Pesquisa · Mapa mental

Acervo da Anna

O Anna's Archive é um motor de busca de código aberto para bibliotecas-sombra, lançado pela pseudónima Anna pouco depois das operações policiais que levaram ao encerramento da Z-Library em 2022. O sítio agrega registos da Z-Library, do Sci-Hub e do Library Genesis (LibGen), entre outras fontes. Autodenomina-se "a maior biblioteca verdadeiramente aberta da história da humanidade", e declarou ter como objetivo "catalogar todos os livros existentes" e "acompanhar o progresso da humanidade para tornar todos esses livros facilmente disponíveis em formato digital". Alega não ser responsável por descarregamentos de obras protegidas por direitos de autor, uma vez que não aloja diretamente quaisquer ficheiros, limitando-se a fornecer ligações para descarregamentos de terceiros. Não obstante, tem sido alvo de ações legais por violação de direitos de autor em larga escala, enfrentando bloqueios governamentais e processos judiciais por parte de titulares de direitos e associações comerciais de editores.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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História

Imagem: Arquivo Nacional do Brasil · PDM · Openverse

O Anna's Archive surgiu do projeto Pirate Library Mirror (PiLiMi), uma iniciativa anónima de espelhamento de bibliotecas-sombra que completou uma cópia integral da Z-Library em setembro de 2022. O PiLiMi reconheceu ter "violado deliberadamente a legislação de direitos de autor na maioria dos países". O foco inicial do projeto era a preservação, e não a possibilidade de pesquisa dos dados. Poucos dias após as autoridades norte-americanas terem apreendido vários domínios da Z-Library e detido os seus alegados operadores em novembro de 2022, a membro do PiLiMi conhecida como Anna (também chamada Anna Archivist) lançou o Anna's Archive, que inicialmente apresentava resultados da Z-Library e do LibGen.

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Sítio e operações

Imagem: Arquivo Nacional do Brasil · PDM · Openverse

O Anna's Archive tem sido descrito como um motor de busca, um metamotor de busca, e uma biblioteca-sombra propriamente dita. Opera vários sítios espelho sob diferentes domínios de topo, atualmente .gl, .pk e .gd.[† 1] O seu código-fonte é dedicado ao domínio público sob a licença CC0.[† 2] O sítio não aloja ficheiros diretamente (o que, segundo afirma, o isenta de responsabilidade por descarregamentos de conteúdo protegido), limitando-se a indexar metadados e a fornecer ligações para descarregamentos "de terceiros".[† 1] Também oferece descarregamentos através do protocolo IPFS.[nota 1] As "bibliotecas-fonte" do sítio incluem o LibGen, o Sci-Hub, a Z-Library, o Internet Archive, o DuXiu, o MagzDB, o Nexus/STC e o HathiTrust; a Open Library, o WorldCat e o Google Livros constam como fontes apenas de metadados.[† 4] Alguns destes conjuntos de dados são já publicamente acessíveis, enquanto outros são obtidos por raspagem de dados ou adquiridos de forma privada para distribuição.[† 4] São depois disponibilizados em massa[nota 2] através de ficheiros torrent para garantir resiliência contra remoções do sítio.[† 1] Em março de 2026, o Anna's Archive inclui 63 632 048 livros e 95 689 475 artigos científicos,[† 1] e a sua lista unificada de torrents totaliza aproximadamente 1,1 petabytes.[† 6]

Tecnologia

O Anna's Archive utiliza uma arquitetura de servidores multicamada concebida para resistir a remoções e interrupções. Segundo uma publicação de 2023 no blogue dos operadores do sítio, o backend funciona com Flask, MariaDB e Elasticsearch, alojado em servidores económicos que são encaminhados através de fornecedores separados e "amantes da liberdade" para proteger a infraestrutura real de alojamento de pedidos judiciais. São mantidos múltiplos servidores proxy e de aplicação redundantes, de modo a que, caso um fornecedor rescinda o serviço, o sítio possa continuar a operar.[† 7] Inicialmente, o sítio utilizava o plano gratuito da Cloudflare como camada adicional de cache e proteção contra DDoS, aproveitando a posição jurídica da Cloudflare de que atua como utilidade pública e não como fornecedor de alojamento, ficando assim isenta de pedidos de remoção ao abrigo do DMCA.[† 7] Contudo, na sequência de ordens judiciais associadas ao processo do Spotify em janeiro de 2026, a Cloudflare desativou os seus servidores de nomes para vários domínios do Anna's Archive. Pelo menos alguns dos domínios do sítio migraram posteriormente para o DDoS-Guard, um fornecedor russo de proteção contra DDoS e distribuição de conteúdos.

