Santa Catarina
Santa Catarina é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situada no centro da região Sul do país. Possui como limites: ao norte, com o Paraná, ao sul, com o Rio Grande do Sul. A leste, com o Oceano Atlântico e a oeste, com a província argentina de Misiones. Compreende uma superfície de 95 730,690 km², comparável à de Portugal. Com uma população de 7,6 milhões de habitantes, comparada à do Laos, é o décimo estado mais populoso do Brasil. Sua capital é Florianópolis, segunda cidade mais populosa do estado, após Joinville. Além do Espírito Santo, Santa Catarina é um dos dois estados cuja capital não é o município mais populoso.
O nome do estado veio da ilha de Santa Catarina, cuja origem do nome ainda é debatida. A versão mais aceita é que foi assim nomeada pelo navegador italiano Sebastião Caboto em 1526, seja em homenagem a Santa Catarina de Alexandria ou a sua esposa, Catarina Medrano. Outras fontes mencionam que o nome foi dado pelo bandeirante paulista Francisco Dias Velho em homenagem a uma filha, de nome Catarina. Seus habitantes naturais são denominados catarinenses ou barrigas-verdes. A procedência do termo é o colete utilizado pelos soldados das forças do militar português, Joaquim Francisco do Livramento. Estas tropas, em 1753, partiram de Santa Catarina para combater no Rio Grande do Sul e asseguraram ao Brasil a conquista desta capitania. De procedência religiosa, o nome homenageia a santa padroeira do estado. Os romanos cultuavam uma divindade antiquíssima, Sancus, que não deixava violar as promessas e juramentos, mandando cumpri-las. Da sua denominação vem o verbo latino sancire, "consagrar". Sanctus, "santo, consagrado, o qual tem que, sobretudo, ser tratado com respeito" é o particípio passado do próprio verbo. Etimologicamente, o termo Catarina vem do grego ekaterina (εκατερινα), "puro, imaculado".
Pré-história e povos indígenas
Os vestígios mais antigos de presença humana no território de Santa Catarina foram encontrados próximos à Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, em Águas de Chapecó, e são datados de 11,7 mil anos. Os pioneiros na ocupação da região pertenciam às tradições Umbu e Humaitá. No litoral do estado, destaca-se, no pré-cabralino, a cultura dos sambaquis. No século XVI, o litoral de Santa Catarina era habitado pelos indígenas carijós, enquanto o interior era habitado pelos caingangues e xoclengues. A partir de 1549, os jesuítas começaram a catequese dos ameríndios locais.
Período colonial
As expedições vindas de diversas nações europeias, sobretudo portuguesas e espanholas, desbravaram a costa catarinense a partir dos primeiros anos da descoberta do Brasil. Embora seja discutida a presença do francês Binot Paulmier de Gonneville em Santa Catarina em 1504, não há dúvidas sobre a expedição portuguesa de Nuno Manuel e Cristóvão de Haro, em 1514, que batizou a Ilha de Santa Catarina de Ilha dos Patos. Em seguida, várias outras expedições portuguesas e espanholas passaram pelo litoral catarinense, muitas na rota para o Rio da Prata, como a de Juan Díaz de Solís (1515), Rodrigo de Acuña (1525) e a de Sebastião Caboto (1526-7), que teria renomeado a Ilha dos Patos para Ilha de Santa Catarina. O Rei de Portugal, D. João III, concedeu as terras continentais para Pero Lopes de Sousa em 1534. No entanto, as terras ficaram desabitadas, exploradas por jesuítas, povoadores espanhóis e portugueses, porém, sem estabelecimento permanente de população, em todo o século XVI.
Período imperial
Com a independência do Brasil, cuja notícia chegou a Desterro no início de outubro de 1822, Santa Catarina se tornou uma província do Império. Sete anos depois, em 1829, chegaram os primeiros alemães à província, os quais fundaram São Pedro de Alcântara. A província de Santa Catarina sofreu profundas consequências da Revolução Farroupilha, ocorrida no Rio Grande do Sul em 1835. Os revolucionários, chefiados por Giuseppe Garibaldi e David Canabarro, invadiram Laguna e declararam a República Juliana, em julho de 1839. Derrotados pelas tropas do Império do Brasil, os rebeldes deixaram Laguna. O novo país sul-americano teve curta duração, pois, quando sua independência foi proclamada, deixou de pagar à República Rio Grandense por falta de dinheiro. As últimas trincheiras farroupilhas foram demolidas em 1840.
