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Escorbuto

Escorbuto é uma doença causada pela falta de vitamina C. Os sintomas iniciais mais comuns são fraqueza, cansaço e pernas e braços doridos. Se a doença não for tratada na fase inicial, podem-se começar a manifestar sintomas como diminuição do número de glóbulos vermelhos, inflamação das gengivas, alterações no cabelo e hemorragias na pele. À medida que a doença avança, podem ocorrer dificuldades de cicatrização das feridas, alterações na personalidade da pessoa e, por fim, morte causada por infeção ou hemorragia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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Sinais e sintomas

Imagem: jl.cernadas · BY · Openverse

O escorbuto manifesta-se com uma variedade de sintomas que progridem ao longo do tempo e podem variar entre indivíduos. Clinicamente, as características da doença são principalmente de carácter comportamental e de alterações nos tecidos moles. As características comportamentais vão desde fadiga, a perda de força e alternância emocional. Ao nível dos tecidos moles, destaca-se a hipertrofia inflamatória das gengivas e o sangramento periodontal. A fraqueza no sistema vascular pode levar ainda a um sangramento pontual da pele a nível dérmico, diferenciável graças ao aparecimento de hematomas na superfície cutânea. Outro sintoma que usualmente ocorre, é o edema. Este verifica-se quando os líquidos se acumulam no tecido com sangramento significativo, e no caso dos espaços articulares, como hemartroses e músculos com hematoma, verifica-se a conjugação entre a dor (artralgia) e a dor muscular (mialgia). A região capilar pode também sofrer alterações, como é o caso da hiperceratose folicular e folículos congestionados. Quando doença atinge estágios mais avançados, estes são caracterizados por feridas supurativas produtores de pus até algumas neuropatias que podem provocar a morte do indivíduo. O escorbuto não tratado é invariavelmente fatal, porém o falecimento é raro na atualidade.

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Causas

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O escorbuto é geralmente causado por insuficiência de vitamina C na dieta. Até que se manifestem os primeiros sintomas é necessário que pelo menos durante um mês não seja ingerida ou seja ingerida muito pouca quantidade de vitamina C. Os seres humanos, entre outros animais, necessitam de vitamina C na dieta para produzir colagénio. O escorbuto nos adultos foi reconhecido mundialmente como uma doença grave, com elevada mortalidade ao longo da história, particularmente em pessoas privadas de frutas e legumes frescos devido a guerras, fome ou viagens marítimas prolongadas. No caso das crianças, o autor refere, que o escorbuto não foi verificado até o século XIX. Como a vitamina C é destruída por altas temperaturas e pela exposição ao ar, as deficiências são mais notórias em populações que consomem principalmente alimentos cozidos, ao contrário das sociedades mais tradicionais, onde são ingeridas quantidades consideráveis de alimentos crus. Os seres humanos saudáveis possuem reservas de vitamina C que lhes permite suportar a sua privação total entre 160 a 200 dias, após este período os sintomas do escorbuto começam a manifestar-se.

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Diagnóstico

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O diagnóstico geralmente baseia-se nos sinais físicos, radiografias e na resposta ao tratamento. O diagnostico diferencial do escorbuto é muito extenso, tanto a nível clínico como paleopatológico. Uma história completa, o exame físico, a avaliação laboratorial básica e radiografias podem rapidamente reduzi-lo. Segundo este autor, para pacientes não agudos ou gravemente doentes, verificam-se frequentemente a sepse, a coagulação intravascular disseminada e a meningococcemia. O diagnóstico dependerá dos níveis de vitamina C e da resposta ao tratamento. O diagnóstico diferencial mais comum inclui patologias como a artrite séptica, tumores hematológicos e dos tecidos moles, doenças autoimunes (ex.: síndroma de Sjogren), gengivite, coagulação intravascular disseminada, entre outros. Osteologicamente, o escorbuto não é uma doença de reconhecimento fácil. Uma das chaves para a ligação entre os métodos clínicos e paleopatológicos é determinar em que ponto os dois métodos se sobrepõem e fornecem informações comuns.

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Tratamento

Imagem: Engraving by Daniel MacKenzie, based on Frederich Nodder's undated watercolour, derived from Sydeney Parkinson's pencil drawing. · BY-SA · Openverse

O tratamento é feito com a administração de suplementos de vitamina C por via oral. Após alguns dias os sintomas começam a melhorar e a doença geralmente resolve-se em poucas semanas. Entre as principais fontes de vitamina C estão os citrinos e diversos legumes, como os tomates e as batatas. Cozinhar os alimentos geralmente faz diminuir o seu teor de vitamina C. Apesar dos sintomas poderem ser generalizados e dramáticos nalguns casos, o tratamento é direto. Para uma recuperação completa, é apenas necessário ingerir cerca de 6,5 mg vitamina C, para apresentar resultados positivos. Embora a recuperação seja lenta, é constante e dimunuem os sintomas a longo prazo. É importante assinalar que os sintomas da doença começam a melhorar quase de forma imediata com o consumo de alimentos frescos, especialmente cítricos.

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Epidemiologia

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Na época contemporânea o escorbuto é uma doença rara. É mais comum em países em vias de desenvolvimento e está associado à desnutrição. Entre refugiados estima-se que a frequência da doença seja de 5 a 45%. Na época contemporânea, a doença é mais comum entre pessoas com perturbações mentais, hábitos alimentares invulgares, alcoolismo e pessoas idosas que vivem sozinhas. Entre outros fatores de risco estão a má-absorção intestinal e diálise.

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História

Imagem: Karen Blix · BY-NC-SA · Openverse

O escorbuto tem sido descrito desde pelo menos o Antigo Egito. A doença foi um factor limitativo nas grandes navegações marítimas, nas quais era frequente causar um grande número de vítimas mortais. Entre os séculos XVI e XIX, assumia-se que em cada viagem cerca de metade dos marinheiros morreria de escorbuto. A descoberta de que o escorbuto pode ser tratado com a ingestão de citrinos é geralmente atribuída ao cirurgião escocês da Marinha Real Britânica James Lind, em 1753. No entanto, só em 1795 é que os reformistas de saúde pública como Gilbert Blane convenceram a marinha a disponibilizar rotineiramente sumo de limão aos seus marinheiros. A palavra chegou ao português do castelhano e este a tirou do francês: "scorbut", que existe desde meados do século XVI, advinda do latim medieval: “ scorbutus ", latinização do alemão " scharbock ", corruptela de “scharfpocke” (pústula acentuada). O alemão a tomou do russo (dialeto arcangelquiano) “скробот” (skrobot: "leite ou manteiga rançosa"), sendo a doença então dita própria dos povos do norte. Os russos tomaram "skrobot" dos viquingues, que usavam a expressão islandesa "skyrbjugr" por pensarem que os marinheiros tinham a gengivas inchadas (bjurgr) por tomar leite coalhado e rançoso (Skyr).

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