Jornalismo
O jornalismo é a atividade de coletar, investigar e analisar informações para produzir e distribuir relatos sobre eventos, fatos, ideias e pessoas que são notícia e afetam a sociedade. Abrange a ocupação, os métodos de coleta de dados e os estilos literários, sendo veiculado por mídias como impresso, televisão, rádio, internet e, historicamente, noticiários.
Pontos-chave
- O jornalismo envolve coleta, investigação e análise de informações para reportar eventos relevantes à sociedade.
- Sua história remonta ao Acta Diurna romano e jornais chineses, evoluindo com a invenção da imprensa de Gutenberg.
- Atua como um 'quarto poder', fiscalizando o governo e promovendo o debate público.
- Fundamenta-se em liberdade, objetividade e credibilidade para garantir sua relevância e influência.
- O texto jornalístico segue a estrutura da pirâmide invertida, com o 'lead' contendo as informações mais importantes.
A história do jornalismo é vasta, começando com o 'Acta Diurna' romano em 69 a.C. e jornais manuscritos na China do século VIII. A invenção da prensa por Gutenberg em 1447 revolucionou a disseminação de notícias, levando ao surgimento dos jornais modernos. Publicações periódicas surgiram na Europa Ocidental no século XVII, como o 'Avisa Relation oder Zeitung' (1609) e o 'The London Gazette' (1665), que ainda existe. Inicialmente focados em notícias internacionais negativas, os jornais passaram a abordar assuntos locais no século XVII, enfrentando, porém, a censura. A Suécia foi pioneira na proteção da liberdade de imprensa em 1766.
O jornalismo engloba diversas formas, atendendo a públicos variados e atuando como um 'quarto poder' na fiscalização governamental. Uma única publicação pode conter múltiplos gêneros e formatos. Com a ascensão das mídias sociais, o jornalismo é cada vez mais visto como um processo participativo, envolvendo jornalistas e o público na mediação social das notícias.
Estudos Acadêmicos em Jornalismo
Os estudos do jornalismo têm uma longa tradição, especialmente nos Estados Unidos desde a década de 1960, antes mesmo da criação de cursos de Mestrado e Doutorado no século XX. Este campo de estudo explora o papel do jornalismo na sociedade, a constituição das notícias e a figura do jornalista, com pesquisas predominantemente ligadas à prática profissional e às rotinas de produção.
O Caráter Ativo do Jornalismo na Política
O 'caráter ativo' do jornalismo refere-se à sua capacidade de intervir e influenciar a vida política, agindo de forma flexível e nem sempre alinhada a ideologias. A relação entre mídia e política é amplamente debatida academicamente, com o conceito de 'paralelismo político' (introduzido por Colin Seymour-Ure em 1974 e popularizado por Hallin e Mancini em 2004) sendo uma variável chave para comparar o grau de convergência entre veículos de mídia e partidos políticos.
Jornalismo Ativo vs. Jornalismo Advocatício
O jornalismo ativo, segundo Donsbach e Patterson, participa do debate político enquadrando, interpretando ou investigando assuntos, revelando informações que de outra forma não seriam públicas, como bastidores ou escândalos. Este caráter investigativo não implica posicionamento político direto. Já o jornalismo advocatício (ou militante) atua com base em posicionamentos políticos, emitindo opiniões e juízos de valor de forma consistente, substancial e agressiva, como um ator político.
O jornalismo se apoia em conceitos fundamentais que garantem seu pleno desempenho, com o jornalista atuando como mediador entre a sociedade e os acontecimentos relevantes. Valores e normas profissionais se institucionalizaram ao longo dos anos, sendo a crença nesses valores essencial para a identidade do jornalista, conforme Traquina.
A Liberdade como Essência do Jornalismo
A liberdade é indissociável do jornalismo e da democracia. Traquina, citando Tocqueville, destaca a inseparabilidade entre a soberania popular e a liberdade de imprensa. Thomas Jefferson afirmou que não há democracia sem liberdade de imprensa, e John Stuart Mill alertou para as consequências desastrosas de qualquer censura à mídia.