Período republicano
Com a Proclamação da República no Brasil (15 de novembro de 1889), cuja notícia chegou dois dias depois do ocorrido a Santa Catarina, a província se tornou um Estado da Federação e assumiu o poder um triunvirato, até a posse do primeiro governador do estado, tenente Lauro Müller, nomeado pelo presidente da República Deodoro da Fonseca. O primeiro governo de Müller durou até 1891. O então governador do estado se revoltou contra o governo de Floriano Peixoto, apoiando a Revolução Federalista iniciada no vizinho Rio Grande do Sul em 1893. Desterro transformou-se em base naval da esquadra revolucionária chefiada por Custódio José de Melo. Os conflitos armados se espalharam por toda a costa de Santa Catarina. Derrotados em 1894, os revolucionários foram seriamente castigados pelas tropas legalistas, ocasião na qual cerca de 185 pessoas foram executadas sumariamente por fuzilamento no episódio conhecido como Massacre da Ilha de Anhatomirim. Hercílio Luz elegeu-se governador em 1894 e elaborou uma política de apaziguamento da região e de conserto dos problemas infraestruturais que o estado sofreu. Desterro recebeu o nome de Florianópolis em 1894, em honra a Floriano Peixoto, após uma reviravolta que custou a vida dos defensores da revolução.
Santa Catarina é uma das 27 unidades federativas do Brasil, localizada no centro da região Sul. Banhado pelo Oceano Atlântico a leste, limita-se a norte com o Paraná, a sul com o Rio Grande do Sul. A oeste com a província de Misiones, na Argentina. Seu território está totalmente abaixo do Trópico de Capricórnio, na zona temperada meridional do planeta. Segue o fuso horário UTC−3 (Horário de Brasília e oficial do Brasil), com três horas anteriores em relação a Greenwich. Santa Catarina está situada entre os paralelos 25° 57′ 41″ S e 29° 23′ 55″ S e entre os meridianos 48° 19′ 37″ O e 53° 50′ 00″ O. Seus pontos extremos são: a norte o rio Saí-Guaçu no município de Itapoá, ao sul o rio Mampituba em Praia Grande, a leste a Ponta dos Ingleses em Florianópolis e, a oeste, a confluência dos rios Uruguai e Peperi-Guaçu em Itapiranga, na fronteira com a Argentina. Inserido inteiramente no bioma da Mata Atlântica, a vegetação original de Santa Catarina abrange duas formações: florestas e campos. As florestas, que albergam 65% do território de Santa Catarina, foram bastante desmatadas. No entanto, a silvicultura cresceu muito devido aos estímulos do governo e ao progresso da indústria madeireira. No planalto, ocorrem no formato de florestas mistas de coníferas (araucárias) com latifoliadas e, na baixada e sopé da serra do Mar, somente como floresta latifoliada. Os campos aparecem como manchas espalhadas no interior da floresta mista. Os principais constituem os de São Joaquim, Lages, Curitibanos e Campos Novos. Na fauna catarinense, estão catalogadas cerca de 600 espécies de aves, 150 mamíferos. 140 denominações sistemáticas de anfíbios. 1 150 Lepidoptera (borboletas e mariposas), além do cadastro de cerca de 2 300 plantas vasculares.
Geomorfologia
Santa Catarina possui 77% de seu território acima de 300 metros e 52% acima de 600 metros. Destaca-se dentre as unidades federativas brasileiras de relevo mais alto. Quatro unidades geomorfológicas, que vão do litoral ao interior, formam o relevo estadual: baixada litorânea, Serra do Mar, planalto paleozoico e basáltico. As menores altitudes estão na baixada litorânea, que engloba as terras localizadas aquém de 200 metros. Na parte norte, é bem larga, entrando sertão adentro, por meio dos vales dos rios que correm da serra do Mar. Enquanto isso, em direção ao sul, encurta-se gradativamente. A Serra do Mar ocupa a baixada litorânea na parte oeste. No norte do estado, compõe a borda montanhosa de um planalto razoavelmente médio. Possui traço muito diferente do que abriga em demais estados como Paraná e São Paulo. Em Santa Catarina, constitui uma faixa de montanhas, com pontos acima de mil metros. Esta é formada por um grupo de maciços separados pelos vales fundos dos rios que descem para o oceano Atlântico. Por trás da serra do Mar, prolonga-se o planalto paleozoico. Sua área aplainada está dividida em espaços separados pelos rios, que descem para leste. O planalto paleozoico diminui de altitude de norte a sul. Na porção sul do estado mistura-se com a planície litorânea, uma vez que a Serra do Mar não se prolonga até essa região.
Clima
O território catarinense abrange dois tipos climáticos. São eles: o subtropical úmido com verões cálidos (Cfa) e o úmido com estios amenos (Cfb). Ambos tem as quatro estações do ano bem definidas e regime de chuvas bem distribuído ao longo do ano. O subtropical Cfa aparece na baixada litorânea e nas porções de menor altitude do planalto (extremidade oeste e vale do rio Uruguai). Possui temperaturas médias registradas de 20 °C, na baixada e no vale do Uruguai e 18 °C na extremidade oeste. O subtropical Cfb aparece no restante do planalto. Possui temperaturas médias registradas entre 16 e 18 °C, porém, as de verão e de inverno são diferentes, por isso há grande amplitude térmica ao longo do ano. Os invernos são bem frios: em algumas regiões, são observados anualmente cerca de 25 dias de geada. Nessa época, é mais comum a incursão de massas de ar polares, algumas delas mais fortes e abrangentes. Estas fazem as temperaturas caírem para abaixo de zero em várias cidades. A maioria delas estão situadas no Meio Oeste, Planalto Norte e Planalto Sul. Nesta última se localizam Bom Jardim da Serra, São Joaquim, Urubici e Urupema, que estão entre os municípios mais frios do país.
A população do estado de Santa Catarina no censo demográfico de 2010 era de 6 248 436 habitantes. É a 11.ª unidade da federação mais populosa do país. Concentra cerca de 3,3% da população brasileira e apresentando uma densidade demográfica de 65,29 moradores por quilômetro quadrado (a oitava maior do Brasil). De acordo com este mesmo censo demográfico, 83,99% dos habitantes viviam na zona urbana e os 16,1% restantes na rural. Ao mesmo tempo, 50,38% eram do gênero feminino e 49,52% do masculino, tendo uma razão de sexo de 98,48. Em dez anos, o estado registrou uma taxa de crescimento populacional de 16,80%. O Índice de Desenvolvimento Humano de Santa Catarina é considerado alto conforme o PNUD. Segundo o último Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, divulgado em 2013, com dados relativos a 2010, o seu valor era de 0,774. Está na terceira colocação ao nível nacional e na primeira ao regional. Considerando-se o índice de longevidade, seu valor é de 0,860 (1.º), o do valor de renda é 0,773 (4.º) e o de educação é de 0,697 (3.º). O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,39 e a incidência da pobreza de 27,19%. A taxa de fecundidade de Santa Catarina é de 1,71 filho por mulher, uma das mais baixas do Brasil.
Hierarquia urbana e regiões metropolitanas
De acordo com o censo do IBGE de 2022, dos 293 municípios catarinenses (considerando a divisão municipal na época), dois têm população acima dos quinhentos mil, sendo eles Joinville, no nordeste do estado, e a capital Florianópolis. Outros onze tinham entre 100 001 e 500 000, quinze de 50 001 a 100 000. 34 de 20 001 a 50 000, 60 de 10 001 a 20 000. 64 de 5 001 a 10 000, 96 de 2 001 a 5 000 e doze até dois mil. Sua capital, Florianópolis, com seus 537 211 habitantes, concentrava 6,7% da população estadual, além de possuir a sexta maior densidade demográfica (627,24 hab./km²), quase quatro vezes menor que Balneário Camboriú (o município com maior densidade, 2 309,74 hab./km²), enquanto Capão Alto, no noroeste, tinha a menor densidade (2,06 hab./km²).
Idiomas
Falam-se em Santa Catarina dois grupos de idiomas diferentes: as línguas autóctones e as alóctones, sendo alguns destes idiomas minoritários. Há três línguas autóctones ou indígenas: caingangue, mbyá-guarani e xoclengue. Com o povoamento europeu do estado, idiomas alóctones ou de imigrantes nasceram e subsistem hoje. Estes idiomas são o português, o talian e demais dialetos italianos, e os hochdeutsch ou deutsch e plattdüütsch, ou plattdietch. Faz parte deste o dialeto pomerano comum próximo a Blumenau e Pomerode. Determinados dialetos nasceram na região. Entre eles estão o portunhol, uma combinação de português e castelhano que se fala nas regiões de fronteira com a Argentina. E o katarinensisch, de procedência alemã. Entre outros núcleos linguísticos em menor escala incluem castelhano, polaco, lituano, japonês, árabe, iídiche, etc.
Religiões
De acordo com o censo demográfico de 2010, a população de Santa Catarina é formada por católicos apostólicos romanos (73,07%); protestantes ou evangélicos (20,4%). Espíritas (1,58%); testemunhas de Jeová (0,74%); mórmons (0,11%); c. a. brasileiros (0,17%). Budistas (0,05%); novos religiosos orientais (0,04%), dentre os quais os messiânicos (0,03%). Islâmicos (0,01%); ortodoxos (0,07%); umbandistas (0,14%). Judaístas (0,02%), espiritualistas (0,03%). Tradições esotéricas (0,17%); indígenas (0,03%); candomblezeiros (0,09%) e hinduístas (0,01%). Outros 3,27% não tinham religião, incluindo-se aí os ateus (0,29%) e agnósticos (0,6%). 0,29% seguiam outras religiosidades cristãs; 0,21% não tinham fé determinada. 0,04% não souberam, 0,04% outras religiões orientais e 0,03% não declararam.
Composição étnica, migração e povos indígenas
A população de Santa Catarina é composta basicamente por caucasianos, mestiços, afro-brasileiros e povos indígenas. No Brasil colonial, os colonizadores espanhóis foram os primeiros a iniciar o povoamento no território catarinense. Santa Catarina foi povoada por portugueses e demais imigrantes europeus (italianos e alemães, principalmente). Os paulistas (também conhecidos como vicentistas), juntos dos indígenas aculturados, iniciaram a colonização de São Francisco do Sul, Florianópolis e Laguna já no século XVII. Os portugueses, em sua maior parte, açorianos, vieram para Santa Catarina em 1748, para povoar e defender o Brasil meridional de inesperados ataques de espanhóis. Já, os castelhanos, que chegaram da Argentina, estavam dominando terras portuguesas no sul do Brasil. Foram criadas colônias açorianas em pontos de estratégia na costa catarinense, que depois acabaram se espalhando por outras regiões do Brasil meridional. Antes de 1753, entraram 6 492 açorianos no Brasil meridional. Isso equivale a um terço de toda a população de Santa Catarina dos últimos anos do século XVIII.
Segurança pública e criminalidade
No Exército Brasileiro, Santa Catarina pertence ao Comando Militar do Sul (o qual possui um quartel-general em Porto Alegre) e, junto do Paraná, integra a 5.ª Região Militar e 5.ª Divisão de Exército, tendo sede na unidade federativa o 23.º Batalhão de Infantaria (Blumenau) e a 14.ª Brigada de Infantaria Motorizada; na Marinha do Brasil, Santa Catarina faz parte do 5.º Distrito Naval, sediado no Rio Grande, atuando no território estadual a Escola de Aprendizes-Marinheiros; na Força Aérea Brasileira, Santa Catarina conta com uma base aérea (Florianópolis). Segundo a Constituição Federal de 1988 e a Estadual de 1989, os órgãos reguladores da segurança pública no estado são a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil e a Polícia Científica de Santa Catarina.
