Euskadi Ta Askatasuna
Euskadi Ta Askatasuna, mais conhecido pela sigla ETA, foi uma organização nacionalista basca que evoluiu para a violência armada e o terrorismo. É a principal organização do auto-intitulado Movimento de Libertação Nacional Basco e o principal ator do chamado conflito basco.
Os integrantes do ETA são denominados etarras, um neologismo criado pela imprensa espanhola a partir do nome da organização e do sufixo basco com o qual se formam os gentílicos no idioma. Em basco a denominação é etakideak, plural de etakide (membro do ETA). Os membros e partidários do movimento frequentemente utilizam o termo gudariak, que significa guerreiros ou soldados. Outra denominação comum para os etarras é Aizkolari que significa lenhador fazendo referência ao símbolo do grupo que é uma serpente envolvida em um machado e também à tradição dos lenhadores bascos.
Em 1952 organiza-se um grupo universitário de estudos chamado "Ekin" ('empreender' em basco), em Bilbao. Em 1953, o grupo entra em contato com a organização juvenil do Partido Nacionalista Basco (PNB), Euzko Gaztedi. Em 1956 as duas associações fundem-se. Dois anos mais tarde, em 1958, os grupos separam-se por divergências internas, sendo que o Ekin converte-se em ETA no dia 31 de julho de 1959. Por questões ideológicas, o ETA desliga-se do PNB, passando a adotar a ação direta como estratégia de resistência, na mesma época em que diversos povos do hemisfério sul lutavam por independência. A primeira assembleia do ETA ocorreu no mosteiro beneditino de Belloc, em maio de 1962, sendo as resoluções: Ao longo da sua actividade a ETA desenvolveu vários contactos com organizações terroristas internacionais de diferentes países. Em Portugal, já final dos anos 60, a LUAR grupo terrorista Português, que combatia a ditadura, intermediou os contactos que permitiram que a ETA comprasse armamento na antiga República da Checoslováquia. A LUAR viria mais tarde a ceder parte dos passaportes roubados no assalto ao consultado de Portugal e Roterdão e no Luxemburgo, ocorridas em 1971. Estes foram usados pela ETA na operação Ogro que resultou na morte do Almirante Carrero Blanco. Posteriormente, já em 1981, quando Portugal e Espanha viviam já em plena democracia, a ETA permutou armas, explosivos e forneceu apoio logístico às FP-25, um grupo terrorista de extrema-esquerda portuguesa. Em 1981 as FP-25 receberam explosivos Gama 2 e duas dezenas de pistolas FireBird por troca de metralhadoras G3. Adicionalmente a ETA chegou a abrigar no Pais Basco, dois terroristas das FP-25 que necessitavam de recuo.
Primeiras assembleias e primeiros atentados
Os membros conseguem uma definição maior da ideologia da ETA a partir da II Assembleia, que define as afinidades da ideologia do movimento com o comunismo. Esta assembleia foi realizada em Bayona, na primavera de 1963. Na III Assembleia, que ocorreu entre abril e maio de 1964, decidiu-se que a luta armada era a melhor maneira de alcançar os seus objetivos. A resolução foi publicada mais tarde no periódico "La Insurrección" e, País Basco. Nesta assembleia também se decidiu, por unanimidade, a ruptura final com o PNB, que para o ETA, "contrariava os interesses da libertação nacional". É difícil definir qual foi o primeiro atentado do ETA, já que os primeiros não foram assumidos. Em todo caso, o primeiro atentado assumido pela ETA foi a morte do agente da guarda civil José Pardines Arcay, em 7 de junho de 1968.
Fim da organização
De acordo com um vídeo lançado pela estação televisiva britânica BBC em 5 de setembro de 2010, o ETA não "levará a cabo mais ações militares". Em 10 de janeiro de 2011 um anúncio do ETA informou que irá adotar um cessar-fogo “permanente, geral e verificável”. Em 20 de outubro de 2011 a organização emitiu um comunicado anunciando o fim de suas atividades após 51 anos, durante os quais provocou mais de 800 mortos. O abandono da luta armada pela ETA aconteceu no momento em que a organização estava mais débil, devido ao seu crescente isolamento social no País Basco, pela demarcação progressiva do seu braço político, e à pressão policial que, em Espanha e França, destruiu a capacidade operacional dos seus comandos.