Objetividade: Um Conceito em Debate no Jornalismo
A objetividade, surgida no século XIX com a imprensa de massa, é um conceito ainda debatido e muitas vezes mal compreendido. Com o crescimento da mídia e dos profissionais, novos valores foram estabelecidos para sustentar o campo jornalístico. A busca era por fatos mais importantes que opiniões, em contraste com o jornalismo propagandista anterior. Para isso, regras e procedimentos foram criados para que a objetividade se sobrepusesse à subjetividade do jornalista, garantindo a credibilidade do veículo como parte não interessada e protegendo-o de críticas. Gaye Tuchman descreve a objetividade como um 'ritual estratégico', uma série de procedimentos que, quando seguidos, permitem aos jornalistas alegar imparcialidade.
Credibilidade: O Caminho para a Influência Duradoura
Para Philip Meyer, a credibilidade é um componente crucial da influência e pode determinar o sucesso econômico de um jornal. A decisão de um veículo em manter ou não sua credibilidade afeta diretamente sua integridade e capacidade de reportar verdades difíceis, mas necessárias à comunidade. Pesquisas de Meyer indicaram que jornais vistos como apoiadores da comunidade eram percebidos como tendenciosos. Embora a credibilidade possa flutuar a curto prazo, dar notícias que a comunidade precisa ouvir, mesmo que impopulares, pode aumentar a influência do jornal a longo prazo.
O jornalismo se materializa em textos com diferentes nomenclaturas e objetivos. 'Matéria' é o termo genérico para textos informativos apurados, como notícias, reportagens e entrevistas. 'Artigo' é um texto dissertativo ou opinativo, não necessariamente sobre notícias ou escrito por um jornalista. A técnica da 'pirâmide invertida' organiza as informações em ordem decrescente de importância, com o 'lead' (primeiro parágrafo) contendo os dados essenciais. O texto é subdividido em 'retrancas' e 'sub-retrancas' ou matérias coordenadas, agrupadas por tema.
Notícia: A Matéria-Prima do Jornalismo
A notícia é o formato de divulgação de um acontecimento relevante por meios jornalísticos, sendo a matéria-prima do jornalismo. Fatos políticos, sociais, econômicos, culturais ou naturais podem ser notícia se afetarem grupos significativos. Frequentemente, a notícia tem conotação negativa por abordar eventos excepcionais, anormais ou de grande impacto, como acidentes, tragédias ou guerras. A produção de uma notícia exige apuração, pesquisa, comparação, interpretação, seleção e redação adequada ao veículo. Segundo Ciro Marcondes Filho, atributos como atualidade, veracidade, oportunidade, interesse humano, raridade, curiosidade, importância e consequências para a comunidade são fundamentais para que um fato se torne uma boa notícia.
Em democracias, o trabalho jornalístico é protegido por leis e constituições, incluindo o direito de sigilo da fonte. O Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem assegura a liberdade de expressão e imprensa. Contudo, a organização Repórteres sem Fronteiras registrou 42 jornalistas mortos e 766 presos em 2003, principalmente na Ásia. O futuro do jornalismo exige que os profissionais se adaptem às novas mídias e tecnologias, tornando-se polivalentes. A independência profissional é um tema de debate contínuo, como abordado por Clóvis Rossi em 'O que é Jornalismo' (1980).
O Jornalismo no Brasil: Regulamentação e Formação
O primeiro sindicato de jornalistas no Brasil foi fundado em Juiz de Fora em 1934, seguido pela primeira regulamentação da profissão em 1938. A Lei de Imprensa de 1967 tornou o diploma de curso superior de Jornalismo obrigatório, mas o Supremo Tribunal Federal o tornou facultativo em 2009. Em 2012, uma PEC para restabelecer a obrigatoriedade do diploma foi aprovada no Senado, mas aguarda votação na Câmara desde 2015. Atualmente, o Brasil conta com cerca de 120 cursos de graduação em Jornalismo, formando quase 5 mil profissionais anualmente. O curso de Bacharel em Jornalismo tem a maior carga horária entre os cursos de comunicação, com um mínimo de 3 mil horas e 4 anos de duração, conforme as diretrizes do MEC. Após a conclusão, o profissional é reconhecido pela FENAJ e sindicatos, podendo filiar-se e solicitar a Carteira Nacional de Jornalista.