Santa Catarina, assim como uma república, é governada por três poderes: Poder Executivo de Santa Catarina, Assembleia Legislativa de Santa Catarina e o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (entre outros tribunais e juízes). Também é permitida a participação popular nas decisões do governo por meio de referendos e plebiscitos. A atual constituição do estado foi promulgada em 1989, acrescida das alterações resultantes de posteriores emendas constitucionais. Constituem símbolos estaduais a bandeira, o brasão e o hino. Desde 1823 a capital de Santa Catarina é Florianópolis, cuja denominação da cidade era Nossa Senhora do Desterro, em homenagem à sua santa padroeira. O nome foi alterado durante o término da Revolução Federalista, em 1894, e a população do município ainda contesta essa mudança. A denominação Florianópolis é uma homenagem ao então presidente Floriano Peixoto. Dessa denominação vem a alcunha Floripa, pela qual a cidade é conhecida.
Símbolos estaduais
A bandeira de Santa Catarina é um retângulo dividido em três faixas horizontais: a superior e a inferior, goles, e a central, de argento. Se vê no meio um losango de sinopla com o brasão de armas no centro. No dia 15 de agosto de 1895, Santa Catarina recebeu uma bandeira, cujo desenho é de autoria de José Artur Boiteux. Possuía treze listras horizontais de goles e argento em quantidade semelhante ao de comarcas do estado. No interior do losango de sinopla, estrelas de jalde simbolizavam os municípios. O brasão de Santa Catarina é formado por uma estrela de cinco pontas de argento com uma águia de asas abertas. Esta segura com a pata direita, uma chave, com a esquerda, uma âncora, de jalde e cruzadas. No peito da águia, um pequeno escudo com a data histórica: 17 de novembro de 1889. Como timbre, um barrete frígio de goles enfiado por cima da ponta superior da estrela-escudo. Como suportes, dois colmos, um de trigo, à esquerda, e outro de café, à direita, unidos por uma faixa de goles com as pontas leves. Esta mostra a inscrição "Estado de Santa Catarina", em letras de argento. A estrela simboliza a integração dos municípios; a águia representa as forças produtivas. A chave, sua localização estratégica no sul do Brasil; a âncora, o oceano Atlântico, que banha Santa Catarina. A data, 17 de novembro de 1889, o dia em que foi adotada a república na antiga província, elevada à categoria de estado. Apresentando a lavoura da serra e a da costa, há dois ramos de trigo (à direita) e de café (à esquerda). Estes se encontram unidos por um listel onde está escrito: "Estado de Santa Catarina". Como timbre, o barrete frígio simboliza a república.
Surgiu como unidade política em 1738 com três cidades. A vila mais antiga é a de São Francisco do Sul, fundada em 1658, e a última desse período foi Lages, criado em 1770. Com a Independência do Brasil as províncias foram organizadas em 1823 e nesse ano o território já estava dividido em quatro cidades. Do Império até a República passou de vinte para 295 cidades. Santa Catarina é o sexto estado com o maior número de municípios e a terceira da Região Sul, atrás do Paraná. Os municípios são unidades constitutivas da União em patamar igual aos estados e são agrupados pelo IBGE em regiões geográficas intermediárias e imediatas. As regiões geográficas intermediárias congregam diversos municípios de uma área geográfica com similaridades econômicas e sociais. Não constitui uma entidade política ou administrativa. É utilizada apenas para fins estatísticos. Sete regiões geográficas intermediárias de Santa Catarina são: Florianópolis, Criciúma, Lages, Chapecó, Caçador, Joinville e Itajaí (ou Vale do Itajaí).
Sua economia está alicerçada nos setores industrial (agroindustrial, têxtil, cerâmica, de máquinas e equipamentos), extrativista (mineral) e pecuarista. Santa Catarina constitui o principal exportador de frango e carne suína do Brasil e sede da Brasil Foods (Itajaí), a mais importante companhia alimentícia brasileira. Dentre as indústrias, é sede de um dos mais importantes produtores de motores elétricos no mundo, a WEG, em Jaraguá do Sul. Esta é um dos principais fabricantes de compressores. Outras empresas incluem a Embraco e também a mais importante fundição latino-americana, a Tupy, ambas em Joinville. São muito expressivos os centros fabris de eletrodomésticos (e metalmecânica, em geral) na norte do estado, com grandes marcas brasileiras, como Consul e Brastemp (duas joinvilenses). Santa Catarina possui a sexta maior economia brasileira, com um Produto Interno Bruto de 513 393 bilhões de reais em 2023, valor correspondente a 4,7% do PIB nacional.