Finanças

Os descarregamentos de alta velocidade no Anna's Archive estão disponíveis apenas para utilizadores com adesão paga, enquanto os não-membros devem recorrer a opções mais lentas com verificação no navegador para prevenir abusos por bots. O sítio descreve-se como uma organização sem fins lucrativos, alegando que as quotas de adesão e os donativos são maioritariamente gastos em infraestrutura de servidores e que nenhum é utilizado pessoalmente pelos operadores.[† 1] Atribui adesões e "recompensas" monetárias a alguns voluntários contribuidores.[† 9] O Anna's Archive disponibiliza acesso de alta velocidade à sua coleção completa via SFTP a grupos que treinam modelos de linguagem de grande escala (LLMs) em troca de contribuições significativas em dinheiro ou dados. Em janeiro de 2025, declarou fornecer esse acesso a cerca de 30 empresas, maioritariamente sediadas na China, incluindo empresas de LLMs e corretores de dados. O modelo VL do DeepSeek foi parcialmente treinado com dados de livros eletrónicos provenientes do sítio. Alguns juristas criticaram a alegação de que isto constitui uso justo ao abrigo da legislação de direitos de autor dos EUA, citando precedentes sobre a importância dos danos de mercado.

Motivação

O Anna's Archive é um projeto sem fins lucrativos com dois objetivos: 1. Preservação: Fazer cópia de segurança de todo o conhecimento e cultura da humanidade. 2. Acesso: Tornar este conhecimento e cultura acessível a qualquer pessoa no mundo. O Anna's Archive declarou que os seus objetivos são "catalogar todos os livros existentes" e "acompanhar o progresso da humanidade para tornar todos esses livros facilmente disponíveis em formato digital". Tem sido descrito como uma continuação e extensão significativa das ambições das bibliotecas-sombra anteriores, com a sua visão de uma "biblioteca universal" que preserve o maior número possível de livros. Foi interpretado como parte de uma crescente "cultura de desconfiança em relação a empresas, instituições, governos e leis... que talvez tenha começado com o colapso financeiro de 2008 e os movimentos Occupy Wall Street", que assistiram ao surgimento de tecnologias descentralizadoras.

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Bloqueios e questões legais

Imagem: Senado Federal · BY · Openverse

O Anna's Archive figurava entre os dez domínios mais reportados no Google Search por remoção ao abrigo do DMCA até junho de 2024. Até novembro de 2025, o Google removera 749 milhões de URLs do Anna's Archive dos seus resultados de pesquisa, representando 5% de todos os pedidos de remoção enviados ao motor de busca desde 2012. Estes pedidos provinham de mais de 1 000 autores e editores. Tem sido um dos sítios mais visados pelo serviço antipirataria neerlandês Link-Busters, que envia pedidos de remoção ao Google e a outros motores de busca em nome de grandes editores. Em janeiro de 2025, a aplicação de mensagens Telegram suspendeu o canal do Anna's Archive por violação de direitos de autor, apesar de os operadores terem alegadamente tomado precauções para evitar publicações infratoras na aplicação. O canal da Z-Library no Telegram foi suspenso na mesma semana, e nenhum dos dois foi avisado da ação. As remoções foram especuladas como estando ligadas a uma ação judicial pela Suprema Corte de Delhi.

