristã). Tentou adaptar as ideias social-democratas de Eduard Bernstein, Karl Kautsky e do SPD pós-1945 ao contexto cultural português e à sua sociedade tradicionalmente católica. O Programa Godesberg teve uma importante influência no seu pensamento social-democrata e tornou-se modelo para o seu partido, com o seu corte com o socialismo marxista. Embora tivesse um partido anticoletivista e antiestatista com ênfase nos direitos pessoais e deveres, que foi responsável pela privatização dos setores industriais nacionalizados durante o período revolucionário, aumentou a despesa social durante o seu mandato, apoiou a Reforma agrária no Alentejo e tinha orgulho em que o seu partido fosse adotado por trabalhadores e operários da classe média e da classe média-baixa e que o seu partido defendesse "a construção de uma sociedade socialista em liberdade". Devido a todas estas especificidades, chamou à ideologia do seu partido "Social-democracia portuguesa".
Homenagens
O Aeroporto do Porto, na área metropolitana homónima e para onde Sá Carneiro viajava aquando da sua morte, adotou em 1990 o seu nome.
Condecorações
Sá Carneiro foi condecorado a título póstumo com diversas ordens honoríficas:
Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse
Foi autor de várias obras, das quais se destacam:


