Equação diferencial parcial
Uma equação diferencial parcial ou equação de derivadas parciais (EDP) é uma equação envolvendo funções de várias variáveis independentes e dependente de suas derivadas. Estas equações surgem naturalmente em problemas de física matemática, física e engenharia. O estudo das equações diferenciais parciais é uma das áreas com mais intensa pesquisa em matemática, despertando interesse também em contextos de matemática pura.
Um problema simples de EDP consiste em buscar uma solução suave u ( x , y ) : [ 0 , 1 ] × [ 0 , 1 ] → R {\displaystyle u(x,y):[0,1]\times [0,1]\rightarrow \mathbb {R} } satisfazendo: ∂ u ∂ x = 1 em ( 0 , 1 ) × ( 0 , 1 ) {\displaystyle {\frac {\partial u}{\partial x}}=1{\hbox{ em }}(0,1)\times (0,1)} ∂ u ∂ y = 0 em ( 0 , 1 ) × ( 0 , 1 ) {\displaystyle {\frac {\partial u}{\partial y}}=0{\hbox{ em }}(0,1)\times (0,1)} u ( x , y ) = 1 em { x = 0 } × [ 0 , 1 ] {\displaystyle u(x,y)=1{\hbox{ em }}\{x=0\}\times [0,1]} que admite solução u ( x , y ) = x + 1 {\displaystyle u(x,y)=x+1} O próximo exemplo é um caso particular da equação do transporte: ∂ u ∂ t + v ( t ) ∂ u ∂ x = 0 , t > 0 {\displaystyle {\frac {\partial u}{\partial t}}+v(t){\frac {\partial u}{\partial x}}=0,t>0} u ( x , t ) = f ( x ) , t = 0 {\displaystyle u(x,t)=f(x),~t=0} onde f ( x ) {\displaystyle f(x)} é uma função classe C 1 {\displaystyle C^{1}} e
Existem muitas maneiras de expressar as EDPs, não sendo raro a mesma notação ter significados diferentes para autores diferentes. Notações bastante difundidas são para a derivada temporal são: ∂ u ∂ t = ∂ t u = u t = u ′ {\displaystyle {\frac {\partial u}{\partial t}}=\partial _{t}u=u_{t}=u'} . Mais prolixas são as notações para as derivadas espaciais. Se u : R n → R {\displaystyle u:\mathbb {R} ^{n}\to \mathbb {R} } , onde x = ( x 1 , … , x n ) {\displaystyle \mathbf {x} =\left(x_{1},\ldots ,x_{n}\right)} então também são usadas as notações por operadores: ∇ u = ( ∂ u ∂ x 1 , … , ∂ u ∂ x n ) {\displaystyle \nabla u=\left({\frac {\partial u}{\partial x_{1}}},\ldots ,{\frac {\partial u}{\partial x_{n}}}\right)} : Gradiente ∇ 2 u = △ u = ∑ i = 1 n ∂ 2 u ∂ x i 2 {\displaystyle \nabla ^{2}u=\triangle u=\sum _{i=1}^{n}{\frac {\partial ^{2}u}{\partial x_{i}^{2}}}} : Laplaciano Assim, a equação T t + v ⋅ ( ∇ T ) = △ T {\displaystyle T_{t}+\mathbf {v} \cdot \left(\nabla T\right)=\triangle T} , onde
Quanto à ordem
A ordem de uma equação diferencial parcial será dada pela ordem da mais alta derivada encontrada na equação: ∂ 2 u ∂ x 2 + 5 ∂ u ∂ y + 3 u = 0 {\displaystyle {\frac {\partial ^{2}u}{\partial x^{2}}}+5{\frac {\partial u}{\partial y}}+3u=0} EDP de segunda ordem
Quanto à linearidade
Uma EDP linear de 2ª ordem, com 2 variáveis independentes, tem a forma: a ( x , y ) ∂ 2 u ∂ x 2 + 2 b ( x , y ) ∂ 2 u ∂ x ∂ y + c ( x , y ) ∂ 2 u ∂ y 2 + d ( x , y ) ∂ u ∂ x + e ( x , y ) ∂ u ∂ y + f ( x , y ) u = δ ( x , y ) . ( 1 ) {\displaystyle a(x,y){\frac {\partial ^{2}u}{\partial x^{2}}}+2b(x,y){\frac {\partial ^{2}u}{\partial x\partial y}}+c(x,y){\frac {\partial ^{2}u}{\partial y^{2}}}+d(x,y){\frac {\partial u}{\partial x}}+e(x,y){\frac {\partial u}{\partial y}}+f(x,y)u=\delta (x,y).\quad \quad (1)} ∂ u ∂ t − a ∂ 2 u ∂ x 2 = 0 {\displaystyle {\partial u \over \partial t}-a{\frac {\partial ^{2}u}{\partial x^{2}}}=0} EDP linear (Equação da difusão linear)
Quanto à homogeneidade
Se na equação (1), δ ( x , y ) = 0 {\displaystyle \delta (x,y)=0} , a EDP é homogênea.
