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Eremitério da Picota

O Eremitério da Picota, igualmente conhecido como Hospício e Eremitério da Picota ou Hospício e Eremitério do Carmo, foi um convento na Serra da Picota, no concelho de Monchique, na região do Algarve, em Portugal. Foi instalado no século XVI, e abandonado em meados do século XVIII, na sequência do Sismo de 1755, tendo a comunidade sido transferida para o Eremitério dos Pegos Verdes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/10/2026
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Descrição

O eremitério estava situado na encosta meridional da Serra da Picota, no concelho de Monchique. Era dedicado a Santo Antão. Num artigo publicado no jornal Folha do Domingo de 26 de Agosto de 1917, é apresentada uma hipótese para a localização do eremitério: «Evidencia-se que foi na Picota a sudoeste da base do grande pico, um pouco abaixo, n'um quadrado abrigado do norte e um pouco do poente e nascente, exposta a todo o quadrante sul e dominando todo o Algarve desde Faro a Lagos», tendo o autor do artigo confirmado esta localização devido a «documentos esquecidos que, se lhe referem expressamente» e «porque pisámos entre o matto as ruinas sagradas». Na sua edição de 2 de Setembro do mesmo ano, a Folha do Domingo faz uma descrição mais completa do antigo eremitério: «A três quartos da encosta norte deixa a montanha de ser cultivada, e, subindo-se entre matto rasteiro e rochas, ao dorso, depara-se-nos em curva dirigida a nascente, um como escadorio praticado ao granito em degraos negros ou filas de pedras toscas, cerca de trinta metros. A este escadorio chamam os naturaes - escadinhas dos monges. Chegam estas á vertente; e admirando-se alguns minutos descobrem-se, a sudoeste da base do grande Pico, as ruinas, abrigadas do norte e um pouco do poente e do nascente. A egreja tinha a orientação nascente poente encostada á montanha pelo norte, d'onde conserva parede de tres metros de altura, tendo o recinto 12m de comprimento por 10m de largura e a capella 6m por 5m5. Os restos das outras paredes terão 1 metro. Uns quinze metros abaixo, mas em grande desnivellamento, extendia-se no mesmo sentido o corredor pelo espaço de trinta metros, tendo para o sul differentes cubiculos, e na extremidade poente, que indica ter sido entrada, um recinto de dez metros de largo por oito de comprimento, mais uma saliencia para norte de quatro metros e centimetros, espessura das paredes noventa centimetros. Disseram-nos que a alguma distancia para nascente, havia vestigios d'uma especie de torre - algum ediculo de certo. Um pouco a sudoeste no meio de restos de alvenaria antiga conhece-se que houve uma fonte cuja agua desappareceu. Tudo isto, na sua rudeza, emerge d'entre pedras e mato grosseiro, crescendo espontaneamente alfarrobeiras, samouqueiro, urzes, fetos, etc. Sitio até hoje inteiramente deserto; outr'ora infestado de feras».

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História

Foi fundado pelo Bispo de Silves, D. Fernando Coutinho, que também promoveu a construção de outros edifícios religiosos no concelho de Monchique, no século XVI, além do convento e farol do Cabo de São Vicente. No artigo de 1917, refere-se que o Cardeal Pereira visitou a paróquia de Monchique em 18 de Julho de 1738, «por intermedio do seu vigario geral dr. Miguel de Athayde Corte Real», fazendo-se referência ao «Hospicio e Eremiterio de Nossa Senhora do Carmo de Picota». Alguns anos depois, em 12 de Outubro de 1752, o eremitério é novamente mencionado, quando o cónego Dr. Francisco Torres providenciou «sobre legados deixados à Ermida e Hospicio de Nossa Senhora do Carmo da Picota», tendo referido a presença de «monges ou eremitães do dito Hospicio cuja vigilancia pertence ao parocho na forma do direito». Foi muito danificado pelo Sismo de 1755, levando a comunidade a mudar-se para o Eremitério dos Pegos Verdes. Segundo o investigador José António Guerreiro Gascon, outro motivo para a transferência foi o de «fugir das asperezas da serra da Picota». Um relato semelhante pode ser encontrado no artigo de 1917, baseado num livro antigo: «um convento de religiosos que n'elle estiveram pouco tempo porque a asperesa do sitio não permittia habitarem n'elle». No entanto, o complexo da Picota terá sido usado até ao ano ano seguinte, uma vez que o último enterramento registado na igreja foi em 20 de Janeiro de 1756.

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Fontes consultadas

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