Espanhóis
Os espanhóis são um povo e grupo étnico nativo da Espanha, um país localizado na Península Ibérica, entre a Europa Ocidental e Meridional. Devido à complexa história e formação do Estado espanhol, dentro do povo espanhol há subdivisões, como os andaluzes, castelhanos, estremenhos, valencianos, catalães, galegos, bascos e canarinos.
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Estudos genéticos, autónomos e de marcadores de haplogrupos, mostram claramente que os espanhóis estão intimamente relacionados com o resto da Europa, e em particular com as populações da costa atlântica: França, Grã-Bretanha, Irlanda, e seu vizinho ibérico, Portugal.
Pré-história e período pré-romano
Os primeiros humanos anatomicamente modernos chegaram à Europa, vindos da Anatólia, há cerca de 45 mil anos, alcançando a Península Ibérica alguns milênios depois. Esses pioneiros encontraram e se miscigenaram com os neandertais, de modo que os europeus modernos possuem em torno de 2% do seu genoma de origem neandertal. Com o início do Último Máximo Glacial, há cerca de 30 mil anos, a Península Ibérica foi um dos refúgios para os caçadores-coletores europeus, com grande parte do continente coberta por gelo. Durante essa glaciação, os caçadores-coletores gravetianos de pele e olhos escuros foram substituídos por caçadores-coletores de pele escura, olhos claros e um toque de ancestralidade do Oriente Próximo.
Domínio romano e invasões germânicas
Em 218 a.C., durante a Segunda Guerra Púnica, a República Romana iniciou a conquista da Península Ibérica, a que os romanos denominariam “Hispânia”, a qual perdurou até o final do século I a.C., já no início do Império Romano. Gradualmente, os romanos impuseram sua língua e costume sobre os povos ibéricos e as populações abandonaram seu modo de vida tradicional. É sabido que do latim, a língua dos romanos, se baseia as línguas ibéricas, com exceção do basco, como o castelhano, português, galego e catalão. Durante o período romano, chegaram aos atuais Portugal e Espanha os judeus, vindos da região de Canaã, formando a comunidade conhecida como sefarditas, os judeus ibéricos, os quais formariam uma das maiores e mais prósperas comunidades judaicas durante o período do Emirado e Califado de Córdoba. Os sefarditas deixaram algum legado genético nos portugueses e espanhóis modernos.
Domínio muçulmano, a Reconquista e a formação do Estado espanhol
Em 711, aproveitando-se das disputas internas no Reino Visigodo, árabes e berberes vindos do Norte da África, apelidados pelos cristãos de “mouros”, invadiram a Península Ibérica, a qual denominavam “Al-Andalus”, a conquistando rapidamente. Durante séculos, os muçulmanos toleraram a fé de cristãos e judeus em Al-Andalus, mediante pagamento de um imposto especial, sendo os cristãos sob domínio mouro denominados “moçárabes”. A única região da Ibéria que os muçulmanos não ocuparam foram as Astúrias, onde os visigodos se refugiaram e iniciaram ali, em 718, a Reconquista, o processo de retomada das terras muçulmanas pelos cristãos. Nesse processo, surgiram os reinos de Astúrias, Leão, Castela, Navarra, Aragão e Portugal.
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Dentro da Espanha, há as chamadas nacionalidades históricas, isto é, comunidades autônomas com características culturais próprias, diferentes do restante do país, que são: Andaluzia, Catalunha, Comunidade Valenciana, País Basco, Galiza, Baleares e Canárias.
Imigração
A população da Espanha está se tornando cada vez mais diversificada, devido à imigração recente. Espanha é agora um dos países com as mais altas taxas de imigração per capita no mundo e o segundo mais alto na migração absoluta no mundo (depois dos EUA) e imigrantes representam agora cerca de 10% da população. Desde 2000, a Espanha absorveu mais de 3 milhões de imigrantes, e milhares a mais chegam a cada ano. A população imigrante em 2006 ultrapassou quatro milhões e meio. São provenientes principalmente da Europa, América Latina, China, Filipinas, Norte de África e África Ocidental.
Ciganos
Os ciganos, exônimo dado em português a um povo que se autodenomina "roma" ou "romani", são um grupo étnico nativo da Índia que, durante a Idade Média, migraram para o Oriente Médio e Europa. Alcançaram a Península Ibérica no século XV e a comunidade cigana dessa região é conhecida como caló. Os ciganos espanhóis, por uma série de razões históricas e culturais não são considerados estrangeiros, mas de etnia diferente, e desempenham um papel importante no folclore andaluz, em especial na música e cultura. Não há estatísticas oficiais sobre a população cigana na Espanha, mas estimativas não oficiais a colocam entre 600 mil e 700 mil indivíduos, fazendo do país ibérico possuir uma das maiores comunidades ciganas da Europa, junto com a Romênia e Bulgária. Mais de 40% dos ciganos espanhóis vivem na região da Andaluzia e muitos também vivem no sul da França, especialmente na região de Perpignan.
Diáspora espanhola
A diáspora espanhola, isto é, a dispersão dos espanhóis pelo mundo, se iniciou no século XV, com a conquista das Canárias. Os aborígenes canários, de origem berbere, foram absorvidos aos colonos espanhóis que se fixaram no arquipélago, assim formando o povo canarino. Durante a colonização espanhola da América, centenas de milhares de colonos espanhóis, oriundos de toda a Espanha continental, especialmente da Andaluzia, Extremadura e Castela, migraram para as colônias na América Hispânica e, em menor medida, para as Filipinas. A presença de canarinos nas colônias espanholas foi fraca, com exceção das Antilhas Espanholas e da Venezuela, onde estavam bem presentes.
O idioma proeminente na Espanha é o castelhano, também chamado e mais conhecido como espanhol, falado por quase toda a população do país. Outros idiomas têm importância maior em algumas regiões: o basco (euskera ou euskara) no País Basco e em Navarra; catalão na Catalunha e nas Ilhas Baleares e em diassistema, como variante deste primeiro, o valenciano, na Comunidade Valenciana; e por fim o galego na Galiza (em diassistema com o português em ambas as margens do rio Minho). A ditadura de Francisco Franco proibiu todos os idiomas que não o espanhol. Como consequência da transição democrática na Espanha, em 1978, o catalão, galego e basco adquiriram o status de idiomas cooficiais nas suas respectivas regiões, tendo grande relevância local, inclusive possuindo diversas publicações como jornais diários nestes idiomas, e uma significante produção e publicação de livros e indústria midiática.