As equações diferenciais parciais (EDP) de 2ª ordem podem ser classificadas em três tipos: hiperbólicas, parabólicas e elípticas. Se a solução de um problema for descrito pela variável u = u(x,y), a EDP que expressa a relação entre u e as variáveis independentes x e y pode ser escrita, genericamente, como: a u x x + 2 b u x y + c u y y + d u x + e u y + f u = g {\displaystyle au_{xx}+2bu_{xy}+cu_{yy}+du_{x}+eu_{y}+fu=g} na qual a, b, c, d, f e g são constantes ou funções das variáveis independentes x e y. Os coeficientes a, b e c são tais que: a 2 + b 2 + c 2 ≠ 0 {\displaystyle a^{2}+b^{2}+c^{2}\neq 0} . Se os coeficientes a, b e c forem constantes, pode-se classificar as EDPs lineares de forma análoga às curvas cônicas tridimensionais, através das seguintes relações: A classificação das EDPs nos três grupos representativos tem importância na sua análise teórica, na descrição de métodos numéricos e nas aplicações. A tabela a seguir mostra as principais EDP's de 2ª ordem e suas respectivas classificações:
Equação de Poisson
A equação de Poisson descreve o potencial elétrico em eletrostática. Também modela estados estacionários (sem variação no tempo) da equação do calor.
Equação do calor
Se T ( t , x ) {\displaystyle T(t,x)} representa a temperatura num instante t {\displaystyle t} , na posição x {\displaystyle x} sobre uma barra, a equação de transferência de calor em uma dimensão é: ∂ T ∂ t = a ∂ 2 T ∂ x 2 {\displaystyle {\partial T \over \partial t}=a{\partial ^{2}{T} \over \partial {x^{2}}}} onde a {\displaystyle a} é uma constante. A função T {\displaystyle T} é a variável dependente, e t {\displaystyle t} e x {\displaystyle x} são as variáveis independentes.
Equação da onda
Uma função de onda, em duas dimensões, é uma função f ( x , y , t ) {\displaystyle f(x,y,t)} solução da equação ∂ 2 f ∂ t 2 = v 2 ( ∂ 2 f ∂ x 2 + ∂ 2 f ∂ y 2 ) {\displaystyle {\partial ^{2}{f} \over \partial {t^{2}}}=v^{2}{\Bigg (}{\partial ^{2}{f} \over \partial {x^{2}}}+{\partial ^{2}{f} \over \partial {y^{2}}}{\Bigg )}} onde v {\displaystyle v} é uma constante (velocidade de propagação). Neste caso, existem 3 variáveis independentes, nomeadamente, as duas coordenadas espaciais x {\displaystyle x} e y {\displaystyle y} , e o tempo t {\displaystyle t} .
Equação de Laplace
O potencial eletrostático V ( x , y , z ) {\displaystyle V(x,y,z)} , numa região onde não existam cargas, verifica a equação: ∂ 2 V ∂ x 2 + ∂ 2 V ∂ y 2 + ∂ 2 V ∂ z 2 = 0 {\displaystyle {\partial ^{2}{V} \over \partial {x^{2}}}+{\partial ^{2}{V} \over \partial {y^{2}}}+{\partial ^{2}{V} \over \partial {z^{2}}}=0} . Os exemplos anteriores correspondem todos a equações lineares, nas quais uma combinação linear de soluções é também solução.
