Aparelho reprodutor feminino
Sistema ou aparelho reprodutor feminino é o sistema de órgãos femininos envolvidos na reprodução. É constituído por dois ovários, duas tubas uterinas, um útero, uma vagina, uma vulva. Ele está localizado no interior da cavidade pélvica. A pelve constitui um marco ósseo forte que realiza uma função protetora e dá sustentação ao sistema reprodutor feminino.[carece de fontes?]
Imagem: Unknown authorUnknown author · BY-SA · Openverse
Região vulvoperineal
A região vulvoperineal, também conhecida simplesmente por períneo, é uma região em formato de losango que fica situada entre a sínfise púbica e o cóccix. Esta região pode ser estudada anatomicamente dividindo-a em um conjunto de estruturas externas, que compõem os chamados órgãos genitais externos, e um conjunto de estruturas internas, que formam o assoalho pélvico, uma estrutura músculo-aponeurótica que dá suporte à pelve. Essa região losangular pode ser dividida em dois trígonos: o trígono urogenital, localizado anteriormente, onde se localizam órgãos do sistema genital e urinário, e o trígono anal, localizado posteriormente, onde se localizam órgãos do sistema digestivo.
Vulva
A genitália externa também é chamada de vulva, pudendo feminino, região pudenda ou púdica. Todas essas palavras são sinônimos e servem para designar o conjunto formado pelos órgãos genitais externos femininos, sendo esta região delimitada e protegida por duas pregas cutâneo-mucosas intensamente irrigadas e inervadas, os grandes lábios. Na mulher em idade pós-puberdade, os grandes lábios são cobertos por pelos pubianos. Mais internamente, outra prega cutâneo-mucosa envolve a abertura da vagina, os pequenos lábios, que protegem a abertura da uretra e da vagina. Na vulva, estão localizados os seguintes órgãos (e suas respectivas diversas nomenclaturas encontradas na literatura):
Vagina
A vagina, um tubo musculo membranáceo distensível (7 a 9 cm de comprimento), estende-se do meio do colo do útero até o óstio da vagina, a abertura na sua extremidade inferior, tendo paredes elásticas. O óstio da vagina, o óstio externo da uretra e os ductos das glândulas vestibulares maiores, também denominadas glândulas de Bartholin, que secretam um muco lubrificante, e as glândulas vestibulares menores abrem-se no vestíbulo da vagina, a fenda entre os lábios menores do pudendo. A parte vaginal do colo do útero está localizada anteriormente na parte superior da vagina. A vagina é formada por uma túnica mucosa, uma muscular e uma adventícia. A mucosa é revestida por epitélio pavimentoso, estratificado e não queratinizado, cujas células liberam glicogênio. O epitélio vaginal responde às oscilações hormonais do ciclo ovulatório da mulher na menacme. As células vaginais são ricas em glicogênio, que é fermentado pelos bacilos de Döderlein (lactobacilos), produzindo ácido lático, o que confere o pH ácido (4 a 4,5). Esse pH ácido, característico da secreção vaginal na presença de bacilos de Döderlein, impede a proliferação da maioria dos micro-organismos patogênicos.
Útero
O útero é um órgão muscular oco, piriforme, com paredes espessas. O embrião e o feto se desenvolvem no útero. As paredes musculares adaptam-se ao crescimento do feto e garantem a força para sua expulsão durante o parto. Na mulher não grávida, o útero localiza-se na cavidade pélvica, entre a bexiga urinária (anteriormente) e o reto (posteriormente). O útero é uma estrutura muito dinâmica, cujo tamanho e proporções modificam-se durante as várias fases da vida. Embora a forma, a posição e o tamanho do útero se modifiquem com a evolução da gestação, no estado pré-gravídico seus diâmetros médios são: 7 cm no eixo longitudinal, 5 cm no eixo transverso e 2,5 cm no sentido anteroposterior.
Tubas uterinas
Cada tuba uterina é um tubo de aproximadamente 10 cm de comprimento, que se implanta de cada lado no respectivo ângulo laterossuperior do útero, e se projeta lateralmente, representando os ramos horizontais do tubo. As tubas uterinas estão situadas na mesossalpinge e a medida que se distancia do útero, vai ocorrendo uma dilatação, apresentando formato de funil. As tubas uterinas são divididas em 4 partes: A primeira é a parte uterina, que é o segmento intramural, curto, que atravessa a parede do útero e desemboca nele através do óstio uterino. A segunda é o istmo, porção menos calibrosa, de parede espessa e situada junto ao útero. A terceira é a ampola, que começa na extremidade medial do infundíbulo e é parte mais larga e longa. Além disso, vale ressaltar que é aqui que ocorre a fecundação do ovócito pelo espermatozóide. A quarta e última é o infundíbulo, estrutura mais distal, em forma de funil, que se abre na cavidade abdominal através do óstio abdominal. A porção mais distal do infundíbulo é composta pelas fímbrias, merecendo destaque a fímbria ovárica, por estar fixada na extremidade tubárica do ovário.
Ovários
São duas glândulas em forma de amêndoa, de aproximadamente 3 cm de comprimento, 2 cm de largura, 1,5 cm de espessura e localizadas próximo às paredes laterais da pelve, suspensas pelo mesovário do ligamento largo (na porção medial), um de cada lado do útero. Os ovários são as gônadas femininas. Produzem estrógeno, progesterona. Têm forma oval e também produzem os ovócitos. A borda mesovárica representa o Hilo do Ovário, é por ele que entram e saem os vasos ováricos. A extremidade inferior é chamada extremidade tubal e a superior extremidade uterina. A extremidade distal do ovário conecta-se com a parede lateral da pelve (na fáscia do músculo psoas maior) por meio do ligamento suspensor do ovário. Este ligamento conduz os vasos ováricos, linfáticos e nervos. O ovário se fixa ao útero por meio do ligamento próprio do ovário ou útero-ovárico, que corre no interior do mesovário. Tal ligamento conecta a extremidade proximal (uterina) do ovário ao ângulo lateral do útero.
Imagem: Senado Federal · BY · Openverse
Inervação da regial vulvoperineal
A inervação do assoalho pélvico se dá pelos nervos pudendo, perineal, retais inferiores (S2, S3, S4) e por ramos perineais do nervo femorocutâneo posterior (L2, L3). A vulva por sua vez recebe inervações simpáticas e parassimpáticas - envolvidas na resposta motora, promovendo relaxamento e ereção, respectivamente, do tecido erétil genital - e inervação somática, envolvida na sensibilidade.
Inervação da vagina e do útero
Somente o quinto ao quarto inferior da vagina tem inervação somática. A inervação dessa parte da vagina provém do nervo perineal profundo, um ramo do nervo pudendo (S2, S3 e S4), que conduz fibras aferentes simpáticas e viscerais, mas não fibras parassimpáticas. É preciso destacar que apenas essa parte inervada somaticamente é sensível ao toque e à temperatura. A maior parte da vagina (três quartos a dois quintos superiores) tem inervação visceral. Os nervos para essa porção da vagina e para o útero são derivados do plexo nervoso uterovaginal, um dos plexos pélvicos que se estendem do plexo hipogástrico inferior até as vísceras pélvicas. Esse plexo é atravessado por fibras aferentes simpáticas, parassimpáticas e viscerais.
Inervação das tubas uterinas
As tubas uterinas recebem inervação de fibras autônomas que estão distribuídas principalmente com as artérias ovariana e uterina. A maior parte da tuba possui um duplo suprimento, simpático e parassimpático. Fibras parassimpáticas pré-ganglionares derivam do nervo vago para a metade lateral da tuba e de nervos esplâncnicos pélvicos para a metade medial. O suprimento simpático é derivado de neurônios do décimo segmento torácico até o segundo segmento lombar espinais. As fibras aferentes viscerais percorrem com os nervos simpáticos e adentram na medula através das raízes dorsais correspondentes: elas também podem seguir com fibras parassimpáticas.
Inervação dos ovários
A inervação ovariana é derivada de plexos autônomos, sendo que a parte superior do plexo ovariano é formada por ramos dos plexos renal e aórtico, e a parte inferior é reforçada pelos plexos hipogástricos superior e inferior. Esses plexos correspondem a fibras simpáticas, parassimpáticas pós-ganglionares e fibras aferentes viscerais. As fibras simpáticas eferentes são derivadas dos 10º e 11º segmentos espinais torácicos e são provavelmente vasoconstritoras, à medida que as fibras parassimpáticas, derivadas dos plexos hipogástricos inferiores onde chegam através dos nervos esplâncnicos pélvicos das raízes de S2, S3 e S4, são provavelmente vasodilatadoras.
