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Esmalte

No âmbito da arte ou da técnica, o esmalte, ou esmalte vidrado é um material obtido pela fusão de vidro em pó com um suporte através do aquecimento em forno, normalmente entre 750 e 850ºC. O pó é fundido, escorre, e endurece depois na forma de um revestimento vítreo de grande durabilidade. O suporte é geralmente um objecto em metal, vidro ou cerâmica, embora o uso do termo esmaltagem seja normalmente restrito ao trabalho em metal, que é o objecto deste artigo. A aplicação em cerâmica recorre ao termo vidrado. Os produtos derivados da aplicação são plenos compostos laminados de vidro e metal. A palavra esmalte tem origem na palavra germânica smelzan por via do francês arcaico esmail. Usado como substantivo, um "esmalte" ou "esmaltado" é normalmente um pequeno objecto decorativo, coberto por um revestimento de esmalte. A esmaltagem é uma técnica antiga e largamente adoptada, principalmente usada nos ramos da joalharia e artes decorativas ao longo da sua história, mas desde o século XIX aplicada em vários produtos de fabrico em série e de uso quotidiano, sobretudo recipientes de cozinha.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/10/2026
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História

Imagem: congalaconga · BY-NC-ND · Openverse

No antigo Egipto era aplicada esmaltagem na cerâmica e objectos de pedra e, por vezes, em joalharia embora neste último caso menos frequentemente que nas restantes culturas da antiguidade do Médio Oriente. Os gregos antigos, celtas, georgianos e chineses também usaram esmalte em objectos de metal. O esmalte era também usado na decoração de recipientes de vidro durante o Império Romano, e existem indícios deste facto já durante o final da República e o início do período imperial no Levante, Egipto, Bretanha e no Mar Negro. Estima-se que a produção tenha atingido o seu auge durante o período claudino, perdurando por mais três séculos, embora os testemunhos arqueológicos desta técnica se limitem a cerca de quarenta vasilhas ou fragmentos de vasilhas. O pó para esmalte podia ser obtido de duas formas: quer através da pulverização de vidro colorido, quer pela mistura de pó de vidro incolor com pigmentos como óxidos de metais. Os desenhos podiam ser executados à mão ou por cima de incisões de contorno, tendo tido a técnica origem provável no trabalho em metal. Uma vez pintados, os recipientes de vidro estanhados necessitavam de ser aquecidos a uma temperatura suficientemente alta para derreter o pó aplicado, mas não tão alta que fundisse o próprio suporte.

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Propriedades

Imagem: jacilluch · BY-SA · Openverse

O esmalte vítreo pode ser transparente ou opaco quando aquecido, e ser aplicado na maioria dos metais. A grande maioria do esmalte industrial moderno é aplicado em aço, no qual o teor de carbono é controlado de modo a prevenir reacções a altas temperaturas. O esmalte pode também ser aplicado em cobre, alumínio, aço inoxidável, ferro, ou aço laminado a quente, assim como ouro ou prata. O esmalte possui várias propriedades de excelência: é macio ao toque, duro, oferece resistência a químicos, durável, resistente a incisões (5-6 na escala de Mohs, resistente à descoloração, de fácil limpeza e ignífugo. O esmalte é vidro, e não tinta, portanto não desbota com luz ultravioleta. As desvantagens são a sua tendência para rachar ou estilhaçar quando o suporte é dobrado ou forçado, embora esmaltes modernos sejam resistentes ao impacto e lascas através do controle preciso de espessura de modo a igualar o coeficiente térmico do suporte.

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Processo industrial

Imagem: Bibi · BY-NC-SA · Openverse

Numa folha de aço, é colocada primeiro uma camada de base parar facilitar a adesão. O único tratamento prévio da superfície requerido na indústria contemporânea é uma remoção de impurezas gordurosas com uma solução alcalina. É depois aplicada uma segunda camada branca ou colorida sobre a camada base aquecida. Para esmaltes electrostáticos, o pigmento de cor pode ser aplicado directamente sobre uma camada base não aquecida, que é levada ao forno juntamente com o revestimento, num processo bastante eficiente de aquecimento único para duas camadas de esmalte. A frita na camada base contém cobalto fundido e/ou óxido de níquel, bem como outros óxidos de metais de transição que funcionam como catalisadores das reacções de ligação entre o esmalte e o aço. Durante o aquecimento, entre 760 e 895ºC, forma-se inicialmente no aço uma camada de óxido de ferro. O esmalte em fusão dissolve o óxido de ferro e precipita a cobalto e níquel. O ferro age como ánodo numa reacção electrogalvânica, no qual o ferro é novamente oxidado, dissolvido pelo vidro, e oxidado de novo, servindo o cobalto e o níquel para limitar a reacção. Finalmente, o vidro adere aos sulcos da superfície rugosa.

Corantes

As cores são obtidas através de óxidos metálicos:

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Técnicas de esmaltagem artística

Imagem: Rafael Taminato · BY-NC-ND · Openverse

Francês para ao redondo, também conhecida por "esmalte encrustado". Uma variante tridimensional de esmalte, onde uma forma escultórica ou base em arame é completa ou parcialmente esmaltada, como por exemplo no Relicário do Santo Espinho, do século XV.

Basse-taille

Da expressão francesa que significa corte ao baixo. A superfície do metal é decorada com uma gravura em baixo relevo que pode ser vista através de esmaltes translúcidos e transparentes. Um exemplo notável é a Taça de Santa Inês, datada do século XIV.

Champlevé

Francês para campo elevado, onde a superfície é cravada para o exterior de modo a formar alvéolos nos quais o esmalte é queimado, deixando o metal exposto. Um exemplo é o Tríptico de Stavelot românico.

Cloisonné

Francês para alvéolo. São aplicados arames muito finos de modo a formar compartimentos na superfície do metal, que recebem depois esmalte de diferentes cores. Bastante difundida na Europa, Médio Oriente e Extremo Oriente.

Grisaille

Francês para grisalho. É aplicado um fundo escuro, geralmente preto ou azul, e pintado por cima com esmalte translúcido, criando desenhos através de gradiente monocromático. Quanto maior a espessura da camada de esmalte da camada de cor, mais opaca se torna a figura.

Esmalte pintado

É pintado um desenho em esmalte numa superfície metálica lisa. A técnica de grisaille e o esmalte de Limoges tardio são exemplos de esmalte pintado. A maior parte da pintura tradicional em vidro, e alguma em cerâmica, usa o que tecnicamente é esmalte, mas é normalmente descrita como "pintura em esmalte", reservando os termos "esmalte pintado" e "esmalte" para a técnica como um todo, e que envolve o trabalho com uma base metálica.

Plique-à-jour

Francês para aberto ao dia, onde o esmalte é aplicado em compartimentos, similar à técnica de cloisonné, mas sem suporte e de modo a que a luz possa ser vista através do esmalte translúcido ou transparente, resultando numa aparência semelhante a um vitral. Um dos exemplos sovreviventes da época medieval é a Taça de Mérode

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Fontes consultadas

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