Endolinfa
A endolinfa é o fluido contido no labirinto membranoso da orelha interna. Também é conhecido como "fluido de Scarpa", devido a Antonio Scarpa.
A orelha interna possui duas partes: o labirinto ósseo e o labirinto membranoso. O labirinto membranoso está no labirinto ósseo e contém um fluido chamado de endolinfa. Entre a camada externa do membranoso e a parede do ósseo localiza-se a perilinfa.
Composição
A perilinfa e a endolinfa possuem ambas as concentrações únicas de íons que participam do controle dos impulsos eletroquímicos de células ciliadas. O potencial elétrico da endolinfa é ~80-90 mV mais positivo que a perilinfa, devido a uma maior razão K/Na. O componente principal desse fluido é o potássio (K), sendo secretado da stria vascularis. O alto conteúdo de potássio da endolinfa significa que ele (e não o sódio) é utilizado para a corrente elétrica despolarizante que ativa células ciliadas em resposta a estímulos mecânicos. Isso é conhecido como "corrente de transdução, transdução mecanoelétrica" (MET). A endolinfa tem um potencial de 80–120 mV. Como as células ciliadas possuem um potencial negativo de aproximadamente -50 mV a diferença de potencial entre endolinfa e células ciliadas é da ordem de 150mV, uma das maiores do corpo.
Imagem: Cristiane Tilelli · BY-SA · Openverse
Ondas fluidas na endolinfa ocorrem em diversas partes do labirinto membranoso em resposta a ondas de fluido na perilinfa.
Imagem: Cristiane Tilelli · BY-SA · Openverse
Problemas com a endolinfa devido a movimentos bruscos (como girar em torno de si ou dirigir com um veículo sacolejante) podem gerar cinetose. Uma condição na qual o volume de endolinfa é muito acima do normal é chamado hidropsia endolinfática sendo ligada com hidropsia coclear.
A endolinfa e a perilinfa são compostos do organismo e, portanto, estão sujeitos a alterações biológicas, podendo ser celulares, na microbiota ou de outras matrizes. O ouvido interno possui sua imunidade e mantém o equilíbrio dos seus componentes. Quando um antígeno é introduzido na orelha interna de animais previamente sensibilizados, observa-se resposta imune caracterizada por infiltração celular, reação inflamatória, dano coclear, aumento de anticorpos (AC) na perilinfa e elevação da produção de ACs locais. A reação provocada é mais intensa por via endolinfática que pelo ouvido médio, simulando a via peritoneal. O saco endolinfático está intimamente envolvido com o processo, pois sua destruição ou obliteração experimental reduz de maneira significativa a resposta antigênica, bem como o dano coclear. A resposta imune da orelha interna é fundamental na proteção contra a infecção; no entanto, o processo inflamatório associado pode produzir danos ao delicado tecido coclear. Além disto, existem evidências de que o próprio tecido da cóclea pode ser alvo de reação autoimune.


