Ponto G
O ponto G, também conhecido como ponto Gräfenberg em referência ao ginecologista alemão Ernst Gräfenberg, é caracterizado como uma zona erógena da vagina que, quando estimulada, pode conduzir a elevados níveis de excitação sexual, com orgasmos intensos e uma potencial ejaculação feminina. Sua localização aproximada é de 5–8 centímetros da região interna da vagina entre a abertura vaginal e o canal da uretra, sendo que é uma área sensitiva da genitália feminina.
Localização
Dois métodos principais têm sido usados para definir e localizar o ponto G como uma área sensível na vagina: os níveis auto-relatados de excitação durante a estimulação do ponto G, levando à ejaculação feminina; assim como, a tecnologia de ultrassom também foi usada para identificar diferenças fisiológicas entre mulheres e alterações na região do ponto G durante a atividade sexual. A localização do ponto G é normalmente relatada como sendo cerca de 5 a 8 centímetros na região interna da vagina, na parede frontal. Para algumas mulheres, estimular essa área provoca um orgasmo mais intenso do que a estimulação clitoriana. A área do ponto G foi descrita como uma outra forma direta de prazer sexual, utilizando-se dois dedos pressionados profundamente nela. Tentar estimular a área através da penetração sexual, especialmente na posição de missionário, é difícil devido ao ângulo específico de penetração.
Vagina e clitóris
As mulheres geralmente precisam de estimulação direta do clitóris para chegar ao orgasmo, e a estimulação do ponto G pode ser melhor alcançada com a técnica da masturbação feminina e penetração vaginal. Uma massagem Yoni também inclui estimulação manual do ponto G. Brinquedos sexuais estão disponíveis para estimulação do ponto G. Um brinquedo sexual comum é o vibrador de ponto G, especialmente projetado para essa área, que é semelhante a um falo que tem uma ponta curva e tenta facilitar a estimulação da região. Os vibradores de ponto G são feitos dos mesmos materiais que os comuns, variando de plástico rígido, borracha, silicone, gel ou qualquer combinação deles. O nível de penetração vaginal ao usar um vibrador de ponto G depende da mulher, porque a fisiologia feminina nem sempre é a mesma. Os efeitos da estimulação do ponto G, seja ao encaixar um pênis ou um vibrador específico, também podem ser aumentados por meio da masturbação de outras zonas erógenas no corpo de uma mulher, como o clitóris ou a vulva, por exemplo. Ao usar um vibrador de ponto G, pode-se estimular o clitóris, inclusive usando este vibrador como um vibrador de clitóris; ou, se o vibrador for projetado para isso, aplicando-o de forma que estimule a cabeça do clitóris, o resto da vulva e da vagina simultaneamente.
Próstata feminina
Em 2001, o Comitê Federativo de Terminologia Anatômica aceitou a chamada "próstata feminina" como uma segunda nomenclatura para a glândula de Skene, a qual se acredita estar localizada na área do ponto G ao longo das paredes da uretra. A próstata masculina é biologicamente homóloga à glândula de Skene; foi chamado não oficialmente de ponto G masculino porque também pode ser usado como zona erógena. Regnier de Graaf, em 1672, observou que as secreções (ejaculação feminina) pela zona erógena da vagina lubrificam "de forma agradável durante o coito". Hipóteses científicas modernas que associam a sensibilidade do ponto G à ejaculação feminina levaram à ideia de que a ejaculação feminina não urinária pode se originar da glândula de Skene, que pode agir de maneira semelhante à próstata masculina em termos de antígeno específico da próstata e fosfatase ácida específica da próstata estudos, que levaram a uma tendência de chamar as glândulas de Skene de "próstata feminina". Além disso, a enzima PDE5 (envolvida com a disfunção erétil) também foi associada à área do ponto G. Devido a esses fatores, argumenta-se que o ponto G é um sistema de glândulas e ductos localizados na parede anterior (frontal) da vagina. Uma abordagem semelhante ligou o ponto G com a esponja uretral.
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A amplificação do ponto G (também chamada de aumento do ponto G ou injeção G) é uma intervenção cirúrgica destinada a aumentar temporariamente o prazer em mulheres sexualmente ativas, com ênfase no aumento do tamanho e da sensibilidade do ponto G. A amplificação do ponto G é realizada tentando localizar o ponto G e anotando as medições para referência futura. Depois de anestesiar a área com um anestésico local, o colágeno artificial humano é injetado diretamente sob a mucosa na área onde se conclui que o ponto G esteja. Um documento de posição publicado pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas em 2007 adverte que não há razão médica válida para realizar o procedimento, pois não é considerado rotineiro ou aceito pelo Colégio; e não foi provado ser seguro ou eficaz. Os riscos potenciais incluem disfunção sexual, infecção, sensação alterada, dispareunia, aderências e cicatrizes. A posição do Colégio alega que é insustentável recomendá-lo. Esse procedimento também não é aprovado pela Food and Drug Administration ou pela Associação Médica Americana, e nenhum estudo revisado por pares foi aceito para explicar sua segurança ou eficácia.