Equação de Burgers
A equação de Burgers modela processos convectivos unidimensionais: u t + ∂ ∂ x ( f ( x ) u ) 2 = f ( x , t ) {\displaystyle u_{t}+{\frac {\partial }{\partial x}}\left(f(x)u\right)^{2}=f(x,t)}
As equações de derivadas parciais em que aparece uma única derivada, podem ser integradas facilmente. Consideremos, por exemplo, a equação ∂ 2 v ∂ x 2 = 3 y {\displaystyle {\frac {\partial ^{2}{v}}{\partial {x^{2}}}}=3y} como a segunda derivada em ordem a x {\displaystyle x} é igual à derivada da primeira derivada parcial em ordem a x {\displaystyle x} , portanto, a derivada parcial ∂ v / ∂ x {\displaystyle \partial v/\partial x} será igual à primitiva de 3 y {\displaystyle 3y} , ao longo de um percurso com y {\displaystyle y} constante ∂ v ∂ x = ∫ 3 y d x ( y constante ) = 3 x y + f ( y ) {\displaystyle {\begin{aligned}{\partial {v} \over \partial x}&=\int 3ydx\qquad (y\;{\text{constante}})\\&=3xy+f(y)\end{aligned}}} onde f ( y ) {\displaystyle f(y)} pode ser qualquer função arbitrária que não dependa de x {\displaystyle x} . Integrando uma segunda vez, com y {\displaystyle y} constante, obtemos a função v ( x , y ) {\displaystyle v(x,y)}
As equações de derivadas parciais lineares com condições iniciais, podem ser resolvidas por meio da transformada de Laplace. As condições iniciais (na variável t {\displaystyle t} ) para uma equação de ordem n {\displaystyle n} em t {\displaystyle t} , consistem nos valores da função e das suas primeiras n − 1 {\displaystyle n-1} derivadas no instante t = 0 {\displaystyle t=0} . Se, por exemplo, a solução da equação for uma função de duas variáveis, v ( x , t ) {\displaystyle v(x,t)} , e a equação for de segunda ordem em t {\displaystyle t} , as condições iniciais serão v ( x , 0 ) = f ( x ) ∂ v ∂ t ( x , 0 ) = g ( x ) {\displaystyle {\begin{aligned}v(x,0)&=&f(x)\\{\partial v \over \partial t}(x,0)&=&g(x)\end{aligned}}} onde f {\displaystyle f} e g {\displaystyle g} são duas funções de x {\displaystyle x} dadas. A transformada de Laplace de v ( x , t ) {\displaystyle v(x,t)} será uma função v ¯ ( x , s ) {\displaystyle {\overline {v}}(x,s)} , definida por meio do seguinte integral
Separação de variáveis
Equações diferenciais parciais (EDP`s) podem ser reduzidas a sistemas de equações diferenciais pela importante técnica de separação de variáveis. Essa técnica se baseia em uma característica das soluções para equações diferenciais: se é possível encontrar qualquer solução que resolva a equação e satisfaz as condições de borda, então é a solução (isso também se aplica a equações ordinárias). Nós assumimos como hipótese que a dependência de uma solução nos parâmetros de espaço e tempo podem ser escritas como o produto de termos que dependem de apenas um único parâmetro, e ver se isso resolve o problema. No método de separação de variáveis, é possível reduzir EDP para uma EDP de menos variáveis, na qual uma EDO possui apenas uma.
Método das características
Em casos especiais, é possível descobrir curvas características nas quais a equação é reduzida para uma EDO, - mudando as coordenadas no domínio para estreitar as curvas permite uma separação de variáveis chamada de métodos das características. Generalmente é possível encontrar superfícies características.
Transformada Integral
Uma transformada integral pode transformar uma EQP em uma mais simples, em particular, uma EQP separável. Isso corresponde a diagonalizar o operador. Um exemplo importante disso é a análise de Fourier, que diagonaliza a equação do calor usando autoespaços de ondas senoidais. Se o domínio é finito ou periódico, uma infinita soma de soluções como uma série de Fourier é apropriada, mas uma integral de soluções como a transformada de Fourier geralmente requer domínio infinito.
Mudança de variáveis
Geralmente uma EDP pode ser reduzida a uma forma mais simples de soluções conhecidas por uma mudança de variáveis adequada. Por exemplo, a EDP Black-Scholes ∂ V ∂ t + 1 2 σ 2 S 2 ∂ 2 V ∂ S 2 + r S ∂ V ∂ S − r V = 0 {\displaystyle {\partial V \over \partial t}+{1 \over 2}\sigma ^{2}S^{2}{\partial ^{2}V \over \partial S^{2}}+rS{\partial V \over \partial S}-rV=0} ∂ u ∂ τ = ∂ 2 u ∂ x 2 {\displaystyle {\partial u \over \partial \tau }={\partial ^{2}u \over \partial x^{2}}} V ( S , t ) = K v ( x , τ ) , {\displaystyle V(S,t)=Kv(x,\tau ),} x = l n ( S K ) , {\displaystyle x=ln({S \over K}),} τ = 1 2 σ 2 ( T − t ) , {\displaystyle \tau ={1 \over 2}\sigma ^{2}(T-t),}


