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Etiópia

A Etiópia, oficialmente República Democrática Federal da Etiópia e anteriormente conhecida como Abissínia, é um país encravado no Chifre da África, sendo um dos mais antigos do mundo. É a segunda nação mais populosa da África e a décima maior em área. Faz fronteira com o Sudão e com o Sudão do Sul a oeste, com o Djibuti e a Eritreia ao norte, com a Somália ao leste, e o Quênia ao sul. Sua capital é a cidade de Adis Abeba.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Etimologia

Não é muito certo quão velha é a palavra Etiópia, cujo uso mais antigo aparece na Bíblia em Gênesis, capítulo 2. E também na Ilíada, onde o nome aparece duas vezes, e na Odisseia, onde aparece três vezes. O uso mais antigo atestado na região é um nome cristianizado do Reino de Axum no século IV, em escrituras de pedra do Rei Ezana. O nome ge'ez ʾĪtyōṗṗyā e seu cognato português são considerados por alguns estudiosos serem derivados da palavra grega Αἰθιοπία, Aithiopia, de Αἰθίοψ, Aithiops ‘um etíope’, derivado, por sua vez, de palavras gregas que significam "de rosto queimado". No entanto, O Livro de Axum, uma crônica em ge'ez compilada no século XV, alega que o nome é derivado de "'Ityopp'is" — um filho (não mencionado na Bíblia) de Cuxe, filho de Cam, quem, de acordo com a lenda, fundou a cidade de Axum. Plínio, o Velho alega, igualmente, que o nome da nação deriva de alguém cujo nome foi Aethiops. Uma terceira etimologia, sugerida por pesquisadores etíopes recentes e o poeta laureado Tsegaye Gabre-Medhin, traça o nome às palavras "egípcias, velhas e negras": Et (Verdade ou Paz), Op (Alto ou Superior) e Bia (Terra ou País), sendo Etiópia a "terra de paz superior".

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História

Pré-história e antiguidade

A Etiópia é considerada uma das áreas mais antigas de ocupação humana do mundo, senão a maior, de acordo com algumas descobertas científicas. Lucy, descoberta no Vale de Awash da região Afar da Etiópia, é considerado o segundo mais antigo, mais bem preservado e mais completo fóssil adulto de Australopithecus. A espécie de Lucy é chamada de Australopithecus afarensis, que significa 'macaco do sul de Afar', região da Etiópia onde a descoberta foi feita. É estimado que Lucy tenha vivido na Etiópia há 3,2 milhões de anos. Houve várias outras descobertas notáveis de fósseis no país, incluindo o fóssil humano mais velho, Ardi. Por volta do século VIII a.C., um reino conhecido como Dʿmt foi estabelecido ao norte da Etiópia e Eritreia, com sua capital em Yeha, norte etíope. Muitos historiadores modernos consideram esta civilização nativa da África, embora influenciada pelos sabeus, por causa de sua tardia hegemonia do Mar Vermelho, enquanto outros consideram os Dʿmt como o resultado de uma mistura dos sabeus e populações nativas. No entanto, ge'ez, a língua semítica mais antiga da Etiópia, é agora considerada não sendo derivada dos sabeus (também semitas do sul). Há evidências da presença de povos semíticos na Etiópia e na Eritreia pelo menos no início de 2 000 a.C.. A influência sabeia é agora considerada por ter sido menor, limitada a poucas localidades, e desaparecendo após poucas décadas ou um século, talvez representando uma colônia comercial ou militar em algum tipo de simbiose ou aliança militar com a civilização etíope de Dʿmt.

Idade Média

No início do século XV, a Etiópia procurou realizar contatos diplomáticos com reinos europeus pela primeira vez desde os tempos de Axumita. Uma carta do Rei Henrique IV de Inglaterra ao Imperador da Abissínia ainda existe. Em 1428, o Imperador Iexaque I, da Etiópia, enviou dois emissários para Afonso V de Aragão, que enviou emissários retornando, porém estes falharam em completar a viagem de retorno. As primeiras relações contínuas com um país europeu começaram em 1508, com o Reino de Portugal, sob o Imperador Lebna Dengel, que havia acabado de herdar o trono de seu pai. Na embaixada enviada em 1515 em resposta ao envio a Portugal do embaixador etíope Mateus, seguia Francisco Álvares, que faria um relato, incluindo o testemunho de Pêro da Covilhã.