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Ceticismo geral
Além do ceticismo geral entre ginecologistas, sexólogos e outros pesquisadores de que o ponto G existe, no final de 2009, uma equipe do King's College de Londres sugeriu que sua existência é subjetiva. Eles adquiriram a maior amostragem de mulheres até o momento – 1 800 – que são pares de gêmeas, e descobriram que as gêmeas não relataram um ponto G semelhante em seus questionários. A pesquisa, liderada por Tim Spector, documenta um estudo de quinze anos sobre as gêmeas, idênticas e não idênticas. De acordo com os pesquisadores, se uma gêmea idêntica relatasse ter um ponto G, era mais provável que a outra também o fizesse, mas esse padrão não se materializou. A coautora do estudo, Andrea Burri, acredita: "É bastante irresponsável reivindicar a existência de um órgão que nunca foi comprovado, e pressionar mulheres e homens também". Ela afirmou que um dos motivos da pesquisa era remover sentimentos de "inadequação ou insucesso" das mulheres que temiam não ter o ponto G. A pesquisadora Beverly Whipple rejeitou as descobertas, comentando que gêmeas têm parceiros e técnicas sexuais diferentes, e que o estudo não considerou adequadamente mulheres lésbicas ou bissexuais.
Terminações nervosas
Os defensores do ponto G são criticados por dar muita relevância a evidências anedóticas e métodos investigativos questionáveis: por exemplo, os estudos que produziram evidências positivas para um ponto G localizado com precisão envolvem pequenas amostras de participantes. Embora a existência de uma maior concentração de terminações nervosas no terço inferior (perto da entrada) da vagina seja comumente citada, alguns exames científicos da inervação da parede vaginal não mostraram uma área única com maior densidade de terminações nervosas. Vários pesquisadores também consideram fraca a conexão entre a glândula de Skene e o ponto G. A esponja uretral, no entanto, que também é hipotetizada como o ponto G, contém terminações nervosas sensíveis e tecido erétil. A sensibilidade não é determinada apenas pela densidade dos neurônios: outros fatores incluem os padrões de ramificação dos terminais dos neurônios e a inervação cruzada ou colateral dos neurônios. Em contrapartida, os opositores do ponto G argumentam que, como há poucas terminações nervosas táteis na vagina e que, portanto, o ponto G não pode existir; os defensores alegam que os orgasmos vaginais dependem de nervos sensíveis à pressão.
Clitóris e outras discussões anatômicas
A existência do ponto G como uma relação anatômica do clitóris foi contestada por Vincenzo Puppo, que, embora concorde que o clitóris é o centro do prazer sexual feminino, discorda das descrições terminológicas e anatômicas do clitóris feitas por Helen O'Connell e outros pesquisadores. Ele afirmou: "Os bulbos do clitóris são um termo incorreto do ponto de vista embriológico e anatômico; na verdade, os bulbos não se desenvolvem a partir do falo e não pertencem ao clitóris." Ele diz que bulbos do clitóris "não é um termo usado na anatomia humana" e que bulbos do vestíbulo é o termo correto, acrescentando que ginecologistas e especialistas sexuais devem informar o público com fatos em vez de hipóteses ou opiniões pessoais. "os orgasmos intitulados pontos A/C/G/U, que teriam relação com os orgasmos clitoriano, vaginal e do colo do útero, além da ejaculação feminina, são termos que não devem ser usados por sexólogos, mulheres e meios de comunicação de massa", disse ele, comentando ainda que o "a parede vaginal anterior é separada da parede uretral posterior pelo septo uretrovaginal (sua espessura é de 10 a 12 milímetros)" e que o "clitóris interno" não existe. "A uretra perineal feminina, localizada na frente da parede vaginal anterior, tem cerca de um centímetro de comprimento e o ponto G está localizado na parede pélvica da uretra, 2 a 3 centímetros dentro da vagina", afirmou Puppo. Ele acredita que o pênis não pode entrar em contato com a congregação de múltiplos nervos/veias situados até o ângulo do clitóris, detalhado por Georg Ludwig Kobelt, ou com as raízes do clitóris, que não possuem receptores sensoriais ou sensibilidade erógena, durante coito vaginal. Ele, no entanto, rejeitou a definição orgástica do ponto G que surgiu depois de Ernst Gräfenberg, afirmando que "não há evidência anatômica do orgasmo vaginal que foi inventado por Freud em 1905, sem qualquer base científica".
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A liberação de fluidos foi vista pelos médicos como benéfica para a saúde. Nesse contexto, vários métodos foram usados ao longo dos séculos para liberar a "semente feminina" (via lubrificação vaginal ou pela ejaculação feminina) como tratamento para suffocation ex semine retento (sufocamento do útero), histeria feminina ou doença verde. Os métodos incluíam uma parteira esfregando as paredes da vagina ou inserindo o pênis ou objetos em forma de pênis na vagina. No livro History of V, Catherine Blackledge lista termos antigos para o que ela acredita se referir à próstata feminina (a glândula de Skene), como o "pequeno riacho", a "pérola negra" e o "palácio de yin" na China; a "pele da minhoca" no Japão; e "saspanda nadi" na Índia pelo manual erótico Ananga Ranga. O médico holandês do século XVII, Regnier de Graaf, descreveu a ejaculação feminina e se referiu a uma zona erógena na vagina que ele relacionou como homóloga à próstata masculina; esta zona foi posteriormente relatada pelo ginecologista alemão Ernst Gräfenberg. A cunhagem do termo G-spot (ponto G em português) foi creditada a Addiego et al. em 1981, em homenagem a Gräfenberg, e a Alice Kahn Ladas e Beverly Whipple et al. em 1982. A pesquisa de Gräfenberg na década de 1940, no entanto, foi dedicada à estimulação uretral; Gräfenberg afirmou: "Uma zona erótica sempre pode ser demonstrada na parede anterior da vagina ao longo da uretra". O conceito de ponto G entrou na cultura popular com a publicação em 1982 de The G Spot and Other Recent Discoveries About Human Sexuality por Ladas, Whipple e Perry, mas foi imediatamente criticado por ginecologistas: alguns deles negaram sua existência, pois a ausência de excitação tornava menos provável a observação, e os estudos de autópsia não relataram isso.


