Emoji
Emoji é uma palavra derivada da junção dos seguintes termos em japonês: e + moji . Com origem no Japão, os emojis são ideogramas e smileys usados em mensagens eletrônicas e páginas web, cujo uso está se popularizando para além do país. Eles existem em diversos gêneros, incluindo: expressões faciais, objetos, lugares, animais e tipos de clima.
Imagem: Scott Beale · BY-NC-ND · Openverse
O primeiro emoji foi criado em 1998 ou 1999 no Japão por Shigetaka Kurita, que integrava a equipa da NTT DoCoMo responsável pelo desenvolvimento da i-mode, uma plataforma de Internet móvel. O primeiro conjunto de 172 emojis de 12×12 pixels foi criado como parte das funcionalidades de mensagens da i-mode para facilitar a comunicação eletrónica e funcionar como uma característica distintiva de outros serviços. No entanto, em 1997, Nicolas Loufrani apercebeu-se da crescente utilização de emoticons de texto ASCII na tecnologia móvel e começou a fazer experiências com rostos smiley animados com o objetivo de criar ícones coloridos que correspondessem aos emoticons ASCII já existentes, feitos com simples sinais de pontuação, aperfeiçoando-os para uma utilização mais interativa nas plataformas digitais. A partir destes, Loufrani criou os primeiros emoticons gráficos e compilou um Dicionário Emoticon online que foi ordenado por categorias: clássicos, expressões de Estados de espírito, bandeiras, festividades, diversão, desportos, meteorologia, animais, comida, países, profissões, planetas, zodíaco e bebés. Esses ícones foram registados pela primeira vez em 1997 no The United States Copyright Office e foram publicados posteriormente como ficheiros .gif na Internet em 1998, tornado-se nos primeiros emoticons gráficos de sempre a serem utilizados nas plataformas tecnológicas. Em 2000, o Diretório de Emoticons criado por Loufrani foi disponibilizado na Internet para os utilizadores poderem transferi-los para os telemóveis através do site smileydictionary.com que incluía mais de 1000 emoticons gráficos do smiley e as respetivas versões ASCII. Esse mesmo diretório foi depois publicado, em 2002, num livro da editora Marabout intitulado Dico Smileys. Em 2001, a The Smiley Company começou a licenciar os direitos dos emoticons gráficos de Loufrani para utilização em transferências para telemóvel por várias empresas de telecomunicações, incluindo a Nokia, a Motorola, a Samsung, a SFR (Vodafone) e a Sky Telemedia.
A contribuição ocidental: The Smiley Company
Paralelamente ao desenvolvimento japonês, Nicolas Loufrani da Smiley Company começou a transformar emoticons ASCII em gráficos 3D detalhados em 1997. Loufrani criou um "sistema logográfico" com 256 ícones categorizados por temas como animais e celebrações, introduzindo a estética circular amarela que mais tarde definiria o "visual" da Apple. Em 2003, ele consolidou isso em um "Dicionário Smiley" contendo 887 ícones.
Padronização e a revolução Unicode
Durante anos, as operadoras japonesas usaram esquemas de codificação incompatíveis (Shift JIS), causando “mojibake” (texto corrompido) quando ícones eram enviados entre redes diferentes. A transição para um padrão global começou em 2006, quando o Google mapeou emojis japoneses em códigos Unicode privados para expandir o Gmail no Japão. Em 2007, Google e Apple apresentaram uma proposta formal ao Consórcio Unicode para incluir emojis no padrão internacional. O lançamento do Unicode 6.0 em 2010 codificou 722 emojis, garantindo que cada símbolo tivesse um “ponto de código” exclusivo reconhecido por qualquer dispositivo globalmente. A decisão da Apple de incluir um teclado emoji nativo no iOS 5 (2011) funcionou como um catalisador para a hegemonia global.
Ativismo, Diversidade e o Futuro
À medida que os emojis se tornaram uma “língua franca global”, os usuários começaram a exigir uma melhor representação. Em 2015, o Unicode 8.0 introduziu modificadores baseados na Escala de Fitzpatrick, permitindo aos usuários escolher entre seis tons de pele. Grupos como o Emojination, fundado por Jennifer 8. Lee, defendiam "emoji do povo, para o povo", levando à inclusão do bolinho de massa (🥟), do hijabe (🧕) e dos ícones de menstruação (🩸). A maturidade dos emojis chegou ao tribunal em 2023, quando um juiz canadense decidiu que um emoji de “polegar para cima” (👍) poderia constituir uma aceitação válida dos termos contratuais, resultando em uma indenização por danos de US$ 82.000 (CAD). Olhando para o futuro, o cenário está mudando em direção à personalização por meio de “Genmojis” e adesivos gerados por IA, confundindo a linha entre personagens padronizados e expressão visual de forma livre.


