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Escrita maia

A escrita maia, também vulgarmente chamada de hieróglifos maias, era o sistema de escrita da civilização maia da Mesoamérica pré-colombiana e presentemente o único sistema de escrita mesoamericano já decifrado. As inscrições mais antigas identificadas como maias datam do século III a.C. e este sistema de escrita foi continuamente usado até pouco depois da chegada dos conquistadores espanhóis durante o século XVI. A escrita maia utiliza logogramas complementados por um conjunto de glifos silábicos, com função semelhante à actual escrita japonesa. A escrita maia foi chamada hieroglífica pelos exploradores europeus dos séculos XVIII e XIX os quais apesar de a não compreenderem viram na sua aparência reminiscências dos hieróglifos egípcios, com os quais a escrita maia não tem qualquer relação.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/10/2026
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Estrutura

A escrita maia consistia num conjunto de glifos altamente elaborados que eram laboriosamente pintados em cerâmica, paredes ou códices de papel, gravados em madeira ou pedra, ou ainda moldados em estuque. Os glifos moldados e gravados eram pintados, mas na maioria dos casos a pintura não chegou até aos nossos dias. Cerca de três quartos ou mais dos escritos maias podem agora ser lidos com graus variáveis de certeza, o suficiente para que se tenha uma ideia abrangente sobre a sua estrutura. A escrita maia era um sistema logossilábico. Os símbolos individuais (glifos) podiam representar quer uma palavra (mais exactamente um morfema) ou uma sílaba; de facto, o mesmo glifo podia muitas vezes ser utilizado das duas formas. Por exemplo, o glifo calendárico MANIK’ era também usado para representar a sílaba chi. (Costuma-se escrever leituras logográficas em maiúsculas e as leituras fonéticas em itálico). É possível, mas não comprovado, que estas leituras conflituosas tenham surgido à medida que a escrita foi adaptada a novas línguas, como o que aconteceu com o kanji japonês. A ambiguidade existia igualmente no sentido inverso. Por exemplo, meia dúzia de glifos aparentemente não relacionados eram usados para escrever o muito comum pronome da terceira pessoa u-.

Glifos-emblema

Um glifo-emblema é um tipo de título real. Consiste de uma palavra, ajaw - um termo maia clássico significando senhor, de etimologia ainda desconhecida mas bem atestado em fontes coloniais - e de um topónimo que precede a palavra ajaw e que funciona como adjectivo. Por vezes, o título é precedido pelo adjectivo k'uhul, 'sagrado' ou 'santo'. Claro que um glifo-emblema não é de todo um "glifo": pode ser escrito com um qualquer número de sinais logográficos ou silábicos e são conhecidas várias grafias para as palavras k'uhul e ajaw, as quais formam o núcleo estável do título. O termo "glifo-emblema" reflecte simplesmente os tempos em que os maianistas não podiam ler as inscrições em maia clássico, tendo que inventar designações para isolar certos componentes estruturais recorrentes nas narrativas escritas.

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História

Até há pouco tempo pensava-se que os maias haviam adoptado o sistema de escrita dos olmecas ou epiolmecas. Porém, descobertas recentes fizeram recuar em vários séculos a origem da escrita maia, e parece agora ser possível que tenham sido os maias a inventar a escrita na Mesoamérica. O conhecimento sobre o sistema de escrita maia continuou a existir no início do período colonial e supostamente alguns padres espanhóis que partiram para o Iucatã tê-lo-iam aprendido. Contudo, como parte da sua campanha de erradicação de rituais pagãos, o bispo Diego de Landa ordenou a recolha e a destruição das obras escritas em maia, e um número apreciável de códices maias foi destruído. Mais tarde, na tentativa de utilizar a sua língua nativa para converter os maias ao cristianismo, construiu o que ele cria ser um "alfabeto" maia (o chamado alfabeto de Landa). Embora os maias realmente não escrevessem alfabeticamente, ainda assim Landa registou um glossário de sons maias e símbolos relacionados, por muito tempo considerado um disparate mas que eventualmente se tornaria um recurso chave na decifragem da escrita maia, apesar de não ter sido ainda possível decifrá-lo na sua totalidade. A dificuldade estava em que não existe uma correspondência simples entre os dois sistemas, e os nomes das letras do alfabeto espanhol não diziam nada ao escriba maia de Landa.

Decifragem

A decifragem da escrita maia foi um processo laborioso e longo. Os investigadores do século XIX e início do século XX conseguiram descodificar os numerais maias e porções de textos relacionados com a astronomia e o calendário maia, mas a compreensão do restante escapava aos estudiosos. Um dos principais contribuidores para a decifragem da escrita maia foi sem dúvida Iuri Knorozov. Em 1952 Knorozov publicou um artigo intitulado "Ancient Writing of Central America" argumentando que o chamado alfabeto de Landa, contido no seu manuscrito "Relación de las Cosas de Yucatán" era realmente composto por símbolos silábicos e não símbolos alfabéticos. Em 1963 melhorou ainda mais a sua técnica de decifragem na sua monografia "The Writing of the Maya Indians" e em 1975 publicou traduções de manuscritos maias na obra "Maya Hieroglyphic Manuscripts". Na década de 1960 os avanços na decifragem revelaram os registos dinásticos dos governantes maias. Começando no início da década de 1980 demonstrou-se que a maioria dos símbolos previamente desconhecidos formam um silabário, e desde então o progresso na leitura da escrita maia avançou rapidamente.

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Fontes consultadas

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