Setor primário
O setor primário é o maior e mais relevante da economia catarinense ao nível nacional. Em 2013, a agropecuária representava somente 5,0% do valor total adicionado à de todo o Brasil. O mais importante produto agrícola de Santa Catarina é o milho, plantado no planalto basáltico, onde oferece ração para a suinocultura. Depois vêm a soja, o fumo, a mandioca. O feijão, o arroz (plantado com irrigação nas várzeas da planície litorânea e do vale do rio Itajaí). A banana e a batata-inglesa. O estado é ainda grande produtor de cana-de-açúcar, alho, cebola, tomate, trigo, maçã, uva, aveia e cevada. A pecuária bovina se pratica especialmente em campo natural, de modo extensivo, e nas regiões de florestas, em pequena quantidade, com os animais sujeitos à semi-estabulação. Nessas áreas onde a agricultura constitui a fonte de renda majoritária, a produção se dirige para os porcos, principalmente no planalto basáltico. Nessa região, onde a milhocultura garante ração apropriada aos animais, a criação de porcos teve grande desenvolvimento no estado. Isso em consequência da evolução dos abatedouros baseados no processamento de carne suína, como a Perdigão, a Sadia, a Aurora e a Seara. Todas elas têm sede no estado. Grande crescimento ocorreu também na avicultura, com a chegada do frango Chester no mercado brasileiro na década de 1980. Em 2012, Santa Catarina foi também o segundo maior criador brasileiro de coelhos. Tem um efetivo de 37 501 rebanhos, somente atrás do Rio Grande do Sul e à frente do Paraná.
Setor secundário
Santa Catarina tinha em 2018 um PIB industrial de R$ 66,3 bilhões, equivalente a 5% da indústria nacional. Emprega 804.796 trabalhadores na indústria. Os principais setores industriais são: Construção (17,9%), Alimentos (14,5%), Serviços Industriais de Utilidade Pública, como Energia Elétrica e Água (7,5%), Vestuário (7,4%) e Máquinas e materiais elétricos (5,8%). Estes 5 setores concentram 53,1% da indústria do estado. O setor secundário é segundo mais relevante da economia catarinense ao nível nacional. Em 2013, a participação da indústria representava 4,9% do valor total adicionado à de todo o Brasil. Os mais importantes centros fabris de Santa Catarina são Joinville e Blumenau. O primeiro possui personalidade variada, com indústrias têxteis, de alimentos, fundições e fábricas de automóveis. Blumenau centraliza sua atividade na indústria têxtil, na metalmecânica e na de "softwares". Além disso, as cervejarias artesanais expandiram-se recentemente. No interior do estado, aparecem inúmeros centros industriais menores, associados tanto à indústria madeireira como para o beneficiamento de produtos agropecuários.
Setor terciário
O setor terciário é o menos relevante para a economia catarinense ao nível nacional. Em 2013, a participação dos serviços representava somente 3,6% do valor total adicionado à de todo o Brasil. Segundo a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) realizada pelo IBGE em 2013, existiam no estado 76 095 empresas, das quais 308 113 eram locais. Em 2013, trabalharam para todas essas empresas, 560 945 trabalhadores, que totalizavam ao todo uma receita bruta de R$ 55 944 815. Juntos com salários e outras remunerações somavam um total de 10 776 363. Em Santa Catarina, existiam, em 2015, 592 agências (instituições financeiras), que renderam R$ 71 121 160 249 mil em operações a crédito. 108 094 736 mil em depósitos à vista do governo. 5 215 932 191 mil em privados. 37 528 225 778 mil em poupança. 26 668 289 042 mil a prazo e 16 924 967 mil em obrigações por recebimento.
Saúde
São tidas como boas as condições de saúde do estado, muito embora ainda não tenha sido possível erradicar algumas endemias rurais. Em 2009, a estrutura dos hospitais abrangia uma rede de 4 470 estabelecimentos, os quais contavam com 15 557 leitos. Estes eram atendidos, em 2010, por 33 788 médicos, 4 420 enfermeiros e 6 824 auxiliares de enfermagem. São quatro os órgãos federais que realizaram atividades no estado. Departamento Nacional de Endemias Rurais (educação sanitária, atividades de saneamento básico, campanhas de vacinação contra a ancilostomose, doença de Chagas, febre amarela, filariose, malária e tracoma). Serviço Nacional de Doenças Mentais. Serviço Nacional da Lepra e Serviço Nacional de Tuberculose. Em 2005, 79,1% da população catarinense possuíam acesso à rede de água, ao passo que 82,6% eram beneficiados pela de esgoto sanitário.
