Adelino da Palma Carlos
Adelino Hermitério da Palma Carlos GCC • GCIH • GOL • OAP foi um professor universitário, advogado e político português. Personalidade forte, inteligente, culto e de extraordinária capacidade de trabalho, foi primeiro-ministro do I Governo Provisório. Como 11.º bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses teve um importante papel na consolidação institucional e na internacionalização daquela corporação. Foi grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, a principal organização da maçonaria portuguesa. Foi fundador do escritório de advogados actualmente designado de A. Palma Carlos.
Adelino da Palma Carlos nasceu a 3 de março de 1885 e foi batizado na freguesia de São Pedro, Faro. Era filho de Manuel Carlos, monárquico, solicitador forense e mais tarde professor, natural de Olhão (freguesia de Fuzeta), e de sua mulher Auta Vaz Velho da Palma, professora, natural da freguesia e concelho de Albufeira. O casal tinha mais cinco filhos, incluindo o Engenheiro Armando da Palma Carlos, Comendador da Ordem Militar de Cristo a 21 de Junho de 1949, Excelentíssimo Senhor Grã-Cruz da Ordem do Mérito Civil de Espanha a 4 de Maio de 1967 e Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique a 9 de Maio de 1967, e o Dr. Manuel João da Palma Carlos, Grã-Cruz da Ordem da Liberdade a título póstumo a 9 de Junho de 2000. Estudou em Lisboa, na Escola Académica e no Liceu Passos Manuel, onde foi eleito presidente da Associação Académica. Terminou o ensino secundário em 1921 matriculando-se nesse ano no curso de Direito da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Licenciou-se naquela Universidade em 3 de Novembro de 1926, com a nota final de 18 valores. Em 1923, ainda estudante, foi um dos fundadores da Liga da Mocidade Republicana, juntamente com Rodrigues Miguéis e Fernando Mayer Garção. Pela mesma altura foi escolhido para delegado da Faculdade à Federação Académica.
A presidência da Ordem dos Advogados
Foi eleito vogal do conselho geral da Ordem dos Advogados Portugueses em 1945, assumindo então a direcção da Revista da Ordem dos Advogados, função em que se manteve até 1956. Em 1948 ascendeu a vice-presidente da Ordem dos Advogados e a Presidente do Instituto da Conferência da mesma ordem e de 1951 a 1956 dirigiu a Ordem dos Advogados Portugueses, sendo o primeiro advogado a ocupar por mais de um triénio a presidência da corporação como seu 11.º bastonário. Nessas funções, em 1955, integrou a comissão revisora do Código Penal. Tendo como presidente do Conselho Superior o Dr. Carlos Zeferino Pinto Coelho, durante o seu bastonato imprimiu uma importante dinâmica à corporação, aproximando-a de instituições internacionais congéneres e imprimindo-lhe uma notável acção cultural. Nesse âmbito na sessão de 21 de Março de 1951, o Conselho Geral da Ordem dos Advogados Portugueses deliberou comemorar o 25.º aniversário da sua fundação, as bodas de prata da corporação. As comemorações realizaram-se a 27 e 28 de Outubro, tendo-se efectuado neste último dia, uma sessão solene presidida pelo Presidente da República, general Francisco Craveiro Lopes, com a presença dos órgãos representativos da advocacia nos países latinos.
Funções governativas
Foi a este prestigiado advogado de ideias democratas e liberais que o general António de Spínola, nomeado presidente da República, recorreu para chefiar o primeiro governo saído da revolução de 25 de Abril de 1974. Para chefiar o governo saído da revolução de 25 de Abril o Movimento das Forças Armadas propôs os nomes de Pereira de Moura, Raul Rego ou Miller Guerra. O Presidente Spínola não concordou. Ainda convidou o ex-ministro Veiga Simão, mas acabou por nomear Adelino da Palma Carlos, que lhe fora sugerido pelos dirigentes do Grande Oriente Lusitano. O então designado I Governo Provisório tomou posse a 16 de Maio de 1974, sucedendo nas funções governativas à Junta de Salvação Nacional formada no dia da revolução, e teve como ministros personalidades como Mário Soares e Francisco Sá Carneiro, com quem tinha uma relação social de grande empatia e cordialidade.
Período final
Foi fundador de um partido político designado Partido Social-Democrata Português (PSDP), em 1975 (o qual não tinha que ver com o atual Partido Social-Democrata, aliás designado à época por Partido Popular Democrático). Após a restauração das liberdades cívicas e fim da proscrição da maçonaria, liderou o Grande Oriente Lusitano como Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho dos Inspectores-Gerais do Supremo Conselho do 33.º grau do Rito Escocês Antigo e Aceite para Portugal e sua jurisdição entre 1977 e 1981. Presidiu à comissão de honra e foi mandatário nacional da candidatura do general António Ramalho Eanes na sua reeleição à Presidência da República, a 8 de Dezembro de 1980, e em 1984 fez parte da comissão de honra nomeada para comemorar o décimo aniversário da Revolução dos Cravos.
Imagem: Gentlemen in Business and Politics · PDM · Openverse
Para além de ter colaborado em várias publicações periódicas, entre as quais A Comédia (Lisboa, 1921–1924), O Corvo (Évora, 1921–1976), Correio Teatral (Faro, 1923–1924), De Portugal (Lisboa, 1924–1925), Fórum (Lisboa, periódico jurídico do qual foi director a partir de 1932), e da sua vasta produção científica, publicou, entre muitos outros trabalhos, os seguintes:


