Díptico
Um díptico é qualquer objeto que tenha duas placas planas ligadas entre si através de uma dobradiça. Artefatos com esta forma foram muito populares no mundo antigo para preservar notas, medir o tempo e direção.
Eclesiástica
É nesta forma que a menção aos "dípticos" aparece na literatura cristã primitiva. O termo se refere às listas oficiais dos vivos e mortos que eram comemorados numa igreja local. Os vivos eram escritos numa das folhas e os mortos, na outra. A inscrição de um bispo nos dípticos significava que a igreja em questão considerava-se em em comunhão com ele, sendo que a sua remoção indicava um cisma ou excomunhão. Os nomes nos dípticos eram também lidos publicamente pelo diácono durante a liturgia divina (Eucaristia) e pelo padre durante a liturgia da preparação. Dípticos eram também utilizados para escrever o nome dos santos. Embora estas tabuletas de cera não sejam mais utilizadas atualmente, o termo ainda é amplamente utilizado na Igreja Ortodoxa e na Igreja Católica Oriental para descrever estas listas, com todas as mesmas conotações.
Relógio de sol díptico
Este tipo de díptico tinha numa folha um relógio de sol vertical e na outra, um horizontal. A parte que fazia a sombra, chamada de gnomon, era um cordão entre elas, calibrado para permitir uma certa abertura, uma vez que ângulo entre as folhas era crítico. Este tipo de relógio de sol podia ser ajustado para qualquer latitude ajustando o artefato todo para que o gnomon ficasse paralelo ao eixo de rotação da Terra. Alguns dípticos tinham ainda um calendário rudimentar, na forma de nós (ou contas) num cordão, cuja acurácia era de aproximadamente uma semana, suficiente para controlar a data de plantio, seu principal uso.
Tabuleta de escrita
A forma mais comum de díptico na antiguidade era na forma de uma caixa rasa. Ele tinha duas folhas de madeira com espaço vazio em cada um dos lados preenchidos com cera e espaço para um pequeno artefato de madeira utilizado para escrever, como num caderno de anotações. Este artefato permitia que se tomassem notas, impermeáveis à água, sem desperdiçar dinheiro no caro papel. Quando necessário, a cera podia ser novamente alisada e o díptico, reutilizado.
Arte posterior
O díptico era um formato comum no gótico flamengo e os assuntos variavam de retratos seculares a personagens religiosos e histórias. Geralmente, um retrato e uma Madona com o menino Jesus em cada folha, algo especialmente popular nos séculos XV e XVI d.C. Pintores como Jan Van Eyck, Rogier van der Weyden, Hans Memling e Hugo van der Goes se utilizaram deste formato. Alguns artistas modernos se utilizaram do termo no título de obras que, ainda que não fossem conectadas, deveriam ser penduradas juntas, como um par, como é o caso do "Díptico de Marylin" (1962), de Andy Warhol, um ícone da pop culture.


