Álefe
O Álefe (ou Alef) é a primeira letra de diversos abjads semíticos, como o fenício, hebraico, aramaico, siríaco e árabe. Também presente no saudi-árabe antigo e no amárico, sua forma e função evoluíram significativamente ao longo da história, representando desde um boi até conceitos matemáticos e filosóficos.
Pontos-chave
- Álefe é a primeira letra de vários abjads semíticos, incluindo fenício, hebraico e árabe.
- Sua origem remonta a um pictograma que significava 'boi', derivando de um glifo protossinaítico.
- No hebraico, representa a oclusiva glotal ou um hiato, e na Cabala tem papel místico, além de valor numérico 1 na gematria.
- No árabe, pode indicar a oclusiva glotal ou vogal longa /aː/, e deu origem a variações como hamza, álefe mada e álefe maqueçura.
- O glifo hebraico ℵ (aleph) é usado na matemática para denotar os números aleph, que representam a cardinalidade de conjuntos infinitos.
O nome 'álefe' ou 'álufe' em hebraico antigo deriva de uma palavra semítica ocidental que significava 'boi', 'poder' e 'autoridade'. Sua forma pictográfica original representava a cabeça de um boi, influenciada por um hieróglifo egípcio. Essa letra fenícia (𐤀) deu origem ao alfa grego (Α), ao 'A' latino e ao 'А' cirílico. Curiosamente, enquanto o alfa grego passou a representar a vogal /a/, o álefe semítico não tem sonorização própria, indicando uma vogal sem consoante ou uma parada glotal.
No hebraico (א), o álefe (אָלֶף) pode representar uma oclusiva glotal ([ʔ]) ou indicar um hiato, separando duas vogais adjacentes em sílabas distintas sem uma consoante intermediária. O hebraico é um idioma silábico onde as vogais são geralmente indicadas por pontos de leitura apenas em textos específicos, como hinários e livros infantis. Na Cabala, o álefe possui um papel místico fundamental. Na gematria, ele representa o número 1 e, quando usado no início de anos hebraicos, significa 1000, simbolizando frequentemente o início de algo.
No árabe moderno, a palavra أليف ([ʔaliːf]) significa 'domesticado' ou 'familiar'. Historicamente, o álefe representava tanto a oclusiva glotal ⟨ʔ⟩ quanto a vogal longa /aː/, o que gerou confusão ortográfica. Isso levou à introdução do hamza (ﺀ) para indicar a parada glotal, geralmente posicionado sobre ou sob o álefe, yāʾ ou waw. Existem também variações especiais: o álefe mada (ﺁ) representa a vogal longa com parada glotal (ʾā) ou uma vogal curta entre duas paradas glotais (ʾaʾ); e o álefe maqueçura (ﻯ) representa a vogal longa ā, mas apenas no final da palavra. Diferente da maioria das letras árabes, o álefe possui apenas duas formas básicas (excluindo as especiais).
No alfabeto siríaco, o alap (em dialetos orientais) ou olaph (em dialetos ocidentais) (ܐ, ܐܵܠܲܦ) é usado no início de palavras para indicar que elas começam com vogal, embora algumas palavras iniciadas com 'i' ou 'u' não exijam essa marcação. Um alap ou olaph inicial pode ser resultado de uma elisão. Por exemplo, o pronome da primeira pessoa do singular ܐܵܢܵܐ, quando enclítico, é pronunciado 'no' (ocidental) ou 'na' (oriental) em vez da forma completa. No final das palavras, a letra representa as vogais finais longas 'o/a' ou 'e'. No meio da palavra, pode representar uma oclusiva glotal entre duas vogais (às vezes uma aproximante palatal no siríaco ocidental), um 'i/e' longo (ou menos frequentemente 'o/a'), ou ser silenciosa.
No alfabeto saudi-árabe antigo, o alef (𐩱) é a décima sétima letra do abjad da Arábia do Sul e é usado para representar a oclusiva glotal /ʔ/. Similarmente, na escrita etíope, o álefe (አ, ʾälef) é a décima terceira letra do abjad etíope e também serve para renderizar a oclusiva glotal /ʔ/.
O álefe transcende seu papel linguístico, marcando presença em campos como a matemática e a literatura, onde adquire significados simbólicos e conceituais.
Na Matemática
Na teoria dos conjuntos, o glifo hebraico ℵ (aleph) é um símbolo crucial, introduzido pelo matemático Georg Cantor, para denotar os números aleph. Estes números representam a cardinalidade de conjuntos infinitos, ou seja, o 'tamanho' de diferentes tipos de infinitos. Em publicações matemáticas mais antigas, era comum encontrar o álefe impresso de cabeça para baixo devido a um erro na construção da matriz Monotype para a letra.
Na literatura, o escritor argentino Jorge Luís Borges denomina de "Álefe" o ponto que contém todo o universo. Como em uma epifania, "Álefe" é uma compreensão universal através da observação de um ponto que reúne "tudo ao mesmo tempo, e agora". Álefe é o nome do personagem interpretado pelo ator Hugo Bonemer em Rock in Rio - O Musical tida como a primeira superprodução musical nacional e demarcando uma nova fase na produção teatral.


