Escrita protossinaítica
O alfabeto protossinaítico, também chamado alfabeto protocananeu, é um dos alfabetos mais antigos conhecidos. Esse é, através de derivações e modificações sucessivas, a origem da genealogia da maior parte dos alfabetos usados hoje.
Ignora-se quem e onde teria criado esse primitivo alfabeto. Acredita-se que se trate de uma adaptação da escrita egípcia antiga criada para transliterar essa escrita para os muitos operários que falavam uma ou mais línguas semíticas e trabalhavam no Sinai que era uma posse do Egito Antigo. Essa escrita deve ter surgido por volta do final Império Médio ou durante o Segundo Período Intermediário que se seguiu. As inscrições mais antigas datam de cerca 1700 anos a.C., embora valie-se que já existissem desde 1900 a.C. Foram encontrados no sítio arqueológico de Serabit el-Khadim, no Sinai, e por toda essa região, muitos objetos cobertos por tais inscrições. Foi o egiptólogo inglês Alan Gardiner que, em 1916, decifrou essa escrita. Chama-se geralmente da proto-sinaítica também todas escritas não decifradas mais antigas datando da metade da Idade do Bronze (entre 2000 e 1525 a.C.) e proto-cananéias aquelas do fim da Idade do Bronze (1525 e 1200 a.), escritas em línguas semíticas.
As letras do primeiro sistema de escrita utilizado para as línguas semíticas foram derivadas dos hieróglifos egípcios. No século XIX, a teoria da origem egípcia competia com outras teorias de que a escrita fenícia se desenvolveu a partir do cuneiforme acádio, dos hieróglifos cretenses, do silabário cipriota e dos hieróglifos anatólios. Posteriormente, as inscrições protossinaíticas foram estudadas por Alan Gardiner, que identificou a palavra "Senhora" ocorrendo várias vezes nas inscrições, e também tentou decifrar outras palavras. Nas décadas de 1950 e 1960, William Albright publicou interpretações do protossinaítico como a chave para mostrar a derivação do alfabeto cananeu a partir do hierático. De acordo com a "teoria do alfabeto", o proto-alfabeto semítico antigo refletido nas inscrições protossinaíticas teria dado origem tanto à escrita antiga da Arábia do Sul quanto ao alfabeto protocananeu na época do Colapso da Idade do Bronze Final (1200–1150 a.C.).
As inscrições do Sinai são mais conhecidas pelas Inscrições protossinaíticas de Serabit el-Khadim, que consistem em graffiti esculpidos e textos votivos provenientes de uma montanha no Sinai chamada Serabit el-Khadim e do seu templo dedicado à deusa egípcia Hathor (ḥwt-ḥr). A montanha continha minas de turquesa que foram visitadas por expedições repetidas ao longo de 800 anos. Muitos dos trabalhadores e funcionários eram originários do Delta do Nilo e incluíam um grande número de povos semitas (ou seja, falantes de uma forma inicial do semítico do noroeste, ancestral das línguas cananeias do Bronze Tardio) que tinham permissão para se estabelecer no delta oriental. A maioria das cerca de quarenta inscrições foi encontrada entre inscrições hieráticas e hieroglíficas muito mais numerosas, gravadas em rochas perto e dentro das minas de turquesa e ao longo dos caminhos que levavam ao templo.
Inscrições de Uádi el-Hol
As duas inscrições de Uádi el-Hol (em árabe: وادي الهول Wādī al-Hawl 'Desfiladeiro do Terror') foram esculpidas nas paredes rochosas de uma antiga estrada militar e comercial no deserto elevado, ligando Tebas e Abidos, no coração do Egito letrado. Foram datadas entre 1900 e 1800 a.C. Encontram-se num uádi na curva de Qena do Nilo, aproximadamente em 25° 57′ N, 32° 25′ L, entre dezenas de inscrições hieráticas e hieroglíficas. As inscrições rupestres no vale parecem mostrar os exemplos mais antigos de escrita alfabética fonética descobertos até à data. As inscrições são graficamente muito semelhantes às inscrições de Serabit, mas mostram uma maior influência hieroglífica, como um glifo para um homem que aparentemente não era lido alfabeticamente: O primeiro destes (h1) é uma figura de celebração [Gardiner A28], enquanto o segundo (h2) é o de uma criança [Gardiner A17] ou de dança [Gardiner A32]. Se for o último caso, h1 e h2 podem ser variantes gráficas (como dois hieróglifos usados para escrever a palavra cananeia hillul "jubilação", correspondendo a הלל hallel ou hillel em hebraico) em vez de consoantes diferentes.
Outras inscrições possíveis
Escavações arqueológicas no sítio de Umm el-Marra revelaram quatro cilindros de barro inscritos datados de ca. 2300 a.C., cujas incisões foram hipotetizadas como sendo escrita semítica alfabética antiga, o que os tornaria os exemplos mais antigos desse tipo. Em 2009, Stephanie Dalley publicou várias tabuletas da Coleção Schøyen datadas da época da Primeira dinastia do País do Mar, quatro das quais foram identificadas como exemplos de inscrições alfabéticas antigas. Outros exemplos prováveis de inscrições alfabéticas antigas incluem um óstraco de uma tumba no oeste de Tebas e um caco inscrito de Lachish, ambos datados do século XV a.C. Em 2010, Stefan Wimmer publicou uma inscrição descoberta no Vale de Timna que ele também identificou como escrita protossinaítica, embora também tenha notado que a sua autenticidade não é certa.
Esse abjad apresentava pictogramas para 23 sons consoantes, o sentido de escrita era variável.
Abaixo está uma tabela sinóptica mostrando os sinais protossinaíticos selecionados e as correspondências propostas com as letras fenícias e os hieróglifos egípcios. A inscrição de origem de cada glifo está indicada entre parênteses. Um repertório completo das formas de letras atualmente conhecidas pode ser encontrado nas páginas 8 e 9 aqui: https://www.unicode.org/L2/L2019/19299-revisiting-proto-sinaitic.pdf. Também são mostrados os valores sonoros reconstruídos e os nomes.