Estados Unidos

Desde 2023, os domínios do Anna's Archive figuram na Lista Anual de Mercados Notórios do Representante Comercial dos Estados Unidos, que destaca mercados digitais e físicos alegadamente envolvidos em violação de propriedade intelectual em larga escala. Estes relatórios descrevem o sítio como relacionado com o Sci-Hub e o LibGen. Em resposta a um pedido de comentário do Gabinete sobre a sua Lista de 2023, a Associação de Editores Americanos identificou o Anna's Archive como um sítio infrator e analisou as suas carteiras de criptomoedas, concluindo que tinha recebido mais de 29 000 dólares em fundos até julho de 2023. Em outubro de 2023, foi noticiado que o Anna's Archive tinha extraído a totalidade do WorldCat, a maior base de dados bibliográfica do mundo, e disponibilizado gratuitamente os seus dados proprietários, o que Anna descreveu como "um marco importante no mapeamento de todos os livros do mundo". A OCLC, entidade responsável pelo WorldCat, respondeu processando o sítio num tribunal federal do Ohio em janeiro de 2024, alegando que a extração fora conseguida através de ciberataques aos seus servidores. Exigiu mais de 5 milhões de dólares em indemnizações e uma injunção para impedir o Anna's Archive de extrair ou partilhar os seus dados. A OCLC esclareceu que, embora os seus sistemas internos não tenham sido violados, considera que as ações do sítio constituem legalmente pirataria informática. A única arguida identificada negou qualquer envolvimento com a extração ou com o Anna's Archive. O escritor de tecnologia Glyn Moody criticou o processo como "dispendioso e inútil", afirmando que contrariava a missão declarada da OCLC de tornar a informação acessível.

Itália

Em janeiro de 2024, a agência nacional de comunicações de Itália ordenou aos principais fornecedores de serviço de Internet (ISPs) do país que bloqueassem o Anna's Archive na sequência de uma queixa por direitos de autor da Associação Italiana de Editores. Uma investigação da Direção de Serviços Digitais confirmou a presença de obras protegidas no sítio e concluiu que alguns dos seus servidores eram provavelmente propriedade de um fornecedor de alojamento ucraniano, mas não conseguiu identificar os operadores.

Países Baixos

Em março de 2024, o Tribunal Distrital de Roterdão ordenou aos principais ISPs dos Países Baixos que bloqueassem o Anna's Archive e o LibGen a pedido do grupo de defesa BREIN. A ordem era "dinâmica", o que significa que, caso os sítios bloqueados alterassem domínios ou endereços IP no futuro, os ISPs seriam obrigados a atualizar os respetivos bloqueios.

Reino Unido

Em dezembro de 2024, a Associação de Editores do Reino Unido obteve uma ordem do Tribunal Superior de Justiça obrigando os principais ISPs a bloquearem o Anna's Archive e outros sítios infratores de direitos de autor, alargando uma lista de sítios bloqueados desde 2015 ao abrigo do artigo 97.º-A da Lei de Direitos de Autor, Designs e Patentes de 1988. A Associação declarou ter identificado mais de um milhão de registos de livros e artigos científicos protegidos por direitos de autor nos domínios do Anna's Archive.

Bélgica

Em julho de 2025, um grupo de organizações representantes de autores e titulares de direitos de autor belgas — incluindo a Associação de Editores Belgas (ADEB), a Sociedade Civil de Autores Multimédia (La Scam), a Cooperativa para a Perceção e Compensação dos Editores Belgas (Copiebel), a Librius, o Grupo de Editores Educativos e Científicos (GEWU), a Federação Geral de Editores (GAU) e a Associação Flamenga de Autores (VAV) — obteve com sucesso uma decisão do Tribunal Comercial contra cinco sítios alegadamente piratas: Anna's Archive, LibGen, Sci-Hub, Z-Library e OceanofPDF. O juiz ordenou que o serviço antipirataria do SPF Economia bloqueasse os sítios provisoriamente. Em caso de incumprimento, os sítios enfrentam coimas até 500 000 euros.

Alemanha

A 11 de outubro de 2025, o TorrentFreak noticiou que os principais ISPs na Alemanha tinham bloqueado o acesso aos domínios principais do Anna's Archive. O bloqueio foi iniciado pela Predefinição:Ilh (CUII), uma coligação de titulares de direitos e ISPs que coordena medidas voluntárias de bloqueio de sítios.

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Fontes consultadas

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