Educação
Em 2015, foram registradas matrículas de 837 814 discentes, nas 3 250 instituições educacionais de ensino fundamental em Santa Catarina. Destas, 954 eram do estado, 1 912 do município, 383 da iniciativa privada e uma da União. No que diz respeito ao corpo docente, era igualmente formado por de 48 904 professores, Destes, 18 433 ensinavam em instituições de ensino do estado. 69 lecionavam em escolas da União, 23 550 nas do município e 6 852 nas da iniciativa privada. O ensino médio, em 2015, era lecionado em 990 estabelecimentos com 242 153 discentes registrados por matrícula, atendidos por 18 879 docentes. Dos 242 153 alunos, 198 952 encontravam-se nas escolas do estado. 7 415 estavam nas da União e 1 215 nas dos municípios e nas 34 571 da iniciativa privada.[nota 2]
Transportes
Em 2019, Santa Catarina contava com 62.871 km de estradas, sendo 9.321 km pavimentados, e destes, 556 km eram vias duplicadas. A malha rodoviária de Santa Catarina compreende as diversas regiões do estado. As rodovias estaduais de Santa Catarina são comandadas pelo Departamento de Transportes e Terminais. Esta é responsável por consertar e vigiar a maior parte das vias públicas que ligam as cidades e as zonas rurais do estado. A presença de pedágios, em suas rodovias, é proibida pela Constituição Estadual de 1989. As rodovias federais, controladas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, têm, em sua maior parte, pedágios da Arteris. A mais importante rodovia é a BR-101, que corta o litoral e escoa boa parte da produção no estado. Outra rodovia principal é a BR-470, que conecta o meio-oeste com o litoral. A BR-470 se liga à BR-282 e à BR-283 e por ela passa a produção agroindustrial, a qual é exportada pelo porto de Itajaí. A BR-280 conecta a cidade de Porto União, no Planalto Norte, com o porto de São Francisco do Sul. Através dela, é conduzida a produção da indústria de móveis de São Bento do Sul e a erva-mate cultivada em Canoinhas. Outras rodovias famosas constituem a BR-153 e a BR-116. Esta cruza as cidades de Lages, Papanduva e Mafra, atravessando o estado até o limite com o Rio Grande do Sul.
Serviços e comunicações
Em Santa Catarina, há diversas empresas de abastecimento de água. Em 195 dos 295 municípios catarinenses, a empresa de água e saneamento básico é a Casan. No que diz respeito à energia elétrica, há uma empresa em território estadual, Centrais Elétricas de Santa Catarina. O potencial hidrelétrico de Santa Catarina não está completamente explorado, e usinas termelétricas produzem boa parte da energia consumida no estado. O carvão-vapor é usado no funcionamento dessas usinas. Essa utilização colabora não só para a ampliação da produção termelétrica como também garante comércio em desenvolvimento para o aumento do consumo da produção de carvão no estado.
A origem da cultura de Santa Catarina se encontra na diversidade. Esta resulta da presença dos portugueses (açorianos e madeirenses), dos alemães do Vale do Itajaí, e pela pequena Itália localizada ao sul. Estes, após sua chegada a Santa Catarina trouxeram uma enorme bagagem cultural. Esses povos são caracterizados pela importância das tradições da sua população e por festividades religiosas que foram muito importantes para a formação da cultura do estado. Santa Catarina reflete todos os povos colonizadores que constituem harmoniosamente a cultura desse estado. Por esse motivo, pode-se dizer que a culinária de Santa Catarina é abundante em frutos do mar (influência de Portugal), tais como peixes, camarões e mariscos. Estes podem apresentar variações no seu modo de preparar e segundo a espécie. Podem ser destacados como alguns alimentos mais comuns: peixe ensopado (com sal e ervas de cheiro) acompanhado com pirão e farinha de mandioca. Peixe frito (oferecido em pedaços e envolvido em farinha de mandioca ou de trigo até fritar), grelhado na brasa e/ou na folha de bananeira. Peixe assado, camarão à milanesa, caldo de camarão, ovas de tainha, entre outros. Além disso, existe a geleia de morango, bolo de mel, kutiá, torta de ricota e vereniqué (pastel cozido). No artesanato, destacam-se os artigos feitos de vime, lã e couro. Renda de bilros. A produção de bonecos de pano. Pintura em porcelana e a arte de escultura em madeira, que merece destaque por ter artesãos que fabricam peças para ilustres colecionadores.