Zemene Mesafint

Tudo isto contribuiu para o isolamento da Etiópia, de 1755 a 1855, período chamado de Zemene Mesafint ou "Idade dos Príncipes". Os imperadores tornaram-se figurativos, controlados por senhores de guerra, como Ras Miguel Seul de Tigré, e pela dinastia Oromo Yejju, que mais tarde levou ao domínio dos Gondar no século XVII, mudando o idioma da corte de amárico para afaan oromo. O isolacionismo etíope terminou após uma missão britânica que concluiu uma aliança entre as duas nações; no entanto, não foi até 1855 que a Etiópia foi completamente unida e o poder do Imperador foi restaurado, começando com o reinado do Imperador Teodoro II. Após sua subida ao poder, apesar de ainda haverem grandes forças centrífugas, ele começou modernizando a Etiópia e recentralizando o poder no Imperador, e o país começou a tomar parte dos assuntos externos mais uma vez. Porém, o governo de Teodoro sofreu várias rebeliões. Milícias Oromos do norte etíope, rebeliões tigrínias e as constantes incursões do Império Otomano e forças egípcias próximas ao Mar Vermelho, trouxe o enfraquecimento e a consequente queda de Teodoro II, que morreu após sua última batalha com uma força expedicionária britânica. Em 1868, a Etiópia e o Egito entraram em guerra em Gura. As forças do norte etíope, lideradas pelo Imperador João IV, derrotaram os egípcios decisivamente.

Era Selassie (1916–1974)

Haile Selassie chegou ao poder em 1916, após Josué V ser deposto, quando foi nomeado Ras e Regente (Inderase) pela Rainha Zewditu, viúva de Menelique II, de fraca saúde. Após a morte de Zewditu ele foi coroado Imperador em 2 de novembro de 1930. Tendo nascido de pais das três principais etnicidades etíopes (Oromo, Amhara e Gurage) e após ter desempenhado um papel preponderante na formação da Organização da Unidade Africana, Haile Selassie ficou conhecido como uma figura unitária tanto da Etiópia, como do continente africano. A independência da Etiópia foi interrompida pela Segunda Guerra Ítalo-Etíope e a ocupação italiana (1936–1941). Durante a guerra, Haile Selassie apelou à Liga das Nações em 1935, fazendo um discurso que fez dele uma figura mundialmente conhecida, sendo nomeado pela revista Time como o Homem do Ano em 1935. Após a entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial, o Império Britânico, junto a lutadores etíopes patriotas, forçou a libertação da Etiópia no curso da Campanha da África Oriental de 1941, seguida pela soberania em 31 de janeiro de 1941 e o reconhecimento britânico da soberania completa (isto é, sem privilégios especiais britânicos) com a assinatura do Acordo Anglo-Etíope em dezembro de 1944. Durante 1942 e 1943, houve uma guerra da guerrilha italiana na Etiópia. Em agosto de 1942, Haile Selassie emitiu uma proclamação proibindo a escravidão.

Era Dergue (1974–1991)

Após o desaparecimento do Estado imperial, o regime desmantelou a estrutura feudal socioeconómico através de uma série de reformas que também afetou o desenvolvimento educacional. No início de 1975, o regime destacou a cerca de 60 000 alunos e professores de áreas rurais para promover o governo da "Campanha de Desenvolvimento através da cooperação". Os efeitos da campanha foram para promover a reforma agrária e melhorar a produção agrícola, saúde, e da administração local. O número de matrículas escolares aumentou de cerca de 957 300 em 1974 para cerca de 2 450 000, em 1986. Houve ainda variações entre as regiões no número de alunos matriculados. No entanto, enquanto a matrícula dos meninos mais do que duplicou, de raparigas mais do que triplicou. A taxa de alfabetização, menos de 10% durante o regime imperial, aumentou para cerca de 35% em 1981.

República Democrática Federal (1991–presente)

Em 1993, um referendo foi feito e supervisionado pela missão das Nações Unidas chamada UNOVER, com sufrágio universal feito na Eritreia e em comunidades eritreias na diáspora, para saber se os eritreus queriam a independência ou a união com a Etiópia. Quase 99% da população eritreia votou pela independência, que foi declarada em 24 de maio de 1993. Em 1994, uma constituição foi adotada, o que levou às primeiras eleições pluripartidárias da Etiópia no ano seguinte. Em maio de 1998, uma disputa fronteiriça com a Eritreia levou-os a uma guerra que durou até junho de 2000. Este conflito prejudicou a economia da nação, porém fortaleceu a coalizão governista. Em 15 de maio de 2005, a Etiópia realizou outras eleições pluripartidárias, que foram altamente disputadas, com um dos grupos de oposição alegando fraude. Embora o Carter Center tenha aprovado as condições de pré-eleição, foi expresso sua insatisfação com as questões pós-eleitorais.

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Geografia

A maior parte da Etiópia se situa no Chifre da África, que é a parte mais oriental do Continente Africano. A nação faz fronteira com o Sudão e com o Sudão do Sul a oeste, Djibuti e Eritreia a norte, Somália a leste, e Quênia a sul. O país tem um alto planalto central que varia de 1 290 a 3 000 m de altitude, com a maior montanha alcançando 4 533 m. A altitude é geralmente mais elevada pouco antes do ponto de descida do Vale do Rift que divide o planalto diagonalmente. Inúmeros rios cortam o planalto — notavelmente o Nilo Azul, que sobe o Lago Tana. O planalto gradualmente obliqua-se às planícies do Sudão e do Sudão do Sul no oeste e nos planaltos inabitados da Somália ao sudeste. Entre o vale do Nilo Azul e a fronteira da Etiópia com a Eritreia, há uma região de elevados planaltos, onde se localizam várias cadeias de montanhas. Estes planaltos e montanhas constituem as Terras Altas da Etiópia. Em quase todos os lugares, as paredes dos planaltos têm subidas abruptas, constituindo em cadeias montanhosas. As terras altas são assim uma divisão claramente orográfica. Na Eritreia, a parede do leste deste planalto corre paralelamente de Ras Kasar (18° N) ao Mar Vermelho para a Baía de Annesley (também conhecida como Baía de Zula) (15° N). Em seguida, vira para sul na Etiópia e segue perto do Meridiano 40 E por quase 600 km. Perto do paralelo 9 N há uma ruptura na parede, por onde o Rio Awash flui em direção a leste. A cadeia neste ponto tende a seguir na direção sudoeste, enquanto ao sul do Vale Awash, que tem cerca de 1 000 m (abaixo do nível das montanhas), outro maciço nasce em uma linha direta para o sul. Neste segundo intervalo, há uma cadeia (as montanhas Ahmar) ao leste, em direção ao Golfo de Aden. As duas principais gamas orientais mantêm um curso paralelo sul-leste, com um largo vale de montanhas no meio a quase no paralelo 3 N; no exterior (a leste), as esporas do planalto ainda se mantêm ao longo do meridiano 40 E. A escarpa do sul do planalto é altamente irregular, porém tem uma direção geral a nordeste e sudeste do paralelo 6° N ao 3° N. Ele passa próximo da depressão onde fica o Lago Turkana e — a leste desse lago — a Zona Debub Omo ao sul (parte da larga Região das Nações, Nacionalidades e Povos do Sul). A parede ocidental do planalto, de 6° N a 11° N, é alvo de precipitação. Ao norte do paralelo 11° N as colinas viram-se mais para o leste e diminuem de tamanho mais gradualmente nas planícies da savana do Leste do Sudão. Em sua face norte, o planalto diminui de tamanho em terraços ao nível do leste do Sudão e Sudão do Sul.

Clima e biodiversidade

O clima é temperado no planalto e quente na planície. Em Adis Abeba, que chega a altitudes de 2200 a 2 600 m, a temperatura máxima é de 26 ℃ e a mínima 4 ℃. O clima é geralmente seco e ensolarado, porém há chuvas, que ocorrem de modo mais ameno (belg) nos meses de fevereiro e abril e de modo mais intenso (meher) de meados de junho a meados de setembro. A altitude e localização geográfica produzem três zonas climáticas: a zona fria, acima dos 2 400 m, onde as temperaturas variam de 0 °C a 16 °C; a zona temperada, nas altitudes de 1 500 m a 2 400 m, com temperaturas de 16 °C a 30 °C; e a zona quente, abaixo dos 1 500 m, com condições tropicais e áridas e temperaturas diurnas de 27 °C a 50 °C. A orografia da Etiópia varia desde diversas cadeias de montanhas altas (as Montanhas Semien e as Montanhas Bale) a uma das regiões mais baixas da África, a Depressão de Danakil. A estação chuvosa normal é em meados de junho e meados de setembro (sendo maior nos planaltos do sul), precedido por chuvas intermitentes de fevereiro a março; o restante do ano é, geralmente, seco.

Hidrografia

A maioria dos planaltos da Etiópia têm uma inclinação que desce na direção noroeste, de modo que quase todos os rios fluam nesta direção ao rio Nilo, compreendendo cerca de 85% da água do país. Tais como o Rio Tekezé ao norte, o Abay no centro, e o Sobat ao sul, cerca de quatro quintos de todo o esgoto do país é descarregado nestas três artérias. O restante é levado pelo Awash, que corre no distrito de salinas lacustres ao longo da fronteira com Djibuti; pelo rio Shebelle e Jubba, que fluem a sudeste através da Somália (embora o Shebelle não consiga chegar ao Oceano Índico; e pelo Omo, o principal distribuidor de águas da bacia endorreica do Lago Turkana.

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Demografia

A população da Etiópia cresceu de 33,5 milhões em 1983 para 87,9 milhões em 2014. A população do país era apenas cerca de 9 milhões no século XIX. Os resultados do Censo de População e Habitação de 2007 mostram que a população etíope cresceu a uma taxa média anual de 2,6% entre 1994 e 2007, ante 2,8% no período de 1983 a 1994. Atualmente, a taxa de crescimento da população está entre as dez maiores do mundo. Prevê-se que a população cresça para mais de 210 milhões até 2060, o que seria um aumento em relação às estimativas de 2011 por um fator de cerca de 2,5. A população do país é altamente diversificada, contendo mais de 80 grupos étnicos diferentes. De acordo com o censo nacional etíope de 2007, os oromos são o maior grupo étnico da Etiópia, com 34,4% da população do país. Os amaras representa 27,0% dos habitantes do país, enquanto somalis e tigrínios representam 6,22% e 6,08% da população, respectivamente. Outros grupos étnicos proeminentes são os seguintes: sidamas 4,00%, gurages 2,52%, welaytas 2,27%, afares 1,73%, hadiyas 1,72%, gamos 1,49% e outros 12,6%. As comunidades de falantes de línguas afro-asiáticas compõem a maioria da população. Entre estes, os falantes semíticos geralmente se referem coletivamente como os povos habesha. A forma árabe deste termo (al-Ḥabasha) é a base etimológica de "Abissínia", o antigo nome da Etiópia em várias línguas europeias.

Idiomas

De acordo com o Ethnologue, existem noventa línguas individuais faladas na Etiópia. A maioria das pessoas no país fala línguas afro-asiáticas dos ramos cuchítica ou semítica. O primeiro inclui a língua oromo, falado pelos oromas, e o somali, falado pelos somalis; o último inclui amárico, falado pelos amaras, e o tigrínio, falado pelos tigrínios. Juntos, esses quatro grupos representam cerca de três quartos da população da Etiópia. Outras línguas afro-asiáticas com um número significativo de falantes incluem as línguas cuxíticas sidamo, afar, hadia e agau, bem como as línguas semíticas gurage, harari, silt'e e argobba. O árabe, que também pertence à família afro-asiática, também é falado em algumas áreas.

Religiões

A Etiópia tem laços históricos próximos com as três principais religiões abraâmicas do mundo. No século IV, a região foi uma das primeiras no mundo a adotar o cristianismo como a religião oficial. Como resultado das resoluções do Concílio de Calcedônia, em 451, os miafisistas, que incluíam a grande maioria dos cristãos no Egito e na Etiópia, foram acusados ​​de monofisismo e designados como hereges sob o nome comum do cristianismo copta (ver Ortodoxia Oriental). Apesar de não ser uma religião oficial, a Igreja Ortodoxa Etíope continua a ser a maior denominação cristã. Há também um número substancial de muçulmanos, representando cerca de um terço da população. Além disso, a Etiópia é o local da primeira hégira, uma grande emigração na história islâmica. Uma cidade na região de Tigré, Negash, é o assentamento muçulmano mais antigo da África. Até a década de 1980, uma população substancial de Beta Israel (judeus etíopes) residia na Etiópia.

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Governo e política

A República Federal Democrática da Etiópia foi proclamada em 1995 por uma Assembleia Constitutiva eleita em 1994. Em eleições gerais, Meles Zenawi foi constitucionalmente proclamado primeiro-ministro. O sistema de governo baseia-se na repartição do poder entre dez regiões administrativas, delimitadas segundo critérios étnicos, e um Parlamento forte, integrado por uma câmara baixa com 548 representantes (Conselho de Representantes do Povo) e pelo Senado com 108 assentos (Conselho Federal). Os representantes do povo são eleitos por voto popular direto, enquanto os senadores são designados pelas regiões administrativas. O Presidente da República exerce funções mais protocolares, sendo designado por ambas as casas do Parlamento. O atual ocupante do cargo é Sahle-Work Zewde, a primeira mulher presidente do país. O Chefe de Governo e mandatário de fato, igualmente designado pelo Parlamento, é o Primeiro-Ministro, atualmente Abiy Ahmed. O Governo é dominado pela Frente Democrática Revolucionária Popular da Etiópia (EPRDF), coalizão de grupos rebeldes que assumiu o poder em 1991, após longo período de conflitos internos.

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Subdivisões

Antes de 1996, a Etiópia era dividida em 13 províncias, muitas derivadas de regiões históricas. O país agora tem um sistema de governo que consiste em um governo federal dividido conforme a etnicidade das regiões em: estados, zonas, distritos (woredas), e bairros (kebele). A Etiópia é dividida em dez estados administrativos baseados etnicamente (kililoch, sing. kilil) e subdividido em 68 zonas e duas cidades com status especial (astedader akababiwoch, sing. astedader akababi): Adis Abeba e Dire Dawa. A nação ainda é subdividida em 550 woredas e várias woredas especiais. A Constituição atribui poder extensivo aos estados regionais, dando-lhes o direito de estabelecer seus próprios governos e democracias. As dez regiões e duas cidades com status especial são: * Cidades com status especial (astedader akababiwach, singular — astedader akabibi)

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Economia

Aproximadamente 80% da população sobrevive da agricultura, que é a espinha dorsal da economia etíope, respondendo por cerca de 90% do PIB. Em 2019, o país era um dos 10 maiores produtores do mundo de café, gergelim, grão-de-bico, linho, sorgo, batata-doce e inhame, além de ter grandes produções de milho, trigo, cevada, cana de açúcar, ervilha e lentilha, entre outros produtos. As maiores exportações de produtos agropecuários processados do país em termos de valor, em 2019, foram: café (U$ 750 milhões), gergelim (U$ 307 milhões), carne de cabra (U$ 144 milhões), feijão (U$ 80 milhões), amendoim (U$ 56 milhões), soja (U$ 56 milhões), sementes oleaginosas (U$ 28 milhões), grão-de-bico (U$ 18 milhões) e carne bovina (U$ 14 milhões), entre outros. Outros produtos agrícolas importantes são: flores, cana-de-açúcar, forragem para animais, e uma planta conhecida por khat, que possui propriedades psicotrópicas quando mascada. Outros produtos agrícolas importantes são cereais: trigo, milho, sorgo, cevada e o teff, cereal nativo que constitui a base da alimentação no país. As condições naturais são favoráveis à agricultura, mas as técnicas agrícolas são arcaicas e, portanto, a produção se limita ao nível de subsistência.

