Ejaculação feminina
A ejaculação feminina, a liberação de líquidos pela vagina durante o orgasmo, é um tema que ainda gera intenso debate entre profissionais de saúde e sexólogos. As discussões frequentemente se entrelaçam com o controverso Ponto G, adicionando camadas de complexidade a este fenômeno. Ao longo da história, desde a antiguidade até os dias atuais, a ejaculação feminina tem sido objeto de observação, estudo e, por vezes, de mal-entendidos, com a ciência buscando desvendar a verdadeira natureza e origem desses fluidos.
Pontos-chave
- A ejaculação feminina é a liberação de líquidos pela vagina durante o orgasmo, ainda debatida por profissionais médicos.
- Historicamente, a ejaculação feminina foi descrita desde a antiguidade, com estudiosos como Reigner de Graaf associando-a a glândulas parauretrais (glândulas de Skene).
- A falta de consenso deve-se à ausência de padrões de pesquisa e à dificuldade em diferenciar o ejaculado da urina, especialmente em estudos sobre a origem dos fluidos.
- Pesquisas sugerem que a 'verdadeira' ejaculação feminina é um fluido escasso e espesso, distinto do 'squirting', que seria urina diluída.
- A representação na cultura sexual e pornô, como no 'kachapati' batoro ou no 'shiofuki' japonês, e as proibições em alguns países, refletem a complexidade e os equívocos em torno do fenômeno.
Desde a antiguidade, a ejaculação feminina tem sido um tópico de observação e estudo. Sexólogos modernos como Kinsey e Masters e Johnson inicialmente a classificaram como incontinência urinária. No entanto, descrições mais antigas, como as de Aristóteles e Cláudio Galeno, já mencionavam a excreção de líquidos vaginais, associando-a à fecundação. Anatomistas da Renascença, como Realdo Colombo, e posteriormente Reigner de Graaf, descreveram as glândulas parauretrais e sua função na produção de um 'suco pituito-seroso', que aumentaria a libido feminina, comparando-as à próstata masculina. Essas glândulas foram detalhadas por Alexander Skene em 1880, passando a levar seu nome.
A ausência de um padrão metodológico e definições claras dificulta o consenso sobre a ejaculação feminina. Estudos focam na origem dos fluidos e na presença de urina, mas a coleta sem contaminação é um desafio devido à proximidade das glândulas parauretrais com a uretra, e a possibilidade de ejaculação retrógrada. Algumas pesquisas diferenciam a 'verdadeira' ejaculação feminina (fluido escasso, espesso e esbranquiçado da próstata feminina) do 'squirting' (grande quantidade de urina diluída), sugerindo que a confusão entre os termos contribui para a incerteza do fenômeno.
Natureza do Fluido Ejaculado
Críticos frequentemente argumentam que o ejaculado é incontinência urinária ou lubrificação vaginal. A pesquisa busca provar o contrário, medindo substâncias como ureia, creatinina, fosfatase ácida prostática (PAP), antígeno específico da próstata (PSA), glicose e frutose. Os resultados iniciais foram contraditórios: um estudo de 1981 com uma mulher não foi confirmado em 1983, mas foi em 1984 com outras. Em 1985, um estudo com 27 mulheres encontrou apenas urina, indicando que a metodologia é crucial para os resultados.
Fonte e Volume do Fluido
Uma questão prática é o volume do líquido ejaculado, pois o tecido parauretral é pequeno, e a bexiga é a maior fonte de fluido na pélvis. O ejaculado masculino varia de 0,2 a 6,6 ml, com um máximo de 13 ml. Alegações de volumes maiores de ejaculado feminino provavelmente incluem urina. Estudos de Goldberg (1983) em 11 mulheres mostraram volumes de 3 a 15 ml. Embora uma fonte afirme que as glândulas de Skene podem excretar 30 a 50 ml em 30 a 50 segundos, isso não foi confirmado. O uso de substâncias como o azul de metileno pode ajudar a detectar componentes urinários, como demonstrado por Belzer, onde o corante foi encontrado na urina, mas não na expulsão orgástica de uma mulher estudada.
A ejaculação feminina é retratada em diversas culturas. Na tribo Batoro de Uganda, o ritual de puberdade 'kachapati' (aspergir a parede) ensina as jovens a ejacular, destacando a importância cultural do fenômeno. No Japão, o termo 'shiofuki' é usado para se referir à ejaculação feminina, uma palavra que também descreve o espiráculo das baleias, sugerindo uma conotação de jorro ou expulsão de líquido.
A representação da ejaculação feminina na pornografia tem gerado controvérsias e proibições. Na Inglaterra, filmes com ejaculação feminina foram banidos, pois as autoridades consideraram que se tratava de urinar durante o sexo, o que é proibido. Uma visão similar foi adotada na Austrália, onde propostas de censura na internet visam banir sites pornográficos que exibam cenas de urina, consequentemente proibindo vídeos de ejaculação feminina. Essas proibições refletem a dificuldade em distinguir o ejaculado da urina e a percepção pública e legal sobre o fenômeno.