Espaços culturais
Estão sediadas em Santa Catarina várias instituições culturais. Podem ser citados o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, a Academia Catarinense de Letras e o Círculo de Arte Moderna. As principais bibliotecas são a Biblioteca Pública do Estado, a Biblioteca Pública Municipal do Estreito, as das diversas escolas da Universidade Federal (Florianópolis), a Biblioteca Pública Municipal Dr. Fritz Müller (Blumenau), a Biblioteca Pública Municipal (Joinville) e a Biblioteca da Fundação Camargo Branco (Lages). Existe ainda o Teatro Governador Pedro Ivo, Teatro Álvaro de Carvalho (TAC) e o complexo cultural do Centro Integrado de Cultura (CIC).
Monumentos
Ao povoarem a atual Florianópolis, os açorianos ergueram um sistema de fortalezas, que hoje são de grande importância histórica. Na ilha de Anhatomirim encontra-se um desses fortes, a fortaleza de Santa Cruz. Esta, erigida em 1744, foi restaurada pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Das ruínas do forte de São José da Ponta Grossa (1740), na praia do Forte, tem-se um dos mais belos panoramas da região. Outros monumentos conhecidos são o Mercado Público e o prédio da Alfândega. Estes foram construídos no final do século XIX. A ponte Hercílio Luz (1926) é uma das mais longas pontes pênseis do planeta (Florianópolis). O palácio dos Príncipes foi construído em 1870 (Joinville). O patrimônio histórico tomba as ruínas e construções da ilha de São Francisco do Sul e da cidade de Laguna.
Festividades
Das festas folclóricas, as principais são promovidas no mês de outubro em diversas cidades: em Criciúma, a Festa das Etnias; em Florianópolis, a Fenaostra. Em Blumenau, a Oktoberfest, tradicional festa alemã, com comercialização de chope, canções típicas e grupos de folclore. Em Joinville, a Fenachopp. Em Rio do Sul, a Kegelfest, onde o atrativo, além da cerveja, é o bolão, jogo análogo ao boliche e à bocha. Em Treze Tílias, a Tirolerfest, que celebra o aniversário da imigração austríaca. Em Jaraguá do Sul, a Schützenfest, combinação de torneio de tiro com festival alimentar e cervejeiro. em Brusque, a Fenarreco. Em Pomerode, a Pomerana; em Itapema, o Festival do Camarão; e, em Itajaí, a Marejada, com culinária de Portugal.
Esportes
O futebol é o esporte mais popular no estado de Santa Catarina, seguido por vôlei, tênis, basquete, ciclismo e artes marciais. O futebol em Santa Catarina foi introduzido no início do século XX. Tem como principais equipes o Avaí, o Figueirense, a Chapecoense, o Joinville e o Criciúma, além de outros menores. Já, o Campeonato Catarinense, realizado anualmente desde 1924, é o principal evento de futebol no estado. Esta competição esportiva é organizada pela Federação Catarinense de Futebol, contando com a participação de doze equipes na primeira divisão. Os estádios Arena Condá, em Chapecó, e Heriberto Hülse, em Criciúma, são o maiores de futebol de Santa Catarina.
Feriados
Em Santa Catarina há dois feriados estaduais: o dia 11 de agosto, data magna do estado, e o dia 25 de novembro, festa litúrgica de Santa Catarina de Alexandria. Estes feriados foram oficializados por meio das leis n.º 10 306/1996 e 12 906/2004, ambas revogadas pela Lei Estadual n.º 16 719/2015.