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Infraestrutura

Transportes

No geral, a área de transportes etíope desenvolveu-se rapidamente. A Etiópia reserva para o setor cerca de 10% de seu PIB, o que é uma das maiores ações do PIB destinada ao desenvolvimento de infraestruturas na África. A construção de uma rede de transportes está concentrada nas proximidades de Adis Abeba. O país tem 4 100 km de estradas pavimentadas, que fazem a ligação entre seus importantes centros urbanos, além de uma boa rede de estradas que dão acesso à fronteira do país com o Djibouti e Quênia. Outros 19 000 km de estradas são de terra ou cascalho, sem nunca terem sido pavimentadas, estando estas situadas principalmente no interior do país. A única linha de estrada de ferro existente possui 781 km de extensão, e é responsável por ligar a capital da nação, Adis Ababa, à Dire Dawa e ao Djibouti, cujo tráfego é possibilitado devido a uma série de acordos bilaterais entre os dois países. Em 2006, a concessão da ferrovia foi vendida para a empresa ferroviária Comazar, sediada na África do Sul. A reconstrução planejada da ligação ferroviária existente, e a ampliação de sua extensão para 5 000 km, foi anunciada em setembro de 2010, com a ajuda de investimentos chineses.

Energia e telecomunicações

A fonte de energia é de 97% de usinas hidrelétricas que, assim como a agricultura, depende das chuvas. O acesso à eletricidade é garantido em cerca de 86% das áreas urbanas, mas a eletrificação em áreas rurais é praticamente mínima. O país não é autossuficiente em petróleo, tendo este que ser importado. São planejadas a exploração do petróleo e gás natural existentes no país. Outra opção é a utilização de energia geotérmica. Boa parte da população continua dependente da madeira como a principal substância para aquecimento e construção, o que leva a um aprofundamento do desmatamento do país. No setor das telecomunicações, a Corporação de Telecomunicações Etíope detém o monopólio na área. Em 1999, apenas 5% da população tinha acesso ao telefone, com o governo fazendo alguns investimentos na rede móvel terrestre a partir de então. A internet também passou a receber fortes investimentos governamentais no início do século.

Educação

A educação na Etiópia foi dominada pela Igreja Tewahedo por muitos séculos, até que a educação secular foi adotada no início do século XX. O sistema atual segue esquemas de expansão escolar que são muito semelhantes ao sistema nas áreas rurais durante a década de 1980, com um acréscimo de uma regionalização mais profunda, fornecendo educação rural nas próprias línguas dos alunos a partir do nível fundamental, e com mais recursos orçamentários alocados para setor de educação. A sequência da educação geral na Etiópia é de seis anos de escola primária, quatro anos de escola secundária inferior e dois anos de escola secundária superior. O acesso à educação na Etiópia melhorou significativamente. Aproximadamente 3,1 milhões de pessoas estavam na escola primária em 1995 e, em 2009, as matrículas no ensino fundamental aumentaram para 15,5 milhões — um aumento de mais de 500%. Em 2013, o país testemunhou um aumento significativo na matrícula bruta em todas as regiões. O aumento nacional no número de matrículas, neste ano, foi de 104,8% para meninos, 97,8% para meninas e 101,3% em ambos os sexos.

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Cultura

A Etiópia tem uma cultura predominantemente marcada pelas religiões professadas pelos seus vários povos (pelo que é designada frequentemente como "Museu de Povos"). Local onde se cruzaram tendências religiosas judaicas, cristãs (coptas) e muçulmanas, a religião é quase sempre o ponto de referência para a produção cultural, da qual se destaca a música que recebeu influências das tribos circundantes e do Egito — como o uso de sistros e tambores deixa perceber.

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Fontes consultadas

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