Imagem: Senado Federal · BY · Openverse
Vascularização arterial
As principais artérias da pelve e do períneo são as artérias ilíacas internas e as artérias ovarianas. Os órgãos genitais internos femininos recebem seus suprimentos a partir das artérias uterinas e vaginais, ramos dos troncos anteriores das artérias ilíacas internas, além das artérias ovarianas que são ramos da aorta abdominal. A artéria ilíaca interna origina-se da artéria ilíaca comum a cada lado, aproximadamente no nível do disco intervertebral entre L5 e S1 e situa-se ântero-medial à articulação sacroilíaca. O vaso tem um trajeto caudal sobre a entrada pélvica e depois se divide em troncos anterior e posterior no nível da margem superior do forame isquiático maior. O tronco posterior da artéria ilíaca interna, direito e esquerdo, dá origem às artérias iliolombar, sacral lateral e glútea superior, que não serão aprofundadas nesse. Ramos do tronco anterior da artéria ilíaca interna incluem a artéria vesical superior, a artéria umbilical, a artéria vesical inferior (homens) ou artéria vaginal (mulheres), a artéria retal média, a artéria uterina, a artéria obturatória, a artéria pudenda interna e a artéria glútea inferior.
Vascularização venosa
As veias pélvicas seguem o trajeto de todos os ramos da artéria ilíaca interna, exceto para a artéria umbilical e a artéria iliolombar. A cada lado, as veias drenam para as veias ilíacas internas, que saem da cavidade pélvica para se unir a veias ilíacas comuns situadas em posição imediatamente superior e lateral à entrada pélvica. Em seu trajeto, as artérias uterinas são acompanhadas por suas veias homônimas, tributárias das veias ilíacas internas, que, além dessa, as veias sacrais médias e veias ováricas fazem um trajeto paralelo ao da artéria sacral média e da artéria ovárica, respectivamente, e saem da cavidade pélvica para unir-se a veias no abdome. As veias sacrais médias coalescem para formar uma veia única que se une à veia ilíaca comum ou à junção das duas veias ilíacas comuns para formar a veia cava inferior.
Vascularização linfática
Linfáticos da maioria das vísceras pélvicas drenam principalmente para os linfonodos distribuídos ao longo das artérias ilíacas internas, externas e seus ramos associados, que drenam para linfonodos associados às artérias ilíacas comuns e depois para linfonodos associados às superfícies laterais da aorta abdominal. Linfáticos dos ovários e partes relacionadas do útero e tubas uterinas saem da cavidade pélvica superiormente e drenam, através dos vasos que acompanham as artérias ováricas, diretamente para os linfonodos aórticos laterais e, em alguns casos, para os linfonodos pré-aórticos na superfície anterior da aorta. Os vasos linfáticos da parte inferior do corpo e do colo uterino como também da parte superior da vagina, drenam para os linfonodos ilíacos comuns, pré-aórticos, e para o tronco lombar de cada lado, que continuam até a origem do ducto torácico aproximadamente no nível vertebral T12. Já a parte inferior da vagina e os demais órgãos genitais externos têm sua drenagem linfática para os linfonodos inguinais superficiais, seguindo o trajeto do ligamento redondo do útero.
Imagem: Senado Federal · BY · Openverse
No final do desenvolvimento embrionário de uma menina, ela já tem todas as células que irão transformar-se em gametas nos seus dois ovários. Estas células - os ovócitos primários - encontram-se dentro de estruturas denominadas folículos de Graaf ou folículos ovarianos. A partir da adolescência, sob ação hormonal, os folículos ovarianos começam a crescer e a desenvolver. Os folículos em desenvolvimento secretam o hormônio estrógeno.[carece de fontes?] Mensalmente, apenas um folículo geralmente completa o desenvolvimento e a maturação, rompendo-se e liberando o ovócito secundário (gameta feminino): este fenômeno é conhecido como ovulação. Após seu rompimento, a massa celular resultante transforma-se em corpo lúteo ou amarelo, que passa a secretar os hormônios progesterona e estrógeno.[carece de fontes?] Com o tempo, o corpo lúteo regride e converte-se em c.[carece de fontes?] orpo albicans ou corpo branco, uma pequena cicatriz fibrosa que irá permanecer no ovário. O gâmeta feminino liberado na superfície de um dos ovários é recolhido por finas terminações das tubas uterinas, as fímbrias.[carece de fontes?]


